Como O Sol e A Lua
30 Capítulo 30
- Quando você me bate...sabe...aqueles socos...você diria que é com força, com bastante força, com força mediana ou com sua força mínima?
— Acho que...pouquíssima força. – ela respondeu com naturalidade –
— Pou...quíssima força?
E aquela sensação do meu ombro sendo deslocado? Meu Deus, aquilo é pouca força? Mamãe.
Nós ficamos caminhando pelo local, observando a tudo, os brinquedos, as pessoas, já fazia quase uma hora desde que saímos da barrada de tiro ao alvo, eu e Rukia passamos calmamente em frente á roda gigante e paramos diante dela, eu observei a tudo e quase tive um ataque de riso quando vi Unohana-san e Byakuya em um dos assentos, ele estava emburrado, os braços cruzados, enquanto Unohana tinha uma expressão calma.
— Se deu mal. – eu falei rindo –
— Por que está rindo, Ichigo? – Rukia falou ao meu lado – Você também vai na roda gigante.
Eu a olhei assustado e quando voltei a olhar para Byakuya ele já não estava tão emburrado assim, ele pareceu ter me visto e agora sorria de maneira triunfante pra mim, eu corei levemente, maldito, ele adivinhou o que Rukia me dissera?
Nos sentamos no brinquedo, eu ainda estava emburrado, agora entendo o Byakuya.
— Sabe...não é por achar isso divertido que gosto de vir na roda gigante. – Rukia falou ao meu lado –
— E por que é? – indaguei acalmando a expressão –
Ela olhou para a frente e sorriu levemente.
— Por isso.
Eu segui seu olhar e me surpreendi, não havia percebido que estávamos no topo e agora eu conseguia ver cada detalhe lá de baixo, as luzes coloridas, as pessoas caminhando, os outros brinquedos rodando, era uma vista...deslumbrante.
— Viu? Não é tão ruim assim. – ela falou sem deixar de olhar em volta –
— É. – murmurei –
Nós saímos minutos depois e continuamos próximo dali.
— Eu nunca tinha visto isso do alto. – eu falei –
— Nii-sama foi quem me trouxe aqui pela primeira vez, e devo confessar que ele teve que me segurar fortemente, do contrario eu teria caído sem hesitar...somente para continuar a admirar a tudo isso.
Eu a olhei e ela rapidamente sorriu.
— Deve estar me achando uma louca.
— Na verdade... – eu falei passando a mão pelo rosto dela – Bem...é, estou te achando uma louca.
Ela riu e colocou uma mão em minha nunca, permanecemos nos olhando até eu encostar minha testa á dela.
— Uma louca que eu amo. – murmurei –
Rukia sorriu levemente e fechou os olhos, eu a abracei pela cintura e nos beijamos em seguida.
— Você não é muito normal também não. – ela falou quando nos separamos um pouco – Lembra da primeira vez que você falou diretamente comigo depois da nossa conversa no terraço?
— Infelizmente...sim...
Flashback
- Pergunta como ela ta, se ficar só fugindo não vai dar em nada. – Ishida falou impacientemente ao garoto sentado na fila ao lado –
— Perguntar se ela ta bem...ok...eu consigo...eu consigo... – Ichigo falou com dificuldade – Eu...acho que preciso...de água...
Ichigo se levantou e caminhou apressado em direção á porta da sala, Ishida somente balançou a cabeça negativamente enquanto retornava sua atenção para seu caderno, Ichigo já ia atravessar a porta quando Rukia apareceu diante da mesma o fazendo parar imediatamente e dar um passo inseguro para trás.
— R-Rukia... – ele falou baixo – O-olá...
— Oi, Ichigo. – ela falou sorrindo levemente -
— V-você...você...tá...tá tudo...bem com...você? – ele falou nervosamente -
— Sim.
— Ah...que bom...eu acho...muito bom...que bom...é...realmente...muito bom....
Rukia riu levemente, fazendo Ichigo corar violentamente, ela era ainda mais linda sorrindo, ele pensou.
— E você?
Ichigo olhou-a surpreso.
— E-eu?
— Sim...você. – ela falou voltando a sorrir –
- E-eu...to bem...to legal...to... ta tudo...bem...to bem...to legal...
— Fico feliz. – ela falou sorrindo encantadoramente -
Ichigo permaneceu parado, a respiração desigual e dificultosa.
— Então...você poderia...me deixar passar? – ela indagou calmamente –
— Ah...claro...desculpa...eu...foi mau...desculpa. – ele falou saindo rapidamente do caminho –
Rukia sorriu e foi pra sua cadeira.
Ichigo soltou a respiração e viu que Ishida o observava paralisado, em seguida o garoto de óculos suspirou desanimado enquanto murmurava “idiota” e voltou sua atenção para seu caderno.
Fim de flashback
— Então era por isso que você agia daquele jeito. – Rukia falou quando ambos voltaram a caminhar –
— Sem comentários sobre isso. – murmurei –
— Mas você estava tão fofinho todo vermelho. – ela riu -
— Haha. – falei ficando corado -
[...]
Era horário vago e eu e Rukia estávamos embaixo de uma árvore, sentados no gramado. Ela entre minhas pernas, com as costas contra meu peito, meu braço direito estava sobre o ombro dela enquanto ela segurava com ambas as mãos a minha mão direita, sua cabeça encostada em meu ombro e eu encostado na árvore.
— Você diz que é assustador a maneira que eu e nii-sama conversamos, né? – ela falou –
— Sim.
— Bem, desde pequenos, nunca tivemos mais do que um ao outro. Nossos pais sempre nos deixavam aos cuidados de empregados, enquanto trabalhavam e se divertiam. Há uns dez anos atrás, quando nossos pais viajaram e se ausentaram por anos pela primeira vez, nos sentimos abandonados, desolados, eles ficaram fora por dois anos, naquele ano...algo aconteceu.... E depois daquele acontecimento...prometemos nunca abandonar um ao outro, desde então ficamos mais unidos e então essa forte ligação começou.
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