Como O Sol e A Lua
3 Capítulo 2
- Desculpe perguntar, mas...você tem algo contra mim?
— E por que...acha isso? – eu murmurei segurando o riso pelos meus pensamentos –
— Você sempre me ignora. – ela falou com a voz entristecida e eu rapidamente perdi a alegria em mim –
Ela estava triste...e por minha causa? Mas eu pensei que era ela quem não dava a minima pra mim. Se bem que...não tem como eu saber, eu sempre corria. E agora que ela falou, Rukia sempre tentou falar comigo, na hora da entrada, na hora da saída e tudo o que eu faço é simplesmente fugir acovardado. Eu fiquei em silencio por alguns instantes, então era isso. Meu jeito de agir demonstrava outra coisa. Afinal, se eu tentasse falar com alguém e esse alguém saísse correndo feito doido, eu logicamente ficaria confuso e até mesmo inseguro se esse alguém não ia com a minha cara. Que imbecil que fui, que idiota que eu sou. Eu estava tão obcecado em conseguir faze-la me notar e nem ao menos percebi que ela já me notava, era eu quem não a deixava se aproximar.
Eu voltei minha atenção pra ela, respirei fundo e quando abri a boca pra falar, paralisei antes de iniciar.
— Rukia...
Rukia não virou-se de imediato, permaneceu me olhando por alguns segundos, e eu, não sei como, murmurei pra somente ela ouvir:
— Não é nada do que está pensando, depois te explico.
Ela pareceu um pouco mais segura, sorriu pra mim levemente, embora o sorriso não tivesse a metade do brilho do primeiro que ela mostrara, se despediu e me deu as costas. Eu me senti desconfortável diante do olhar do irmão dela que a aguardava na porta, ele parecia me ameaçar em silencio e quando Rukia chegou até ele, sua expressão se suavizou. Eu a vi sorrir para Byakuya, ele beijou-lhe a testa e passou o braço pelos ombros dela de maneira protetora e ambos sumiram da minha visão em seguida.
[...]
Admito, eu quase espanquei a mim mesmo ontem a noite, como eu fui burro e tudo por causa dessa minha timidez ridícula.
Hoje cheguei cedo na escola, tão cedo que o único presente é o porteiro, e mais, quando eu cheguei, ele ainda estava abrindo o portão da frente.
— Insônia, Ichigo? – ele indagou a mim quando me viu –
— Não. – eu sorri – Só vontade de aprender. – eu briquei –
— Cuidado pra não ficar inteligente em exagero. – ele devolveu a brincadeira –
— Não se preocupe.
Aproveitei a hora de folga e resolvi meus deveres restantes, os pondo em dia. Quando terminei fechei o caderno e me recostei na cadeira, me inclinando para a janela, alguns alunos já começavam a chegar e eu aguardava ansioso que ela aparecesse.
O que eu falaria a ela? “Rukia, eu saio correndo por que te amo”. Ela riria de mim até cansar.
Eu estava tão absorto em pensamentos que só voltei a mim quando recebi um forte tapa na cabeça.
— Mas que...
— Yo, porteiro. – Renji sentou-se do meu lado enquanto ria – Madrugou aqui, foi?
— Só não queria ficar em casa. – resmunguei coçando o local atingido –
Quando eu voltei meu olhar pra janela, o carro de Byakuya já estava parado no local de sempre.
— Droga. – resmunguei – Me fez perder ela de vista.
— Desencana cara. Do jeito que você age quando vê ela, não vai conseguir nada.
Eu o olhei irritado.
— Valeu. – debochei –
Ele ergueu as mãos em sinal de rendição.
— È a verdade.
Eu não consegui perceber, mas quando olhei pra cadeira de Rukia, ela já estava lá, ainda de pé em frente a mesma. Eu paralisei e Renji percebeu, pois ficou passando a mão em frente ao meu rosto pra avacalhar. Rukia cumprimentou a todos, Renji respondeu simpaticamente e quando ela se direcionou pra mim, não falou o de sempre, ela simplesmente veio na minha direção, como se só estivesse eu e ela ali.
— Ichigo... – ela começou –
Imediatamente todos, isso mesmo, TODOS ficaram em silencio e nos olharam, eu senti o sangue subir para minha cabeça e minha face ficar muito vermelha, me encolhi.
— Fala. – murmurei com dificuldade –
— Sobre ontem...
Todos começaram a trocar palavras entre si sem tirar os olhos de nós.
— Podemos conversar sobre ontem no intervalo? – ela falou tão calma que me fez ficar mais nervoso, ela não via todos a olharem daquela maneira? –
— C-claro... – gaguejei –
Ela sorriu levemente e voltou pro seu lugar. Renji estava estático, assim como todos os outros.
— Ontem? Como assim? O que houve entre vocês? Não vai me dizer que vocês...? – ele indagava exasperado –
— Não houve nada. Só...trocamos algumas palavras.
Eu me senti insanamente desesperado, faltavam dez minutos pro intervalo e eu ainda não sabia o que diria a ela. Eu sorri nervosamente, o que está pensando Ichigo? Acha que vai se declarar e ela se jogará em seus braços? Eu fechei os olhos com força. Por que eu não poderia ser um pouquinho mais corajoso? Por que toda essa maldita timidez tinha que habitar somente um único ser?
O sinal tocou e eu senti minha respiração falhar, parecia que todos tinham perdido a vontade de curtir aqueles minutos vagos, pois nenhum aluno se levantou.
Rukia permanecia sentada, calmamente observava o exercício que acabara de resolver no caderno, depois de dois minutos Byakuya surgiu na porta e não trazia nada nas mãos, estranhei, então era isso, por isso ela não veio imediatamente a mim. Ela se levantou, abrindo aquele lindo sorriso para ele, embora agora eu não sentisse mais tanta inveja, ontem ela havia sorrido de maneira muito mais perfeita pra mim.
Rukia chegou a Byakuya e trocou algumas palavras com ele, que em seguida lançou um olhar em minha direção, eu me encolhi, todos permaneciam observando a situação. Byakuya fechou os olhos por instantes e em seguida voltou a olhá-la, disse alguma coisa a ela e Rukia riu enquanto balançava a cabeça negativamente. Ele beijou a testa dela e após lançar um último olhar ameaçador a mim, foi embora. Rukia não se moveu de imediato, depois de instantes se virou pra mim, não estava mais sorrindo, mas sua expressão permanecia calma.
— Ichigo...
Eu demorei um pouco demais para enfim me levantar de imediato, quase derrubando minha cadeira para trás, atravessei a sala sob o olhar de todos e cheguei até ela.
— Vem. – ela falou calmamente –
Eu confirmei exageradamente com a cabeça e a segui.
Chegamos ao terraço em seguida, estava vazio, ela caminhou até o gradeado e encostou as costas nele, embora eu quisesse que fosse o contrário, assim eu poderia me segurar em algo para não correr feito um louco.
— Podemos continuar a conversa de ontem? – ela começou –
Eu concordei com a cabeça.
— Então me diga o quis dizer com “não é o que você está pensando”.
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