Como O Sol e A Lua

14 Capítulo 13


- Sério? Então quer dizer que...Byakuya...vai sair com uma garota? – eu estou tentando imaginar a cena –
— Sim.
— E quem é ela?
— Unohana Retsu.
— Ela? – eu estava cada vez mais surpreso –
Pensando bem, os dois eram bem parecidos, ambos quase não mudavam suas expressões, apesar da expressão de Unohana ser mais simpática que a de Byakuya, ambos eram calmos ao extremo, nunca vi nenhum dos dois nervosos ou com raiva, e ambos não eram de participar da “massa escolar”, eram “acanhados”. Até que não foi uma visão tão desagradável a que eu tive dos dois.
— Interessante. – murmurei – Mas...por que todas as garotas querem ir com ele? Ele nem é tanta coisa assim. – resmunguei –
Rukia riu.
— Bem, parece que a maioria dos estudantes, ou seja, as garotas, acham completamente o contrário. – ela pareceu um pouco incomodada com o que acabara de dizer — Amanhã vou te levar na sala dele pra você ver como elas o tratam. É muito hilário, principalmente por que ele e Unohana estão praticamente namorando, então ele fica irritado e ela fica mais irritada ainda. – ela falou rindo, mas senti que seu riso tinha um pouco de relutancia -
— Estou curioso. – falei rindo – Nunca vi nenhum dos dois irritados.
— E nem vai ver, a irritação deles é demonstrada de maneira muito diferente da comum. Você vai ver, chegue mais cedo, vamos com nii-sama na hora da entrada até a sala dele.
— Ok.
— Então provavelmente já sabe o por que da ausência de nii-sama. – ela falou –
— Por que...ele tem estado com a Unohana? – perguntei em dúvida –
— Também.
— Como assim?
Ela riu um pouco e eu novamente notei aquele tom de relutância por trás dela.
— Ele precisa de alguns minutos escondido pra poder caminhar em paz pela escola.
Eu a olhei confuso.
— As garotas não desistem de convidá-lo, então ele tenta se esconder delas no intervalo e na hora da saída, por isso ele está demorando tanto.
— Ah, entendi. E o que os garotos da sala dele acham disso?

- Eles não sentem raiva do nii-sama... – ela hesitou um pouco e dessa vez sorriu verdadeiramente – Na verdade eles sentem medo dele, o que eu acho descenessário, e simplesmente ignoram as garotas descontroladas.
Desnecessário, até parece.
Rukia olhou em direção a porta, fala sério, de novo? Eu segui seu olhar e não vi nada ali, pelo menos isso.
— Sabe, acho que vai achar bastante estranho. – ela falou distraídamente enquanto continuava a olhar pra porta –
— Que?
— Sobre eu conseguir saber quando nii-sama se aproxima.
— O que tem?
— Ele está vindo. – ela sorriu levemente – Em 3...2...1, agora.
No exato momento que ela falou isso, Byakuya apareceu na porta, eu abri a boca de assombro, eu não consegui ouvir os passos de Byakuya, como sempre, e Rukia ainda fez contagem regressiva. Mas o que era aquilo?
— Vamos, Rukia. – Byakuya falou calmamente –
Rukia já estava de pé, segurando sua bolsa, quando ela fez isso? Eu me levantei com rapidez.
— Até mais, Ichigo. – ela falou acenando pra mim –
Eu ainda estava em estado de choque e apenas confirmei com a cabeça, ela sorriu e em seguida foi embora com Byakuya ao seu lado.
Eis a minha pergunta que eu faria à Rukia no dia seguinte: “Rukia, você tem CERTEZA que não bateu a cabeça em algum lugar?”
E dessa vez eu me certificaria de ficar bem longe dela, sério, eu ainda não consigo sentir meu ombro esquerdo.
Eu tive uma idéia mirabolante em segundos e corri até a porta.
— BYAKUYA.
Os dois que ainda estavam ao longe no corredor se viraram para mim.
— Fale. – ele murmurou e eu fiquei surpreso por ter conseguido ouvir -
— Vocês dois, por acaso, quando crianças...não bateram a cabeça um no outro não né?
Rukia ergueu uma sobrancelha e começou a rir enquanto Byakuya continuava a me encarar com se estivesse pensando se valia a pena me fazer sofrer.

- E quanto a você Kurosaki? Deve ter sofrido um acidente bem sério em sua infância, por isso essa seqüela tão duradoura.
— Você não gosta de brincar? – indaguei –
— Não. – ele respondeu sem hesitar –
— Percebe-se.
— Acabou?
— Rukia, continuamos o que começamos hoje amanhã. – falei debochado –
Byakuya olhou assustado para Rukia e depois para mim.
— Mas o que...
— Hei...é brincadeira. – falei sorrindo sarcástico –
Byakuya me olhou gelidamente e em seguida fez sua decisão: Veio andando até mim e eu somente peguei meus cadernos e saí correndo dali.
— Tchau novamente, Ichigo. – Rukia acenou pra mim – E cuidado com a...
Eu esbarrei na professora de lingua japosena que acabara de virar o corredor e fomos juntos ao chão.
— Professora... – Rukia completou a frase e enfim alcançou Byakuya que já chegava perto de mim – Vamos nii-sama. – ela segurou-lhe a mão e o puxou –
— Mas... – ele tentou argumentar –
— Vamos. – ela repetiu –
Os dois permaneceram poucos segundos se olhando.
— Ok. – ele afirmou -
E em seguida os dois se afastaram.
Mas o que foi aquilo? Foi impressão minha ou...o Byakuya obedeceu a Rukia como se estivesse...com medo? Eu ri com meu pensamento, não, não. Byakuya não teria medo daquela garota carinhosa e frágil...não é?
— Kurosaki Ichigo.
Eu engoli em seco, de tantas professoras, por que ela?
— Desculpe sensei.
Eu a ajudei a levantar, me despedi com rapidez e saí correndo, atrás de mim ela já começava a me ameaçacar. Como deixam uma pessoa dessas dar aulas pra adolescentes e jovens? E se ela resolver matar alguém?