Como Se Apaixonar Por Gabriel Chase
8 Aqui Não Aconteceu Nada Demais
Notas iniciais
Gabriel Chase
Domingo
Amálie cortou relações comigo durante todo o domingo, ela se manteve trancada dentro do quarto de hóspedes fazendo inúmeras ligações.
Barbara foi me visitar por volta das dez da manhã, já eram seis da tarde e ela ainda não tinha ido embora.
—Conseguiu terminar o trabalho Gabriel? — Barbara estava assistindo série comigo.
—Claro, era sobre Tolstói — respondi como se aquilo fosse verdade.
—A Caroline me contou que vocês saíram ontem, e que você deixou ela sozinha encharcada de cerveja — Barbara me olhou com um misto de repreensão e divertimento.
—Derrubaram cerveja nela e eu precisei vir pra casa... — não pude terminar de falar nem Barbara pode perguntar nada pois a voz da cupido ecoou vindo da escada.
—Gabriel, eu preciso de outra blusa emprestada por que acabei de sujar essa de... tinta — a voz de Amálie morreu quando viu Barbara e Barbara olhou fixamente para ela. — Boa tarde.
—Entendi o porquê de você precisar vir pra casa. É um bom motivo — Barbara se levantou para cumprimentar a garota de cabelo preto. — Sou Barbara, irmã do Gabriel.
—Eu sou Amálie — ela abriu um sorriso polido e estendeu a mão limpa, e com o gesso, para minha irmã apertar, o rosto da cupido estava levemente corado.
—Mamãe falou dela, disse que você finalmente estava namorando, mas essa é a Amálie que gosta de garotas certo? — Barbara tinha um tom esperançoso, talvez ainda tivesse esperança de me jogar para cima da Caroline, o que depois da noite de ontem se tornou uma possibilidade muito remota.
—Ah não... Quer dizer, não é nenhuma das opções. Eu definitivamente não gosto de garotas e muito menos namoro o Gabriel — Amálie respondeu rapidamente.
—Você pinta seu cabelo de preto? — perguntei olhando a grande mancha sobre a estampa da camiseta branca.
—Sim, nunca te contei? — ela disse como se nos conhecêssemos há décadas. — Eu sou loira.
—E por que pinta o cabelo então? — indaguei.
—Por que eu acho que com o cabelo loiro no meu último trabalho não ajudava em nada. Gabriel disse que vai se casar Barbara, na verdade, ele falou muito de você — parecia que ela não queria que o assunto fosse ela, o que era bom já que eu não fazia mínima ideia do que iria falar sobre Amálie.
O rosto da minha irmã se iluminou enquanto falava sobre Gustavo e como queria que seu casamento ocorresse, Barbara e seu noivo eram incrivelmente diferentes e o relacionamento deles parecia dar absurdamente certo.
Gustavo era um tanto insensível, como a minha irmã diz, mas não posso falar nada já que ela diz a mesma coisa sobre mim, minha irmã é muito enérgica, consegue fazer amizades em poucos minutos — o fato de Amálie estar sentada no sofá escutando a história de como Babi e Gustavo se conheceram é a prova disso — enquanto Gustavo pode demorar semanas até ter certeza que vai passar a te cumprimentar na rua, louco não?
—O que aconteceu no seu braço Amálie? — minha irmã perguntou preocupada.
—Nada demais, eu só cai esses dias, mas já estou bem — Amálie deu um sorriso.
—Onde você e Gabriel se conheceram? — Barbara perguntou, Amálie ficou com a boca entreaberta sem saber o que falar.
—Nós... onde nos conhecemos? — minha irmã assentiu, Amálie deu um sorriso falso e pareceu tomar controle da situação. — Nos conhecemos em um bar, há mais ou menos um mês.
—Há tão pouco tempo? Por que não me falou dela Gabe adoraria ter conhecido Amálie antes — Barbara se virou para mim.
—Eu não estava na cidade, eu moro em Londres na verdade, estou aqui apenas a passeio, a faculdade estava muito conturbada, eu resolvi que precisava espairecer, e Gabriel me ofereceu a casa dele — Amálie falava com tanta convicção que eu também acreditava em tudo o que ela dizia.
—O que cursa? — eu perguntei e Amálie sorriu suave.
—Medicina, estou no quinto período — cruzou as pernas desconfortável, aquilo provavelmente era verdade já que ela falou mais baixo, em pouco tempo já havia percebido que quando Amálie mente ela fala mais alto e com toda a certeza do mundo o que faz as outras pessoas acreditar no que ela diz logo de cara. — Que horas são?
—Oito e meia — respondi, Barbara se levantou rápido e saiu quase correndo cum a desculpa que tinha que sair com o Gustavo, Amálie não conseguiu raciocinar direito o que estava acontecendo para se despedir dela.
—Uau, sua irmã é bem... Animada — Amálie disse com as sobrancelhas arqueadas.
—Piora quando ela bebe café — respondi me espreguiçando. — O que vamos jantar?
—Vou ir jantar com a minha mãe — Amálie se levantou. — Por isso tava retocando a cor do cabelo. Minha mãe é muito detalhista. Maia aceitou seu convite para jantar.
Ela saiu andando com um sorriso malicioso, continuei parado tentando entender o que ela havia dito.
— Como assim aceitou o convite Amálie, eu não convidei ninguém para jantar — reclamei seguindo ela para o quarto de hospedes.
— Digamos que eu mandei uma mensagem, ela respondeu, disse que precisavam conversar sobre o casamento da sua irmã, como se fosse sobre isso que ela queria falar — Amálie piscou marota. — Já separei a roupa, toma banho rápido e se veste que vai me deixar no restaurante e depois ir buscar Maia.
—Você quer me enlouquecer Amálie? — perguntei meio rude parado no meio do quarto.
—Como assim? — ela havia dado um passo para trás, talvez por ser uma cupido ela aparentemente era mais sensível a raiva, parecia que ela sentia medo, tentei controlar meu tom de voz.
—Um dia me faz sair com Caroline e hoje com Maia, amanhã vai ser com quem?
—Desculpe por isso, pensei que depois do fiasco que foi a noite ontem, talvez você quisesse falar com alguém sobre coisas interessantes, alguém com uma boa linha de raciocínio — ela encolheu os ombros e olhou para baixo.
—Por que eu não podia falar com você sobre coisas interessantes? — eu fechei os olhos me amaldiçoando por não ter controle sob minhas palavras.
—Porque você precisa se apaixonar por alguém, e para isso você tem que falar com outras pessoas sobre qualquer coisa. Pra eu poder te flechar — ela deu de ombros.
— Eu só vou me apaixonar se você me flechar? — ela assentiu. — A Barbara foi flechada por algum cupido?
—Sim Eros a flechou.
—Se não fosse por ele Barbara não amaria Gustavo nem se casaria com ele.
—Não exatamente, ela poderia ficar com ele por bastante tempo e tudo mais, mas se casar com ele não. Se ela não tivesse sido flechada por Eros Barbara ia se sentir incompleta. Como se houvessem roubado um pedaço dela.
—Então o que ela sente é falso? — eu fiquei surpreso.
—Não mesmo — Amálie disse mais alto. — O que ela sente é incrivelmente verdadeiro Gabriel, mas ela não podia descobrir esse sentimento sem esse fator externo, nós cupidos estamos aqui para isso. Somos esse fator externo. Nós apresentamos o amor para as pessoas, se não fizéssemos isso algumas pessoas não teriam chance de conhecer o amor, isso é triste, a minha chefe não conseguia conviver com isso, então ela domou o amor, levou séculos.
—Então nós mortais não temos poder de escolher quem vamos amar? — eu havia me sentado, devia estar indo me arrumar para sair, mas não decidi me sentar e escutar Amálie, o meu eu do passado se surpreenderia com a quantidade exorbitante de vezes que eu decidiria ficar sentado escutando Amálie falar do mundo ao invés de ir para uma festa qualquer.
—Não mais, quando os seres humanos tinham a possibilidade de escolher quem iam amar acabavam errando. Fazendo coisas ruins em nome do amor. Nós achamos melhor controlar isso — ela parecia um tanto envergonhada por falar isso, acabou sentando do meu lado.
—Então não importa de quem eu gosto mais. Você vai me flechar com a pessoa que, para você, é a ideal?
—Isso mesmo — olhei para seus olhos extremamente azuis, talvez apenas de olhar para os olhos daquela garota daria para perceber que ela não era um ser humano.
— Você tem olhos bonitos — ela exteriorizou meu pensamento.
—Estava pensando o mesmo sobre você — ela sorriu, seus dentes eram extremamente brancos, estávamos perto demais, eu tinha consciência disso, mas ela não parecia disposta a se afastar, e sinceramente eu também não.
Coloquei uma mão na bochecha dela e puxei seu rosto pra perto, ela me olhava intensamente, nossas bocas se tocaram de leve, em um tipo de selinho, que poderia ter se transformado em um beijo de verdade se ela não tivesse me empurrado com força.
—Eu... Eu tenho que ir me arrumar Gabriel, como eu disse ela é muito detalhista — ela havia se levantado e parecia que tinha saído de um transe. — Vai se arrumar que a Maia não pode ficar esperando.
—O que aconteceu? — perguntei sem entender, eu queria beijar ela caramba, ela me olhou divertida.
—Como assim? Não aconteceu nada demais.
No próximo capitulo de "Como Se Apaixonar Por Gabriel Chase"
— Você convidou Maia para jantar comigo só pra poder dizer que está fazendo um progresso em relação a minha pessoa?
— Como assim? Como você consegue pensar que eu havia premeditado isso?
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