Como Se Apaixonar Por Gabriel Chase
3 Ela é louca mesmo, acha que é uma cupido
GABRIEL CHASE
Sábado.
Quando acordei pela segunda vez no dia não precisei me preocupar com ninguém caindo de escadas, já que Amálie ainda estava dormindo e havia ficado no sofá do primeiro andar.
Eu fui para cozinha preparar alguma coisa pra comer no café da manhã, como não tinha nada em casa tive que contentar com apenas a xicara de café e biscoitos velhos que tinha no armário.
— Gabriel? — escutei Amálie chamar, ela estava de pé perto do sofá, seu cabelo estava uma bagunça.
— O que foi? — perguntei andando até ela, a garota me encarou por dois segundos.
— É café? — balancei a cabeça afirmando e ela pegou a minha xicara indo pra cozinha. — Quero a minha mochila. Preciso ver se a minha chefe me ligou. Tem comida?
— Não — gritei enquanto subia as escadas, procurei pelo chão do quarto e encontrei a bolsa preta com botons de bandas e series. — Você não sabe o que é Dorflex, mas sabe o que é Game of Thrones?
Eu coloquei o livro dela em cima da mesa junto com a mochila, Amálie riu quase cuspindo café sobre toda a mesa.
— Quem não sabe o que é Game of Thrones? — ela começou a mexer na mochila e tirou algumas coisas de lá até tirar um Iphone 6s de um bolso escondido.
— Tá, ok. De onde você vem as pessoas usam magia pra se curar, assistem séries e escutam Oasis e Lana Del Rey, tem a última geração do Iphone, mas não sabem que porra é um Dorflex?
— É — ela respondeu entediada digitando uma senha gigante no aparelho eletrônico, eu tive vontade de bater minha cabeça na parede. — Graças aos deuses ela não me ligou.
Eu continuei parado olhando a garota que aparentemente havia vindo de um mundo paralelo com magia tentar tirar as coisas da mochila com a mão esquerda.
— Onde está a minha FIL? — ela me olhou preocupada. — Por favor não me diga que eu perdi.
— O que seria a sua “FIL” — fiz aspas no ar.
— Minha arma. Aquele negócio absurdamente rosa.
— Está guardado.
— Ainda bem, se eu perdesse ela ia perder a minha cabeça, pode me entregar ela?
— Não. Você tentou atirar em mim ontem lembra?
— Me desculpe, e de qualquer forma não ia te matar, só ia fazer você cair de amores pela tal de Caroline — ela deu de ombros se levantando.
— E por que eu cairia de amores por ela?
— Por que faz parte do meu novo trabalho, fazer as pessoas se apaixonarem, no caso, você pela Caroline.
— Que merda você é? — eu comecei a rir dela, ela falava como se aquilo fosse realmente verdade. — Um cupido?
— Você tem que usar um artigo feminino, eu sou UMA cupido — ela disse séria, meu sorriso foi murchando aos poucos.
— O que?
— Exatamente, eu estou aqui pra fazer o senhor ter um relacionamento decente, quer dizer, ter um relacionamento.
— E por que? Por que tem pessoas se importando com meus relacionamentos? Eu não quero me apaixonar! Caralho acho que eu to drogado. Acho que eu bebi alguma coisa loca ontem.
— O problema Gabriel é que você não tem esses tais de relacionamentos e nem vai ter escolha sobre se apaixonar ou não. Você é muito difícil de flechar, nunca pensa em nada além de comer as mulheres. Muitos cupidos já pediram demissão por sua causa. Você é o caso impossível do amor.
— E por que você aceitou isso senhorita cupido?
— Eu não tive escolha caralho — ela bateu na mesa. — A minha chefe acha que pode simplesmente me ligar e dizer que eu vou ter que lutar com o caso de Gabriel Chase. Porra eu sou só uma estagiária. Não podem me colocar pra fazer essas coisas. Eu só faço merda.
— Colocaram uma estagiária para fazer eu me apaixonar, sendo que eu sou o “pior caso” de vocês.
— Você percebeu a loucura?
— Sim, percebi que você é louca, tem alguém pra eu ligar pra te levar pra casa?
— Eu não sou louca. E só posso ir pra casa depois que você se apaixonar, mas eu não sei como você em viu ontem, e acabou ferrando todo o plano e me fudendo com isso — ela suspirou, eu ia comentar alguma coisa, mas o telefone dela começou a tocara música de alguma boyband famosa. — Merda é ela, não fala nada. Bom dia senhora... Sim ocorreu um pequeno empecilho e eu não pude completar a missão... Sim senhora na próxima oportunidade irei completar a missão, mas infelizmente irá demorar um pouco mais que o planejado... Machuquei a minha mão ontem à noite, então completarei em breve... sim senhora... Mandarei relatórios.
Ela respirou fundo depois que teve certeza que havia desligado o telefone.
— Eu to fodida e mal paga. E tu vai se apaixonar pela Caroline, ou qualquer outra garota — Amálie sentou de novo.
— Isso tudo é verdade? — ela assentiu. — Caralho por que eu não posso ficar sozinho?
— Por que é meu trabalho garantir que tu não vai ficar sozinho... — ela foi interrompida pela campainha.
— Gabe meu amor abre a porta.
— Porra é minha irmã. Se esconde — eu comecei a puxar ela e a garota começou a rir.
— Ela não vai me ver, tá de boas — ela só levantou e foi pro canto da cozinha. — Vai lá abrir a porta pra sua irmã, vai deixar ela esperando o dia todo?
Deixei Amálie na cozinha e fui abrir a porta para minha irmã, ela estava mexendo no celular e batia o pé no chão impaciente.
— Bom dia Barbara — fiz cara de quem acabou de acordar. — O que aconteceu pra você estar aqui tão cedo?
— Cedo Gabriel? Por favor, é quase meio-dia — ela foi na direção da cozinha. — Você ainda tá tomando café? Vai se arrumar que vamos almoçar com a Maia pra começarmos a organizar meu casamento. Tudo bem pra você?
— A Maia é bonita? — Amálie perguntou parando do meu lado, nesse momento eu percebi que Barbara não havia notado a presença da garota.
— Sim — respondi a Amálie.
— Perfeito, sobe logo e troca de roupa — Barbara sentou na mesa e ligou a televisão que tinha no cômodo.
Pela centésima vez naquela manhã eu subi aquelas malditas escadas, conseguia escutar Amálie subindo logo atrás de mim, entramos no meu quarto e ela se jogou na minha cama, ela tinha um rosto absurdamente angelical.
— Por que Barbara não te viu? — perguntei me apoiando na porta fechada.
— Por que os mortais não podem me ver, a não ser que eu queira.
— E por que eu consigo te ver?
— Eu não sei. Sou só a estagiária, quando percebi que tu podia me ver quase tive um ataque do coração.
— Eu percebi isso. Você desmaiou lembra... Por isso que o taxista tava e encarando como se eu fosse um louco.
— Você chamou um taxi? — ela começou a rir desesperadamente.
— Amálie eu vou te matar — tirei o chinelo que eu usava e joguei na minha nova/futura melhor amiga arranjadora de casamentos.
No próximo capitulo de COMO SE APAIXONAR POR GABRIEL CHASE
— Problemas de novo Amálie?
— Pelo menos não fiz ninguém se apaixonar por uma vaca.
— Deixa eu ver como está isso ai. Esse é o pior curativo que eu já vi na minha vida, crianças de cinco anos sabem fazer melhor.
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