Como Me Tornei Uma Caçadora
17 Zeus pede desculpas
Notas iniciais
Adormeci e tive outro sonho com os deuses. Eu estava num salão enorme. Deveria ser o Olimpo, porque tinha um monte de tronos gigantes. Em um deles tinha um deus com terno azul claro, risca de giz e uma cara séria. Era Zeus. Ele me viu e começou a falar:
– Olá Samantha, você está bem? – a voz dele era tão séria quanto as suas feições.
– Tirando o fato de você ter me eletrocutado, é. Eu estou bem – o que ele queria que eu dissesse? "Ah, eu estou bem. Adoro quando um raio cai em cima de mim, isso acontece sempre...”.
– Me desculpe pelo raio... Eu não sabia como reclamá-la. Quando contei para Hera que tinha mais uma filha ela começou a discutir comigo e me deixou nervoso. Então eu joguei um raio e ele acabou acertando em você... – ele explicou como se fizesse isso todos os dias.
– Ah, mais é claro... Porque não pensei nisso antes? – eu disse, deixando Zeus com uma cara confusa.
Meu sonho foi ficando distante e eu acordei. Já estava escuro lá fora. Quíron estava passando perto da minha cama e me mandou tomar banho e depois ir para o refeitório.
Eu me levantei e tomei um banho quente e relaxante. Depois fui para o refeitório, quase me sentei na mesa de Hermes, esquecendo que era filha de Zeus. Eu dei apenas eu sorriso para Miranda, que abriu um enorme sorriso a me ver e quando passei perto da mesa de Apolo, a mesma coisa aconteceu.
Eu me sentei, e percebi que estava sozinha. Eu já tinha me acostumado com aquela bagunça do chalé de Hermes e agora, eu iria dormir sozinha. Queria tanto que...
– Ei Sam! – Thalia atrapalhou meus pensamentos e veio correndo até a minha mesa. Não sei se isso era permitido, porque Quíron olhou pra ela e depois revirou os olhos. Como ela também era filha de Zeus, acho que não era tão errado – O Quíron me deixou ficar no chalé de Zeus, pra você não ficar sozinha.
– Sério? Isso é ótimo. Eu já estava achando estranho ficar aqui sozinha...
Depois do jantar, eu contei isso pro Léo e pra Miranda. Nós não ficamos muito tempo juntos, porque eu tinha que levar minhas coisas para o meu novo lar.
Era um grande chalé de mármore branco, com colunas pesadas na frente. Tinha portas de bronze polido, que, dependendo de onde se olhasse, parecia que são atravessadas por raios.
Por dentro, era escuro como os dias de tempestade. O teto tinha um mosaico azul e branco. Os azulejos moviam-se pelo teto, mudando de branco para preto. Às vezes alguns azulejos dourados brilhavam como se fossem relâmpagos. Não tinha moveis normais, sem cadeiras, mesas ou qualquer outra coisa. Ah, e tinha uma gigante estátua de seis metros de Zeus, bem no meio do chalé. Parecia ser meio real, ele estava com roupas gregas e parecia olhas pra mim.
– Assustador né? – Thalia falou, aparecendo do meu lado – tem só um lugar no chalé todo que ele não parece estar olhando pra gente. Vem cá, eu te mostro.
Ela me levou até um canto. Lá tinha um saco de dormir, uma mochila e até algumas fotos coladas na parede. Thalia estava segurando algumas coisas minhas e colocou junto com as que estavam no chão.
– Eu costumava dormir aqui antes de, bem, antes de virar caçadora.
– Ah, é um alivio saber que tem algum lugar que eu posso dormir sem ser observada por ele – eu olhei para a estátua.
Abaixei para arrumar minhas coisas e quando fui estender meu saco de dormir, uma das fotos se desprendeu da parede e veio voando até meu pé. Eu peguei a foto e não pude deixar de notar: na foto estavam Annabeth bem mais nova, mais eu sabia que era ela. Thalia parecia a mesma e tinha um garoto do lado dela com cabelo cor de areia, que devia ter uns 14 anos.
– Quem é esse garoto? – eu perguntei.
– Luke – ela abaixou a cabeça e suspirou. Desejei muito não ter feito aquela pergunta.
Fale com o autor