Notas iniciais
Desculpem a demora. Em compensação o capitulo é grandinho. ;)

Charles e Vicky 30 anos atrás.

Naquela clareira reinava a destruição, os indícios da luta entre os dois anjos era obvia. Troncos caídos, sangue espalhado, e no meio daquela destruição jaziam dois corpos. Ainda que cobertos de sangue aqueles dois seres eram dotados de uma beleza estonteante. Aquela imagem parecia surreal no meio de tanto silêncio e destruição. Uma bela mulher que respirava com dificuldade coberta de inúmeras feridas profundas, com roupas rasgadas e com o cabelo ruivo parecendo queimar sobre o seu rosto branco. O cabelo não era simplesmente ruivo, era como um topázio imperial, com o movimento suave do vento os eu cabelos iam ondulando parecendo mesmo uma chama viva. Isto tornava aquela mulher assustadora, como se soubéssemos que ela nos poderia matar a qualquer momento ainda que ela estivesse inconsciente. Um homem igualmente ferido, com as roupas rasgadas, tão belo como a mulher que estava inconsciente ao seu lado, mas com os cabelos pretos como uma noite sem luar pinho e um tom de pele igualmente claro. Passaram-se horas sem que aquele cenário se alterasse. Até que o homem se começou a mexer, os movimentos eram lentos e pareciam dolorosos. Com uma serie de movimentos conseguiu sentar-se e finalmente olhou à sua volta. O seu olhar demorou-se naquela mulher que agora respirava mais regularmente. O rosto do homem passou de dor, a duvida. De duvida a incerteza. De incerteza a raiva. Varias emoções trespassaram o seu rosto. Até que muito delicadamente, ele acariciou o rosto da mulher. Tocou-a tão delicadamente como se a acarinhasse com uma pena, contornou cada traço do seu rosto, e pôs-se de pé. Caminhou meio da clareira, arrancou um pedaço de relva e começou a murmurar algo inteligível. Por fim voltou para junto do copo da mulher e colocou aquelas ervas nas feridas que pareciam mais profundas. O seu corpo reagiu e com um grito abriu os olhos. Os movimentos seguintes foram muito rápidos mas, num piscar de olhos estavam os dois a lutar novamente, golpes rápidos que não conseguiriam ser vistos por olhos humanos.

O anjo ruivo deferia golpes raivosos mas extremamente cautelosos. Era uma autentica maquina de matar. O anjo com cabelos pretos defendia-se dos golpes, sem tentar ataca-la uma único vez.

– Para!!!!!! — Gritou-lhe o anjo de cabelos negros. — Deixa-me explicar.

O anjo de cabelos ruivos apenas hesitou um milésimo de segundo, mas voltou a golpear, e desta vez o golpe acertou o seu adversário. Jurou sangue da ferida que acabara de ser aberta, um, pequeno rugido acompanhou o sangue que saia da ferida.

– Porque haveria de o fazer? — Perguntou-lhe o anjo ruivo. — quanto mais depressa te matar ti, mais depressa me vejo livre dos outros que vieram contigo.

Mais movimentos e golpes raivosos. Estavam os dois mais lentos, por causa dos ferimentos, mas nenhum deles parecia disposto a desistir. Por um golpe de sorte o anjo ruivo tropeça depois de se desviar de um golpe. Caiu de costas e antes que se pudesse levantar o anjo de cabelos negros prendeu-lhe os braços e as pernas.

– Para! — pediu-lhe ais uma vez. O rosto do anjo ruivo estava coberto de raiva, mas o anjo de cabelos negros era forte, e o seu aperto era firme.

O anjo de cabelos negros sabia que não iria conseguir aguentar tanto tempo naquela posição favorável, por isso começou a falar rapidamente.

– Não te quero prender, por favor acredita.

A expressão no rosto do outro anjo não mudou.

– Pensei que os anjos ao serviço de Deus não podiam mentir.

–Não podemos. Eu não estou a mentir. Eu ia prender-te, mas... — o seu rosto ficou vermelho e hesitante.

– Mas? Acabou-se a capacidade de mentira? Solta-me e prometo que te mato rápido.

– Mas apaixonei-me pela pessoa que tinha que matar. — gritou-lhe, olhando-a nos olhos.

A surpresa passou pelo rosto do anjo ruivo, mas mesmo assim recusou-se a aceitar aquilo que lhe estavam a dizer.

– Um golpe baixo, querido. -falou-lhe como se cuspisse as palavras.

– Não é um golpe. Eu não sei explicar o que aconteceu. Eu ia prender-te mas tu estavas tão linda e depois eu fiquei sem saber o que fazer, mas....

O anjo ruivo estava confuso, mas a verdade é que acreditava nele. Não só porque, no seu intimo ,precisava de alguém que a amasse, mas porque via nos olhos daquele anjo que tudo era verdade. O anjo de cabelos negros soltou-a. Talvez tenha sido um erro ou não. Mas a verdade é que foi a vez do anjo ruivo lhe prender os movimentos da mesma maneira que ele tinha feito com ela.

– Mesmo que tudo o que dizes for verdade, o que achas que um demónio como eu pode fazer? Vou continuar a ser caçada como um animal.

– Talvez se te renderes...

– Render? Sabes quantas pessoas matei? Vou ser morta, mesmo que me renda.

Por alguns segundos nenhum dos dois falou. Apenas se encaravam.

– Então fugimos. — disse o anjo de cabelos negros. — Não vou deixar que te magoem, sei como apagar o nosso rasto. Para o mundo estaremos mortos. Podemos começar outra vez juntos.

O aperto do anjo ruivo afrouxou e o anjo de cabelos negros conseguiu soltar os braços. Ela olhava para aquele anjo que lhe falava tão delicadamente e com tanta certeza. Ele devagar prendeu-a num abraço. Ficaram assim, abraçados, até que o sol se deitou. Ela havia chorado. Não se sabe bem o porquê. Mas foi assim que o amor este dois começou a crescer. Durante horas que passaram, abraçados um ao outro.

Já estavam longe do alcance de qualquer anjo, quando o anjo ruivo parou.

– O que se passa Vicky?

– Sabes aquilo que estas a deixar para trás? O que estas a arriscar? — ela tinha uma expressão de dor no rosto. Como se sofresse ao dizer aquilo.

Charles aproximou-se dela e tocou o seu rosto.

– Sei. Mas não importa.

– Nunca mais vais poder voltar para céu.

– Abandonei tudo o que conhecia por ti. Abandonei a minha fé para te manter a salvo. Já não me interessa se posso ou não voltar para o céu, porque agora és tudo o que tenho.

Ali no meio do nada, depois daquelas palavras deram o seu primeiro beijo. Dois anjos que negaram todo aquilo que lhes foi ensinado. Mas será que poderiam fugir da realidade para sempre?

Notas finais
Gostaste? Comenta, seja para criticar ou elogiar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.