Como Eles Chegaram
4 Capítulo 4
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Estão todos na casa da Júlia preparando alguma coisa pra comer. A televisão ligada mostra o jornal da noite. Assim que sai o ultimo misto-quente e todos se servem eles escutam a noticia:
“Inúmeros acidentes de transito causados por uma moto, em algumas avenidas da cidade.
Todas as vítimas relatam que um motoqueiro em alta velocidade mudou de pista e avançava sobre eles que perdiam a direção e acabaram causando vários acidentes.
Várias pessoas gravemente feridas congestionaram o hospital de urgências. A polícia não identificou o responsável, mas sabe que é um jovem em uma moto branca.”
Todos se entreolham, Thiago pega apressadamente um papel e uma caneta, enquanto a repórter fala os locais do acidente, entendendo o que ele quer, Júlia pega um mapa da cidade e traçam o sentido que ele ia.
Saída Sul
- Sentido do Centro Cultural, Autódromo e saída pra Bela Vista, o que ele quer por lá?
Thiago aponta no mapa.
Todos se assustam ao chegar na conclusão: dois cemitérios...
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Leandro e Letícia abrem a porta da casa que sai pra rua. Quando Leandro olha pra frente ele segura a irmã.
- Olha
- Que?
- A rua!
- Essa é a praça Cívica?
Sim, a principal praça do centro de Goiânia e eles estão bem no meio. O monumento em homenagem às três raças agora possui uma porta que é onde eles estão parados. Assustada, ela toca em uma das estátuas.
- Hei! Vocês dois!
Ambos olham em direção.
Um guarda civil se aproxima
- Desçam dai! E vão pra casa. Ai num é lugar pra namoro não!
Leandro ainda pensa em voltar, mas onde antes havia uma porta agora só há um dos lados do monumento.
Sem querer discutir eles descem se entreolhando e vão pro ponto de ônibus. Chega o ônibus da casa deles. Ainda sem nenhuma palavra os dois olham aturdidos a cidade passar. As luzes vão diminuindo, os olhos pesando. A gente desce no próximo...
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Depois do Autódromo da cidade, dois cemitérios são vizinhos: O municipal e um particular.
Ricos e pobres são enterrados a 500m de distância mostrando a fragilidade e ironia da vida. A moto branca jaz deitada sobre uma lápide ainda com os pneus girando. Entre a lápide fria e o motor quente, um dos vigias, sem vida.
O vigia do cemitério particular se encontra dividindo espaço com um poste de iluminação. A Arma dele ainda fumegante na mão do Irerê, na outra mão uma pá arrastando no chão e batendo nas lápides.
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O velho carro do Thiago está estacionado próximo a um esquina perto de um orelhão. Todos os quatro estão na rua tentando explicar a situação pro Victor. Que acaba de desligar o celular.
Ele faz um sinal eles o seguem, entram no prédio o elevador para em um dos últimos andares.
Dentro da casa, Chico, um rapaz um barbudo e levemente acima do peso, sorri pra eles e diz:
- Então, dessa vez é sério?
- Mais que a gente pensa, não temos informações ...
- Eu me preparei a vida inteira pra esse dia — ele sorri ainda mais — Venham.
Chegam no quarto do Chico, que abre o guarda roupa. Uma combinação de cliques ativa um barulho de motor e rodinhas. O armário revela um fundo falso com 5 espingardas cano 12, 5 pistolas 9mm e duas gavetas repletas de balas. Acima deles um relicário, um punhado de terços e uma réstia de alho.
Ele pega duas espingardas e dois cinturões já recheados de balas.
Depois que cada um pega sua arma, ele se vira pro Luís e fala:
Você que é o único que pode nos abençoar. O Arcebispo Brasileiro abençoou essas águas e você consumará a nossa bênção nessa missão.
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Irerê passa perto dos 10 corpos desenterrados à sua volta todos estão em perfeita simetria. Uma vela acima da cabeça de cada um. Um dos guardas que ainda estava vivo, tem o sangue despejado em uma tigela improvisada, nesse corpo é ateado fogo. O cheiro do sangue queimado e o mantra entoado por Irerê parece atrair as cobras, os lagartos e todos os bichos peçonhentos da região.
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Parado próximo à entrada do prédio um jovem, negro, cabelo Black Power e um case de violão encostado do lado se dirige ao Gabriel quando o grupo desce.
- Ae mano, Trouxe reforço que tu pediu
- Opa, massa, vamo nessa então. Galera, esse é o Digão
Apresentações feitas o grupo se divide em 3 carros. O Primeiro: um opalão conversível com Thiago, Gabriel e Digão. O segundo: um sedã, Júlia e Luiz. O terceiro, uma pickup nova em folha, com Chico e Victor.
Julia procura algo na bolsa, acha o celular.
- Alô, Dalua? Já de volta? Sei. Hein? Onde? Espera um pouco – se virando pro Luiz – Dalua tá na casa dele com a Letícia.
- Diz q a gente ta passando lá agora e é pra descer correndo. O Irerê ta com problemas.
- Ouviu né ? — Se voltando pro telefone — Estamos saindo do Chico e passando ai agora.
O telefone toca de novo.
- Victor? Fala. No Flamboyant? Ok, a gente vai pegar o Dalua e te encontra lá.
- Eles vão pegar o Frango lá.
- Pelo menos é caminho.
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No estacionamento do Shopping, Victor e Frango estão colocando cada um, uma mala na pick up
- Mais balas e outras coisas úteis.
- Tipo o que?
Frango sorri, pega um spray
- Lança chamas caseiro!
Chegam Thiago, e Digão com sacolas, Gabriel traz um galão de água.
- Se a coisa sair do controle a gente consegue sobreviver até chegar em algum lugar...
Luiz encosta o carro
- O Dalua encontrou um livro que pode ajudar ou piorar as coisas
- Qual? — pergunta Chico
Leandro no banco traseiro levanta um grande livro de couro cuja capa lembra um rosto deformado, sofrendo.
- Cê tá brincando...
- É sério.
- Como?
- Tia-Bisa.
- Hein?
- Esquece, vambora.
- Melhor mesmo.
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