Como Dita O Equilíbrio
4 Don\'t you trust me?
Notas iniciais
Arregalo os olhos, tudo á minha volta parece assustador, me sinto tão pequena e fraca que qualquer um que entrasse aqui com intenção de me matar teria seu desejo realizado facilmente.
Deito minha cabeça sobre uma almofada. Pouso minha mão direita em minha testa, estou ardendo de febre, mas ironicamente algumas gotas de suor descem por meu rosto, provavelmente causadas pelo medo que o pesadelo me causara. O motivo para todos estes sonhos tenebrosos, mais parecidos com visões, é até então desconhecido por mim. Por um instante, a ideia de que os mesmos podem ser realmente avisos de um futuro próximo passa por minha mente bagunçada. Tudo está acontecendo tão rápido e de modo tão abstrato que não consigo controlar meus pensamentos. Vejo que a chuva do lado de fora está passando aos poucos. Pego um casaco de pelos de Poro, presente que ganhei da princesa Avarosiana Ashe por ter descoberto a localização da lâmina que havia assassinado a tribo de um dos guerreiros civis alguns anos atrás, coloco-o sobre meus ombros e abro a porta dupla que separa o delicioso calor da casa do frio cortante da noite de nossa facção. Imagino a situação de todos os moradores da mesma, desinformados e desatualizados sobre a possível morte que os aguarda.
- O que está acontecendo com você, Akali??- Me pergunto, em voz alta.- Pare de agir como uma total desafortunada!
Passo a mão direita pela madeira fina da porta, enquanto a esquerda segura os lados do casaco para mantê-lo em seu lugar, e olho para o céu, admirando a bela lua Ioniana. Em meio aos muitos pensamentos e desejos que me vem em mente, me recordo de um antigo amigo meu que muitos considerariam estranho. O único Noxiano. O único de tal facção que não era tão imundo com escuridão e insanidade de sua nação. Talvez possuísse tais atributos, mas com certeza não os adquiriu em nome de Noxus. Nunca soube seu nome, mas algo nele fez doces feixes de recordações virem em minha mente. Seus conselhos e suas opiniões meio confusas e sanguinárias talvez me fossem úteis nesse momento. Um broto de sorriso surge em meu rosto, juntamente com a ideia boba de tentar acha-lo, mesmo eu sabendo que isso nunca aconteceria. A fragilidade que sentia aos poucos se esvai. Aperto a gola do casaco macio com força, imaginando para onde o ser maligno pode ter levado Kennen, e uma razão para ter matado o pai do Shen. Vejo dois vultos subirem com passos lentos a colina. Rapidamente reconheço as nove gigantes caudas e a grande lâmina flutuando a alguns metros do chão. Ahri andava quase saltitando, acariciando uma de suas caudas por cima do ombro, Irelia carregava uma cesta de palha, com maçãs e pêssegos dentro da mesma.
- Boa noite, meninas!- Digo, retirando o casaco para a minha amiga meio-raposa não avista-lo e pensar que era feito com pelos de outros da sua espécie.
- Boa noite, formiguinha!- Ahri diz, rindo.
-Onde vão á essa hora?
- A Ahri queria entregar estas frutas para algumas raposas que procuram por comida á noite na clareira. Achei muito perigoso deixa-la vir sozinha, então resolvi acompanha-la!- Diz Irelia, pegando uma das muitas frutas da cesta e me entregando.
- Obrigada!- Digo, olhando para a fruta. Vejo que é uma linda maçã vermelha.- Por acaso alguma de vocês viu o Shen?
- Ele passou em frente á minha casa, disse que se eu te visse, era pra te avisar que ele está te esperando no centro da cidade para a cerimônia.- Irelia respondeu, dando um tapinha leve na mão de Ahri, que tentava pegar um dos pêssegos.
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