Como O Sol e A Lua
50 Capítulo 50
Notas iniciais
Eu os olhei uma última vez e sorri levemente, agora entendo por que ambos se amam tanto, eles compartilham coisas que ficam restritos somente a eles dois, eles conseguem ter uma ligação mais forte que qualquer uma, agora finalmente entendo...o motivo deles não conseguirem jogar “jokenpo”, não há como. Eu recuei e resolvi voltar ao primeiro andar, um momento de irmãos...é algo que não deve ser interrompido.
[...]
— Tem certeza que quer isso?
Rukia concordou com a cabeça.
— Eu estou bem.
Eu e Byakuya continuamos a olhá-la apreensivos.
— Eu vou ficar bem. – ela tornou a repetir -
Byakuya suspirou.
— Ok, ok. Qualquer coisa basta me ligar que eu venho imediatamente. – ele falou ainda com rastros de preocupação –
Eu ajudei Rukia a sair do carro, ela ainda estava um pouco fraca, mas estava se esforçando para parecer melhor pra não causar preocupação, mas eu e Byakuya sabíamos a verdade.
— Não se preocupe, Byakuya, vou cuidar dela. – eu falei passando um braço pela cintura dela para apóia-la melhor – E quando as aulas acabarem eu a levarei direto pra casa.
— Ok. – ele concordou ainda olhando pra Rukia – Até a noite. – ele falou a ela beijando-lhe a testa –
— Até... – ela sorriu levemente pra ele –
Byakuya sorriu para ela e em seguida entrou em seu carro e partiu.
— Por que tanta insistência? – eu indaguei a ela enquanto caminhávamos com lentidão em direção á sala –
— É semana de provas, não quero perder nada.
— Mas você poderia fazer outro dia, os motivos...
— Eu estou bem Ichigo.
— Ok. Mas eu não vou sair de perto de você.
— Vai abandonar sua cadeira? – ela falou fingindo perplexidade –
— Por você...sim. – eu lhe dei um rápido beijo –
— Que lindo. – ela sorriu levemente –
— Obrigado. – falei orgulhoso –
— Você não, mas o que você falou. – ela avacalhou –
— Valeu. – murmurei irônico –
— Brincadeira. – ela riu e encostou a cabeça em meu peito – Obrigada.
Quando chegamos á sala a maioria dos alunos já estava presente, inclusive...ela, que ao nos ver, veio em nossa direção.
— Kuchiki-san...eu...
— Fique longe dela. – eu falei com raiva enquanto erguia meu braço livre para a frente impedindo-a de se aproximar mais –
— Ichigo... – Rukia colocou uma mão sobre meu braço, me fazendo baixá-lo – Está tudo bem.
— Eu não vou deixar ela se aproximar de você. – eu falei irritado – Eu não vou permitir que ela lhe faça mal novamente.
— Não foi por mal, Kurosaki-san... – ela falou entristecida –
- Você não tem ideia do que fez a Rukia passar. – eu falei alterado –
- Ei... – Rukia colocou a mão em meu rosto – Calma. – ela murmurou tranquilamente –
Eu soltei a respiração, tentando me acalmar.
- Eu... – ela baixou a cabeça, envergonhada — ...Eu sei que foi...idiotice minha fazer essa brincadeira, me perdoe, Kuchiki-san, eu nem mesmo deveria ter aceitado aquela aposta...
— Aposta? – indaguei surpreso – Que...aposta?
— Renji e Keigo me desafiaram...eu teria que conseguir sua atenção por pelo menos 10 minutos para ganhar a aposta. Por isso prendi Kuchiki-san, para que você pudesse ficar esses 10 minutos comigo, ma seu não imaginava...que algo tão ruim fosse acontecer...
Eu cerrei os dentes, então era por isso que eles sempre riam quando eu não dava bola pra ela.
— Renji e Keigo... – murmurei com raiva –
— Por favor, me desculpe Kuchiki-san.
— Não se preocupe, eu te desculpo sim. – ela falou sorrindo levemente -
Katsui sorriu aliviada.
— Desculpe, Kurosaki-san.
Eu me acalmei.
— Tudo bem.
Ela voltou a sorrir e após fazer uma rápida reverencia, se afastou.
Rukia sentou-se em sua cadeira e eu puxei uma para ficar ao seu lado, nossos amigos adentraram a sala em seguida e logo nos cercaram, parece que Katsui contou a eles.
— Como está, Kuchiki-san?
— Estou melhor.
— Não posso dizer o mesmo dos dois. – falei para Renji e Keigo –
— Que foi?
— Aposta, hein? – falei irônico –
Os dois se olharam assustados.
— Er...foi so uma brincadeirinha...
— Agradeçam por Rukia ter dito para eu não bater em vocês.
— Obrigado, Kuchiki-san... – Keigo falou chegando perto dela –
- Ta fazendo o que? – indaguei irritado enquanto o socava –
— Ué...agradecendo...
E todos riram enquanto eu voltava a socá-lo.
Tudo ocorreu perfeitamente bem durante os dias seguintes, quando chegou o fim das aulas, houve, como sempre, a festa de encerramento. Recebemos nossos diplomas e ficamos comemorando o fim do ensino médio para nós.
Não demoramos muito para sair do baile, eu e Rukia entramos em meu carro, que na verdade era emprestado do meu pai, e eu logo dei a partida.
— Vamos á praia? – Rukia perguntou ao meu lado –
— Que dia?
Ela sorriu.
— Agora.
— Agora? – indaguei surpreso –
— É.
— E faremos o que lá?
— Vamos esperar a neve cair. – ela falou ironicamente –
Eu tive vontade de rir, mas isso acabaria com meu orgulho.
— Não teve graça, engraçadinha. – murmurei prendendo o riso –
— Você achou engraçado sim, pode rir, eu deixo. – ela falou –
Eu ri involuntariamente.
— Viu? Não foi tão ruim... – e começou a rir de mim –
— Ta, já chega.
Chegamos à praia minutos depois, eu estacionei o carro no meio fio e saímos do mesmo, caminhamos pela calçada em direção a areia, o movimento era pequeno, poucas pessoas caminhavam por ali, mas do outro lado da rua havia uma movimentada pizzaria. Tiramos nossos calçados quando enfim chegamos á areia e caminhamos com os pés descalços em direção ao mar.
Paramos um pouco antes do alcance das calmas ondas e ficamos observando as águas que se moviam calmamente.
— É. Isso é revigorante. – eu falei inspirando aquele ar puro –
Rukia jogou seus calçados sobre a areia e eu a segui.
— É tranqüilizante. – ela murmurou –
Eu permaneci em silencio e em seguida um pensamento maldoso se apossou da minha mente, eu olhei para Rukia e sorri de maneira maliciosa, ela me olhou e após notar meu olhar, deu um passo pra trás.
— Ei...o que ta pensando em fazer? – ela indagou amedrontada –
— Que tal nos molharmos um pouco?
— Ichigo...não se atreva... – ela falou dando mais passos para trás –
Antes que ela pudesse se afastar mais, eu a peguei no colo e corri em direção ao mar ao mesmo tempo em que ela se debatia em meus braços desesperadamente, quando cheguei ao mar, me atirei junto a ela na água, nos molhando completamente e imediatamente eu comecei a nadar para longe, pois Rukia me perseguia na tentativa de me espancar.
— SEU MALDITO. – ela gritava enquanto tentava me alcançar –
Eu gargalhava para ela, pois eu visivelmente tinha a vantagem.
Depois de algum tempo ela parou ofegante.
— Você não vai escapar pra sempre. – ela falou e em seguida nadou em direção á margem –
Eu a segui e somente quando saímos da água sentimos as conseqüências de se molhar ao ar livre á noite, o vento bateu em nossos corpos e logo estávamos tremendo de frio, Rukia abraçou o próprio corpo, enquanto seus dentes batiam uns contra os outros, o queixo tentando manter-se firme, eu a abracei enquanto esfregava minhas mãos nos braços dela e ela em seguida me abraçou também, nos aproximamos mais, ela deitou a cabeça em meu peito enquanto tentávamos nos aquecer.
— Estou aqui, e agora? O que vai fazer? – murmurei pra ela –
— Depois. – ela falou tremendo – Não vou prejudicar minha fonte de calor.
Eu sorri e beijei a cabeça dela, permanecemos em silencio por minutos, apenas sentindo o ar fresco a nossa volta, ouvindo as ondas do mar ricochetearem sem muita força contra as rochas.
— Ichigo.
— Fala.
Ela permaneceu imóvel junto a mim.
— Sobre nós dois...eu não sei...como será... – ela me abraçou mais, parecia não querer que eu a olhasse enquanto ela falava aquilo – O avanço...do nosso namoro, eu não sei se eu...vou estar pronta... – ela baixou a cabeça — ...pra você...
Eu enfim consegui compreender o que ela estava tentando me dizer e sorri silenciosamente.
— Não se preocupe com isso. – eu murmurei – Eu só quero ficar com você, nada mais importa. E se acontecer...desejo que nós dois estejamos prontos. Então, não pense nisso... – eu a afastei de mim – ...Ok?
Ela concordou com a cabeça enquanto sorria levemente, eu inclinei meu rosto em direção ao dela e nos beijamos com calma, começamos a parar depois de instantes e permanecemos com os olhos fechados, eu encostei minha testa a dela e colei meus lábios aos dela.
— Rukia... – eu sussurrei imóvel –
— Fala. – ela também sussurrou –
Fale com o autor