Como Em Um Sonho
19 Desnecessário
Notas iniciais
Manu, sua recomendação me fez sorrir. Obrigada. ♥ esse cap tá meio chato, mas é só para refletir a gravidade do problema.
Estou cansada do meu pai. Ele está exagerando com essa proibição sobre o Leon. Agora me tirou o Studio porque sabe que eu vou encontrar com ele lá. Se ele soubesse que dormimos juntos todas as noites, correria risco de me proibir de dormir. Mantenho a porta trancada, mas se pudesse, estaria acorrentada. Ninguém pode entrar na minha fortaleza proibida, só o Leon. Por mais acorrentada que a porta estivesse, ele poderia entrar de qualquer jeito.
Já tentei provar a verdade a meu pai de todos os jeitos possíveis, já tentei até mostrar os poderes de Leon. Mas ele se recusou a ver qualquer coisa. Nem quer ver a cara do Leon.
Leon e eu estamos de bobeira cantando qualquer porcaria que conseguimos nos lembrar. No momento é Codigo Amistad.
– Planeta de las chicas, exclusividad, la clave son las risas, codigo amistad...
Antes de conseguirmos terminar de cantar qualquer coisa, eu tenho um acesso de risos, não consigo me segurar. Estamos rindo descontroladamente, até que ouço alguém bater na porta. Paramos de rir instantaneamente.
– Quem é? – pergunto.
– Sou eu. A Angie.
Solto um longo suspiro. Não queria falar com ninguém, mas é melhor do que falar com o papai. Abro uma pequena fresta na porta, e coloco o rosto ali.
– O que foi?
– Queria só te dizer que o seu pai pediu para eu te levar a uma psicóloga amanhã.
– Quê?!
– Sim, ele acha que você está delirando e tendo alucinações... – ela contrai os lábios, e diminui o tom de voz. – ... Ele também acha que o Leon deve estar te dando algum tipo de droga.
Dessa vez, quem reluta é Leon.
– O quê?!! Cara, eu não tô acreditando nisso. Eu nunca drogaria a Violetta.
– Angie, vai mesmo me levar no psicólogo?
– Violetta, não é porque eu te acho louca, é porque eu acho que vai ajudar a resolver seus problemas.
– Que problemas?!
– De como lidar com esses repórteres, da tensão com o seu pai, do nervosismo que você tem acumulado...
– Isso são coisas que eu preciso resolver sozinha.
– Violetta, isso é mais fácil quando se tem ajuda. Ajuda profissional.
– Existe algum profissional que seja especialista em resolver problemas causados por um sonho?!
– Não, mas existem profissionais que ajudam a dissipar a tensão. Você vai, Violetta. Vai ser melhor pra você.
Fecho a porta, e me jogo na cama, e encaro Leon, no tapete, olhando pra mim com uma cara de preocupação.
– O que acha disso? – questiono.
– Desnecessário.
Será possível que ele é a única pessoa que me entende nesse mundo?
* * *
Estou em uma sala escura, com alguns enfeites e uma janela, por onde deveria entrar a luz, mas a única função visível é acumular poeira. Esperando uma pessoa que eu não conheço que acha que pode resolver os meus problemas, sendo que eu não tenho problemas. Pelo menos não que ela possa resolver.
Uma mulher alva, com cabelos escuros, longos e enrolados por volta dos 26 anos adentra a sala.
– Olá, meu nome é Ivy Adams, e vou ser sua psicóloga. Não, melhor, digamos que serei sua nova amiga.
Olho para ela séria. Eu não a conheço nem há 20 segundos, e ela já se auto-entitulou minha nova amiga.
Ela senta-se ao meu lado.
– Feche os olhos.
– Se você acha que conhece meus problemas, você está errada.
– Apenas feche.
Eu obedeço. Ela continua:
– O que você acha de dizer o que gosta de fazer? O que te faz rir... O que faz chorar... O que você considera desesperador...
Que estranho... Essa mulher estranha... Ela me inspira uma confiança estranha. Parece que posso contar tudo pra ela.
– Eu amo cantar. E eu amo Leon. Ele me faz rir. Meu pai ás vezes me faz chorar. Eu considero conflitos e repórteres desesperadores.
– Conte-me sobre seu pai.
– Estamos discutindo muito ultimamente. Ele não acredita em mim, não confia em mim. Me faz chorar porque toma medidas sendo que não quer entender as coisas do jeito que são.
Ela demora um pouco para continuar.
– E sobre... Leon?
As palavras simplesmente vão deslizando.
– Ele é meu porto seguro. Me sinto segura com ele, e sei que posso contar com ele sempre. Ele é meu sonho, meu melhor sonho. E eu o amo muito.
Sinto um sorriso tentando surgir nos cantos dos meus lábios. Sem Leon comigo a esse ponto, eu teria enlouquecido.
– Pode abrir os olhos.
Abro devagar.
– Muito bem. – diz ela. – Creio que você tenha estado nervosa por esses... Repórteres.... E também por causa de seu pai. Esse Leon não parece oferecer nenhum dano físico ou mental a você. Acho que você deveria esclarecer com calma as coisas que te fazem entrar em conflito com seu pai.
– Ele pensa que estou me drogando!
– Por quê ele pensa isso?
– Se eu disser, você não vai acreditar.
– Isso é para seu próprio bem, Violetta. Você pode me contar qualquer coisa, eu quero te ajudar.
– Leon é... Um fruto da minha imaginação.
– Quer dizer que... Ele não existe?
– É CLARO QUE ELE EXISTE!
– Poderia me explicar direito as coisas?
– Hummmm... Eu sonhei com Leon há algum tempo. Esses sonhos... Sempre tinham características estranhas, como por exemplo: em um sonho, eu caí no mar. Eu acordei, e estava molhada de água salgada. Um dia, eu fiz um pedido a uma estrela cadente em um desses sonhos. E Leon apareceu. Aqui nesse mundo. Mas não totalmente humano. Ele tem... Habilidades.
Sua expressão tranquila desaparece.
– Você acabou de dizer que... O sonhou?
– Sim. Eu poderia provar para você, ele tem uns... Poderes.
– Como... Você o sabe?
Então, ouvimos um flash e Leon surge no meio da sala, e se joga em um sofazinho que há ali, como se fosse sua própria casa, ou melhor, seu próprio quarto.
– Mas... Quê? – diz Ivy, incrédula.
– Esse é o meu Leon. Eu disse. Ele faz tudo o que ele quer, porque pode se teletransportar. Mas o que o senhor está fazendo aqui? – digo, me referindo a Leon. – Essa é uma consulta particular.
– Não resisti. – diz ele. – Não consigo ficar longe de você.
Ivy ainda parece chocada.
– Ele... Mas... Como?!
– Se ele se mandar daqui, você consegue me ajudar a resolver minhas coisas, ou não?
Ela só coloca a mão na testa e se senta na poltrona com uma expressão indecifrável.
– A sessão está encerrada. Pode ir.
Olho para ela com gravidade.
– Jura que vai manter segredo?
– Esse segredo morre comigo. Agora vão.
Estamos nos encaminhando até a porta, quando ela diz:
– Violetta, tenho que te dizer. – nos viramos. – Infelizmente, não posso resolver seus problemas. Não volte nunca mais aqui.
Notas finais
/Mari ♥
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