Como Irritar Um Capitão Pirata
14 Capítulo 10 - Willian
Notas iniciais
Então, vi que ficaram muito curiosas porque falei do tal triângulo amoroso rsrsrs e sim, o Will vai atrapalhar o Killian e a Ruby um pouquinho (vocês não acharam que eu ia facilitar muito para os dois né?). Nos próximos capítulos vai haver algumas revelações e resolvi que essa fic vai continuar até depois da maldição, então sim, não esperem que vá acabar rápido rsrsrs
Desde o início eu me inspirei um pouco no Will Turner de Piratas do Caribe, já que sou muito fã do filme e do Orlando Bloom. Então vocês podem imaginar o Will assim se quiserem (até porque ele também é muito sexy).
Esqueci de comentar que a série tá foda né gente? Pelo menos eu to adorando eles em Neverland e sempre me surpreendo como os criadores da série são sempre tão criativos. Por outro lado, Once Upon A Time In Wonderland não me agradou muito. Sei lá, achei meio sem graça. Mas não me matem porque é só minha opinião kkkkkk
Espero que gostem desse capítulo porque eu realmente me esforcei para que saísse do jeito que eu queria e no fim eu gostei do que escrevi. Espero que não desaponte vocês. *-* Beijinhos.
Capítulo 10 – Willian
– O quê? – Gancho perguntou incrédulo. Queria ter certeza de que escutara direito. Willian estava mesmo querendo ir com eles?
– Quero... me juntar a vocês... ir para onde estiverem indo – Will repetiu meio hesitante. Ruby estava por perto, observando a cena, mas Will não notara sua presença. Killian começou a rir.
– Ora, não me diga que depois de tanto tempo resolveu se tornar um de nós. – ele disse e depois ficou muito sério – A resposta é não.
Will e Gancho ficaram se olhando de um jeito ameaçador. Ruby notou que eles não eram nada parecidos, exceto pela altura e pelo jeito arrogante. Os cabelos de Will eram de um tom castanho escuro enquanto que os de Killian eram negros como as velas do Jolly Roger; e os olhos de Will eram de um castanho brilhante enquanto que os de Killian eram tão azuis quanto o céu. Ela nem iria notar que eram irmãos se já não soubesse disso.
– Vai me negar abrigo? – Willian indagou meio chateado meio aborrecido. – Sou seu irmão... ou pelo menos achei que fosse.
Gancho ficou sério por um tempo, avaliando a situação e achou que não seria prudente negar abrigo a um irmão, mesmo achando que algo acontecera pra que Will repentinamente quisesse se tornar um pirata.
– Tenho muita experiência com espadas, você sabe – ele continuou dizendo, numa tentativa de convencer o irmão – e também sou um exímio atirador. Além disso, esse navio era do nosso pai e eu tenho tanto direito quanto você.
– Eu sei disso – Killian descruzou os braços – Você sabe quais são os riscos, não sabe? Sabe que as condições de vida aqui não são lá grande coisa?
Will assentiu e Gancho se aproximou, fazendo com que ficassem cara-a-cara:
– Então por que esse seu interesse em se juntar à tripulação?
– Eu... eu tenho meus motivos – disse de cabeça baixa. – Talvez tenha percebido que a vida de ferreiro não é tão boa assim. – Gancho pareceu se convencer, mas sabia que o irmão ainda escondia algo. Porém não quis prolongar a conversa.
– Certo. Você tem um lugar entre minha tripulação, mas não se esqueça de que há regras aqui. Eu sou o Capitão e você me trata como tal. Tente roubar ou fugir e será abandonado numa ilha deserta. Cumpra as tarefas que eu lhe der. Respeite os outros e faça tudo o que eu disser. Estamos entendidos?
– Sim... Capitão! – Willian falou debochado e Killian lhe lançou um olhar reprovador. Ruby riu ao se lembrar de seu primeiro dia a bordo do Jolly Roger, quando Killian lhe dissera o mesmo que havia acabado de dizer a Willian.
Logo os preparativos para a viagem acabaram e estavam prontos para partir. Smee voltou trazendo as roupas que Ruby lhe pedira e foi quando Will reparou na presença da moça.
– Aqui está senhorita Ruby – Smee entregou a ela uma pilha de roupas e ela agradeceu sorrindo. Willian ficou boquiaberto de surpresa por haver uma mulher em meio a tantos homens.
– Quem... quem é ela? – perguntou à Gancho que, como sempre, examinava seus mapas. O Capitão olhou distraído, sem entender de quem Willian falava. Mas quando percebeu que era de Ruby, ele apenas deu de ombros e disse:
– Ela é parte da tripulação.
– Mas é uma mulher.
– E muito esperta se quer saber – Killian se afastou, ainda dando atenção ao mapa, e foi assumir o leme. Ele não percebeu que Will olhava Ruby com interesse.
***
Já estavam em alto mar quando Will finalmente teve oportunidade de falar com Ruby. O Capitão tinha mandado ela fazer a arrumação de sempre em sua cabine, e durante todo esse tempo, Willian ficou passeando pelo navio, observando o funcionamento das coisas e as tarefas de cada um. Quando ele passou pela cabine de Killian, notou que a moça estava distraída, arrumando a papelada que Gancho insistia em espalhar pela mesa.
– Oi! – ele disse entrando e ela se assustou. Virou-se pra ver quem era e ficou meio sem graça por ver Willian. Ela não imaginava que ele era tão bonito.
– Ah, oi – disse meio envergonhada.
– Hum, ainda não fomos formalmente apresentados – ele disse se aproximando e estendendo a mão para Ruby – Sou Willian.
– Ruby – ela apertou a mão dele – Prazer!
– O prazer é todo meu – Willian se curvou e beijou a mão dela, deixando a Princesa completamente envergonhada – O que uma moça bonita como você faz num navio pirata?
– Ah, então você não sabe? Eu fui seqüestrada e agora sou... criada-de-bordo do seu irmão...
– Quê?! – Will ficou muito vermelho e começou a apertar os punhos com força – Eu não acredito que ele fez isso!
– Tudo bem... não se zangue com ele...
– Você... você é mantida como escrava? – ele estava cada vez mais furioso – Ele me disse que você era parte da tripulação.
– Sim, eu sou. Bem, é uma longa história – ela tentava acalmá-lo, mas os olhos de Will chegavam a faiscar de raiva. Ele estava se segurando para não matar o irmão agora mesmo. – A questão é que eu mesma não gostava desse lugar, mas acabei por perdoá-lo.
Will levou as mãos ao rosto e em seguida ficou olhando pra ela com uma expressão vazia.
– Então você acabou gostando daqui? Eu quero dizer, você não se importa de ter sido seqüestrada?
– É claro que eu me importo – ela fitava o chão – mas não há nada que eu possa fazer agora então... é, eu gosto daqui.
– Por que ele fez isso? Por que seqüestrar você?
Ela pensou um pouco se devia contar a ele que era uma princesa, não queria que Will arrumasse problemas com Gancho e acabasse jogado sozinho numa ilha deserta. Ele a encarava esperando por uma resposta e ela não achava que fosse convincente o bastante para mentir.
– Bem eu... ele só fez isso porque sou uma princesa. E ele sabe que meu pai faria qualquer coisa pra me ter de volta.
– Uma princesa? – ele arregalou os olhos e em seguida se ajoelhou aos pés de Ruby – Alteza, perdoe-me por minha ignorância. Eu não fazia ideia de que estava falando com uma princesa...
– Ora, não precisa disso – ela disse rindo – Eu não sou mais uma princesa, pelo menos não enquanto estiver aqui. Agora sou apenas a criada-de-bordo do Capitão. Nada mais.
Will se levantou e a expressão de raiva retornou ao seu rosto.
– Como ele pode? Como é que ele ousa fazer isso? Uma princesa! Uma princesa a bordo de um navio pirata... ele só pode ter enlouquecido. O que ele espera? Dinheiro?
– É, eu disse a ele que meu pai é muito rico. Só não sei por que ele insiste em sempre adiar minha volta pra casa. Fazem quase três semanas que estou aqui.
Três semanas, ela se lembrou desesperada, três longas semanas que mais lhe pareceram meses. E se o Capitão não cumprisse a promessa, o acordo que haviam feito? E se ela nunca mais voltasse pra casa?
– Três semanas? – Will não parecia muito certo de que Gancho iria libertar Ruby – Desculpe, mas não acha que é tempo demais? Talvez meu irmão tenha outras intenções.
– Quais intenções? – ela repentinamente ficou preocupada.
– Não sei, talvez ele tenha outros planos para você.
– Não. Nós fizemos um acordo. Eu trabalho pra ele e logo estarei em casa. Eu só não esperava que a Terra do Nunca estivesse nos planos dele.
– Um acordo. Certo. – a cara que Willian fez não podia significar coisa boa.
– O que foi?
– Não, é que... bom, não quero te assustar nem nada... mas meu irmão nunca foi bom em cumprir promessas. Talvez esse acordo não signifique muito pra ele. – ele notou que Ruby estava começando a se desesperar e tratou de tranqüilizá-la. – Não se preocupe, eu vou falar com ele.
– Por favor, não briguem por minha causa.
– Claro que não. Vamos apenas conversar.
***
– Quer dizer que ela é sua prisioneira? – Willian voltou ao convés, onde Killian ainda manejava o leme. O Capitão exibia uma expressão de indiferença, e mesmo quando Will apareceu com seu jeito arrogante, o rosto de Killian não alterou.
– Quem? Do que está falando?
– A princesa. Ruby – ele parou ao lado do irmão e ficou olhando pra ele muito sério.
– Ela é parte da tripulação, eu já disse – Gancho respondeu sem dar muita atenção ao irmão – É minha criada-de-bordo.
– Você a seqüestrou. – Will disse calmamente – E eu me pergunto por quê.
– Eu tive meus motivos. Além do mais, ela não é minha prisioneira, pode partir se quiser.
– Ora, não seja idiota! – o jeito indiferente de Killian estava deixando Will fervendo de raiva. Ele queria espancar o irmão e não sabia por quê. Ele sequer conhecia aquela moça, talvez estivesse tomando suas dores, mas ainda assim não devia se importar tanto, devia? – Ela não pode voltar pra casa, não sem você levá-la de volta. A menos que vá abandoná-la num lugar qualquer com uma arma e uma bala. Me parece bem o tipo de coisa que você faria.
Gancho ficou em silêncio e Will sentia que ia explodir de ódio. Talvez o comportamento de Gancho quisesse dizer alguma coisa. Will se calou por uns instantes, até que Killian resolveu falar:
– Nós temos um acordo, eu e ela. E eu prometi que a levaria pra casa.
– Ela me contou. Espero que não esteja pensando em quebrar a promessa...
– Quando foi que eu não cumpri uma promessa? – ele falou meio irritado e Willian sorriu perverso.
– Quando prometeu à Anne que voltaria e nunca mais voltou? Quando prometeu à mamãe que não seria como o papai e acabou por se tornar pirata como ele? Quando prometeu a seus irmãos que os ajudaria independente do que acontecesse? – Will tentava não se alterar, mas sua voz já estava mais alta do que o normal – Quando prometeu nunca esquecer sua família, ou quem você é? Você nunca cumpriu nenhuma de suas promessas!
– Droga! Eu tive meus motivos!
– Ah é claro, você sempre tem motivos.
A essa altura já estavam gritando um com o outro, e todos prestavam atenção à discussão. Ruby subiu ao convés, preocupada com o que aquilo ia se tornar. Não devia ter dito tudo aquilo a Willian.
– Você não sabe nada sobre mim – Killian largou o leme e o navio deu uma guinada para o lado. Smee correu a tomar a direção. – Você não sabe o que eu tenho passado em todos esses anos.
– É claro que eu sei.
– NÃO. VOCÊ NÃO SABE. SEMPRE TEVE UMA VIDA PERFEITA.
– Eu não tenho uma vida perfeita! Saberia disso se não se preocupasse mais com esse navio do que com sua família. – os olhos de Will brilhavam. Para Ruby, aquilo parecia o começo de uma guerra entre irmãos. Ou pelo menos, parecia que só agora eles tiveram coragem de dizer um ao outro tudo o que pensavam.
– Isso porque você se recusou a se juntar a esta família – ele fez um gesto para envolver o navio e todos ali presentes. – Eu não garanto que seria feliz, mas pelo menos não estaria sozinho.
Willian começou a rir.
– Você sempre acha que um pouco de rum e dinheiro podem fazer um homem feliz, não é? Mas você não é feliz. Talvez nenhum deles seja – Will olhou em volta, para os homens que assistiam a tudo, paralisados. – Eu sei o que você pensou... tentou se livrar da dor do passado, mas não conseguiu, não é? Você tentou ser feliz, e sacrificou tudo... sua família, sua casa, seus amigos... abandonou tudo. E no fim... você não conseguiu o que tanto queria... felicidade e amor...
E finalmente, algo mudou no rosto de Killian. Ele não estava com raiva, ou irritado. Estava arrependido e infeliz. Will tinha atacado as feridas.
– Eu não tive escolha. – Gancho falou num sussurro. Ninguém nunca o tinha visto assim. Ruby repentinamente sentiu uma intensa vontade de abraçá-lo.
– É claro que tinha. Sempre há outras opções.
– Não nesse caso. – e então ele voltou ao temperamento agressivo, com o qual Ruby já estava acostumada – O que queria que eu fizesse? Me tornasse ferreiro como você?
– Talvez você devesse ter pensado na sua mãe.
– É, eu pensei nela!
– NÃO, NÃO PENSOU! VOCÊ OLHOU NOS OLHOS DELA E PROMETEU SER UM BOM HOMEM. PROMETEU NÃO LEVAR UMA VIDA INSIGNIFICANTE COMO PIRATA. PROMETEU NÃO SER IGUAL AO HOMEM QUE NOS ABANDONOU! – Willian tinha os olhos marejados por lágrimas feitas de dor, rancor e tristeza.
– Eu não sou igual a ele. Queria ser, mas não sou... – a voz de Gancho estava no tom normal – Ele não nos abandonou. Sei que ainda está vivo e vou encontrá-lo.
– É claro. Você sempre vê o lado bom da coisa – uma lágrima escorreu pelo rosto de Will e ele a limpou antes que Killian percebesse.
– Nada é impossível – Killian deu de ombros e decidiu que não queria mais discutir – Smee, assuma o comando. – e dizendo isso ele marchou pelo convés, passou por uma Ruby boquiaberta e sumiu dentro de sua cabine.
– Vamos! De volta ao trabalho! – Smee gritou para os marujos ainda aturdidos. Jack não estava à vista e Will foi se sentar a um canto isolado.
***
– Capitão? – Ruby entrou na cabine, fechando a porta atrás de si. Ela parecia saber que Killian precisava de ajuda, que estava se sentindo um monstro depois de tudo que Willian lhe dissera. Ela hesitou um pouco ao entrar. Viu que o Capitão estava sentado na cama, de costas para a porta e olhando para o chão. Dava pra perceber o quanto estava se sentindo devastado. Ela se aproximou devagar, temendo que ele se zangasse com ela – Killian? – hesitou um pouco, mas acabou por colocar uma mão no ombro dele.
– Ele tem razão – o Capitão disse baixinho e Ruby se abaixou ao lado dele. E para sua surpresa, ele estava chorando! Antes que percebesse o que estava fazendo, ela começou a acariciar a mão dele.
– Não fica assim! Ele só está chateado. Não significa que você tem culpa em algo.
– É claro que eu tenho culpa. Eu não estava lá para minha família quando ela mais precisou. Você não faz ideia do monstro que eu sou...
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