Como Me Tornei Uma Caçadora
30 As distrações começam
Notas iniciais
Sem carona no meio de um terremoto. O que fazer?
– Vamos para aquela clareira – Léo indicou um bosque tranquilo à não muitos metros de onde estávamos. Nós corremos até lá e o terremoto foi ficando mais fraco conforme nos distanciamos da área da lanchonete e quando chegamos ao bosque, o tremor tinha acabado.
– O que aconteceu lá? Parece que foi só perto da lanchonete – eu falei, tentando entender algo nessa confusão toda.
Thalia e Nico se entreolharam e, enfim, Thalia perguntou:
– Sam, o que você viu lá na lanchonete, exatamente?
Eu contei sobre a velha de pele de papel amaçado e da minha visão. Isso só pareceu confirmar as suspeitas do Nico e da Thalia.
– Gaia. – ela finalmente disse
– Como eu suspeitava. – Nico falou em seguida – Annabeth tinha algumas possíveis idéias de que Gaia ia tentar se reerguer, mais não achei que fosse nada real.
– Bom, juntando os fatos... Com toda essa coisa de terremoto, velha com cor de papel pardo e meu pai fugindo pra longe sem nos esperar... – Léo pensou alto.
– É melhor nós ficarmos aqui, caso Apolo venha nos buscar... – Miranda deu um palpite baixinho.
– Ele não vai vir nos buscar Miranda, nós vamos continuar sozinhos agora. – Thalia falou com seu jeito pessimista de sempre.
Nico estava sorrindo e encarando a Thalia, que fez uma careta mandando ele parar de olhar.
– Ok, vamos ficar aqui um pouco e vemos se Gaia dá o ar de sua graça de novo. – Nico decidiu.
– Devem ser umas três ou quatro horas, parece que nós andamos tão pouco... Onde estamos? – Léo perguntou, olhando para o sol.
– Hmmm... Acho que estamos quase em Nevada, estamos bem perto da Califórnia. – Miranda afirmou com certeza de que estava certa. Ela sabia exatamente onde estávamos.
– Certo, acho que não vamos encontrar uma carona por aqui... Montamos o acampamento e passamos a noite aqui? – Nico perguntou, mais não foi para mim. Ele olhava fixamente para Thalia. Porque ele estava perguntando pra ela? Eu era a líder dessa missão!
– Acho que sim, quero explorar um pouco a área – Ela falou depois de um tempo, quando percebeu que a pergunta era pra ela – Sam, vem comigo?
– Claro.
Thalia e eu fomos andando alguns metros floresta adentro e chegamos à outra clareira. Thalia ficou parada com seu arco e flechas mágicos e eu com minha presilha magica em mãos. De uma moita saiu um esquilo que nos olhava assustado.
– Vá embora esquilo, não vamos precisar de comida – Thalia falou e o bichinho pareceu entender.
– Não sabia que filhas de Zeus falavam com animais – eu brinquei.
– Boba, isso é coisa de caçadora! Você pode fazer isso também se entrar pra caçada.
– Ei caçadora, acho que o Nico tá meio afim de você – eu tentei irritá-la.
– Bláah, eu também to achando isso, mais não quero nenhum garoto pateta por perto, mesmo se não tivesse essa coisa toda do juramento. Eles são tão... Você sabe... – ela riu.
– Sei, mais o que você vai falar pra ele? Ele não tira os olhos de você.
– Vamos ver, se ele continuar agindo como um louco ousando olhar pra mim com segundas intenções você fala com ele. – ela falou, sendo um pouco exagerada.
– ok.
Nós voltamos para o acampamento uns 10 minutos depois e já estava tudo montado. Duas barracas estavam montadas, dois troncos que serviriam como bancos e uma fogueira pronta pra ser acesa entre eles.
– Uau, onde conseguiram tudo isso tão rápido? – Thalia perguntou pro Léo.
– Vocês ficaram uns 20 minutos na floresta, nós tínhamos que fazer alguma coisa – Nico respondeu no lugar do Léo e foi em direção a ela. Ela me olhou com uma cara que dizia “o que ele está fazendo?”. Ele parou alguns centímetros de distancia dela – Encontrei uma coisa sua, caçou alguma coisa com essa flecha? – ele pegou a mão dela e colocou uma de suas flechas em sua mão.
– Onde encontrou minha flecha? – ela perguntou e deu um passo pra trás.
– Deve ter caído enquanto você e a Sam foram pra dentro da floresta. – ele se aproximou mais dela, e tirou uma mexa do seu cabelo preto e repicado do olho.
– Nico, o que você pensa que está fazendo? Sai daqui! – Thalia falou irritada e se afastou – Minha Artêmis do Olimpo, o que esse menino tem na cabeça? – ela resmungou enquanto corria de volta pra floresta.
– Thalia, aonde você vai? – Miranda gritou, e tentou ir correndo atrás dela.
– Deixa ela Mi, depois nós falamos com ela – eu falei tentando deixar tudo sob controle – Nico, quer explicar o que aconteceu aqui? – minha voz soou mais rígida do que deveria.
– Eu, eu... Sam, nós podemos dar uma volta? – ele falou baixinho.
– Não, fiquem aqui. Nós dois já estávamos querendo dar uma volta... – Miranda foi na direção de Léo, agarrou sua mão e deu nele um selinho. Ele apenas sorriu e os dois foram andando pra longe do nosso acampamento.
– O que foi isso? – eu perguntei calma.
– Eu não sei, não sei por que fiz isso – ele sentou em um dos troncos e colocou a cabeça entre os joelhos.
– Nico... É só que parece que você gosta da Thalia, de verdade.
– É, acho que é isso. – ele se sentou direito – eu sou um idiota.
– Nico, você não é um idiota. Você está mesmo...
– Eu sou apaixonado pela Thalia. Mais ela é uma caçadora e deve me odiar agora. – ele suspirou.
– Ela não te odeia, ela só está assustada. Você sabe... A vida dela não foi fácil, principalmente quando se trata de amor...
– É, ela era apaixonada pelo Luke não era? Eu não acredito que ela já gostou dele.
– Nico, você sabe que ela é uma caçadora. Isso não vai dar certo. Ela já sofreu demais com o amor, quer distancia disso agora.
– Eu sei, só queria que as coisas dessem certo pra variar. – ele desabafou. Sei que a vida dele não foi fácil também.
– Você vai ter que achar alguém diferente pra ajudar a esquecê-la.
– É, até pode ser... – ficamos em silêncio, até que ele começou a me encarar.
– O que foi? – eu perguntei confusa.
Ele não respondeu. Com uma de suas mãos, ele virou meu rosto na direção do rosto dele e nossos narizes se encostaram. Sua mão desceu até a minha nuca e ele puxou meu rosto contra o dele. Nossos lábios se tocaram e eu não pude resistir. Por alguns segundos, eu me senti nas nuvens, passava minhas mãos nos cabelos negros e bagunçados dele até perceber o que estava acontecendo. Nico estava me usando para esquecer a Thalia. Eu não podia negar, estava gostando de beijar ele, afinal, ele era lindo e um ótimo amigo. Mais eu queria que fosse só um amigo.
– Nico – eu sussurrei, me separando dele e tomando folego – Isso não é certo. Eu, eu não posso fazer isso. Eu não posso te ajudar a esquecer a Thalia desse jeito.
– Sam, me desculpa. Eu fiz isso sem pensar, – ele fez uma pausa e suspirou – de novo...
– Eu vou procurar a Thalia. – eu estava enlouquecendo.
– Tá – ele deu de ombros.
Eu só queria fugir. Abandonar essa missão e ir pra casa. Não, eu não tinha mais uma casa. Eu podia aceitar o convite da Thalia... E era isso que eu ia fazer.
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