Como O Sol e A Lua
8 Capítulo 7
- Desculpem...eu...realmente... – era o velho tentando falsamente dar uma de inocente – Desculpem...
Eu o olhei quase espumando de raiva, ele não viveria depois dessa pra contar história.
— Bem...até...e...continuem... – ele sorriu sem-graça e saiu rapidamente dali –
Isshin, seu maldito.
Eu soltei minha respiração presa pela tensão, olhei para Rukia que mantinha a cabeça baixa, ela se levantou com rapidez e começou a juntar seus materiais sem erguer a cabeça.
— Acho...melhor eu ir...já acabamos... – ela falou desconcertada –
— O-ok...quer...que eu te leve...?
— Não precisa...nii-sama chegará em alguns minutos. – ela falou ao mesmo tempo em que apertava uma tecla de seu celular, para em seguida guarda-lo em seu bolso –
— Tudo bem...
Depois dela terminar, nos dirigimos á porta, ainda não tínhamos nos olhado diretamente e eu me senti incomodado com isso, ela se despediu de meu pai rapidamente e em seguida saímos da minha casa. Ficamos parados na calçada, aguardando que Byakuya chegasse.
— Não precisa...esperar comigo... – ela murmurou ainda olhando pro chão –
— Não se preocupe... – eu murmurei também –
O carro de Byakuya chegou alguns minutos depois e parou em frente a minha casa, Rukia deu um passo a frente.
— Rukia...
Ela parou e virou-se, nos olhamos por instantes, eu não sabia o que dizer a ela, eu só queria dizer a verdade.
— Boa noite. – murmurei derrotado -
Ela pareceu um pouco decepcionada, suspirou e sorriu insegura.
— Boa noite.
Ela correu até o carro do irmão e entrou nele, para em seguida o carro partir.
Eu ainda permaneci parado por minutos, pensando que há alguns minutos atrás eu estava prestes a beijá-la, e aquela chance escapou das minhas mãos, como a água corre por entre meus dedos, parecia que eu havia esperado por aquilo durante toda a minha vida, e simplesmente acabou sem nem mesmo ter começado.
Eu entrei em casa, cerrando os punhos para não espancar meu pai, ele me olhou de modo inocente e em seguida sorriu com lágrimas nos olhos.
— MEU FILHO ESTÁ VIRANDO UM HOMEM.
Ele pulou em minha direção e eu lhe acertei um chute no estomago.
— Valeu por me ajudar nisso. – disse sarcástico –
— Perdoe-me Ichigo, eu não poderia imaginar... – ele recomeçou a chorar – Estou orgulhoso.
— Por que? Por ter atrapalhado?
— Você é insensível.
— Que seja. – dei de ombros e me virei pra escada – Vou pro meu quarto.
— E a propósito, você não tem bom gosto.
Eu cerrei os dentes, como ele ousava dizer....
— Tem um ótimo gosto. – ele completou – Ela é perfeita. É inteligente, bonita e consegue aturar você, vai ser uma ótima esposa.
Eu conti meu sorriso e fingi não me importar com isso.
— Não delira, velho. E que comportamento foi aquele quando você chegou?
— Ué, só fui simpático.
— Pensei que não era você, sei lá, pensei que era algum tipo de robô clone.
— Muito engraçado.
— Boa noite. – falei pondo as mãos nos bolsos enquanto subia as escadas –
— Boa noite.
[...]
Faltava um mês para o fim do ano letivo e todos esperavam ansiosamente pela festa anual de fim de ano, que reunia baile e entrega de diploma pros formandos do 3º ano. E sim, cada um precisava de um par e eram as mulheres que tinham que convidar, é claro que eu não aceitei os três convites que recebi de minhas colegas de classe, eu não queria nenhuma delas, por mais que Inoue e Chizuru fossem legais, não eram o que eu queria, eu a queria, eu queria ela e ninguém mais.
- E aí, alguém já te convidou?
— Já. – respondi a Renji tediosamente –
— E aceitou?
— Não.
— Por que? – ele pareceu surpreso –
Eu olhei em direção a Rukia que estava, como sempre, do outro lado da sala, prestando atenção á aula.
— Ah. – ele murmurou quando seguiu meu olhar, pareceu entender – Vai esperar que ela te convide?
— Eu...não sei... e você? – quis mudar o foco da conversa –
— Tatsuki me chamou, vamos juntos.
— Legal.
O intervalo chegou, e eu novamente permaneci na minha cadeira, acho que eu era o único que não saía todo dia da sala no intervalo, eu saia as vezes, e hoje eu não estava a fim de ver todos comentando sobre com quem vão á festa, a que horas eu passo na sua casa...acho que era por eu não ter com quem ir que eu me sentia...excluído disso. Mas eu não me importava. Na verdade, eu me importo sim. Mas que se dane.
— Ichigo...
Eu ergui a cabeça surpreso e vi Rukia a minha frente, olhei de relance pra porta e vi Byakuya encostado nela, com os braços cruzados, enquanto olhava-me friamente.
— Rukia... – falei nervoso – Pode falar.
— Eu... – ela hesitou e corou um pouco – Queria saber se já tem par para o baile.
Eu me surpreendi um pouco, neguei lentamente com a cabeça.
— N-não...não tenho...
— Então...você...gostaria de...ir comigo?
Eu a olhei mais surpreso ainda, o que era aquilo? Um maldito sonho? Ou uma maravilhosa realidade? Eu não conseguia responder, permaneci olhando-a estático, vi Byakuya cerrar os dentes, parecia estar se contendo, ele franziu as sobrancelhas com raiva e eu então percebi o por que, ele provavelmente sabia o que Rukia viera fazer aqui e estava irritado...por eu estar demorando tanto para responder a ela. Eu voltei a olhá-la.
— C-claro...sim...eu aceito..sim...
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