Como O Sol e A Lua
33 Capítulo 33
Todos permaneceram se olhando, até os olhos acinzentados do homem cair sobre mim, suas sobrancelhas franziram-se de confusão, parecia ter me notado somente agora.
— Quem é...esse? – ele falou erguendo o queixo arrogantemente –
Todos voltaram sua atenção pra mim.
— Kurosaki Ichigo, meu namorado.
O rosto do homem ficou coberto de assombro e surpresa.
— O...que? – a mulher falou -
— Como você...pode namorar com esse delinqüente...? – o pai falou –
Delinqüente? Mas o que eu fiz?
Byakuya deu um passo á frente impedindo Rukia de continuar, pois ela já começaria a se mover.
— Não permitirei que insulte Kurosaki, Genryu.
Eu me surpreendi ao ver Byakuya me defender.
— Não o defenda... e não me chame com essa prepotência.
— Isso não é prepotência, é somente a realidade. – Byakuya revidou –
— A sua realidade.
— Apenas a realidade. – Rukia falou -
— Rukia... – o homem iniciou -
Ele caminhou pela sala em nossa direção, a mulher em seus calcanhares, ficou em frente a nós três e me observou com repulsa.
— ...Como pode ficar com um moleque que tinge o cabelo dessa cor? – ele continuou secamente –
Então é só por causa da cor do meu cabelo, mas que cara irritante.
— Ele provavelmente vai lhe levar pro caminho errado, provavelmente tem uma gangue e bate em todos que lhe aparecem em sua frente. É um delinqüente que rouba por diversão e...
— Cala a boca.
Todos olharam surpresos para Rukia, mas ela não se abalou.
— O que...disse? – o homem falou pasmo –
— Eu disse pra você calar a boca. – ela repetiu gelidamente — Você nem o conhece, não sabe o tipo de pessoa que ele é. Pra falar a verdade você não conhece nem aos próprios filhos, então não tente dar uma de pai conselheiro me dizendo o que é o melhor para mim, por que eu já disse que não preciso de você. – ela falou encarando-o sem medo – Tudo o que precisei me foi dado por nii-sama, e nada do que vocês dois façam vai mudar isso. – ela os olhou friamente – Vocês nem podem ser considerados pais.
O rosto de Genryu foi coberto de fúria e sua mão se ergueu com rapidez, sendo direcionada para o rosto de Rukia, mas antes que ela alcançasse a face dela, foi parada no ar, duas mãos seguravam o braço dele, uma no pulso e uma um pouco mais abaixo, minha mão e a de Byakuya o apertavam.
— Não permitirei que toque nela. – eu falei olhando-o com raiva –
— Não ouse erguer a mão ofensivamente contra minha irmã. – Byakuya falou furioso –
Genryu recuou ainda nos olhando, em seguida soltou-se e se recompôs.
— Até você, Rukia...
— Do que está falando? – ela sorriu sarcástica – Eu tenho tanto direito de me revoltar quanto nii-sama...vocês abandonaram a nós dois.
— Eu não a abandonei.
— E o que fez? Se afastou temporariamente?
— Você...entenderá um dia...
— Isso é falado a uma criança, se eu não entendi até hoje, então não entenderei mais.
Genryu permaneceu em silencio por instantes e em seguida suspirou frustrado.
— Muito bem. Se querem dessa maneira, então a partir de hoje estão sozinhos.
— Estamos sozinhos desde os cinco anos de idade. – Byakuya falou –
— Não seja ingrato. – o pai revidou –
— Não tente se achar superior. – Rukia falou também -
A mulher de pele clara se adiantou e caminhou até nós, passou pelo marido e ergueu as mãos em direção ao rosto de Byakuya.
— Filho...
Byakuya virou o rosto antes que ela o alcançasse e se afastou das mãos dela.
— Pare de se fazer de inocente, Hiza.
— Não fale dessa maneira, Byakuya. – ela falou entristecida –
— E como quer que eu fale? Se pensa que irei te chamar de mãe e dizer que senti saudades, é melhor esquecer.
— Você se tornou um homem lindo. – ela falou inclinando a cabeça sem deixar de olhá-lo – E você, Rukia... – ela a olhou sorrindo – Está se transformando em uma linda mulher.
Rukia recuou um pouco, incapaz de demonstrar desprezo ou amor.
— Desculpe...Hiza...mas nii-sama tem razão. – ela murmurou com dificuldade – Não dá pra esquecer tudo o que aconteceu, não há mais como concertar o passado. Não há como nós dois considerarmos vocês como nossos pais, estariamos enganando a nós mesmos e a vocês.
Hiza a olhou tristemente.
— Sei que não deveria te-los deixados sozinhos, fui muito ambiciosa e fútil. – ela murmurou – Então...somente deixem que eu os abrace...os dois...ao menos agora...uma vez...
Ela deu um passo em direção á Byakuya, ele permaneceu parado, mas parecia hesitante, em seguida ela o abraçou, sua cabeça alcançando o ombro do filho, Byakuya fechou os olhos por poucos instantes e em seguida ela se afastou, deslizou a mão pela face dele e sorriu amavelmente.
A expressão de Byakuya suavizou enquanto ele olhava fixamente para Hiza, parecia querer absorver o melhor possível do tempo em que estava com ela.
Em seguida Hiza virou-se para Rukia, as duas permaneceram se olhando, até ambas abraçarem-se ao mesmo tempo, eu soltei a mão dela, dando espaço para aquele momento, depois de instantes as duas se separaram.
— Não importa se vocês me odeiam. – Hiza falou ficando de frente para os dois filhos – Não importa se não me querem por perto. Eu vou fazer até o impossível para conquistá-los. – ela se virou decidida para o marido as suas costas – Genryu, eu vou ficar com eles.
— O que?
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