Como Esquecer ?!
10 Epílogo
Darcy estava sem sono. Ele aguardava Elisabeta chegar do trabalho e queria se manter acordado. Por isso ficou olhando pela janela relembrando o jantar onde ele e Elisabeta informaram os amigos que voltaram a ser um casal. Faziam 3 anos.
Na opinião dele foi uma noite maravilhosa. A melhor parte foi Elisabeta admitir que o amava e não queria mais ficar distante. Ela disse não ao Rio de Janeiro, Cosme foi indicado em seu lugar e se deu muito bem.
Durante este tempo Darcy pensou se Elisabeta alguma vez quis ir para o Rio, mas ele sempre negou, dizendo jamais se arrepender da decisão.
Agora ele pensava se era do interesse de Elisabeta partir para outras terras. A ferrovia havia sido inaugurada a 1 ano. Não que ele ansiasse por ir embora do Brasil, mas ele gostaria de mostrar a Elisa onde ele nasceu. Passear com ela por Pemberley, mostra-la as belezas naturais do interior da Inglaterra, tanto quanto as modernidades da vida Londrina. E claro, também irem a Paris, Berlim e todos os outros lugares que sua Elisabeta sonhava conhecer.
No meio de todo esse passeio, algo importante. Darcy gostaria de rever seu pai. Archiebald escrevia regularmente para ele, mas ele gostaria de ver seu pai novamente, sentir seu cheiro e seu abraço. Seu pai havia, a muito tempo, expulsado Briana e Margareth de Pemberley e as deixado morando numa casinha num condado afastado. As suspeitas de Darcy foram verdadeiras e o tal dr Webbey sequer era médico. Era, na verdade, um ator contratado por sua tia para ludibria-lo. Seu pai ainda estava furioso com a irmã, só não a deixou na miséria por um sentimento religioso que possuía, herança de sua finada esposa. Francisca era devota e sempre pregava o perdão.
Archiebald vivia sozinho em Londres, com os empregados, e dizia nas cartas ter muita vontade de rever os filhos. Estava ficando velho e a qualquer momento poderia partir para encontro de sua amada mulher. Darcy achava que apesar do aspecto dramático, havia alguma verdade nestas palavras. A idade chegara para seu pai, por isso tinha vontade de levar a esposa para rever Archiebald, que agora dizia não se espantar pela escolha do filho. Ele respeitava o amor de Darcy.
Esposa, Darcy sorria ao pensar na palavra e olhar a aliança dourada no dedo esquerdo. Não foi fácil a caminhada deles, muito percalços apesar da felicidade indiscutível que possuíam. Elisabeta agora era uma escritora conhecida, tinha 3 sobrinhos lindos, que ela amava e ele também, e ainda mantinha o emprego no jornal, embora apenas com a coluna semanal sobre mulheres. Que a ocupava menos tempo.
Ela e Darcy moravam numa casa simpática e que ele achava pequena, no bairro do cortiço. Tudo começou com uma exigência de Elisabeta de que eles se adequassem ao poder financeiro de ambos. Ela não gostaria de viver às custas de Darcy, achava importante dividir até algumas contas com ele. De início ele foi terminantemente contra, mas mudou de ideia quando percebeu que era a chance de tirar Elisabeta do cortiço. Não que ele não gostasse do lugar, mas depois que Camilo se reconciliou com Julieta e o café 3 mosqueteiros estava prosperando, ela havia ficado sozinha no cortiço, mesmo alugando um quarto maior. E ele achava que ela poderia morar num lugar melhor, com pelo menos um banheiro privativo.
A ideia da casinha veio de Darcy, depois de muitas noites de amor que ele passara no cortiço com Elisa. Ele disse que gostaria de ter mais espaço e privacidade e então Elisabeta cedeu. Ele se assustou, ela raramente concordava com ele tão rapidamente, mas a venda dos livros estava dando a Elisabeta uma renda extra que ela achava interessante usar para uma nova moradia. Nessa época eles ainda não haviam se casado, mas desde a primeira vez que fizeram amor, num dia chuvoso em que os carinhos mútuos não foram contidos, jamais dormiam separados. Nem mesmo quando iam ao Vale e ficavam hospedados com Julieta.
A casinha era linda, mesmo pequena. O quarto deles era espaçoso e num outro quarto ficava Charlote, que morava com eles. Charlote agora namorava um arrependido Olegário, com as bênçãos de Darcy. Ainda havia uma cozinha, sala, banheiros e uma área. Darcy gostava do ambiente, especialmente o quintal que era grande e ele não conseguia se impedir de pensar em alguns filhos deles correndo por ali qualquer dia desses. Seguidos pelos sobrinhos que sempre apreciavam as árvores e a gangorra improvisada.
Darcy e Elisa mantiveram um arranjo informal de relacionamento durante um tempo, mesmo sobre os olhares curiosos de alguns vizinhos. Mas quando Felisberto e Dona Ofélia chegaram de surpresa para visitar a filha ele tomou uma decisão. Não iria viver escondido na própria casa, afinal de contas, manter fechado armários com suas coisas não foi tão divertido quanto parece. Quando os sogros partiram ele pegou Elisabeta pela mão e a levou a um cartório, num meio de semana, no final da tarde. Ela sequer disse não e ainda retirou da bolsinha 2 alianças, deixando Darcy com lágrimas nos olhos.
Na próxima visita dos sogros, entretanto, se viram numa cerimônia intima numa igreja do bairro. Dona Ofélia não abria mão de uma cerimônia religiosa para nenhuma de suas filhas.
E isso foi 2 anos atrás. Parecia ontem, Darcy pensava. A vida dele e de Elisabeta era tão harmoniosa que nem em seus melhores sonhos ele ousou vislumbrar. Ele trabalhava na empresa e na ferrovia, ela em casa e alguns dias no jornal. E as noites, bem, as noites eram deles, num quarto privado e fechado eles se amavam sem qualquer barreira.
—
Elisabeta entrou no quarto como o furacão que era. Mesmo com o semblante tranquilo ela estava sempre agitada. Essa noite ela parecia, além de tudo, ansiosa.
— Aconteceu alguma coisa? Ele quis saber.
— Não exatamente. Um dia agitado no jornal. Ela olhava para ele, sabendo que claramente que era uma mentira.
— Você foi olhar essa indisposição, Elisabeta ? Já tem mais de uma semana que você acorda tonta e vomita as vezes. Embora hoje você já tenha comido melhor. Ele havia reparado, para surpresa dela. Tudo em Elisabeta o capturava. Camilo fez uma desgustação com café e feijoada e Elisabeta não passou muito bem desde então. Mas hoje ele brincou de dar comida na boca dela e o café da manhã havia sido mais farto. Mesmo assim, ele se preocupava.
— Sim, sim, eu fui. E eu não sei como aconteceu, mas eu estou grávida, Darcy. Ela falou de uma vez, feliz por poder contar. Ela saiu do consultório médico voando, querendo dar logo a notícia para Darcy. Ele ficaria radiante. Mesmo não externando, ela sabe que Darcy pensou que talvez ela não pudesse conceber filhos, como a irmã.
Darcy levantou-se em direção a ela, a girando no ar, emocionado com a notícia. Era maravilhoso, um filho deles. Um filho. Como não pensou nisso ao vê-la mais sonolenta que o normal, mais emotiva. E com os seios bem mais sensíveis aos seus toques.
— Não sabe como aconteceu? Darcy brincou. Ele e Elisabeta eram intensos, ele sabia. A atividade recorrente deles na cama agradava a ambos e os filhos viriam na hora certa, eles se diziam em certos momentos. Mas vendo o amor de Cecília por Mário ele sabia que se fosse o caso, eles também adotariam um bebe.
Mas não foi preciso, ela estava grávida.
Um filho. Eles teriam um filho.
Mas uma outra surpresa da noite ainda estava por vir.
— E não é só isso, Darcy. Eu quero que nosso filho nasça na Inglaterra. Diante do olhar surpreso dele ela seguiu falando. Eu sei que você quer ver seu pai, a muito tempo já. Minha vida aqui está estabilizada e eu quero que você viva esse momento. Seu pai não é mais tão jovem e não poderíamos fazê-lo vir conhecer seu neto. Portanto, vamos fazer com que este Benedito aqui nasça na terra do papai.
Elisabeta ainda falou do livro que queria escrever, do jornal que poderia continuar sem ela. Da estabilidade da vida das irmãs e dos sonhos que ela sempre teve. E de como, nos últimos anos, Darcy a entendeu, a aceitou, incentivou e permitiu que fosse ela mesma. Do quanto o relacionamento deles era de parceria. E de como ela gostaria de viver todos os sonhos ao lado dele.
— Vamos arrumar as malas, Darcy. Eu estou pronta para abraçar o mundo todo com você.
FIM
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