Como O Sol e A Lua
22 Capítulo 21
Cheguei em casa e fui direto para meu quarto, me joguei na minha cama e fiquei olhando desnorteado para o teto.
— Eu consegui dizer a ela. – eu murmurei sorrindo idiotamente – Eu consegui dizer que a amo. E ela também me ama.
Eu coloquei as mãos atrás da cabeça e aos poucos o sono veio, e eu tive certeza de que naquela noite, somente ela estaria presente em meus maravilhosos sonhos.
[...]
Eu toquei o interfone, me identifiquei e aguardei. Depois de poucos minutos o portão se abriu, eu sorri ao avistá-la e esperei que ela chegasse até mim.
— Oi. – ela me cumprimentou sorrindo –
— Oi.
Nos beijamos por alguns instantes e em seguida nos separamos.
— Vamos? — perguntei –
— Vamos. – ela falou abraçando meu braço e encostando a cabeça em meu ombro –
Eu sorri feito um idiota e agradeci por ela não estar me olhando, caminhamos pela calçada, iríamos ao cinema que ficava a algumas quadras dali.
Depois de vermos o filme, fomos pra minha casa, Rukia queria conhecer minhas irmãs e minha mãe que tinham chegado de viajem a alguns dias, chegamos e entramos, não havia ninguém na sala.
— Vou chamá-las. – falei a Rukia ao me afastar –
Ela apenas concordou. Eu subi as escadas quase correndo e vasculhei a casa em busca delas, até encontrá-las no quarto.
— Venham comigo, quero apresentar alguém pra vocês. Cadê a mãe e o velho?
— Estão na cozinha.
— Na sala. Agora.
Elas resmungaram algo e me acompanharam, eu fui até a cozinha e chamei meus pais, e logo estavam todos na sala, de frente pra Rukia.
— Muito bem. Karin e Yuzu, minhas irmãs. – eu falei apontando-as para Rukia –
As duas sorriram para Rukia e ela retribuiu gentilmente.
— E está é Masaki, minha mãe. – eu apontei para ela –
Minha mãe sorriu carinhosamente e Rukia fez uma reverencia a ela enquanto sorria.
— Você já conhece Isshin...
Ele acenou animado para ela. Eu fui para o lado de Rukia, ficando de frente para minha família.
— E está é Kuchiki Rukia, minha namorada. – eu falei passando meu braço pelos ombros dela -
Minha mãe sorriu ainda mais, minhas irmãs permaneceram nos olhando curiosas e meu pai...bem...acho que ele esqueceu do papel calmo e controlado que ele interpretava na presença de Rukia, já que ele começou a chorar exageradamente e pulou em nossa direção.
— Até que enfim, filho meu.
Eu o parei com a mão livre antes que ele chegasse mais perto dela.
— Controle-se, velho.
— É um prazer conhece-la, Kuchiki-san. – minha mãe falou –
— Obrigada.
— Vamos, Rukia. – eu falei querendo logo afasta-la daquele velho doido –
— Ok. – ela concordou –
— Se ele tentar algo muito atrevido contra você, Rukia-chan, me diga. – Isshin falou alto –
— Maldito. – murmurei com uma veia saltando de minha testa -
E após nos despedirmos, saímos de casa.
— Desculpe pelo meu pai, ele não tem parafusos na cabeça.
Ela riu.
— Não há o que se desculpar, eu adorei sua família.
Nós caminhamos até o outro lado da rua, onde havia um banco branco de madeira, nos sentamos lado a lado.
— Mas e seus pais? Você nunca falou sobre eles...
Rukia ficou séria e eu estranhei.
— O que houve? – indaguei –
Ela desviou o rosto pro lado.
— Nada. – ela suspirou – Meus pais...vivem fora do país, estão tão ocupados com negócios e coisas fúteis que não nos visitam, pra falar a verdade...eu estou começando a me esquecer deles...das vozes, dos sorrisos, das faces...
— Desculpe, eu não deveria...
— Não. Ta tudo bem. – ela me olhou e eu vi tristeza em seus olhos, droga, por que eu tinha que ter perguntado aquilo? – Sou eu que...ainda tenho dificuldade de falar sobre isso.
— Desculpa, de verdade.
Ela sorriu tristemente e olhou para a frente.
— Eu sou uma pessoa ruim, Ichigo?
— O que? Por que ta dizendo isso? – indaguei surpreso –
- Eu não os vejo há alguns anos, eles nos mandam fotos, mas eu e nii-sama nem mesmo olhamos, eles não telefonam, somente mandam cartas e e-mails. E por causa disso...eles estão começando a ficar embaçados em minha memória. Isso...me faz uma pessoa má? Por eu estar esquecendo das pessoas que me deram a vida?
— É claro que não, Rukia. – eu rapidamente a abracei e a senti deitar a cabeça em meu peito – Se eles querem que você se lembre deles, devem ficar perto de você e não ficar mandando fotos. Isso não é culpa sua. E não importa se você está esquecendo deles, por que Byakuya e eu sempre estaremos com você.
Ela começou a chorar, ao mesmo tempo em que me abraçava mais, eu beijei sua cabeça e apenas fiquei em silencio enquanto passava as mãos por seus braços.
— Obrigada. – ela murmurou –
— Não precisa agradecer. – falei baixo –
— Eu te amo.
Ela continuava abraçada a mim, eu sorri levemente e beijei a testa dela.
— Também te amo.
[...]
O primeiro dia de aula chegou, e como Byakuya não estudaria mais nessa escola, Rukia chegara de carro, sendo este dirigido por um senhor aparentando ter mais de 50 anos. Eu a vi acenar para o senhor que retribuiu e em seguida deu partida.
Momentos depois ela chegou na sala, colocou seus materiais sobre uma cadeira na frente e veio até mim.
— Por que gosta de ficar aqui atrás? – ela perguntou sentando-se em uma cadeira vaga ao meu lado –
— Pro professor não perguntar nada pra mim. – eu brinquei –
Ela sorriu e me deu um rápido beijo, não tão rápido o suficiente para evitar que alguns olhares caíssem sobre nós, Rukia sorriu diante do meu visível desconcerto. Uma coisa era ficar perto da Rukia com todos olhando, outra muito diferente era ela me beijar com todos nos olhando.
- Não se preocupe. – Rukia murmurou pra mim –
— Não sei o que é pior, todos ou Byakuya.
Ela riu, me deu mais um beijo, murmurou um “até mais” e foi pra sua cadeira, pois o professor acabara de entrar na sala.
— Hoje temos algumas caras novas. – o professor começou – Por favor, entrem.
Três alunos entraram, um homem e duas mulheres.
— Sou Shiba Kaien. – o homem de cabelos azulados falou com um sorriso exposto -
Eu não escutei o nome das outras duas alunas, já que percebi que aquele sorriso daquele cara novo estava sendo direto demais, e era pra Rukia. Eu cerrei os dentes e me amaldiçoei por sentar longe dela, eu não poderia fazer nada de onde eu estava. Os três sentaram-se e a aula continuou, mas eu já não prestava atenção a nada, pois Shiba Kaien escolheu sentar justamente ao lado de Rukia.
— Maldito. – sussurrei esmagando minha caneta –
— Calma Ichigo. – Renji murmurou ao meu lado – Você é mais bonito que ele. – ele riu avacalhado –
— Não enche. – murmurei entre dentes -
O intervalo foi anunciado e eu me levantei tão depressa que meus amigos até se assustaram ao meu lado, eu nem mesmo aguardei que todos saíssem da sala e quando eu cheguei até Rukia, metade dos alunos ainda estava presente.
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