Foram os quarenta e cinco minutos mais rápidos da minha vida...e eu amaldiçoei o tempo por isso.
Quando chegamos ao maldito clube, que fica tão perto do maldito caminho da escola, saímos do maldito ônibus e caminhamos em direção ao maldito portão gigante, a entrada do mais uma vez maldito clube. Sim, meu maldito dia estava arruinado.
Fomos separados por sexo para irmos aos vestiários, nossa despedida foi desajeitada, eu acenei discretamente pra ela que somente sorriu e murmurou um “ate mais”. Deus, ela me mata sempre que diz isso, e nem eu sei por que.
Eu não me troquei, na verdade, somente tirei minha camisa azul e vesti uma camisa preta aberta na frente, e recoloquei meu boné, pois o havia tirado no maldito ônibus. Fui um dos primeiros a sair, atravessei o gramado e o pequeno portão branco pra poder chegar na piscina que era bem grade. Haviam algumas cadeiras brancas de praia ao redor da mesma e eu me sentei em uma delas.
Sabe o que disse anteriormente de meu maldito dia estar arruinado? Bem, retiro o que eu disse. Nada poderia estragar o que eu estava vendo agora. Ela. Rukia vinha em minha direção, andando calmamente sobre o gramado. Ela vestia o que parecia ser um maiô preto, eu não tinha certeza, pois ela estava coberta da cintura para baixo com uma saída de banho preta. Ela chegou até mim e sentou-se ao meu lado, eu tentei fechar minha boca e algo me ajudou, sim, Byakuya. Ele estava começando a me irritar.
Mas pra minha surpresa, ele não veio até nós, ele acenou pra Rukia e foi pro lado oposto da piscina, sentou-se na borda da mesma e em seguida mergulhou.
Eu ainda estava atônito, Byakuya me viu perto de Rukia e não veio dar uma de irmão ciumento e protetor? O que estava acontecendo com ele? Havia pirado na batatinha?
Ele sumiu da minha mente quando Rukia me cumprimentou sorrindo, eu sorri pra ela e respondi ao cumprimento.

- Está gostando? – ela me perguntou –
E eu quase respondo “com você aqui não há como eu não gostar”
— Sim.- respondi estapeando a mim mentalmente – Por que...Byakuya não está aqui com você? – eu não me conti –
Ela sorriu.
— Não somos “tão” unidos assim. – ela olhou na direção de Byakuya – Também precisamos de momentos sozinhos.
Eu fiquei mais surpreso ainda, então eles não se separavam somente durante as aulas? Que interessante.
— Legal. – sussurrei –
— Por que legal? – droga, ela ouviu –
— Por...nada, é só...legal ter essa boa relação. Eu admiro a relação de vocês. – apesar de preferir não ter Byakuya tão perto –
— É filho único?
— Não. Tenho duas irmãs mais novas, mas elas não moram aqui. Moram com minha mãe em Tóquio, então...quase não as vejo.
— E você mora com quem?
— Com meu pai. – eu revirei os olhos e ela sorriu –
— Relação nada amorosa hein?
— Não é isso, é só que...ele não é o tipo de pai atencioso. – eu me lembrei do chute que levei por não ter acordado cedo ontem –
— Adoraria conhece-lo.
Eu tentei não sair correndo novamente, ela estava querendo...conhecer meu pai? O que quer dizer...ir a minha casa? O que quer dizer...que eu não era um amigo qualquer pra ela?
— O-ok...
— Aproveitamos o trabalho de história , nós podemos fazer na sua casa no sábado, seria uma boa oportunidade. – ela sorria calmamente –
Eu corei e sorri sem-graça. Ah claro, o trabalho de história, incrivelmente na quinta-feira a professora nos passou um trabalho de história para pesquisarmos e apresentarmos na semana seguinte, logicamente todos quiseram fazer com a Rukia, mas ela simplesmente ignorou a todos, com um pouco de simpatia, é claro, e ME chamou pra fazer dupla com ela. Claro, eu saí correndo, apesar de desta vez eu ter dito que precisava beber água e de ter dito “sim” pra ela. E antes de eu sair da sala, eu a vi sorrir de maneira encantadora pra mim, foi impressão minha ou ela havia entendido por que eu saía correndo dela?

- É uma boa idéia. – eu concordei com ela –
— Então, que horas?
— Pode ser ás três?
— Sim.
Bom, agora tudo o que eu precisava fazer era tentar convencer meu pai a agir normalmente enquanto Rukia estivesse lá, seria uma árdua tarefa, talvez até impossível de se realizar.
No instante seguinte a calmaria acabou, parecia que todos haviam combinado, no segundo seguinte o local estava cheio, todos pareceram terminar de se trocar no mesmo momento. Água foi ricocheteada em nossa direção, e num movimento rápido eu fiquei de frente pra Rukia, a protegendo da volumosa quantidade de água que foi jogada em sua direção, ela me olhou surpresa e eu corei novamente, percebi que estava todo molhado.
— Que cavalheiro. – Ikkaku gritou de longe –
Eu cerrei os dentes, ótimo, eu era um palhaço pros meus amigos e um idiota pra garota que eu amava, o que faltava acontecer? Ah claro, eu não percebi que estava perto demais de Rukia, de frente pra ela, e o que faltava acontecer, aconteceu. Byakuya provavelmente entendeu errado minhas intenções, se bem que se não fosse por minha timidez seus pensamentos estariam corretos, e antes que eu percebesse ele estava ao meu lado, me olhou irritado e com um simples movimento me empurrou em direção á piscina. Eu caí e afundei na água, depois de instantes retornei a superfície, tossindo água, nadei de volta á borda e vi Byakuya sentado ao lado de Rukia, enquanto ela sorria pra mim. Ótimo, agora eu também era um palhaço pra ela. Mas a olhando mais atentamente, percebi que ela não ria da mesma maneira que meus amigos, parecia um riso descontraído. Ela se levantou e deu alguns passos em minha direção, estendeu a mão pra mim e eu aceitei, agora eu poderia usar o sol como desculpa por meu rosto estar tão vermelho, ela me puxou, com uma grande ajuda minha, é claro, e eu saí enxarcado de água da piscina.

- Desculpe por nii-sama, ele pensou que você estivesse fazendo outra coisa. – ela falou ainda sorrindo –
— Não foi nada. – eu sorri rapidamente pra ela – Afinal estamos aqui pra nos molhar.
Eu me sentei na borda da piscina e ela sentou-se ao meu lado, senti os olhos ameaçadores de Byakuya em minhas costas, eu não ousaria fazer mais nada que me aproximasse de Rukia, na próxima eu poderia não ter tanta sorte com sua gentileza de somente me empurrar na água.
— Seu cabelo está cheio de água. – ela falou me olhando –
Rukia ergue a mão direita e colocou-a em meus cabelos, bagunçando-os, fazendo a maior parte da água cair, eu a olhei paralisado, enquanto ela continuava a passar os dedos por entre meus cabelos alaranjados, ela percebeu meu olhar e corou, baixando a mão, parecia ter se distraído ao fazer aquele gesto. Eu sorri e baixei a cabeça.
— Obrigado...por isso. – murmurei apontando pro cabelo –
Ela sorriu com a cabeça também abaixada.
— De nada.
— Vou...mergulhar...de novo... – eu disse tentando conter meu desconcerto, se ela voltasse a me olhar, perceberia que meu rosto estava muito vermelho pra quem acabara de ficar sob o sol –
Eu saltei pra água e mergulhei, movendo-me sem voltar a superfície e só subi para pegar ar quando vi que estava longe o bastante, percebi que estava na metade da piscina, haviam vários amigos meus nadando perto de mim e quando me avistaram, me arrependi de ter ido até lá, eles começariam a me zuar a qualquer momento. E eu não errei, Hisagi me avistou e forçou as mãos sobre minha cabeça, me fazendo afundar por instantes, em seguida eu voltei pra cima.

- E aí, como andam as coisas entre vocês? – Hisagi perguntou –
— Normal. – respondi –
— Só amigos? – Renji falou descrente –
— Sim.
— E o que foi aquela proteção toda? Ta achando que ela vai derreter? – Ikkaku avacalhou –
— Foi sem querer. – respondi mau-humorado –
— Sei. – Renji avacalhou – Foi tipo...automatico?
— Sim.
— Cara, ta perdido. – Hisagi falou calmamente – Se já esta agindo dessa maneira, quer dizer que não tem mais volta. Vai acabar se casando com ela.
Eu sorri involuntariamente, um erro, eles recomeçaram a avacalhar comigo, jogando água contra mim enquanto eu ria.
— Tu é estranho, Ichigo. – Ikkaku comentou gargalhando –
— E como. – disseram os outros dois -
— Idiotas. – falei ainda rindo enquanto tentava me proteger da água –