Como (Não) Esquecer o Seu Ex
5 Capítulo 5 - Por Tyler
Notas iniciais
Eu sempre tive em minha cabeça que eu era a pessoa mais sortuda do mundo. Isso desde que meu empenho no basquete vinha cada vez ficando maior e eu tive a oportunidade de conhecer aquele furacão de olhos castanhos.
Bom, eu não precisava dizer que as coisas começaram a dar incrivelmente errado depois de eu deixar escapar o que provavelmente havia sido uma das melhores pessoas que eu tive em minha vida.
Marcela ria de alguma piada minha sem graça, qual eu nem me lembrava no momento após encontrar o olhar surpreso de Andy me encarando como se pudesse se desmanchar ali, em minha frente.
—Andressa? -Perguntei alarmado com a situação em que eu me encontrava, já que Marcela estava absurdamente perto. Esse contato já era algo comum entre nós dois, somos primos e isso era algo que já estava bem claro para ambos. Eu nunca havia me incomodado com a proximidade que eu e minha prima havíamos adquirido esses dias, até hoje.
—Desculpe. -A voz de Andy soou totalmente indiferente. Pude perceber que Marcela afastou-se, percebendo o incômodo da situação. Andressa aproximou-se ainda mais de onde eu estava, fazendo-me ajeitar a postura totalmente desleixada de alguns segundos atrás. A garota abaixou-se, em direção ao cooler de bebidas ao meu lado. Fiquei observando o corpo de Andy curvado em direção às bebidas. O short que Andressa usava realçava as curvas de seu corpo e deixava suas pernas torneadas totalmente a mostra. Qual é? Eu sou homem. Apesar de que o conjunto de sua roupa esteja combinando totalmente com sua personalidade, eu não podia deixar de reparar no seu corpo convidativo que estava tão distante ao meu. Pude até perceber que nesse período em que estivemos longe, Andressa vem ficando cada vez mais gostosa com seus treinos. Ela estava incrivelmente linda, como sempre, e dessa vez eu não estava ao seu lado para acompanhá-la. Arqueei as sobrancelhas, vendo a minha garota sair do cômodo com seu rebolado amigável e duas garrafas de alguma bebida energética e uma vodka qualquer.
Soltei o ar de meus pulmões depois de ter percebido que havia o segurado por muito tempo, fechando os olhos e engolindo em seco.
—Você acha que...
—Acho. -Interrompi Marcela, já sabendo que ela estava se referindo em Andy ter interpretado algo errado. -Vamos nos juntar ao pessoal.
Minha prima assentiu, concordando, e mais uma vez preencheu seu copo com a bebida avermelhada, para depois me seguir até onde o pessoal estava concentrado.
O local já estava totalmente abafado, enquanto as pessoas já dançavam divertidas com a música que estava alta, outras conversavam sentadas nas mesas e algumas pessoas estavam com seus respectivos namorados ou conversando, ou se pegando, ou simplesmente dançando.
Senti falta de como essa reunião era extremamente boa com aquela garota ao meu lado.
...
—Relaxa, Leonard! -O que era pra ser uma simples reunião já havia virado uma festa. Estávamos quase todos na nossa pista de dança improvisada, dançando.
Eu já não estava totalmente sóbrio quando os garotos do time chegaram com fardos de bebidas e iluminações novas para o local, depois disso, as coisas começaram a fugir do controle.
Eu estava no meio da pista com os garotos. Eu era totalmente desajeitado para dança, então para eu estar com os garotos no meio de tantas pessoas e tentando mexer o meu corpo desengonçado, o álcool já estava afetando os meus pensamentos.
Ouvi meu nome vindo de algum lugar, mas jurei por algum momento que era coisa da minha imaginação.
Apenas por um momento.
Uma garota baixa e loira se colocou em minha frente, com uma expressão que transbordava preocupação.
—Tyler Leonard! -Ela gritou, para que eu pudesse escutá-la. Me inclinei para frente com o intuito de ouvi-la melhor. -Preciso de você. Bom, eu não. A Andressa precisa.
A garota puxou-me pelo braço até onde um aglomerado de pessoas se encontrava. Esbarrei em algumas pessoas até me deparar com algo que não achei que veria tão cedo.
Andressa estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede. Seus cabelos, antes perfeitamente alinhados, agora estavam soltos e bagunçados. As madeixas castanhas tapavam seu rosto, que estava inclinado para baixo, onde suas duas mãos estavam entrelaçadas. Um copo quase vazio encontrava-se ao seu lado.
—Tá bom, pessoal, o show acabou! -Falei alto o suficiente para as pessoas soltarem alguns murmúrios e saírem dali, indo fazer qualquer outra coisa. Me abaixei, apoiando um de meus braços na parede ao lado de Andy. Demorou um pouco para que ela se movesse, mas logo Andy subiu seu olhar para o mesmo chocar-se com o meu.
—Tyler, eu...
—Não precisa dizer nada. -Peguei Andy pela cintura, fazendo com que automaticamente Andy colocasse seus braços ao redor de meu pescoço. A levantei sem fazer muito esforço.
—Eu estou péssima. -Sua voz estava rouca e arrastada. Ela havia soltado meu pescoço quando colocou seus pés no chão e agora rodeava minha cintura, por culpa da diferença de altura. Ela estava com a cabeça apoiada em meu peito e meus braços ainda a seguravam pela cintura, mesmo que de um modo desengonçado.
—Vou te levar pra casa, tudo bem? -Andy me fez parar por um momento.
—Não, por favor! -Andressa disse. -Não quero que meus pais me encontrem desse jeito.
Suspirei, e voltei a caminhar com Andy colada em meu corpo. A levei até meu carro, onde a coloquei no banco de trás, deitada.
—Me espere aqui.
Saí dali, indo procurar Marcela. Entrei mais uma vez no lugar em que eu estava há alguns segundos atrás e demorei alguns minutos para encontrar minha prima abraçada com Eduardo, que estava apoiado na parede. Não pude deixar de arquear uma de minhas sobrancelhas ao ver a cena. Eu precisava parar com essa mania.
—Eu não queria atrapalhar o casal da noite... -Comecei, capturando a atenção dos dois. -Mas precisamos ir, Marcela.
—Já? Está tão cedo. -Marcela fez um biquinho.
—Eu estou com... -Parei, antes de citar os acontecimentos anteriores. Não queria que Eduardo ouvisse e tomasse decisões precipitadas. -Sono. Vamos embora.
Marcela assentiu e selou os lábios de Eduardo. Virei-me e fui em direção à saída mais uma vez, sem paciência para aturar as cenas românticas do novo casal. Marcela me devia explicações.
—Ei, espera! -Já na rua, Marcela estava ao meu encalço. Pude ver Andressa pela janela do meu carro, ela já estava sentada no banco de trás com os seus cabelos presos em um coque desajeitado. -Porque você não me disse que estava com ela?
Lancei um olhar para que Marcela não falasse mais nada, e foi isso o que ela fez.
...
—Calma, calma! -Eu tentava subir as escadas de minha casa com Andressa que estava com as pernas bambas. Andressa tropeçou poucas vezes até chegarmos ao segundo andar, mas de qualquer forma tive de ajudá-la.
—Ela precisa de um banho gelado, Tyler. -Marcela disse.
—Vou levá-la para o banheiro em meu quarto, ok? Pegue algumas roupas suas e me leve depois. -Marcela assentiu. -Ei, obrigado. -Marcela sorriu e foi em direção ao quarto aonde estava hospedada.
—Vocês formam um casal lindo. -Ouvi Andy pronunciar, logo após de soltar uma risada falsa. Arregalei os olhos, por um momento, e depois soltei uma risada um pouco alta. -Ei, vai acordar sua mãe!
—Fica tranquila, minha mãe foi pra casa do namorado dela. -Andy só podia estar brincando! Não demorou muito para que eu juntasse os fatos. A indiferença, o cinismo... Estava tudo interligado! Tive que me conter para explicações, porém, precisava cuidar da minha garota antes de tudo.
—Você consegue se virar, não consegue? -Perguntei, entrando no banheiro. Andy assentiu e a coloquei sentada no vaso sanitário. Liguei o chuveiro e peguei uma toalha no armário abaixo do espelho do banheiro, pendurando-a no suporte ao lado do box. -Se precisar de qualquer coisa, só me chamar. -Virei-me para retornar lentamente para meu quarto. Antes de fechar a porta completamente, fui impedido pela voz doce e suave de Andy.
—Tyler! -Virei-me e a observei. -Obrigada.
A expressão tranquila em meu rosto fez com que meus batimentos falhassem por um momento, então a única coisa que pude fazer foi sorrir e acenar com a cabeça.
Marcela surgiu com uma muda de roupas para Andressa usar. Não precisei dizer muito, apenas a agradeci e minha prima me retribuiu com um "boa noite" é um beijo na testa.
Permiti-me relaxar por um momento e deitei-me em minha cama.
Por um momento, sentado na em minha cama, esperando aquela garota sair do banheiro, me peguei pensando no porquê de ela estar tão indiferente comigo e também o porquê dela ter exagerado tanto em algo que se eu a conheço bem, nunca foi de seu interesse.
Andressa sempre fora uma garota super tranquila. Ela odiava bebidas alcoólicas, odiava drogas, odiava sair para festas ou voltar muito tarde para casa. Ela não gostava de manter relações muito íntimas com outros garotos que não fossem eu. Suas preferências eram sempre ficar em casa, estudando, ou até mesmo lendo um livro de sua preferência com uma xícara de chocolate quente, já que odeia café.
Mas agora, nesses últimos dias, venho percebendo que a cada dia, perco um pouco mais da minha namorada.
Andressa saiu do banheiro enrolada na toalha verde musgo que eu havia deixado para ela. Ela estava com a aparência cansada e arrastava os seus pés no chão, o que só comprovava isso.
—Você pode me ajudar com isso? -Andy perguntou e virou-se, mostrando a trava da corrente que usava no pescoço. Levantei-me e fui até ela, em passos lentos. Envolvi a pequena trava com minhas mãos e acabei esbarrando meus dedos gélidos no pescoço de Andressa, que se arrepiou com o contato. Tirei a corrente e Andressa virou-se para mim. -Obrigada.
—Não tem de quê. Bom, as suas roupas estão ali em cima. -Apontei para a cama. -Eu vou pegar minhas coisas e vou pro quarto da minha mãe.
—Não, espera! -Andy disse assim que eu me virei para sair dali. -Fica.
O pedido era simples, até demais. Era algo comum entre nós dois. Andressa estava segurando a toalha em volta de seu corpo, firmemente, e seus cabelos castanhos estavam alisados por estarem molhados. Seu rímel estava um pouco borrado, e se eu a conhecia bem, ela dormiria assim.
A voz doce de Andressa preencheu meu peito com o melhor sentimento que eu havia tido em toda a minha vida.
E eu fiquei.
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