Chegando em casa contei a novidade para todo mundo. O meu pai apesar de feliz não gostou muito do fato de eu ter que trabalhar alguns sábados, mas eu não me importo. Isso é o que eu quero fazer, é o que eu sempre quis.

- Parabéns meu amor! Estou tão feliz por você querida. – disse minha mãe.

- Eu também estou mãe. – E realmente estou. Meu pai veio me abraçar também e anunciou que iríamos comer fora para comemorar.

Fomos comer em um restaurante que tem uns rolinhos de queijo muito bom. Eu já falei que gosto muito de queijo?

- Tenho uma ótima noticia. O corretor imobiliário me ligou, ele selecionou 3 apartamentos e 5 casas para olharmos.

- Uhul! – Gritei eufórica. Eu amo os meus avós, mas não quero morar na sala deles para sempre.

Eu pedi uma enorme porção de sushi e nós todos comemos juntos, a muito tempo não saímos para comer assim, em família. Antes era por falta de dinheiro porque minha mãe e meu pai estavam sempre juntando dinheiro para comprar uma casa maior, agora é por falta de tempo mesmo.

O fim de semana custou a passar, não sei se foi por causa da ansiedade de começar a trabalhar ou porque essa semana não teve trabalho e nem relatórios escolares. No domingo eu me encontrei com as meninas, nós conversamos muito. Fomos até um jardim muito bonito, eu fiquei encantada, tirei várias fotos para mandar para Anna e, eu ainda não esqueci o Ronaldinho. É uma droga ele não estar me ligando e nem atendendo os meus telefonemas. Mas Anna me disse por um e-mail que ele havia perguntado na escola se eu estava bem, que ele estava sentindo minha falta e que ele ficou em choque quando soube que havia me mudado para o Japão.

RIN: DESDE QUE ME MUDEI PRA CÁ NÃO ME SINTO

FELIZ ASSIM ANNA.

ANNA: QUE BOM AMIGA! E OS GATINHOS DAÍ?

RIN: TEM VÁRIOS MAS NÃO ESTOU PAQUERANDO

NINGUÉM.

ANNA: AMIGA VOU SAIR AGORA, TENHO MUITO O

QUE FAZER AQUI. BJOOOSSSS

Na segunda acordei bem cedo, tomei meu banho, arrumei meu cabelo em um coque, coloquei meu uniforme de trabalho na mochila e fui embora para o colégio. Meu pai me falou a manhã inteira para eu não me atrasar.

- Rin! – Kagome me chamou animada.

- Bom dia Kagome! – disse animada.

- Está animada para o seu primeiro dia de trabalho com o irmão do Inuyasha?

- Com o irmão de quem? – Do que Kagome está falando?

- Sesshoumaru, ele é irmão do Inuyasha.

- ele é irm…

- MEIO irmão ok? – Inuyasha apareceu e deu um beijo no rosto de Kagome que ficou corada. – Vocês viram a Kikyou por aí?

- Não Inuyasha eu não vi. – disse Kagome virando e saindo.

- O que eu fiz? Ah droga!! Essa Kagome é totalmente bipolar. – disse Inuyasha se retirando também, fiquei sozinha no corredor.

O dia passou lento, tive aula de biologia e me sentei com Sango, conversamos bastante. Sim, eu sei que é feio conversar durante a aula.

- Ontem eu conversei quatro horas com meu irmão mais velho. – disse Sango.

- O que mora na Inglaterra?

- Sim, só falta três anos para ele terminar a faculdade, assim que ele terminar vai voltar para o Japão. – Sango parecia animada.

- Você parece ser bem apegada a ele não é?

- O Kohaku é maravilhoso, sempre me ajudando me dando bons conselhos. Acho até estranho ele está solteiro até hoje porque ele é muito bonito também.

- Nossa que irmã mais puxa saco você é Sango. – disse Rindo dela.

- Quando eu era pequena e meus pais… bem, eles morreram. Eu tive muito medo e sofria de pesadelos todos os dias. Quem me ajudou e deu forças foi o meu irmão, ele cuidava de mim.

- Mas você não mora com a sua tia? – Perguntei, eu sempre soube que Sango teve uma infância difícil, uma vez Kagome disse que era uma vitória quer os sorrisos de Sango, eu não entendi bem, mas agora começo a entender.

- Vou te contar a minha história do começo Rin, para que você entenda. Vivíamos felizes no interior, meu pai, minha mãe, Kohaku e eu. Um dia meu pai discutiu com um fazendeiro e poucas semanas depois quando eu e Kohaku voltávamos da escola encontramos nossa casinha incendiada, meus pais estavam lá dentro e não conseguiram sair porque as janelas e portas estavam trancadas.

- Foi o fazendeiro? – perguntei horrorizada com o que ela dizia.

- Até hoje ronda o boato de como ele mandou seus homens baterem no meu pai até ele desmaiar, e de como estupraram minha mãe até ela morrer, dizem que foram mais de trinta homens. Os vizinhos com medo se esconderam em suas casas. Diziam que dava para ouvir os gritos de minha mãe implorando socorro.

- Sango que terrível. Mas ningu…

- Ninguém fez nada, todos ficaram com medo de terem o mesmo destino que meus pais. Dizem ainda que meu pai acordou e viu eles abusarem de minha mãe, e viu ela morrer e mesmo depois de morta eles abusaram dela. Um vizinho ouviu meu pai gritando “ Desgraçados, vocês a mataram e mesmo assim fazem isso com ela!!”

- Sango como você ficou sabendo disso?

- Ouvi eles contarem para minha tia quando ela foi buscar meu irmão e eu para morarmos com ela aqui. E disseram a ela também que amarraram meu pai e queimaram vivo junto com a casa.

- Isso tudo deve ser muito difícil para você. – eu não sabia o que dizer a Sango, acho que ninguém está para ouvir uma historia dessas. Sango limpou uma lagrima dos olhos.

- Eu só lembro de chegar em casa e ver tudo queimando. Kohaku saiu correndo gritando, ainda havia uns homens lá que não deixavam que ninguém apagassem o fogo. Um vizinho tomou coragem e puxou Kohaku e eu para dentro da casa dele e disse para ficarmos quietos, que tudo ia ficar bem. Eu estava em choque, não conseguia nem falar, o desespero tomava conta de mim. Eu tinha oito anos, e me lembro até hoje de quando os bombeiros chegaram com a polícia. Nós fomos levados para um abrigo e minha tia foi lá semanas depois para nos buscar, e passou onde ficava nossa casa para negociar com um homem a venda do terreno, foi neste dia que o vizinho contou para minha tia tudo que tinha acontecido. Ela achou que eu estava dormindo na sala com Kohaku, mas na verdade estávamos ouvindo o que eles diziam de traz da porta.

Sango limpou mais uma lagrima dos olhos. O sinal bateu e ela e nem eu tínhamos anotado nada.

- Vamos beber água Sango.

- Sim.

- Você sofreu muito, mas pode ter certeza que este fazendeiro que fez isso com vocês vai pagar caro. – Sango respirou fundo, olhou para meus olhos e com toda a simplicidade e pureza que alguém podia mostrar me disse.

- Eu ainda vou me vingar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.