O Sol nasce preguiçosamente atrás de um monte de prédios de acordo com o gira-gira da Terra e não com os relógios, os primeiros raios chegam àquela parte do planeta. Ainda faltava algumas horas para o dia útil de fato começasse naquela cidade. Era difícil alguém assistir o nascer-do-sol por lá, afinal, o dia ainda não havia começado e a maioria das pessoas estavam dormindo.

Assim que os primeiros despertadores da cidade tocam, o dia começa: acordar, levantar, banheiro, vestir, comer, sair. Cada um no seu tempo, e depois os atrasados. Os que não iriam sair, ficavam. É exatamente assim em todos os lugares do mundo.

Enfim, em uma mansão residia um livro. Vários deles, para ser honesta, mas havia um em especial trancafinado em um cofre, escondido de maneira clichê atrás de um quadro enorme que naquele dia em especial havia sido aberto. Mas não por quem o havia trancado ou escondido. Seu nome era Lilá, e estava prestes a se envolver em algo que só poderia imaginar em seus pensamentos.

Essa garota tinha acordado particularmente estressada, foi assim que acordou e passou os primeiros momentos do dia. O motivo? Bem, fora transferida de escola no meio do semestre letivo sem o seu consentimento total, passara boa parte do dia anterior dando entrevista como modelo iniciante que fora bastante desgastante e também não estava se saído tão bem no curso de modelo ultimamente. Parecia que a cobrança de desfilar era cada vez maior e hoje teria que acordar muito mais cedo do que está acostumada para ir a essa tal escola de prestígio. Pelo que soube ela não seria a única modelo a estudar lá.

Assim que terminou de se arrumar, saiu do seu quarto e caminha em rumo à sala de café da manhã, passando por alguns cômodos e um corredor desnecessáriamente grande cheio de quadros. Lilá olha em direção a mulher do quadro, que por sua vez sustentava um ar de deboche de maneira que parecia que sabia que estava de mal-humor e estaria apenas piorando a situação com o quase sorriso que outros diriam que é indecifrável.

Ela lança um olhar estressado para a pintura, tenta ignorar, falha em seu objetivo e caminha decididamente até a pintura. Fecha uma das mãos em forma de punho e deixa cair no quadro, o que lhe causa uma pequena dor. Por que tudo parecia estar contra ela? Por que tinha que ser constantemente lembrada do quanto não consegue atingir suas metas? Até em ignorar essa mulher esnobe não conseguiu.

Se lembra das histórias que um dos funcionários mais antigos da casa e também quem criou-a cujo nome era René, lhe contara sobre os antigos heróis que lutavam contra as forças do mal. A maioria das histórias de super-heróis pareciam meio ridículas para ela e até mesmo cômicas, mas tinha uma que era diferente. A mais esperta, a mais criativa... Apenas a melhor e seu nome era...

Algo soou pelo lugar, não parecia ser distante. Era algo próximo, abafado e grave, definitivamente vinha de perto. Tão perto que poderia vir perfeitamente da parede. Lilá se afasta do quadro, concentrada no barulho e algo acontece que você já deve imaginar ou não: a pintura da mulher debochada se abre misteriosamente como se fosse uma porta, obviamente; relevando um compartimento com várias coisas aguardadas.

Não vou dizer tudo o que tinha lá, mas digo o que mais chamou a atenção dela foi um lindo colar com um pingente fofo que lembrava uma calda de raposa. Foi disso que ela se aproximou, assim que tocou-o,
Doom, uma luz laranja erradia do pingente e uma mini raposa voadora com um cabeção estranhamente desproporcional ao corpo minúsculo com olhos roxos quase tão enormes quanto a cabeça.

E para piorar tudo, aquilo falou:

— Olá! — disse a coisa — Eu sou Trixx, basicamente quem toma conta desse miraculous aí que você segura!

Foi exatamente nesse ponto em que Lilá tomou o terceiro maior susto de sua vida até então. Não sabia se gritava ou se corria ou se tacava a bolsa naquilo ou se ficava sem reação; na dúvida, ficou parada fazendo um som estranho com a boca que até poderia ser um grito, mas ao que parece seu cérebro bugou e foi o máximo de reação de conseguiu fazer.

Trixx por sua vez aproveitou o bug temporário para se situar, afinal fazia anos, talvez até décadas que não saia dali. Depois disso, olhou para a expressão perplexa do ser humano ali em sua frente, como mais nada aconteceu, tentou tomar iniciativa.

— Haan... é... Oi? — voa para perto dela.

— Vo-vo-você... — Lilá se afasta da coisa instintivamente — Mas como? — pergunta ainda com olhos arregalados, encarando o treco.

— Ah! — Trixx olha para o colar — Eu estava dentro desse cordão até você tocar nele ou algo assim, que no caso seria a nova portadora do miraculous.

A garota ainda incrédula toma coragem para se aproximar.

— Miraculous? — ela olha o cordão em uma de suas mãos — Isso tem a ver com heróis mágicos de coisas assim...

— É, sou eu quem possibilita a transformação em heroína.

— O que é você? E como é que isso funciona? — pergunta, lembrando das histórias de ouvira desde criança. Já tinha ouvido falar dos super-heróis dos miraculous e alguns de seus poderes, mas nunca pensara que se precisaria de um bichinho voador para tomar conta dos acessórios de transformação. Sua heroína favorita fazia parte disso.

A conversa se desenrolou e Lilá ficou sabendo o básico sobre a criatura laranja com quem conversava que logo descobriu ser de uma espécie mágica chamada kwami; porém a conversa não rendeu por motivos de que: 1) Ela ainda tinha que ir tomar o seu desgejum; e 2) Trixx interrompeu a conversa, foi para o compartimento atrás do quadro e tirou um livro grande e grosso de lá com suas mãos-patinhas.

Após esses dois acontecimentos, a garota ainda meio perdida permitiu que lhe entregasse o livro, seguindo a fala de kwami com olhos violetas:

— Aqui! Fique com isso que será importante você ter esse livro. — Lilá pensa em perguntar o motivo mas desiste quando percebe que ainda tinha um dia inteiro na nova escola. Finalmente coloca o livro na bolsa, põe o colar no pescoço, fecha o compartimento.

Quando chega, se depara com a mesa com várias coisas gostosas para comer, e, como sempre, tinha René em pé a esperando.

— Demorou muito para acordar hoje, madame? — pergunta ele educadamente. O fato dele chamá-la de "madame" costumava a lembrar de que apesar de tudo, ele servia à sua família; e consequentemente à ela.

Lilá não responde e se senta.

— Devo te lembrar de que não demora muito para sua aula começar. — René sabia de que ela não fazia questão de ele se dirija a ela de maneira tão formal. Os anos podem não enganar, mas seu trabalho naquela casa não.

— Obrigado. — ela pega o prato o alimento e o olha e acaba de perceber de que o dia poderia não ser tão ruim assim.

...

Depois de 87 anos sem postar no nyah! Dois caps duma vez pra vcs
A onda de despertadores continua por toda a cidade e chega na casa onde até pouco tempo estava ele dormindo. Dessa vez, Nathaniel resolve fazer algo um pouquinho fora de sua rotina matinal: abre a gaveta da cômoda e encontra uma foto impresa amassada, nela havia um homem ao lado de Laurence. Tinha apenas vagas lembranças dele e poucas fotos. Sua mãe resolveu se livrar da maioria delas, mas essa fora uma das poucas que sobrevivera.

Os dois ficaram juntos por muito tempo, parte desse tempo se concentra antes mesmo de sua própria existência. Depois acabou. Acontece. Não existe algo que dure para sempre. A vida dela seguiu, conheceu Ametrine, após alguns anos de namoro conheceram Sophie; até que um dia ambas combinaram de pedi-la em namoro, em seguido de mais um tempo, finalmente passaram a morar juntas.

Já a entrada de Amélie na casa foi dentro desse processo.

Estavam felizes na foto...

A briga tinha sido feia.

Um olhando para o outro...

Gritos, muitos deles.

Sorrindo...

E partidos.

Para sempre..

Não costumava a olhar aquela foto, mas naquele momento, essa vontade o tinha batido bem na cabeça e assim ele fez.

A guarda de volta no fundo da gaveta e a fecha, caminha em direção da porta para ir tomar café da manhã.

...

Marinette não havia conseguido dormir muito bem esta noite. Os acontecimentos em sua mente ainda estavam frescos, insistiam em ficar zumbindo para lá e para cá dando ferrãos em seu crânio, martelando e doendo tanto...

As cenas se repetiam por trás de seus olhos, em sua mente e em seus sonhos confusos. Imagens. Sensações. Que estavam lá antes de dormir, cujos demoraram para voltar para ela quando finalmente conseguiu acordar. Demoraram tempo o suficiente para não ficar de mal humor assim que acordou.

Como iria encontrar Hawk Morth? Não fazia ideia de por onde começar e as poucas coisas que sabia sobre ele era que akumatizava as pessoas através de borboletas mágicas, ele sempre procura quem está sentindo sentimentos ruins mas não todos ao mesmo tempo...

— Tikki, por que eu nunca fui akumatizada?

— O seu miraculous te protege de ser akumatizada, por mais que Hawk use miraculous para mandar as borboletas, usar outro miraculous te impede de ser infectada.

Marinette se encontra pensando em todas as vezes que poderia ter sido afetada por ele mas esses brincos brancos lhe protegeram. Inevitavelmente começa a pensar sobre o que aconteceria se fosse com ela. Sobe um arrepio por suas costas.

Suspira, preocupada.

A kwami vermelha com bolinhas pretas voa até ela, pousa em seu ombro e põe o seu bracinho minúsculo no pele branca dela.

— Sei de alguém que você deveria ver. — Tikki a olha com seus olhos enormes e estranhamente azuis, mas ela assume um tom mais sério.

...

O sinal toca.

O que permite que o aglomerado de alunos barulhentos se amontuem na porta de entrada do colégio. A multidão se espreme desorganizadamente até entrarem para o pátio principal onde os alunos foram se dividindo, cada um em direção as suas salas.

Era sempre assim quando a maioria dos estudantes vinham... Quero dizer, quase sempre. Hoje tinha um diferencial: enquanto todo o aglomerado de gente entrava, surguiu na porta da escola um carro chique, que nunca esteve por lá. De lá saiu uma garota, ela olha o lugar, pega sua bolsa e entra no colégio.

Já tinha uma noção bem simplória da geografia do lugar, mas ainda sim deveria saber onde fica sua turma.

Ela consegue chegar no pátio ainda cheio com gente indo, pelo o que parecia ser, para todos os lugares. No meio disso, de algum jeito encontra um rosto não completamente estranho no andar logo a cima do térreo. Vai até o rosto.

No caminho, percebeu que o rosto conversava com alguém, uma garota. É óbvio que estava longe demais para saber o que suas bocas formavam, mas diziam:

— Mas você nem sabe por onde começar.

— Tenho que arranjar uma maneira pra isso acabar!

A garota nova sobe as escadas.

— Eu sei... Não acha que deveria pelo menos esfriar um pouco a cabeça para pensar melhor?

Ela vai chegando perto do garoto, o fluxo de alunos vai diminuindo. Agora dava para escutar um pouco.

O rosto não familiar solta um suspiro e abaixa a cabeça.

— A gente combina de falar sobre isso mais tarde, o sinal já tocou.

Quando os dois se viram para entrar na sala, a garota toma iniciativa. Chega perto.

— Adrien, né? — o rosto confirma — Sou Lilá.

— Oi. — ele acena, parecia diferente pessoalmente.

— Eu estou cursando para ser modelo também e eu... — ela olha para a garota que estava conversando a pouco com adrien. Tinha olhos grandes e azuis, cabelo volumoso e curto preso em marias-chiquinhas, da mesma cor de seus olhos só que bem mais escuro. Logo, volta-se à ele — quero... — percebem que ninguém já estar mais pelos corredores, tinham que entrar logo na sala.

Assim o fazem.

Adrien se senta perto de um garoto usando headphone pendurado no pescoço e a garota que conversava com ele se senta logo atrás, ao lado de uma garota com carliforniana no cabelo.

Ela passa o olhar pela classe: todos os lugares eram em dupla e a maioria das mesas estavam estavam ocupadas. Ao fundo, havia uma mesa com um lugar vago ao lado de um garoto que nunca vira antes. Como não vê muita opção e quando começa a caminhar até o lugar, é interrompida pela voz da professora:

— Alunos! — ela pronuncia mais alto para chamá-los atenção — Não sei se perceberam, mas temos uma nova aluna.. — ela consegue não só atenção mas também olhares e alguns sussurros — Esta aqui é Lilá.

Lilá deu uma avaliada geral na turma: já pareciam estar familiarizados uns com os outros. Seu olhar passa da esquerda para direita, de baixo para cima e de cima para baixo até que para em Adrien, ele percebe e dá um aceno para ela, que por sua vez deu um aceno discreto com a cabeça.

Finalmente foi para o lugar.

...

Laurence pega o ônibus em direção ao trabalho. Ver frequentemente casos de akumatizados pela cidade a deixava muito preocupada, tinha consciência do que estava acontecendo... Pelo menos uma parte. Não é a primeira vez que aparece uns heróis rondando por aí, a principal diferença é que o povo disfarçava a presença deles.

As histórias sobre hérois foram sendo espalhadas pelo mundo, ficaram tão populares que começaram a escrever gibis e fazer seus próprios heróis. Afinal quem nunca ouviu falar sobre alguém vestindo traje vermelho se pendurando por aí?

Mas por algum motivo esses heróis tinham voltado. Mas a vida não é como uma história em quadrinhos. Essa volta repentina não poderia significar boa coisa. Já vira heróis agindo há algumas décadas, só não esperava que iriam voltar... não tão cedo assim.

Agora ela tinha mais o que temer, agora tinha feito uma família, tinha uma casa e uma vida relativamente estável e confortável. Não poderia perder tudo isso.

Solta a respiração. Não tinha percebido que a estava prendendo por tanto tempo enquanto olhava pela janela.

Tinha que pensar mais e torcer para que estivesse errada. Ela queria demais estar errada. Mas as probabilidades estavam contra seu desejo naquele momento.

O ônibus voltou a andar.

...

A aula correu pelas horas, assim as aulas foram passando. Nathaniel passou boa parte da aula desconfortável pela garota nova ter se sentado justamente ao lado de onde ele costuma a sentar. Não era como tivesse muita opção de lugar naquela sala, mas mesmo assim...

Para sua sorte ou azar, a garota não tinha tentado puxar assunto. O que facilitou bastante para que deixasse sua mente o levasse para o dia de ontem, afinal era a única coisa que fazia desde depois de ter comido o bolo de seu aniversário.

O sinal do recreio tocou e a sala foi se esvaziando, Marinette e Adrien esperaram a turma sair próximos à porta. Chegou a vez de Nathaniel passar pela porta. Até que escutou um:

— Ei, Nathaniel! Ontem foi seu aniversário, né? — escuta voz de Marinette vindo de alguma direção. Ele vira a cabeça em direção a ela e logo desvia o olhar. Confirma com a cabeça — Feliz aniversário, então. — apesar dele não estar a olhando diretamente, soube que tinha sorrido ao desejar.

— É, feliz aniversário — dessa vez, a voz de Adrien.

Seu coração ficou a mil, abriu a boca para falar algo porém nada saiu, então só acenou timidamente com a cabeça e saiu da sala. Assim que saiu da sala sentiu seu rosto esquentar demais.

Foi em direção ao pátio.

— Falaí, Nath! — comprimenta Alix — Hoje eu vou ficar até mais tarde na oficina de arte, se quiser, dá uma passada lá. Justamente no seu aniversário a gente quase não se falou.

Ambos ficam de frente.

— Oi, Alix. É, acabou que não deu pra falar muito ontem... — ele acaba se lembrando de novo do ocorrido e a voz murcha.

— Esquenta não. Todo mundo sabe que a Chloé é uma idiota com um complexo de superioridade. Ela sequer merece que alguém se sinta mal pelo o que ela faz.

— Você tem razão. — agora está com olhar desviado involuntariamente.

— Ei, vê se vai pra oficina, tá? Compensar o dia de ontem. Sem contar que eu ando trabalhando nuns moldes pro meu próximo grafite.

...

Os dois vêem o garoto ruivo sair, era a última pessoa que faltava no ambiente além deles, o qual ainda estava com uma aparência pálida.

— Eu passei o tempo todo pensando sobre ontem — ela passa a mão nos cabelos presos em chiquinhas enquanto Tikki voava ágil para fora de sua bolsinha — e não faço ideia por onde começar a procurar por Hawk Morth. — admite enquanto abaixa a cabeça. — Sei nada sobre ele. — o volume da voz diminui.

Adrien põe uma das mãos do ombro dela. Marinette sente o calor da mão dele atravessar o casaco e chegar no ombro e por um breve momento sentiu-se tranquila, seus músculos relaxam. Era incrível o efeito que um simples toque desse garoto tão adorável tinha sobre ela com esses olhos verdes...

— A gente tem que começar aos poucos, Marinette.

— Na verdade vocês sabem sim alguma coisa sobre Hawk Morth, — a voz de Plagg vem do bolso do casaco de Adrien — só que estão esquecendo. Sabem que ele quer os seus miraculous.

— E isso é o objetivo dele, sabem o que estão impedindo. — acrescenta Tikki.

— Não seria isso o mais importante? — pergunta Adrien fazendo-a olhar em seus olhos. Como poderia resistir?

— Vocês estão certos. — diz se sentindo melhor.

Tikki vai para atrás de Marinette e uma inspetora abre a porta:

— Vocês sabem que ninguém pode ficar na sala durante o intervalo. — diz mal-humorada. — Vambora!

Tikki entra pela "gola" do casaco da garota a tempo, fica espiando e ambos saem da sala. Vão para o pátio cheio de alunos, caminham pelas mesas.

Em vez de irem para o pátio junto com a maioria dos alunos, vão para a biblioteca onde concordaram que teriam menos pessoas para escutar.

Quando chegam lá, viram algumas poucas pessoas: Sabrine fazendo algum dever para Chloé com fones de ouvido bem concentrada, Lilá estava com um livro enorme aberto com uma aparência antiga, Kim e Max estavam sentados juntos discutindo em voz baixa sobre um filme com um monte de papéis em cima da mesa com material do trabalho que foi passado ontem. E, é claro, o próprio bibliotecário da escola.

Entraram na sala, passaram pelas prateleiras cheias de histórias apenas esperando por alguém que queira as ler, também pela mesa ocupada por Lilá. Algo do livro que ela lê chama a atenção de Marinette, aqueles desenhos de roupas eram fantásticos, e ela como futura desinger se interessava.

É claro que no meio da situação em que aquela cabecinha se passava, pelo teu ponto de vista não é exatamente normal alguém ir reparar justamente no livro roubado que, olha só, convenientemente é aquele livrão com os "segredos dos miraculous" e essas coisas todas. Um parágrafo puramente retórico, diga-se de passagem, expondo uma coincidência de roteiro. O mundo tem disso.

Talvez fosse só uma necessidade subconsciente da garota de se destrair que moveu os pés em direção até aquela linda obra de arte.

— Sobre o que você tá lendo? — quando ela percebeu, já tinha perguntado.

Intrusa! Intrusa!, era o que soou na cabeça de Lilá ao escutar uma voz a pegando em pleno ato de ler um livro que obviamente não era dela... Se bem que estava na casa dela e ninguém havia se pronunciado sobre um livro escondido, então tecnicamente não era culpada.

— Um livro de... — ela sente algo puxando por dentro, mas que coisa tava acontecendo? — É isso que vou descobrir quando terminar. — Lilá dá uma outra olhada para a página, o livro nem em francês estava e não fazia ideia em qual tipo de idioma estava.

— Posso olhar?

As duas páginas abertas tinha uma figura desenhada masculina que lembrava muito um kimono antigo e elegante todo bordado, tinha variações de tons de verde e uma máscara de mesma cor. Marinette ficou maravilhada.

Já Lilá ainda estava intrigada com o livro.

— Uau! — fala a veterana da mesa — Nunca tinha visto um desing de roupa desse tipo, é impressionante.

Adrien permaneceu afastado olhando-as. Não fazia ideia de como passou tanto tempo mantendo sua identidade quase sem alguém soubesse. E o número só não é reduzido para o Plagg por que alguém não o contou que tinha um tempo para destransformar e muito menos que era para ser um segredo esse lance de ser herói.

Ultimamente tem se esforçado para que mais ninguém o descubra... Como isso pode ser tão difícil? Nas séries e quadrinhos de super-heróis aparenta ser tão fácil, claramente os produtores não fazem ideia de como é manter um segredo desse porte.

Mas, e se descobrissem? Se Natalie um dia for conferir se ele está realmente praticando piano e perceber a janela aberta? E se o Gorila o pegar deixando de ser Chat noir? E se a Alya deixar sem querer vazar alguma informação no blog dela ou em uma conversa?

Ou, o pior de tudo, e se já fora descoberto e é apenas uma questão de tempo?

Seu pai lhe daria uma bronca que jamais esqueceria, ficaria de castigo para sempre, nunca mais poderia ir à escola, raramente iria voltar a ver seus amigos, seu anel seria tomado e nunca mais voltaria a ver Plagg e...

E...

Não iria mais ser parceiro de Ladybug.

Escuta uma voz distante familiar e embolada, parece querer lhe contar alguma coisa.

— Que?

— Eu disse que é incrível mesmo o livro dela. — Adrien passa a mão no rosto, voltando à biblioteca. Por quanto tempo ficara ali parado?

— Ah, sim.

— Vamos então.

O garoto a segue enquanto desperta de seus pensamentos. Ambos sentam, Marinette sente Tikki se mexer e falar baixinho:

— Eu preciso ver aquele livro.

— Eu sei que aquele livro é demais, mas não achei que fosse se interessar. — ela responde sussurrando.

— Não, não. Esse livro é mais do que imagina, nele tem várias informações secretas sobre os miraculous.

— Segredos? — pergunta Adrien, chega para perto dela de modo que não pudessem ver e pudessem falar o mais baixo possível. — Mas como isso poderia ir parar com ela? — ele olha de relance para Lilá como se isso fosse o ajudar a pensar. Voltou a olhar para elas.

— Eu não sei! — respondeu a kwami — Mas isso não deveria estar com ela.

Dica número 1 caso não queira ter sua conversa ouvida: nunca vá à um lugar super silencioso onde a coisa mais fácil do mundo é ser escutado por qualquer um que não esteja completamente dispersado.

— E como pretende fazer isso? — Marinette pergunta para Tikki.

Lilá sente um beliscadinha.

— Não era pra você ter feito isso. — diz Trixx.

— Mostrado o livro?

— Pois é, essa pilha de papel aí vale mais do que a sua vida. Então tenha cuidado e não saia mostrando para o primeiro ser humano que perguntar sobre.

O sinal toca.

...

Depois da escola e de muitas pessoas olhando sem graça para o Nathaniel ainda por causa dessa história toda de akumatização, o pessoal do turno da manhã sai da escola. Juleka e Rose foram falar com ele na saída, se desculpando por não terem dado feliz aniversário para ele no dia anterior e deram um chaveiro com formato de aquarela de presente.

Ele agradeceu, pendurou no zíper da mochila.

— Qualquer coisa a gente está aqui, tá bem? — diz Rose.

Ele acena com a cabeça. Pensa bem e dá meia volta. Iria seguir com o que Alix disse.

Enquanto isso Lilá, do outro lado sentada em uma cadeira, estava pensativa. Pensar que a única coisa que fizera questão não tinha feito era falar com Adrien, mas tinha encontrado um livro supostamente perigoso escondido na sua própria casa, um bicho mágico que não desgrudava dela que tinha alguma coisa a ver com super-heróis. Por mais que amasse as histórias não sabia se era uma boa ideia manter todas essas coisas por perto.

Talvez fosse melhor se livrar dessas coisas, já tinha problemas demais sem isso.

— Trixx, o que você disse sobre se transformar em heroína?

— Tem que dizer "Trixx, disparar" mas não diz isso aqui, tá todo mundo vendo. — após dizer isso, se esconde.

Adrien se aproximava enquanto mexia no celular.

— Oi, éé...

— Lilá.

— Lilá, mais cedo você não queria falar alguma coisa comigo?

Queria? Ela passara boa parte do dia pensando sobre o miraculous e como conseguir pegar toda a matéria atrasada que tinha até se esquecido.

— Ah é, — diz tentando se livrar dos outros pensamentos em sua cabeça — eu adimiro muito o seu trabalho como modelo e queria pedir algumas dicas para o rumo.

— É claro! — ele diz gentilmente e se senta ao lado dela.

A partir de aí você já pode imaginar um pouco do que teve no episódio original, depois deles terem conversado sobre modelo ela puxou o assunto "heróis" e disse aquilo sobre conhecer Ladybug, mas como não aconteceu a intervenção da mesma pois ela não é onipresente que nem eu.

...

Marinette tinha ido direto para casa porque tinha combinado de se encontrar com Sabrina mais cedo para ver se conseguiriam terminar o trabalho antes do Sol se pôr.

Tikki ficou de levar ela para algum lugar mais tarde e pediu que Adrien fosse junto por alguma razão que de acordo com ela seria explicada mais tarde.

Fazia poucos meses desde que Marinette aparecera na sua frente pela primeira vez, essa coisa dela não ter mantido sua identidade secreta por sequer dois dias inteiros a preocupava de certa maneira. Como as coisas puderam ir tão errado em tão pouco tempo?

Ela, assim como Plagg, passara um tempo tão grande e indeterminado sem saber como o mundo estava e gostava da ideia de poder ver como as pessoas estão mas... Se foram levados a circulação depois de tantos anos é porque algo estava planejado para acontecer e, apesar de tudo, ainda eram só dois adolescentes lidando com coisas além do que dariam conta. A culpa não era deles.

Só que em relação à isso nada poderia fazer, Tikki apenas esperava não estar piorando as coisas.

Sabrina chega à casa de Marinette, ambas sobem para o quarto e fazem o trabalho enquanto conversam sobre interesses como filmes e músicas.

Quanto tempo já fazia que não via os outros kwamis?

Nooroo...

Como será que estava agora?

Sentia saudades de seus amigos.

— Tikki! Vamos! Eu e Sabrina terminamos e já avisei pro Adrien nos esperar na praça.

— Tá bem.

Os dois se encontram e pegam um ônibus em direção ao destino.

Era um lugar que prometia tratamentos holísticos mais voltados à medicina cujos clientes eram poucos porém fiéis e de vez em quando traziam alguém novo, o que não era o caso dos jovens que ali adentraram.

Quem atendeu era um homem chinês, baixo, idoso. Boa parte de seus cabelos eram grisalhos e brancos.

— Vocês... — é a primeira coisa que o velho diz após entrarem — Não esperava vê-los juntos assim. — os examina.

E foi aí que Marinette teve suas bochechas vermelhas. E faz o que faz melhor: se atrapalha e fala atropelando as próprias palavras com a voz um pouco mais aguda.

— Ju-ju-juntos? Eu e ele? É claro que não estamos juntos. Que imaginação! Quero dizer, não que fosse reclamar caso isso aconteça. Aaaii, Deus me livre, mas quem me dera. Peraí, você quis dizer juntos tipo juntos juntos mesmo ou juntos só juntos?

Adrien nunca entendia uma palavra do que dizia quando ela falava assim, isso se chama o poder da surdez convencional. Muito útil.

O cara escolhe simplesmente ignorar.

— Vê-los... assim...

— Eles já sabem sobre as identidades. — agora foi a vez de Tikki.

— Quem é você exatamente? — pergunta Adrien.

— Me chamavam de Mestre Fu, garoto, O Guardião dos Miraculous. Agora apenas me respondam uma coisa: por que, raios, vocês vieram me ver ao mesmo tempo? — Fu lança um olhar para Tikki que os jovens não compreenderam.

Tikki recua e abaixa a cabeça.

— Eu avisei à ela que não poderia revelar sua identidade. Disse que é perigoso.

— E mesmo assim ela fez. — acrescenta — Plagg?

— O que é? — Plagg aparece comendo mais um pedaço de queijo.

Fu continua o olhando, esperando ele se justificar.

— Não deu tempo, tá? Ele se transformou antes que eu pudesse avisar. Ah, vai! Dá um desconto pro garoto, não tinha como adivinhar. É, eu sei, em um dia tudo foi por água abaixo.

Adrien se sente envergonhado como Plagg falava isso para o desconhecido mesmo que o estivesse defendendo. Marinette estava olhando a sala enquanto prestava atenção na conversa.

Para Adrien o rosto de Fu começa a parecer familiar... Mas de onde?

— Mas agora não adianta mais se desculpar.

Aquela discussão com Nathalie... O primeiro dia de aula... O dia que parecia que sua vida tinha realmente começado depois de tanto tempo preso em casa. Quando conheceu Plagg, seu primeiro contato com Ladybug, Marinette e o próprio ambiente escolar...

Nem parecia que fazia poucos meses que sua vida tinha dado tamanha reviravolta.

Também fora naquele dia que ajudara Fu na porta da escola durante a discussão. Parece que já faz tanto tempo.

Memória afetiva faz milagres.

— Sentem-se. — convida, se referindo aos colchonetes. — Acho que devo algumas explicações...

— Cadê Wayzz? — questiona Tikki — Desde que chegamos aqui, ainda não o vi.

— Ele costuma a ficar na cozinha enquanto eu trabalho. Enfim, no passado existiam vários guardiões dos miraculous que nem eu. Fiz uma besteira enorme que fez com que agora eu seja o único guardião. Nesse meio tempo dois miraculous se foram: o da borboleta que está com Hanwk morth e tem o da raposa que não tenho certeza de onde está. — ele dá uma pausa — É pra concertar esse meu erro que eu dei os miraculous pra vocês... É por causa disso que pessoas são akumatizadas. E que... bem, eu errei.

— Como um miraculous foi parar com ele? — um dos dois pergunta.

— Foi eu quem dei para ele.

— Vejo que temos visita — uma vozinha fala da outra porta, seu dono era um kwami verde, cabeçudo que nem os outros, que lembrava uma tartaruga. Ele se interrompe — Tikki? Plagg? O que vocês estão... — Wayzz olha para os humanos — Ah, vocês trouxeram eles.

...

O Sol cai mais cedo do que de costume no horizonte cercado de prédio e as luzes da cidade brilhante começam a se acender, junto com isso, um livro fora do lugar poderia mudar tudo assim que sua falta for sentida. Não ignorar um cofre aberto talvez não tenha sido a melhor das ideias para a jovem Lilá.

O dia escorreu sem akumatizações.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.