Como Assim Eu Sou Uma Meio Sangue?
7 Capítulo 7 - Dramas e avisos inesperados
Notas iniciais
O táxi deu uma súbita freada e eu acordei assustada quase voando até o vidro da frente, mas Connor me segurou.
– Meus deuses, o que foi isso? – murmurei
– Saia da frente do carro, mulher! Está louca? – o taxista gritou, apertando incessantemente a buzina
– Susan... Precisamos sair daqui agora.
Olhei para Connor e vi medo em seus olhos. Eu, é claro, lerda do jeito que sou, não entendi nada.
– O quê? Por quê?
– Estamos perto do Acampamento. Dá pra ir andando o resto do caminho, não se preocupe.
– Connor... O que foi? Por que está com tanto medo?
Ele não respondeu, apenas pegou duas notas de 20 e 5 dólares de dentro do bolso, as jogou para o motorista, pôs minha mochila nas costas e me puxou para fora do táxi.
– O que você vê na frente do carro? – ele perguntou
Na frente do táxi havia uma jovem de cabelos lisos e negros, com um vestido que parecia ser feito de sombras. Sua pele era pálida e asas negras, como as de um anjo se estendiam em suas costas. Algemas negras com correntes quebradas lhe prendiam os pulsos e ela olhava para o chão, parecendo estar chorando. Um frio fantasmagórico emanava dela, o que me fez tremer de frio e dar alguns passos atrás, para longe dela.
– Connor... Quem é ela? – minha voz tremia ao perguntar
– É uma fugitiva do Mundo Inferior. Um espírito atormentado e agourento.
– Como assim um espírito agourento?
– É um espírito que traz más notícias. A aparição deles pode significar a mesma coisa que você vir as Parcas cortando uma linha.
– Como você sabe disso?
– Um espírito desses apareceu para mim uma vez. Uma semana depois, minha avó morreu.
Mas antes que eu pudesse sequer abrir a boca pra falar, o espírito flutuou até mim, me agarrou pelos ombros e me envolveu com suas asas negras. Engoli em seco e olhei para o rosto do espírito. Os olhos dela eram negros, fundos e cheios de dor e seu toque era tão gélido que me fez tremer até os ossos. Connor parecia paralisado no lugar.
– O que quer de mim? – sussurrei amedrontada
– Você precisa ajudá-la. Não a deixe morrer. – o espírito sussurrou
– Q-quem?
– Alguém que você amará irá morrer. Pense sempre antes de agir, querida.
– Mas... Por que está me avisando?
– Por que às vezes o destino pode ser mudado. Atitudes podem ser evitadas. A morte pode ser retarda... Por favor, me ouça. Não sou um demônio. Fui condenada por Tânatos por ter fugido muitas vezes quando ele estava distraído. Mas eu só precisava ver minha filha...
– Qual o seu nome?
– Johanna Miles. – ela sussurrou e olhou para trás, assustada. O asfalto tava se abrindo e algo parecia querer sair de lá – Eu preciso ir. Lembre-se do que lhe falei e use seu colar para se defender.
– Espera!
Mas ela desapareceu em uma nuvem de fumaça. Fiquei parada ali, ainda sentindo meu corpo formigar pelo toque das asas delas em minha pele, sem saber o que fazer.
– Susan! Abaixa! – Connor gritou de repente
– O que?
Ele pulou em cima de mim e rolamos no asfalto. Mas como meu dia só tende a ficar pior, alguma coisa tinha que acontecer. Quando paramos de rolar e eu levantei, vi um enorme labrador negro correndo na minha direção, rosnando. Recuei rapidamente, mas esqueci de que havia um enorme abismo no meio da estrada e ia escorregando para dentro dele se Connor não tivesse me segurado, mas as Parcas me odeiam, então fizeram com que o maldito destino fizesse o maldito Cão Infernal pular em cima de mim e me jogar no abismo.
– Susan! – Connor gritou
– Para de gritar o meu nome e me ajuda, seu inútil!
Eu estava agarrada na beirada do abismo e não conseguia me puxar para cima, até porque, o Cão Infernal estava agarrado na minha perna e eu chutava a cabeça dele tentando fazê-lo me soltar e cair de volta no lugar de onde ele tinha vindo, mas isso só fazia com que ele enterrasse ainda mais os dentes na minha perna. Um grito se formou no fundo da minha garganta e lágrimas surgiram nos meus olhos. Senti a dor alucinante que os dentes enormes dele provocavam ao perfurar meus músculos e rasgar a minha pele. Uma das minhas mãos escorregou e eu fiquei pendurada no abismo apenas com um braço para sustentar meu corpo e o do cão preso à minha perna.
– CONNOR!
– Eu não tenho nenhuma arma! Usa sua espada para cortar a cabeça dele, inteligente.
Com a mão que escorregou da beira do abismo, eu arranquei meu colar do pescoço, arrebentando o fecho, joguei-o para cima e gritei “solis”. Por um minuto, quando vi a espada cair, achei que não conseguiria pegá-la, mas ela foi atraída para a minha mão como um ímã. Fechei os olhos e com um só golpe cortei a cabeça do Cão Infernal. O peso que me puxava desapareceu assim que o cão se transformou em purpurina dourada e eu respirei fundo várias vezes para tentar me acalmar. Senti meus dedos escorregando da beira do abismo e comecei a cair. Respirei fundo esperando a morte, pois pelo menos a dor dilacerante passaria, mas então senti dedos se fecharem ao redor do meu pulso. Meu corpo foi puxado para cima, mas eu não conseguia abrir meus olhos. Gemidos saíam da minha boca involuntariamente e eu sentia que a qualquer momento eu poderia desmaiar.
– Susan, por favor, fale alguma coisa. Consegue respirar? – Connor disse, mas sua voz parecia um sussurro ao longe.
– Shhh. Deixe-me morrer em silêncio. – sussurrei – Diga a Annabeth e a Clarisse que elas são garotas maravilhosas e corajosas e abrace a Rachel por mim. Diga a Quíron que ele é o melhor diretor de acampamento do mundo e diga ao Sr D que o nome é Percy Jackson e não Peter Johnson.
– Nem vem com essa. Você não vai morrer porque eu definitivamente não vou deixar você ir sem me dar um beijo antes.
– Idiota. – ri baixinho
Senti um de seus braços levantando minhas costas e o outro se encaixou embaixo dos meus joelhos. Soltei um grito de dor e agarrei a camisa dele como se ela fosse meu bote salva-vidas.
– Aguente só um pouquinho. Vou te levar até a enfermaria a do Acampamento e chamarei Quíron. Por favor, não morra.
– Não posso lhe prometer nada, mas vou tentar ficar viva.
Minha voz não passou de um sussurro. Eu sentia como se o cão ainda estivesse com os dentes presos na minha perna esquerda, estraçalhando-a, rasgando a pele, perfurando os músculos, liberando litros de sangue. Para piorar, percebi que o veneno de mantícora ainda estava na minha corrente sanguínea. Podia ouvir minha própria pulsação batendo como tambores em meus tímpanos, assim como podia sentir as lágrimas ardendo em meus olhos. Ao fundo, de forma muito embaçada, vi árvores surgirem e então finalmente perdi a consciência.
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