Como Irritar Um Capitão Pirata

12 Capítulo 8 - O Capitão Gancho


Notas iniciais
Oi leitoras fofas. Aaaaaaaah como estou feliz hoje!!! Once está de volta hoje à noite!!! Vou vomitar arco-íris. Mal posso esperar para ver como vai ser essa nova temporada.
Amei todos os comentários de vocês no último capítulo e quero agradecer a fofíssima Jessicaa pela recomendação que ela deixou. Sério, eu juro que chorei quando li. E respondendo sua pergunta, não, eu não sou profissional. Quem me dera rsrsrs sou uma simples estudante com o sonho de um dia publicar um livro. Bom, mas vocês sabem que é meio difícil publicar livro no Brasil, né. Então eu vou seguir carreira de jornalista, enquanto vou correndo atrás do meu sonho. Por enquanto vou estudando e escrevendo fanfics rsrsrs À propósito, tem alguém que é jornalista ou pretende ser? Adoraria saber nos comentários.
Enfim, esse capítulo não ficou muito grande porque eu quis deixar as surpresas para o próximo rsrs e vou aproveitar para ver o primeiro episódio da nova temporada de Once para ver se tenho umas ideias. Espero que gostem. Beijos

Capítulo 8 – O Capitão Gancho

- Quem é essa?

Todos olharam para ele sem entender a pergunta.

- Como assim quem sou eu? – ela botou as mãos na cintura.

- Ela é parte da tripulação? – o Capitão perguntou a Smee e deu mais uma olhada na moça.

- Não, Capitão... é a Ruby, não se lembra? – Smee respondeu meio confuso. Killian acabara de perguntar por Ruby há uns minutos atrás, então como é que não conseguia se lembrar dela agora?

- Ruby? – ele franziu a testa e fingiu estar pensando – Mas eu não me lembro... Você não é minha esposa, é?

- É claro que não – ela revirou os olhos ante a ideia de estar casada com um pirata.

- Capitão, eu não estou entendendo... – Smee falou – Você não se lembra dela?

- Eu... – Killian fingiu estar confuso – Eu não sei o que está acontecendo... que foi que aconteceu comigo? E com a minha mão?

- O senhor não se lembra de nada? – a Princesa se aproximou de Killian e se abaixou ao lado da cama – Nadinha?

- Bom... a última coisa da qual me lembro foi de estar bebendo num bar... mas não sei quem é você...

- Mas, Capitão, o senhor acabou de perguntar... – Smee ia dizendo, mas foi interrompido.

- Tudo bem, senhor Smee. Deixem-nos a sós, preciso conversar com esta senhorita...

John e Smee ficaram parados tentando entender o que se passava com o Capitão, mas Killian piscou pra eles sem Ruby ver, dando a entender que tudo não passava de uma brincadeira. Os dois marujos saíram e Killian se voltou para Ruby.

- Então... qual é seu nome mesmo?

- Ruby...

- Hum, certo. E o que faz aqui no meu navio?

- Você me seqüestrou não se lembra?

- Eu seqüestrei você?

- Por que a surpresa? Não é isso que piratas fazem? – ela olhou pra ele irritada – Não me diga que não se lembra das últimas duas semanas...

- Eu não me lembro de nada... eu quero dizer, nada relacionado a você. Mas me lembro de coisas do passado...

- Você deve estar com perda de memória recente... – ela ficou em silêncio por uns instantes, pensando. E o Capitão a observava daquele jeito tarado que ela já conhecia.

- Uh! Belos peitos... – ele disse baixinho olhando para o decote dela. Ruby ficou vermelha e lhe deu um belo tabefe.

- Seu... tarado!

- Au! – Killian botou a mão no rosto, no lugar onde ela batera. – Não se pode mais fazer elogios...

- Ora, cale a boca! – ralhou, depois disse brandamente — Mas o que foi que aconteceu com você? Nem bateu a cabeça pra ficar assim desmemoriado.

- O que aconteceu comigo exatamente? Eu simplesmente acordei e me dei conta de que não tenho mais a mão esquerda e... Uau! Quanto ouro! – Killian fingiu estar impressionado com a montanha de ouro e joias empilhada em sua cabine. Fez menção de se levantar, mas ainda estava fraco demais e caiu de volta na cama. – Onde foi que eu consegui tudo isso?

- Na Ilha das Tarântulas.

- Então nós conseguimos? Céus! Me traga um punhado desse ouro, quero ter certeza de que não estou sonhando.

Ela se apressou a apanhar umas joias e moedas de ouro e observou enquanto o Capitão olhava o tesouro, admirado.

- Há anos eu sonho com este tesouro... – ele sorriu debilmente – Mas como foi exatamente que eu consegui botas as mãos nele?

Então Ruby pôs se a contar tudo que acontecera naquelas duas semanas, desde o dia do seqüestro até o dia em que tiveram de arrancar a mão de Killian para impedir que ele morresse. Ela lhe contou todos os detalhes, exceto, é claro, as partes em que eles se beijavam.

- É uma pena – ele disse tristemente olhando o braço enfaixado – Ao menos eu ainda tenho o tesouro.

Ficaram em silêncio por um tempo, até que Killian percebeu o anel na mão da moça.

- Que bonito! – ele pegou a mão dela e causou um arrepio repentino em Ruby.

- Foi você que me deu...

- Ah, é mesmo? Eu posso te dar outras joias... como esse colar de esmeraldas, ou essa tiara de diamantes... afinal você é uma princesa e merece ser cortejada...

Ela enrubesceu e depois mudou de assunto.

- Ahn, eu acho que você devia comer alguma coisa, sabe. Perdeu muito sangue e precisa se recuperar.

- Certo.

- Vou pedir ao cozinheiro para fazer uma sopa.

- Sopa? – ele fez cara de nojo – Não, não. Não quero sopa. Me traga uma garrafa de rum e eu vou ficar bem.

Ela sabia que não adiantava discutir, afinal o Capitão estava sendo o bom e velho Killian: o pirata insensível e arrogante que bebia rum nos momentos bons e ruins. Ele voltou a dormir profundamente depois de tomar todo o rum que Ruby lhe trouxera. Ela achava que talvez ele voltasse a se lembrar de tudo, quando acordasse na manhã seguinte.

Estavam sendo dias ruins sem o Capitão. Ela não podia admitir que o amasse, mas seu coração dizia que ela estava cada vez mais apaixonada. Smee não fizera mais nenhum comentário, desde que ela tinha contado a ele que estava gostando do Capitão. Mas vez ou outra ele a olhava de forma bondosa, como que tranqüilizando-a. O verdadeiro amor vence qualquer barreira, ele dissera. Bem, e seria capaz de vencer o preconceito? Ela não queria imaginar o que seu pai e toda corte iriam pensar caso ela aparecesse com um pirata a tiracolo.

Na manhã seguinte, Killian parecia mais forte. Ele ainda não tinha forças para se levantar da cama, mas já não reclamava de dor. Vez ou outra os marujos vinham visitá-lo e isso parecia animar o Capitão. Ele ainda não “recuperara” a memória, no entanto.

- Mal posso esperar para voltar à ativa. Sabe, esse navio era do meu pai e eu sinto como se cada parte dele estivesse impregnada com o que meu pai foi um dia. Ele foi um grande capitão, e eu queria ser como ele... mas não chego nem perto disso. – ela disse à Ruby quando ela veio se sentar ao pé da cama. Foi a primeira vez que ele lhe contou histórias de suas aventuras e ela não sabia se a maioria delas realmente acontecera ou eram invenção da cabeça de Killian.

“Acho que eu prefiro esse Killian Jones”, ela pensou enquanto ouvia uma história sobre o dia em que Smee derrotou um terrível monstro do mar “Ao menos ele está sendo legal comigo”.

Horas depois, quando Killian não tinha mais nada a contar, ele decidiu que era hora de retornar à vida de capitão.

- Mas antes eu preciso dar um jeito nisso – e apontou para a mão amputada – Vá lá em cima e me traga um gancho – pediu à Ruby.

- Um gancho? Pra que?

- Você vai ver... – ele sorriu. Talvez ela fosse lerda demais para perceber as coisas, mas achava que o Capitão estava ficando louco se pensava em usar um gancho no lugar da mão. Sua teoria se confirmou depois que Killian arrancou as bandagens e colocou o gancho no lugar. O gancho brilhou sinistramente e Ruby recuou assustada.

- Que horror...

- Ora, não seja boba! Não posso usar uma mão só para tudo, posso? Além disso, acho que isso acentua minha beleza e sensualidade... – ele sorriu e Ruby revirou os olhos. Nem mesmo com uma mão faltando ele perdia o senso de humor e deixava os galanteios de lado. – Agora eu ficaria muito agradecido se me ajudasse a me vestir.

- Do que está falando? Você nem pense em sair desta cama.

- É claro que eu vou sair. Tem um navio esperando por mim, caso não tenha notado...

- Mas você ainda não se recuperou totalmente. Pode acabar desmaiando e aí...

- Não seja dramática – ele se livrou das cobertas e ficou de pé – Viu? Estou ótimo – Caminhou até o armário e começou a escolher a roupa que iria usar. Ruby tentou sair de fininho, mas o Capitão a chamou de volta – Aonde é que você pensa que vai?

- Ah... bem... eu ia ajudar o Cozinheiro...

- Não, não. Você vai me ajudar a me vestir. A partir de hoje você vai ser minha criada-de-bordo.

- Como é que é? – ela botou as mãos na cintura, uma expressão de ira se formara em seu rosto – Não! Isso é demais para mim...

- O que foi? Todo Capitão tem seu criado, e já que está aqui não vejo ninguém melhor para assumir o cargo... Além disso, você será paga por seus serviços. – ele balançava o gancho ao falar, o que resultou num efeito meio tosco.

- Eu não quero seu dinheiro!

- E quem falou em dinheiro, benzinho? – o Capitão sorriu daquele jeito safado que ela já conhecia – Há tantas outras formas de eu lhe pagar... – ele girou rapidamente, prendendo-a contra o armário de madeira. Ela ofegou e tentou se soltar, mas o Capitão era forte mesmo com uma mão só. – Calma aí, lindinha. Não vou fazer nada que você não queira...

- Me largue! Eu não quero nada seu.

Ele a olhou por uns instantes, pensando o que poderia fazer para conquistar aquela mulher de uma vez por todas. Depois se afastou e ela cruzou os braços com raiva.

- Está bem, eu posso ser sua criada, mas em troca quero ir pra casa.

- Isso é tudo?

- Sim.

- Certo. Está bem. Vou precisar dos seus serviços por um tempo, mas logo você irá para casa.

- Isso é uma promessa?

- É claro. Eu lhe dou minha palavra. Logo você vai estar de volta ao seu castelo, com sua vidinha de princesinha rica e tudo mais...

Ela riu e disse que deviam apertar as mãos, como que selando o acordo.

- Não se preocupe, o Capitão Killian Jones nunca quebra uma promessa. – ele assegurou.

- É mesmo? Sabe, acho que agora você devia mudar de nome... Capitão Gancho combina mais.

Killian levantou uma sobrancelha e ela riu.

- Capitão Gancho? É sério, é? – ele parecia indignado, mas logo riu – Gostei. Gancho realmente cai bem. Agora me ajude aqui... quero tomar um banho

Ela quase se esquecera de que agora teria de ajudar o Capitão em tudo. Bem, quase tudo. Mas já estava começando a se arrepender do acordo, agora que pensava que teria de ajudá-lo a se vestir todos os dias. Talvez fosse até aceitável, uma vez que ela ia poder ver o corpo musculoso do Capitão e...

“No que está pensando, Ruby?”, ela repreendeu a si mesma por ter aqueles pensamentos “Você vai ser apenas uma criada. Logo você vai voltar para casa e vai ficar tudo bem”.

Mas ela simplesmente não conseguia evitar aqueles pensamentos, principalmente quando o Capitão fazia de tudo para provocá-la. Ela novamente teve o trabalho de subir e descer trazendo pesados baldes de água quente, e mais uma vez o Cozinheiro riu dela, quando soube que ela teria que ajudar o Capitão no banho.

- Quer dizer que você agora é criada-de-bordo? Me admira que o Capitão só tenha pensado nisso agora.

- Hum, tanto faz. Só estou fazendo isso porque temos um acordo e ele vai me levar para casa se eu trabalhar para ele.

O Cozinheiro fez uma cara estranha, mas não disse nada. Depois que ela levou o último balde e verificou que a tina de banho estava completamente cheia, Killian começou a tirar as calças. Ele já estava sem camisa e sapatos, e pegou Ruby desprevenida, de modo que ela não teve tempo de tapar os olhos. Ela, porém, caiu na gargalhada ao ver a roupa de baixo que ele usava: um calção branco cheio de coraçõezinhos. Era no mínimo bizarro.

- O que foi? – ele olhou para baixo, tentando entender do que ela ria – Ah, isso? Eu sempre achei que não combinava com minha personalidade... – ele riu e começou a tirar o calção. Ruby tapou os olhos e ainda ria descontroladamente.

- Você me surpreende cada vez mais – ela enxugou os olhos. Ele riu e pediu seus sais de banho. E mais uma vez, mandou que ela lhe fizesse uma massagem nos ombros. Dessa vez fora mais fácil, já que ela passara por isso antes, mas ainda assim, Killian não esqueceu seu lado cafajeste.

- Huuuum. Que mãos maravilhosas. Posso até imaginar o efeito que essas mãos macias causariam no meu corpo... Isso... isso... não pare... para a direita, por favor... huuum agora mais para baixo... que maravilha! Você não quer entrar aqui comigo?

Mesmo sem poder ver o rosto dele, Ruby já imaginava que ele exibia o sorriso safado de sempre.

- Não, obrigada. Que eu saiba criadas não devem manter relações íntimas com seus patrões...

Killian riu até não poder mais.

- Você é uma graça.

Quando ele terminou o banho, Ruby teve que ajudá-lo a se vestir. É claro, ela se certificou de que ele já tivesse vestido a roupa intima antes de abrir os olhos. Ele ficava ainda mais bonito quando estava com os cabelos molhados, ela reparou. Foi difícil ajudá-lo a se vestir porque ele não parava quieto, o tempo todo se exibindo e tentando fazer com que ela notasse seus músculos. Por fim, quando ele voltou a ter sua aparência de pirata cafajeste, os dois foram para a sala de refeições. Todos os marujos estavam reunidos para o almoço e Ruby chegou na frente anunciando o Capitão:

- Abram espaço para o Capitão Gancho!

Os marujos riram e saudaram o Capitão. Killian fez um breve discurso e logos estavam todos comendo e bebendo. Até Ruby se arriscou a tomar um gole de vinho. Aos poucos tudo voltaria a ser como era antes.

Quando anoiteceu, Killian decidiu que todos deviam ir dormir, porque queria ir atrás de novas aventuras no dia seguinte e todos precisavam descansar. Por mais que a Princesa insistisse que ele precisava repousar, o Capitão apenas tomou seu lugar ao leme e fingiu que não ouvia o que ela estava dizendo.

- Yo Ho! Yo Ho! Eu sou um pirata sim... – ele cantarolava sem se importar.

- Você vai me ignorar? – ela esbravejou e Killian sequer se mexeu – Está bem. Boa noite para você também. – e saiu batendo os pés. Killian riu e observou enquanto ela desaparecia.

***

- Eu já lhe disse que sei o que estou fazendo – Killian dizia enquanto Ruby o ajudava a se vestir – Qual é a graça em ser um pirata se não formos atrás de aventuras?

- Perder sua mão foi só o começo. Podia ter morrido por ganância. Agora quer ir atrás do perigo outra vez?

- Eu não vou discutir com você, está bem? E, além disso, eu sei me cuidar.

Ela riu debochadamente:

- Eu levaria a sério se não estivesse ouvindo isso de um cara que usa delineador.

- Hey, eu fico sexy quando uso delineador. – ele protestou e ela não disse nada, embora tivesse que concordar. – Agora trate de dar um jeito nessa bagunça porque em breve estaremos de partida.

Ruby olhou em volta, para a grande bagunça na cabine do Capitão, e desanimou só de pensar que teria de arrumar tudo aquilo. Bom, pelo menos seria por uma boa causa.

Eles estavam atracados numa pequena ilha no meio do nada. E a Princesa se perguntava para onde eles iriam agora. Ela já vivera aventuras demais para uma vida inteira. Ela começou a arrumar a cabine do Capitão, enquanto o mesmo subira ao convés e agora dava ordens aos marujos.

- Bem melhor! – ele exclamou satisfeito quando voltou à cabine e encontrou tudo em ordem. Ela organizara até mesmo seus livros de náutica. – Bem, agora que estamos prontos para partir, acho que você devia subir um pouco. O tempo está maravilhoso.

De fato, o tempo não podia estar melhor: o mar calmo balançava o navio e ela viu gaivotas ao longe, ao mesmo tempo em que uma brisa eriçou seus cabelos. O sol criava brilhos dourados na água clara da praia em que estavam atracados e Ruby quase desejou banhar-se ali. Ela aproximou-se do Capitão, que examinava seus mapas perto do leme, e perguntou a ele para onde estavam indo.

- Já ouviu falar de um lugar maravilhoso em que ninguém envelhece? – ele perguntou com um sorriso.

- A Terra do Nunca? – os olhos dela se arregalaram – Eu pensei que fosse apenas uma lenda...

- Não é uma lenda. E eu já estive lá, se quer saber. Por que acha que tenho essa aparência tão jovem? – ele saiu andando, deixando-a boquiaberta e curiosa.

- Espere aí. Quantos anos você tem?

Mas ele não lhe respondeu...