Notas iniciais
Desculpem, desculpem mesmo pela demora. Ando super super ocupada .Espero que gostem da leitura.

Algo esta errado, consigo senti-lo. Mas o que é? Ainda que saiba que devo, não consigo abrir os olhos. Aquela sensação húmida incomodativa….

–Lágrimas….- sussurro. Os meus olhos abrem-se, porque chorava? A música já não tocava, talvez tivesse acabado.

Levanto-me e limpo o rosto, furiosamente. Detesto chorar, chorar é um sinal de fraqueza. Todo à minha volta me faz lembrar dela, por isso saiu em busca de uma nova presa. Talvez isso me animasse.

***

Não voltei a sair de casa, mas todos os acontecimentos do dia pesavam na minha cabeça. Comecei a sentir o meu coração falhar, querendo rachar. Sabia que não podia deixar que tal coisa acontece-se, mas desde que ouvira a música que não conseguia animar-me, ou pensar racionalmente. Levantei-me da cama e abri a janela. Saí para a varanda, deitei-me na minha rede e observei as estrelas, na esperança que elas me levassem a esquecer todo o acontecera.

***

Não estava a ter muita sorte na minha saída, nenhum coração parecia partido, encontrei alguns rachados, mas procurava algo mais apetitoso. Por fim desisti e dirigi-me para o coração rachado que estava mais perto. Para sorte minha a rapariga parecia adormecida. A cara dela não me era estranha, mas nem pensei muito no assunto. Se uma humana fosse suficientemente estúpida para dormir numa rede na varanda do quarto, a culpa não era minha. Além disso uma presa fácil de vez em quando era agradável. Quando me aproximei mais pode reconhece-la. Era a rapariga do beco, o que teria rachado o seu coração? Não interessava.

– Afasta-te dela Gabriel. – ouvi o meu nome e voltei-me. Era uma voz familiar.

– Vicki?

Aquela demónio erguia-se ao meu lado, fazendo com que o meu porte fosse quase insignificante. Não era atoa que fosse chamada Rainha Lucifer, nunca fora vencida numa batalha e bastava um olhar seu para calar qualquer demónio, fosse qual fosse o seu posto. Desde um simples coletor de almas ao membro consagrado do conselho. Mas ela desaparecera sem deixar rastro anos atrás. Ninguém sabia a história direito. Conheci-a quando tinha 3 anos, era amiga de minha mãe. Apesar de todo o seu poder nunca aceitou um cargo oficial elevado, dizia que lhe roubava a liberdade.

– Não vou repetir Gabriel, afasta-te da rapariga.

Olhei para a rapariga que descansava, não me parecia uma presa assim tão apetitosa, pelo menos não no momento, talvez quando a sua alma estivesse mais corrompida.

– Não era minha intenção roubar-te a presa Vicki. Decidiste finalmente aparecer? Por onde tens andado?

Vi-a suspirar, de certa forma parecia cansada, quase envelhecida, mas normalmente os demónios só ficavam naquele estado se não consumissem almas durante anos, talvez fosse por isso que quisesse tanto a rapariga.

– Ela não é nenhuma presa Gabriel, é minha filha.

Senti o meu corpo ficar tenso. Filha? Vicki tinha tido uma filha? Ninguém ouvira falar dela durante séculos. Soltei uma gargalhada nervosa.

– Essa foi boa Vicki, mas já não sou o miúdo que costumavas enganar.

– Não te estou a enganar.

Com apenas um movimento ela passou por mim e tocou delicadamente no rosto da rapariga adormecida. Vê-la mover-se tão rapidamente ainda que não se alimentasse, pelo que parecia anos, fez-me estremecer. Ela agarrou-a delicadamente e passou pela janela da varanda que estava aberta. Segui-a sem pensar.

– Se não estas a brincar, quem é o pai? Não gouve registro de mais nenhum demónio desaparecido e ninguém te vê a séculos.

– Décadas…

– O quê?

– Ninguém me vê a décadas, não séculos.

–Estas a desconversar Vicki.

– O pai sou eu.

Virei-me em direção à porta, de onde a voz tinha surgido. Um homem alto e bonito se encontrava à entrada.

– Eu disse-te que o conseguia convencer Charles. – disse-lhe Vicki – Não precisavas de ter vindo.

– Confias nele, certo?

Vicki acenou. Estava um pouco confuso, mas nada me levava a acenar. Pensei mais um pouco e algumas peças do puzzle juntaram-se.

– Tiveste uma filha com um humano?

Os dois olharam para mim ao mesmo tempo. Senti-me algo idiota.

– Não, Gabriel, não sou humano. Sou um anjo.

Pra comprovar ele abriu as asas e penas brancas esvoaçaram….

Estava completamente atordoado. Vicki a maior guerreira demónio tivera uma filha com um anjo???

Notas finais
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