Como Matar Chantelle Paige
45 Almost
O discurso de David Jost acabou e Bill foi agradecer ainda chocado com a situação. Depois disso todos os meninos iam descendo do palco exceto Tom que ficou parado ali por mais alguns instantes. Ela se movimentava por entre as pessoas na direção dele, tudo estava incerto e ele não sabia o que pensar.
Ele então desceu do palco e ficou de frente pra ela. Jenny estava maravilhosa, e ela o encarava, séria, com o cenho franzido.
-Oi. – ela disse e relaxou o rosto.
-Oi. – foi vez dele ficar nervoso. – Você está linda. – ele não tinha mais o que dizer.
-Cinco anos...
-Shhhhhh. – ele fez sinal pra que ela se calasse. – me responda: porque ?
Ela tirou da bolsinha que segurava um papel velho, mal escrito, um rascunho da carta que dera a Delilah e Minnie antes de partir.
“E na verdade é o que eu sinto... eu quero, de verdade, que eles sejam felizes, porque eu acho que o amor é isso. É você querer que as pessoas felizes acima de tudo, e não quere-las junto de si.”
-Foi por isso. – concluiu.
-Em parte. – ela proferiu. – não prefere ir pra um lugar menos barulhento ?
‘Reden’ tocava aos berros no alto falante.
Tom simplesmente puxou a mão de Jenny por dentro de um dos corredores da casa de festas.
-Porque você voltou ? – ele disse perdendo a cabeça, nervoso, confuso e querendo fugir dali.
-Eu fiquei cinco anos longe, Tom. Tentei de verdade começar de novo, fazer outra coisa da minha vida, mas não deu. Eu só vim saber como você e a Delilah estão, se vocês estão felizes, porque se estiverem, eu vou embora, vou voltar pro lugar onde eu estive todos esses anos e de onde eu não deveria ter saído, mas se não... se vocês não estiverem bem...
-Você vai ficar comigo ?
-Foi pra isso que eu vim, Tom. Chega dessa embolação. Passei quase 7 anos da minha vida em função disso, desse amor e desamor, chega. Eu não agüento mais, ninguém agüenta mais isso. Vamos resolver tudo de uma vez por todas...
-Você mudou mesmo, não é ?
-Não. – o rosto da menininha estava ali... o tempo todo. – eu só quero colocar um ponto final em tudo isso. Quero ser feliz, quero que tudo seja como deveria ter sido desde o começo.
Ela segurou na mão dele. O primeiro toque depois de 5 anos.
-Agora eu sei que é real.
Ela corou e ele sorriu.
-Sabe qual foi a única coisa que eu descobri nesses 5 anos ? – ela perguntou. – eu descobri que eu sinceramente amo você, com todas as minhas forças e eu quero lutar por isso, e não ser a menininha frágil, que cede tudo de prontidão sem pensar por puro altruísmo. Eu quero o que eu perdi em todos esses anos.
A porta se abriu e Miranda estava parada lá, com Iwan no colo e o semblante mostrando claramente sua desaprovação:
-Então você voltou. – foi uma afirmação que ela tinha que dizer para si mesma se não, não acreditaria. – Porque ?
-Miranda...
-Jennifer. – pausa – Tom, saia daqui, temos um assunto de mulher para mulher pra conversar. – ela fez sinal para que ele levasse o menino. Ambos, ele e o garoto saíram contrariados do quarto.
-Pai, a mamãe vai bater na moça ? – o pequeno Iwan perguntou.
-Espero que não, Iwan. – e cruzou os dedos andando pelo corredor na direção da festa.
-Você está linda, Miranda.
-Obrigada. – pausa — Veio aqui pra tirar o Tom de mim, não veio ? – ela estava fraca. Pelo menos, parecia fraca.
-A relação de vocês não é a melhor do mundo, Miranda.
-Eu sei que não é. – ela encarou o chão. – mas eu não vou desistir dele só porque você é a menina com quem ele quer dormir um pouco mais que uma noite, eu o amo... e nós temos um filho juntos.
-Miranda, eu...
-Shhhhhh! Durante cinco anos eu agüentei calada as lamentações do Tom por ter perdido você, Jenny. Durante cinco anos eu tive que cuidar do meu filho sozinha se não pela ajuda que o Gustav me deu e pelo suporte da Simone. O Tom foi um pai ausente durante todos esses anos e o filho dele sente isso todos os dias quando o pai se nega à buscá-lo na escola, ou levá-lo pra passear. Só o que eu quero é salvar meu casamento...
-Não tem o que salvar, Miranda. Não se pode salvar algo que nunca esteve vivo. Não se pode resgatar um passado que nunca existiu! – Jenny disse em sua voz tranqüila.
-Você não tem filhos, você nunca se casou, você não sabe o que é uma família, ou um casamento, você não sabe nada da vida. A única coisa que eu te peço é pra nos deixar em paz e voltar para o buraco de onde você saiu.
-Eu te dei cinco anos pra fazer alguma coisa, pra conquistar o amor do Tom e ele não me esqueceu. Cinco anos é o tempo de vida do seu filho, e ele nunca nem quis saber... você acha mesmo que isso ainda pode dar certo ? – Jenny usou só um pouco do veneno, pela primeira vez na vida atingindo alguém conscientemente.
Miranda se jogou no chão, as lágrimas começaram a rolar pelo rosto dela.
-Eu estou com câncer, Jenny.
Jenny foi da glória à derrota em menos de um segundo.
-Como assim ?
-Eu descobri há duas semanas atrás, uns dias antes do aniversário do Iwan. Só contei para o Gustav.. eu comecei o tratamento há dois dias, o Tom ainda não sabe. – pausa dramática – eu não quero morrer, Jenny. Eu quero ser feliz, e por mais que o Tom faça tudo o que ele faz, eu o amo, e sou feliz ao lado dele... não quero que ele me deixe.
-Você o ama e não contou pra ele que vai morrer ?
-Eu tive medo de que ele ficasse comigo por pena.
-Miranda, o que você quer, afinal ?
-Eu... eu...
-Vou tentar explicar o que eu entendi: você não quer que eu fique pra que você recupere seu casamento, mas ele nunca existiu e vocês estão quase se separando, e então você descobre que tem câncer, mas não quer contar porque está com medo que ele fique com você por pena ? qual é o seu problema ?
-Eu quero que ele termine comigo por mim, porque a nossa relação não dá certo, e não por causa de uma intrusa.
-Eu sempre fui a intrusa. Nunca teria dado certo, Miranda, você não vê ?
Ela pensou por um momento, chorou, tossiu e voltou os olhos para Jenny:
-Acho que você tem razão.
Gustav e Delilah entraram no quarto sem bater:
-Jenny! – Delilah correu para abraçar a amiga e Gustav para ajudar Miranda a se levantar.
Ele a levou para fora e perguntou o que estava acontecendo. Ela tossiu sangue.
HOSPITAL.
Três horas e meia se passaram quando Tom finalmente deixou a festa em direção ao centro médico com Iwan e Bill no banco traseiro. O menino dormindo. Heidi no banco da frente segurando a mão pequena de Iwan.
-O Gustav não disse qual era o problema ? – Heidi perguntou para quebrar o silêncio.
-Não. Disse que era importante e que só iria contar pessoalmente.
-Tudo bem, não deve ser nada grave. – disse para acalmar a todos.
Jenny deixara a festa na companhia de Delilah e Minnie quando a conversa entre ela e Miranda terminou. Georg continuara lá, porém, fora embora meia hora antes da festa terminar, depois de todo o discurso e festividades.
-Sra. Lottus. – Tom disse para a recepcionista gorda e branquela.
-Quarto 136, na ala oeste. Mas só um pode entrar.
-Tudo bem.
Ele entregou Iwan para Bill e Heidi, e os dois se sentaram na recepção.
Tom seguiu para o quarto e Gustav estava fechando a porta quando ele chegou.
-O que houve ? O que está acontecendo ?
Gusti pediu para que ele se sentasse e começou:
-Tom, a Miranda tem câncer. Ela está fazendo tratamento há dois dias, e descobriu há duas semanas. Ela teve medo de te contar e tudo, por isso que você não ficou sabendo.
O semblante dele foi o mesmo durante toda a explicação do ocorrido: Culpa.
Depois de dez minutos de explicação, ele entrou no quarto para ver a esposa. Não tinha o que dizer.
Na semana seguinte tudo ocorreu de forma normal...
Miranda voltou pra casa e Iwan comprou uma torta de chocolate pra ela, com a ajuda do pai, Iwan conheceu Jenny e gostou dela à princípio, Heidi e Bill ajudaram Tom e Jenny com Iwan e a casa enquanto Miranda ficava de cama e Minnie, Delilah e a irmã postiça tiveram uma grande discussão à respeito da carta e do que passara. Nada fora do comum.
O médico de Miranda explicou que o câncer dela estava na fase inicial e que poderia ser tratado, mas que ela precisaria do apoio da família. Tom decidiu consultar Bill à respeito do assunto:
-O que você acha ?
-Penso que agora não é a hora de uma separação.
-Meu deus! Droga, parece que a merda do mundo inteiro conspira contra mim, porra. Não agüento mais isso. Não quero que a Miranda morra, mas eu quero viver a merda da minha vida em paz.
-to te segurando ? – Bill ergueu uma sombrancelha.
O irmão revirou os olhos.
-Eu quero uma solução...
-Olha, não posso fazer nada pra te ajudar além disso. Mas eu penso que você devia ficar ao lado dela agora... por mais que não seja como marido, mas como um amigo. Ela te agüentou cinco anos choramingando pela Jenny, você não agüenta mais alguns meses ?
-... vou tentar.
Dois dias depois...
-Quer dizer que a piranha de quinta voltou ? – Chantelle jogou uma revista em cima de Tom Kaulitz.
-O que você quer aqui ?
-Conversar. Temos um assunto muito sério à tratar: a pensão não está sendo suficiente.
-Como ? você recebe dez mil euros por mês pra cada filho e não é suficiente ?
-Claro que não! Seus filhos estão na melhor escola da Alemanha, estão na mídia, tem que estar sempre lindos e apresentáveis, o que você esperava ?
-Você só pode estar de brincadeira comigo.
-Eu não estou brincando com você.. acho bom que você comece a agir como pai e cuidar da porra dos seus filhos!
-Como se você pudesse reclamar de mim! A Ava e o Austin ficam na sua mão pra você poder torrar o dinheiro dele em futilidades, caralho! Acha que eu não sei ?
-O que importa ? A pensão não está condizendo com os meus padrões de vida...
-Antes de mim seu padrão de vida era pão com ovo e mortadela.
Depois de mais uns minutos de discussão Bill entrou no estúdio.
-Atrapalho ?
-Não. A Chantelle já está de saída.
Ela revirou os olhos e marchou até a porta.
-Puta. – Bill disse quando ela saiu. — Como está a Miranda ?
-Bem. O Gustav foi visitar ela anteontem com o Iwan. E disse que ela está bem... provavelmente se recuperando. Eu vou dar uma passada lá depois do ensaio e encontrar com a Jenny.
-Hum-hum. Entendo...
-Meu amor. – ele beijou o rosto dela.
-Tudo bem ?
-Aham.
-Como vai a Miranda ?
-Bem. Acho que vou pegar as crianças pra passear hoje. Quer vir ?
-Melhor não, você precisa curtir seus filhos... depois eu queria conversar sobre a gente, sobre a Miranda, sobre tudo.. se você não se importar.
-Claro que não me importo. Quando ela se recuperar, nós vamos ficar juntos. Eu te prometo, Jennifer.
-Iwan, quer ir dar um passeio com o papai ? – Tom perguntou, pegando as chaves do carro.
-Sim, papai. Posso chamar a Ava e o Tim ?
-Claro, filho, ligue pra eles e troque a camiseta. Vamos tomar um chocolate quente e depois visitamos a sua mãe, certo ?
Ele largou o carrinho vermelho e pulou do sofá.
-CERTO!
Depois de uma caminhada por um parque perto da casa de Tom em Hamburg, os quatro comeram torta e tomaram chocolate quente numa confeitaria próxima ao centro de Hamburg.
Ava estava comendo um pacote de biscoitos sentada no carro, Austin estava jogando videogame enquanto Iwan torcia pra que o Mario conseguisse achar a princesa logo. Tom parou o carro no semáforo e olhou para trás. Viu o que tinha perdido, suponho.
Tinha três filhos maravilhosos e tinha desperdiçado 5 anos da vida dele longe deles.
Eles foram até o hospital onde Miranda estava internada.
-E então, doutor? Como ela está?
-Bem melhor. Nós começamos a quimio há uma semana. Ela tem muitas chances de sobreviver.
-Que bom.
Os meninos entraram no quarto pulando e brincando e Miranda ficou surpresa ao ver Tom Kaulitz bancando o paizão.
-O que deu em você ? – ela sorriu.
-Percebi que estava perdendo tempo...
-Perdendo tempo ?
-Eu parei de viver.. passei cinco anos da minha vida existindo, só existindo.
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