Como Irritar Um Capitão Pirata

20 Capítulo 16 - Um pirata, uma princesa e índios


Notas iniciais
Oi meninas. Então, conforme o prometido, aqui está mais um capítulo. Até que eu postei rápido dessa vez né? Bom, depois do dia 13 eu vou poder postar com mais frequência porque já vou estar de férias :) Ah, eu meio que estou dando spoilers respondendo aos comentários de vocês, então se quiserem saber, é só voltar lá na página de coments e ver meus comentários Gente, estou me sentindo vazia sem Once Upon a Time rs Sacanagem deixarem a gente duas semanas sem episódio. Só não sei se depois do episódio em que salvam o Henry vai ter hiato de novo. É bem provavél, e acho que dessa vez vai demorar um bocado até a série voltar. Enfim. Vocês não imaginam o quanto me diverti escrevendo esse capítulo. Lembrei que na história original do Peter Pan tinha índios, e então eu decidi colocá-los aqui na fic, embora na série não tenha isso. Eu ri horrores escrevendo e acho que vocês vão entender por quê. Bom, espero que gostem e não deixem de comentar

Capítulo 16 — Um pirata, uma princesa e índios

– Um acordo? – Ruby queria se certificar de que ouvira direito. O Capitão havia lhe contado o que acontecia aos que faziam acordos com Peter Pan e ela não queria se arriscar.

– É bem simples, a única coisa que você tem que fazer é ficar aqui na ilha comigo. – Peter foi direto ao ponto e Ruby se assustou.

– Ficar aqui? A troco de quê? – ela perguntou e ele se aproximou, do mesmo jeito displicente e despreocupado que ela já vira antes.

– Em troca eu darei a Killian o que ele precisa. Ele quer falar com as fadas, eu lhe mostrarei o caminho, mas você fica.

– Por mais que eu goste do Capitão, não posso fazer isso...

– Então é verdade? Você realmente o ama? Vai ser doloroso quando você finalmente descobrir a verdade...

– Do que está falando? O que quer dizer? – ela começou a ficar assustada de verdade. Então até Peter Pan sabia? Todos sabiam a verdadeira história do seqüestro, menos ela?

– Você sabe do que estou falando. Seu seqüestro. Não acha que há muitas coisas ocultas por trás de tudo isso? Não se pergunta o porquê de ter sido você e não sua irmã? – ele riu de um modo sinistro – É, eu sei de muitas coisas. Não fique surpresa, meu docinho.

Eles ficaram se encarando por um tempo. Ruby se perguntava onde Gancho estava que não tinha voltado até agora.

– E então, qual é sua resposta?

– Minha resposta é não. – ela disse friamente e logo depois o ignorou.

– É uma pena. Pensei que quisesse ajudá-lo. Sendo assim, creio que Killian nunca encontrará seu pai.

– Nós vamos dar um jeito.

Peter riu:

– Sabe o que admiro em você? Nunca perde a esperança. Isso é bom, muito bom. Significa que quando tudo desabar, você ainda vai procurar pela parte boa dessa história...

E ele simplesmente sumiu por entre os arbustos, deixando Ruby boquiaberta. O que ele quis dizer com tudo isso?

Minutos depois o Capitão voltou assobiando feliz, mas quando viu a cara de Ruby, percebeu que havia algo de errado.

– Não é nada. – ela disse, mas ele sabia que algo acontecera. Nenhum dos dois falou nada, no entanto, e Ruby apenas pôs-se a pensar em tudo que estava acontecendo. Ela realmente queria ajudar o Capitão, mas não podia ficar ali com Pan. Ela sentia muito, mas não poderia fazer isso, mesmo tendo sentimentos em relação a Killian. Ela não contou a ele sobre a conversa com Pan.

– Bom, acho que agora devíamos dar uma volta pela ilha. Talvez eu tenha alguma ideia. – Killian falou ao mesmo tempo em que lixava a ponta de seu gancho. Ruby assentiu e eles caminharam lado a lado, em silêncio, até que Ruby perguntou:

– Você seria capaz de fazer qualquer coisa por alguém que você ama?

– Bom... eu acho que sim, faria...

– Mesmo que você tivesse que se sacrificar?

– Creio que sim. Por que a pergunta?

– Nada, só estava pensando...

– Tem algo errado – o Capitão de repente parou e ficou encarando Ruby. – Algo aconteceu enquanto eu estive fora. Me diga o que é.

– Não aconteceu nada. – ela continuou andando, na esperança de que o Capitão não percebesse que ela estava mentindo, mas ele a segurou pelo braço.

– Ruby! Vamos, me diga o que aconteceu. Você é uma péssima mentirosa.

– Eu... – ela respirou fundo, sabia que não ia conseguir esconder isso dele – Peter Pan queria fazer um acordo comigo, ele ajudaria você e em troca eu teria de ficar aqui.

– Mas o que ele está pensando? – o Capitão fez uma expressão de aborrecimento e em seguida mudou para uma expressão de preocupação – Você não aceitou, não é?

– Não... eu realmente quero te ajudar, mas isso eu não posso fazer – ela se desculpou timidamente.

– Ainda bem que você não fez, eu jamais perdoaria você por isso.

– É mesmo? – ela parecia surpresa. Então o Capitão realmente gostava dela o suficiente para que não quisesse que ela se sacrificasse por ele?

– Ruby, isso eu não posso pedir a você. Você estaria fazendo demais por mim. Há outras maneiras e eu prometo a você que se em cinco dias não conseguirmos encontrar as fadas, iremos embora desse lugar.

O Capitão estava mesmo diferente. Pela primeira vez, ele se importava com alguém que não fosse ele mesmo. Também já estava a chamando pelo nome, isso era uma coisa boa. Ruby não conseguira esquecer os beijos que eles trocaram. Ela estava confusa quanto a isso, mas sabia que o que sentia por ele, era algo que nunca sentira por ninguém.

– Você mudou... – ela comentou baixinho e o Capitão sorriu:

– É mesmo? Por que todos estão dizendo isso?

Ela deu de ombros:

– Porque é a verdade. Você não era assim quando eu te conheci.

Eles continuaram andando, Gancho todo pensativo e Ruby de vez em quando olhava para ele, como que tentando descobrir o que ele pensava. A verdade é que Killian reconhecia que estava mudado. Quando ele percebeu o que estava acontecendo, achou que estava mudando porque finalmente descobrira seu lado bom, mas na verdade, ele estava mudando por causa de uma certa princesa...

Eles chegaram a um lugar chamado Pico do Homem Morto e o Capitão disse que não havia nada de interessante lá em cima, mas que a vista era muito bonita. Por ali havia muitos tipos de flores e árvores, e Ruby tinha que admitir que a Terra do Nunca até que era um lugar convidativo.

– Como foi que chegou aqui da primeira vez? – ela perguntou, animada por ouvir mais uma das histórias de Gancho e ele sorriu, feliz por alguém lhe perguntar essas coisas.

– Bom, na verdade eu já tinha vindo aqui quando era garoto.

– Verdade? Como?

– Nos meus sonhos. Eu não sei como essa coisa funciona, mas muitas crianças vêm aqui quando estão dormindo. A Terra do Nunca é um lugar feito exatamente para isso...bom, pelo menos era, até Pan chegar e tomar o lugar como se fosse dele.

Eles pararam um pouco, sentaram-se recostados à base do Pico e o Capitão continuou:

– Sempre ouvi as lendas sobre a Terra do Nunca, e acho que de tanto pensar nisso, acabei vindo parar aqui. Mas por pouco não fiquei preso. O negócio é o seguinte: uma vez que você vem até aqui nos sonhos, Pan pode deixar você preso pra sempre.

– Mas como se você está dormindo?

– Não sei ao certo, mas seu corpo pode ficar inerte pra sempre, enquanto sua mente está na Terra do Nunca. É meio complicado, na verdade. Quando eu vim até aqui pela primeira vez, fiquei maravilhado, eu nunca tinha estado em nenhum outro mundo antes. Então Pan apareceu e tentou fazer minha cabeça, dizendo que eu seria feliz para sempre se ficasse vivendo aqui. É claro que eu não queria isso, minha família precisava de mim. Nossa mãe ainda não era doente na época, eu devia ter uns sete anos.

– E como foi que se safou dessa? Aposto que Pan tentou prender você à força.

– É, ele bem que tentou. Quando viu que eu não queria ficar, tentou me impedir de sair. Eu queria acordar, mas ele estava fazendo alguma coisa. Felizmente Will me acordou, então eu consegui sair. Eu devo isso a ele, embora ele não saiba. Depois disso eu nunca mais quis vir aqui nos meus sonhos, e sequer sabia se realmente tinha sido real.

– Por que eu nunca vim aqui nos meus sonhos?

– Eu realmente não sei. Talvez só dê certo com meninos... se bem que uma garota já veio aqui uma vez. Era maravilhoso como podíamos voar por toda a ilha, eu quero dizer, era bem real, apesar de eu estar dormindo em outro mundo. Eu não sei... é estranho.

– É mágica.

– Foi isso mesmo que eu quis dizer – o Capitão riu e continuou – Então, anos depois quando meu pai sumiu, eu procurei por uma forma de tentar encontrá-lo, sempre soube que estava vivo. Acabei descobrindo que as fadas poderiam me ajudar com isso e foi quando eu liderei minha primeira aventura com os piratas. Encontramos o portal e acabamos vindo parar aqui. O resto você já sabe: Pan não quis me ajudar e eu não encontrei as fadas.

– Você não as viu da primeira vez que esteve aqui?

– Não, elas não aparecem muito, só mesmo a Tinker Bell. – Gancho abaixou a voz — Sabe que ela tem uma queda por Pan? É por isso que ela nunca quer falar comigo, não tem coragem de desobedecer a ele.

– Esse lugar é tão misterioso... Nunca pensei que fosse vir aqui algum dia.

– É, mas aqui estamos. Quer descansar mais um pouco ou prefere explorar a ilha?

– Eu prefiro explorar – a moça sorriu e eles recomeçaram a caminhada.

Havia Sonho Sombrio em todo lugar. Eles tinham que tomar cuidado com a planta, pois bastava um arranhão para que o veneno começasse a matar a pessoa aos poucos. Ruby, mesmo com a capa, tomava cuidado, pois não queria se arriscar a encostar naquela planta (embora quase tivesse feito isso antes de saber do que se tratava).

Ela e o Capitão continuaram conversando e ele parecia estar gostando disso. Há anos Killian não tinha com quem conversar assim, quando falava com alguém, era para ameaçar ou dar ordens, mas com Ruby era diferente. Com Ruby, ele sentia-se livre para falar sobre o que quisesse (incluindo suas safadezas), era como se eles fossem amigos.

– Já decepcionou alguém que você amava? – o Capitão perguntou e Ruby pensou um pouco.

– Eu acho que não. Você já?

– Hum, bem... – ele coçou a cabeça – eu meio que prometi algo e não cumpri...

Espera aí, ele estava se referindo a ela? Mas ele ainda ia cumprir com sua promessa, ela sabia. Ela não podia dizer que era dela que estava falando, ele não a amava, amava? Ruby ficou sem entender, mas o Capitão continuou falando:

– O nome dela era Anne... – ele suspirou – Ainda me arrependo de não ter voltado por ela.

– Era sua namorada? – Ruby estava sentindo uma pontada de ciúmes.

– Não, não era. Mas ela era apaixonada por mim – o Capitão sorriu diante da lembrança – E eu meio que a considerava como uma irmã. Éramos melhores amigos...

– E onde ela está agora?

O Capitão demorou um pouco para responder, parecia realmente perturbado por algo.

– Eu a abandonei – disse, enfim – Prometi que voltaria por ela e não voltei. Ela morava na mesma aldeia que eu. Os pais dela nunca gostaram muito de mim, por causa do meu pai, mas a gente sempre se encontrava escondido. Tínhamos tantos planos para nossas vidas... pena que tudo tomou um rumo diferente... Ela era a única que me entendia. Tão linda, tão cheia de vida... Eu precisei abandoná-la quando me tornei um pirata, eu disse que voltaria para buscá-la, e nunca mais voltei...

Ruby estava ficando enciumada por ouvir Killian falar tão bem de outra mulher. Ela disfarçou, evitando encará-lo, e continuou escutando como se não se importasse com o fato de ele ter tido outras mulheres em sua vida.

– Will ainda costuma me lembrar disso. Eu não sei bem o que aconteceu depois que partimos e Will ficou para trás, mas ele ainda me lembra que fiz uma promessa e não cumpri. Quem sabe o que aconteceu a ela? Pode estar até morta... – Killian suspirou e diminuiu o passo.

– Por que não voltou? – a Princesa perguntou e eles pararam no meio do caminho. O Capitão ficou um tempo calado, evitando olhar pra ela, e só então respondeu:

– Me tornei um egoísta. Nada importava mais para mim do que encontrar meu pai. Eu costumava dizer que Anne teria uma vida melhor sem mim, mas a verdade é que eu não podia lidar com o peso de ter alguém para cuidar...

– Talvez tenha sido melhor assim, não é? Talvez ela esteja feliz onde está.

Killian sorriu tristemente.

– Mas ela nunca vai me perdoar por isso...

Eles recomeçaram a caminhar, tudo ali era muito parecido, havia muitas árvores e nenhum sinal de fadas ou quaisquer outras criaturas mágicas. Ruby se perguntou se eles estavam novamente andando em círculos, já que o caminho por onde estavam passando não mudara muito nos últimos cinco minutos.

– Por que está me contando essas coisas? – Ruby perguntou, tentando entender quando foi que ela e o Capitão começaram a agir como dois velhos amigos.

– Eu não sei – ele disse – Talvez você queira saber um pouco mais sobre minha maravilhosa vida. Aí então vai acreditar que sou realmente um monstro.

– Oh, você não é.

O Capitão sorriu e se aproximou, ele estava com aquela expressão marota que Ruby conhecia muito bem. Ela já imaginava que uma de suas safadezas estava por vir...

– Interessante você dizer isso – ele disse com sua voz sexy – Eu poderia jurar que me odiasse.

– Não odeio – Ruby encarava aqueles belos olhos azuis do Capitão, ao mesmo tempo em que sentia a respiração dele bem próxima.

– E então o que sente por mim? – estavam bem próximos agora, e Killian parecia prestes a beijá-la.

– Como é que é? – ela estava ofegante e enrubescera quando o Capitão fizera a pergunta. Gancho ergueu a mão para acariciar o rosto da moça:

– Se não é ódio o que sente por mim, então o que é?

Ela não soube o que responder, mas nem precisava, já que seu olhar dizia exatamente o que ela sentia: amor, o mais puro e verdadeiro amor.

– Eu... – ela começou, mas não chegou a terminar a frase. Killian se aproximou ainda mais, pronto para tomar os lábios da moça em um beijo apaixonado, quando algo veio zunindo e passou perto da cabeça do Capitão.

– Que foi isso? – ele olhou em volta, mas não viu nada. Logo veio outro zumbido, desta vez algo passou por cima deles e acertou a árvore mais próxima.

– Flechas? – Ruby apontou para a flecha cravada no tronco da árvore e, no mesmo instante, o Capitão se colocou na frente dela para protegê-la. – Capitão, o que está acontecendo?

Mais flechas vieram zunindo, mas nunca chegavam a acertá-los, aquilo era mais como um aviso: deviam estar em território proibido. Houve movimentação ali perto e a Princesa se encolheu assustada. Segundos depois, um grupo de homens de pele parda surgiu por entre as árvores.

– Índios? – Ruby arregalou os olhos. E depois disso eles foram levados...

***

– Capitão, pra onde estamos indo? – Ruby perguntou sussurrando. Ela e Killian tinham sido amarrados e vendados, e agora estavam sendo levados a algum lugar que a moça imaginava ser a aldeia dos índios.

– Nem queira saber – ele sussurrou de volta.

– O que quer dizer com isso?

Antes que o Capitão pudesse responder, eles foram atirados ao chão e mãos pesadas tiraram a venda de Ruby. Eles realmente estavam numa aldeia indígena: havia diversas cabanas de palha, umas redes coloridas atadas às árvores, alguns arcos e flechas, uma fogueira apagada, e mais outras dezenas de índios.

Não eram índios como os que Ruby já vira em ilustrações em livros, eles não pareciam amigáveis e muito menos usavam roupas. Alguns usavam apenas pedaços de pano para tapar as partes íntimas, e o resto de seus corpos eram enfeitados por pinturas coloridas e chamativas.

A Princesa e o pirata foram amarrados a uma árvore e os índios exibiam sorrisos maldosos e expressões satisfeitas.

– Me diz que não é o que estou pensando? – Ruby pediu ao Capitão. Eles estavam lado a lado amarrados na árvore, e tudo o que ele podia fazer era olhar para ela indagando o que ela estava pensando – Bom, eles estão acendendo uma fogueira, e parecem... contentes demais com nossa chegada, mas não no bom sentido. Parece até que estão querendo nos comer vivos...

– Eu não quero assustar você, Princesa, mas é exatamente isso que eles vão fazer. – o Capitão disse rápido enquanto pensava num jeito de escaparem e Ruby olhou para ele aterrorizada.

– Eu sou muito jovem para morrer! Vamos, temos que sair daqui.

– E como espera que façamos isso? Estamos presos numa árvore, caso não tenha notado.

– Seu imbecil! Você é um pirata, e piratas sempre têm uma estratégia, então trate de nos tirar daqui.

– É o que estou tentando fazer.

Os índios acenderam uma grande fogueira, de tamanho suficiente para assar duas pessoas ao mesmo tempo. Estavam agora preparando o que parecia ser o “espeto” em que Killian e Ruby seriam amarrados e postos sobre a fogueira, de modo que os indígenas pudessem girá-los até que assassem.

– Ai Capitão! Eles vão mesmo nos assar!

– Rápido, pense em alguma coisa.

– O que quer que eu faça?

– Eu não sei! Você é que é a inteligente aqui...

O Cacique da tribo abriu caminho entre os índios, olhou para a fogueira, em seguida para os dois prisioneiros atados a árvore, e de novo para a fogueira. Então fez cara de bravo e falou numa língua estranha:

– Ma dakarê ululu? – que significava exatamente: — Mas o que estão fazendo, seus idiotas?

Um dos índios começou a conversar com o Cacique, explicando que tinham encontrado dois humanos na floresta, e que agora iam assá-los na fogueira. O Capitão ficou imaginando o que deviam estar falando, já que não estava apto a falar aquela língua. Ao que Ruby começou a traduzir o que estavam dizendo:

– O Cacique perguntou: “Mas o que estão fazendo, seus idiotas?”, e então o outro disse: “Nós encontramos esses dois filhotes de homem branco na floresta, então resolvemos trazê-los para assar na fogueira”. Então o Cacique disse: “Nada disso. Primeiro tem que falar com o Cacique, e o Cacique não permitiu a matança”. Então o outro ficou sem graça, como você percebeu, e disse: “Perdoe Corvo da Montanha, pois Corvo da Montanha não sabe o que faz”. Não sabia que índios usavam esse tipo de nome... até que Corvo da Montanha é um nome legal...

– Ruby! Não é hora de brincadeira! – o Capitão repreendeu.

– Não estou brincando!

O Cacique veio caminhando na direção deles. Tal como os outros, usava apenas uns pedaços de pano para esconder as partes íntimas e tinha o corpo todo pintado em azul, vermelho, branco e preto. Usava um cocar de penas vermelhas na cabeça, pequenos ossos como brincos, e um colar feito de dentes humanos. Ruby e Killian estremeceram e o índio se aproximou para examiná-los.

Primeiro ele foi dar uma olhada no Capitão. Estreitou os olhos enquanto encarava o Capitão, e Killian sorriu de um jeito forçado, como que querendo causar boa impressão. O Cacique, então, se aproximou para cheirá-lo e o Capitão não gostou nada disso.

– Nam de kerenai makenene – o Cacique falou alto e os índios riram. Ruby não conteve uma risadinha:

– Ele disse que você cheira a peixe.

O Capitão olhou para ela atordoado, como é que Ruby podia brincar numa hora dessas? Mas então, ela simplesmente se dirigiu ao Cacique, falando na língua dele:

– Nendekerê uaticai makine – que queria dizer: — Meu senhor, eu peço permissão para falar.

O Cacique da tribo, que ria junto com os outros, finalmente reparou na moça. Ele não tinha notado o quanto ela era bonita, então se aproximou fazendo uma expressão de admiração. Ele tocou nos cabelos dela, acariciou seu rosto, então eles começaram a conversar:

– Mas que bela criatura! – ele exclamou na língua indígena – E fala nossa língua! Como é seu nome e de onde vens?

– Me sinto agraciada pelo seu elogio. Meu nome é Ruby e sou uma princesa. Vim de outro mundo, da Floresta Encantada.

– Uma princesa! – o Cacique exclamou alto e todos fizeram oooh!. Ele ordenou que a princesa fosse solta, e imediatamente lhe trouxeram um banquete de frutas e carne assada. Ruby estava com muita fome, por isso acabou indo se sentar ao lado do Cacique e logo estava comendo tudo o que lhe serviam. Ela recusou a carne, dizendo que já estava satisfeita – na verdade estava pensando que talvez pudesse ser carne humana -, porém o Cacique disse que ela devia experimentar aquela deliciosa carne de jacaré. Ela não se sentiu muito a vontade, mas comeu mesmo assim, e viu que o gosto não era muito diferente de galinha assada.

– O que a trazes até a Terra do Nunca, minha cara princesa? – o Cacique perguntou ainda admirando a beleza de Ruby.

– Meu amigo e eu viemos atrás das fadas, precisamos da ajuda delas. – disse Ruby deixando de lado sua porção de carne e olhando na direção do Capitão. O coitado ainda estava atado a árvore e sua cara não era das melhores. Ela então pediu que soltassem seu amigo e o Cacique ordenou que cortassem as cordas que prendiam Killian.

Gancho veio andando na direção deles e o Cacique da tribo comentou que ele tinha uma aparência bizarra usando um gancho no lugar da mão. Ruby riu, mas precisou se conter quando o Capitão olhou pra ela furioso:

– Mas o que pensa que está fazendo?

– Negociando nossa liberdade! – ela respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Quer? – e estendeu uma porção de carne para o Capitão, ao que Killian apenas revirou os olhos e disse que não estava com fome.

– O que querem com as fadas? – o Cacique perguntou.

– Ahn, nós achamos que elas podem ajudar a encontrar o pai do meu amigo aqui. Ele sumiu há muitos anos, mas sabemos que está vivo.

– A magia das fadas é muito poderosa. Mas são difíceis de encontrar por aqui...

– Então vocês não sabem onde elas moram?

O Cacique balançou a cabeça negando:

– Peter Pan protege as criaturinhas voadoras muito bem. Só ele e os Meninos Perdidos sabem onde encontrá-las.

Ruby traduziu o que o Cacique tinha falado e o Capitão ficou pensativo, arquitetando um plano. O Cacique saiu por uns instantes e Ruby e Killian começaram a conversar baixinho.

– Você fala a língua deles... – o Capitão comentou surpreso. Ele sabia o quanto Ruby era uma moça educada e culta, mas não imaginava que ela soubesse falar a língua dos indígenas. Ela deu de ombros:

– Eu disse que era fluente em três línguas.

– Você tem que convencê-lo a nos ajudar. Está na cara que eles sabem de alguma coisa sobre as fadas. Na verdade, eles sabem tudo o que acontece por aqui e são protetores da floresta.

– Verdade? Como você sabe?

– Ora, eles não falam com os espíritos da floresta? Talvez na verdade estejam protegendo as fadas para Pan, só não querem nos dizer isso.

– Eu não tinha pensado nisso. – ela disse e começou a refletir. Talvez Gancho tivesse razão, eles precisavam convencer os índios a levá-los até as fadas.

Um bando de índias apareceu na aldeia. O Cacique dissera a Ruby que elas tinham saído para caçar e pescar, mas que a princesa ia gostar muito delas quando as conhecesse. Ao contrário dos homens, elas usavam vestidos feitos de pele de animais, mas também tinham pinturas coloridas pelo corpo e usavam ossos de animais e dentes humanos como jóias. Elas não pareceram tão ameaçadoras quanto os homens da tribo.

O Cacique retornou e conversava com dois dos índios mais jovens da tribo. Eles olhavam para Ruby enquanto conversavam e ela estava ficando nervosa com isso. O Capitão também percebeu o que estava acontecendo, mas não teve tempo de dizer nada, pois nesse instante as índias vieram para o lado deles.

Elas eram bem bonitas, com seus cabelos negros e compridos balançando com o vento. Gostaram de Ruby e começaram a conversar com ela, dizendo o quanto ela era bonita e que nunca haviam visto uma mulher branca por ali. Algumas se interessaram pelo Capitão e começaram a tocar nele, sentindo a textura de seu cabelo e examinando suas roupas. Ele estava gostando disso e Ruby sentiu ciúmes. As índias começaram a rir ao ver que ele usava um gancho no lugar da mão, e se pudesse falar a língua delas, o Capitão teria contado a emocionante história de como ficou maneta.

– Capitão! – Ruby ralhou quando viu que Killian estava deixando as índias passarem a mão nele.

– Que foi?

– Daqui a pouco elas vão querer morder você se continuar deixando elas te tratarem desse jeito – ela falou enciumada. Uma das índias chegou a se sentar no colo do Capitão e ele estava parecendo felizinho demais para alguém que há poucos minutos estava preocupado com a morte.

– Ora, mas elas são tão inofensivas...

– Não vão parecer inofensivas quando assarem você na fogueira.

– Oh, veja quem está com ciúmes agora – o Capitão riu e sorriu daquele seu jeito maroto.

– Eu não estou... – Ruby começou a ficar vermelha — Está bem, o azar é seu se acabar virando churrasquinho... – e ela se afastou dali apenas para não ver Killian com outras mulheres.

O Cacique ainda conversava com os dois jovens e ela fingiu não perceber o modo como ele estava a encarando. Parecia com o jeito que o Capitão costumava olhar para ela, um olhar de admiração e ao mesmo tempo... desejo? Era melhor nem pensar o que ele estava tramando, talvez pensasse em ajudá-los?

Um tumulto se instaurou ali perto e Ruby levou alguns segundos para entender o que estava acontecendo.

– Meninas! Meninas! Parem! – o Capitão tentava apartar uma briga, cinco índias tinham se atracado, disputando o pirata. Ele tentava separá-las, sem sucesso. Ruby não sabia se ria do desespero do Capitão ou se ia ajudá-lo. Depois de rolarem no chão, puxarem os cabelos umas das outras e gritarem insultos (que não podem ser traduzidos aqui), finalmente elas foram separadas, quando os homens fortes da tribo interferiram na briga.

– Tudo isso por minha causa? – o Capitão comentou e Ruby bateu no braço dele para que ficasse calado. O Cacique olhou feio para ele e então se dirigiu a Ruby:

– Minha querida, eu tenho uma proposta para lhe fazer. Estive conversando com meus filhos – ele apontou os dois jovens com quem estivera falando – e concordamos que já era hora de recomeçarmos nossas vidas.

– Eu... não entendi.

– Perdi minha esposa há uns anos, e desde então nunca fui tão feliz quanto era antes. O que eu quero dizer, é que quero que você seja minha esposa.

Ruby ficou chocada, ela arregalou os olhos, abriu a boca para dizer algo, mas no fim só ficou olhando o Cacique, sem saber o que fazer ou dizer.

– Ruby, o que foi? – Killian perguntou ao ver a expressão da moça.

– Ele... ele quer se casar comigo.

– Quê? — o Capitão fez uma cara igual a de Ruby

– Ah sabe, eu... eu já estou comprometida – ela mentiu para o Cacique.

– Com ele? – o índio apontou para o Capitão fazendo uma expressão de nojo.

– É... sim!

Gancho ficou confuso sem entender nada do que estava acontecendo e então o Cacique ficou bravo. Ele olhava o Capitão como se quisesse matá-lo ali mesmo.

– Bem, sendo assim – disse – Acho que não nada de útil que possamos fazer com vocês. Levem-nos à fogueira!

– Não! Está bem, está bem... eu aceito!

Se era assim que as coisas iam funcionar, então Ruby preferia estar casada com um índio, a morrer tão jovem e de maneira tão brutal. O Cacique sorriu ternamente e ordenou que preparassem a cerimônia de casamento. Chamaram o pajé e logo começaram os preparativos para a festa.

– O que está acontecendo? – o Capitão pegou Ruby pelo braço, depois que o Cacique se afastou dando ordens.

– Eu vou me casar com ele!

– VOCÊ ENLOUQUECEU?

– Shhh, não fique gritando desse jeito.

– Se está fazendo isso por mim, desista! Eu não quero ir atrás do meu pai se for para você se sacrificar desse jeito.

– Desculpe, mas não estou fazendo por você. Eles iam nos assar na fogueira se eu não aceitasse.

– Ah e agora? Você vai se casar com um índio? Que mais falta acontecer?

– Olha, a gente vai dar um jeito. Vamos fugir antes que a cerimônia termine, ou antes que comece.

– Sabe que eles vão vir atrás da gente, não é? Se formos rápidos, eles não conseguirão nos alcançar e então estaremos seguros nos territórios de Pan.

As índias vieram buscar Ruby para prepará-la para a cerimônia e ela foi levada a uma das cabanas de palha que havia por ali na floresta. A cerimônia ia ser realizada bem no alto de uma montanha, lugar em que, segundo o pajé, eles costumavam falar com os deuses.

Fizeram de Ruby uma linda noiva: trançaram seu cabelo, fizeram ela usar um vestido feito de pele de urso polar – que segundo os indígenas, era um animal que representava a chegada da felicidade – , e pintaram desenhos coloridos em seu rosto e braços. Não havia espelho em que ela pudesse se ver, mas as índias garantiram que ela estava muito bonita e que o Cacique ia ficar feliz quando a visse. Ruby descobriu que ele era um homem triste e solitário desde que havia perdido a esposa, e infelizmente, ela ia ser obrigada a partir seu coração.

A maioria dos índios já tinha ido para a montanha, só tinham ficado na floresta o pajé, algumas índias, Ruby e Killian...

– Mas onde se meteu aquele pirata? – Ruby perguntou a si mesma quando não encontrou o Capitão.

– Estou bem aqui! – o Capitão saiu de uma cabana atrás dela e Ruby caiu na gargalhada. – Ah, pare de rir...

O Capitão também tinha se arrumado para a cerimônia, contra sua vontade, é claro. Killian estava vestido com algo que lembrava um vestido, mas era mais como uma manta feita de pele de lobo. Estava descalço e não usava o gancho (os índios não gostaram daquele instrumento que fazia as vezes de mão). Ele também tinha ganhado desenhos nos braços e no rosto, e na cabeça, usava um cocar de penas coloridas. Era bizarro.

– Você está ridículo! – Ruby falou sem conseguir parar de rir e o Capitão fez beicinho fingindo estar indignado.

– Eu diria o mesmo de você, mas até que ficou bonita assim...

O pajé veio buscá-los e Ruby conseguiu controlar o riso, mas de vez em quando olhava para o Capitão e sorria feito boba ao vê-lo vestido daquele jeito. Ela dissera que Killian estava ridículo, mas na verdade, o Capitão ficava bonito e sexy de qualquer jeito, até vestido de índio.

O caminho até a montanha era íngreme e com poucas árvores. Pássaros cantavam alegremente na floresta, como se soubessem que uma festa estava prestes a acontecer. Eles viram outros animais, que Ruby só vira em ilustrações em livros: um filhote de lobo que parecia estar lhes cumprimentando com a cabeça; uma gralha azul que assobiou para eles; um cervo, que abriu caminho para lhes dar passagem; e uma raposa que correu quando os viu.

Quando eles chegaram ao topo da montanha, avistaram o mar calmo lá embaixo, brilhando sob a luz do sol. Uma brisa passou por ali, arrepiando as penas do cocar de Killian. Alguma coisa apetitosa estava sendo preparada na fogueira, impregnando o ar com um odor maravilhoso. Ruby viu que era um animal grande, mas não conseguiu identificar que bicho era aquele.

– Hum, carne de pantera negra – Gancho falou observando o bicho ser assado na fogueira.

– Pantera? Mas que maldade... – Ruby falou indignada. Ela se sentiu pior ainda quando viu que a pele da pantera havia sido arrancada, e provavelmente ia ser usada como roupa.

Os índios e índias estavam todos vestidos para a festa: usavam cocares de penas coloridas e pintaram o corpo com mais cores chamativas. O pajé estava a um canto, preparando-se para o ritual de casamento, e o Cacique sorriu feliz ao ver sua futura esposa. Ele se aproximou, usando uma bela manta feita de pele de lobo – bem parecida com a do Capitão – e seu cocar de penas vermelhas.

– Minha querida esposa, como você está linda! – disse olhando Ruby de cima a baixo e fazendo a moça corar de vergonha. – Venha, vou lhe apresentar meus filhos.

Eles se afastaram e o Capitão ficou pensando num modo de fugirem. Se pulassem no mar lá embaixo, havia um grande risco de encontrarem crocodilos, isso se não acabassem batendo em alguma pedra. Se corressem pela floresta, poderiam ser pegos antes mesmo de conseguirem chegar aos territórios do acampamento de Peter Pan. Se Ruby se casasse, então haveria uma grande festa, e depois ela iria para a cabana do Cacique, para que eles... consumassem o casamento. O Capitão sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha só de pensar nisso.

“Ele não vai tocar na minha Ruby”, pensou com raiva e decidiu que lutaria sozinho contra todos os índios, se preciso fosse, mas ele ia tirar a princesa dali de qualquer jeito. Mas desarmado como estava, ele ia acabar morrendo. Seu gancho tinha ficado na cabana, lá na floresta, e sua espada tinha sido tirada dele quando foram capturados. A única esperança que ele tinha era pegar um daqueles arcos – embora não fosse muito bom com flechas, e ainda mais com uma mão só – e atirar contra os indígenas.

“O que eu vou fazer?”, pensou desesperado. Não havia nada ali que pudesse usar contra os índios. No alto da montanha não havia nada além de algumas pedras e vegetação rasteira e Sonho Sombrio. Epa! Sonho Sombrio, era disso que ele precisava. Não sabia bem como ia usá-lo, mas ele pensaria em algo.

Tambores começaram a ser tocados, e os índios começaram a dançar em volta da fogueira. Killian estava com sua habitual expressão de indiferença, enquanto que o Cacique dançava e ria animado, e Ruby parecia querer sumir dali. Seria uma boa hora para que Pan aparecesse e acabasse com a festa, mas apesar de controlar a Terra do Nunca, o garoto nunca aparecia no território dos índios. Era uma coisa que Killian nunca conseguira entender, mas imaginava que os indígenas tinham algum acordo com o garoto.

Uma das índias veio para o lado do Capitão, tentando puxá-lo para o meio da dança, mas ele se recusava. No fim, ele não teve escolha, quando outras índias vieram dançando e rindo, e o levaram para dançar. Ruby ficou rindo da cara do Capitão, e riu mais ainda quando ele pegou o espírito da dança e começou a pular e rodar feito doido.

Quando por fim eles se cansaram, o pajé anunciou que a cerimônia ia se iniciar. Ruby olhou para o Capitão aflita, tentando dizer que eles deviam fugir logo. O Capitão pareceu entender porque logo começou a agir. Enquanto todos estavam distraídos, prestando atenção às palavras do pajé, Killian começou a botar seu plano em prática. Nos últimos minutos, enquanto dançava em volta da fogueira, ele tivera algumas ideias que não sabia se iriam funcionar, mas ele devia fazer isso se quisesse salvar Ruby.

“Os espíritos da floresta que me perdoem, mas eu tenho que fazer isso”, ele pensou, e saiu de fininho. Ninguém ia notar sua ausência, desde que ele fosse rápido o bastante para conseguir fazer o que tivesse que ser feito. Ele correu para a floresta e recuperou suas roupas e seu gancho, que haviam ficado na cabana. Depois procurou pela capa vermelha de Ruby e quando a encontrou, guardou tudo em segurança numa caverna ali perto. “Minha espada, onde está minha espada?”. Ele não fazia ideia de onde procurar primeiro, e também não tinha muito tempo, mas então se lembrou de ter visto os índios guardando seus arcos e instrumentos de caça numa pequena cabana no centro da aldeia. Sua espada poderia estar lá.

De fato, o Capitão encontrou sua espada encostada a um canto da cabana e ficou muito feliz por recuperá-la. Aquela espada pertencera a seu pai, e o Capitão tinha um carinho especial por ela. Então ele voltou à floresta, e para sua sorte, a fogueira na qual iam ser assados mais cedo, ainda estava acesa. O fogo estava bem fraco agora, mas seria o suficiente para fazer o que ele pretendia. Killian desistira do Sonho Sombrio, optando por algo mais fácil e talvez mais eficaz. Ele ia simular um incêndio, e quando os índios corressem para salvar suas vidas, ele ia pegar Ruby e iam dar um jeito de fugir.

“Espero que isso dê certo”, ele começou a atirar coisas na fogueira, de modo que conseguisse fazer uma fumaça espessa. Se os índios vissem o que ele estava fazendo com suas roupas de pele, iriam acabar com ele. A fumaça escura começou a subir, e Killian torcia para que os índios conseguissem vê-la da montanha. Mas só aquilo não era suficiente, ele ia precisar tornar a coisa mais realista se quisesse que os índios entrassem em pânico. Agora, nada importava mais do que Ruby, e foi por isso que o Capitão não sentiu remorso nenhum em fazer o que fez: ele começou a atiçar fogo nas cabanas dos índios, e quando o fogo já estava alto, ele correu de volta à montanha.

A cerimônia estava quase no fim, e o pajé falava sobre os mistérios da vida.

– O destino uniu duas pessoas de mundos tão diferentes: uma princesa, de raça pura, vinda de outro mundo; e um pele-vermelha nascido e criado na floresta...

Ninguém notara a ausência do Capitão, e quando ele voltou, bastou que se misturasse entre os índios, para que ninguém desconfiasse dele. O pajé parou de falar subitamente e avistou a fumaça negra que subia. No mesmo instante, todos notaram o que estava acontecendo na floresta e correram montanha abaixo para apagar o fogo.

– O que você fez? – Ruby botou as mãos na cabeça quando viu a fumaça e entendeu que o Capitão é quem tinha feito aquilo.

– Vamos logo, essa é nossa oportunidade de fugir.

Eles desceram a montanha e Ruby entrou em pânico quando viu o fogaréu na aldeia. A fumaça incomodava seus olhos e eles sentiam falta de ar. Aproveitando-se do desespero e da distração dos índios, o Capitão arrastou Ruby até a caverna em que escondera suas roupas.

– Você não podia ter feito isso – ela guinchou ofegante e tossindo – Destruiu a aldeia deles.

– Eu fiz isso por você, ou queria mesmo se casar com ele? Além disso, esses canibais queriam nos assar vivos! Tudo que eu fiz foi me vingar.

– Está bem – ela suspirou ainda com dificuldade de respirar. – E agora?

– Temos que ir. Vamos precisar correr se quisermos chegar ao território de Pan, antes que eles percebam que fugimos.

– Você sabe onde fica? Esqueceu que viemos até aqui vendados?

– Mas é claro que eu sei, eu conheço esse lugar como...

– ...como a palma da sua mão. Eu já sei! – Ruby revirou os olhos fazendo Killian rir.

– Coloque sua capa – ele disse, e então os dois correram o mais rápido que puderam pela floresta...

Notas finais
E então, o que acharam? rs Foi só começar a escrever sobre os índios e eu fui tendo umas ideias loucas. Vocês não tem noção do quanto eu ri imaginando o Killian vestido de índio kkkk cheguei a ter crise de riso, sozinha em casa. E ele dançando em volta da fogueira? haha Até língua índigena eu inventei. Olha o que eu não faço por vocês, o capítulo ficou enorme. Foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever. Espero que tenham gostado