Como Assim Eu Sou Uma Meio Sangue?
5 Capítulo 5 - Ataque de nervos
Notas iniciais
O que eu fiz depois dessa revelação bombástica? Bom... Eu tirei a faca de mesa do bolso de trás e a apontei para ele.
– Diga que você é só um fruto da minha imaginação! – murmurei ameaçadoramente brandindo a faca e me aproximando dele – Diga que isso não está acontecendo e que eu estou ficando maluca. Diga que não há uma mantícora no chão entre eu e você.
– OK. Calma. Não precisa me ameaçar com uma faquinha sem ponta. – Connor disse, levantando seus braços em rendição, após colocar a frigideira no chão aos meus pés – Achei que se eu ajudasse uma meio-sangue indefesa eu ganharia pelo menos um beijo como o meu irmão. Se bem que você não é assim tão indefesa...
– 1º — Eu não sou uma meio-sangue; e segundo: Cala a boca, Connor!
Baixei a faca e a pus de volta no bolso da calça jeans. Olhei para baixo, para “Zack” e resisti a forte tentação de chutá-lo nas costelas. E pensar que eu havia o achado atraente.
– Qual seu nome “eu não sou uma meio-sangue?” – Connor perguntou
– É Susanna. – eu disse o encarando caso ele tentasse me roubar algo – Ele vai acordar, não vai?
Apontei para Zack no chão e ele anuiu. Era muito para mim em um só dia. Primeiro Leo Valdez flertou comigo na cafeteria, depois descobri que o garoto com quem eu ia almoçar era uma mantícora. Então Connor Stoll me salvou com uma frigideira depois de roubar meu anel e agora eu provavelmente teria que correr com ele até o Acampamento Meio-Sangue para salvar minha vida de uma mantícora ou de qualquer outro monstro que tivesse me perseguindo, pois havia descoberto que eu era provavelmente uma meio-sangue. Desmoronei na cadeira mais próxima a mim, apoiei os cotovelos na mesa, tirei os óculos e escondi minhas lágrimas desespero com as mãos. Não demorou muito para que sentisse a mão de Connor sobre meu ombro.
– Tá tudo bem? – ele perguntou com um ar preocupado
– Se está tudo bem? – murmurei tirando as mãos do rosto e lhe mostrando meu rosto vermelho e molhado. A cara que ele fez me deixou extremamente irritada. – SE ESTÁ TUDO BEM?! TUDO O QUE EU ACREDITAVA SER APENAS FICÇÃO SE REVELOU REAL! EU ACABEI DE SER ATACADA POR UMA MALDITA MANTÍCORA QUE EU ACREDITAVA SER APENAS UM GAROTO BONITO E NORMAL QUE TAVA AFIM DE MIM! FORA O FATO DE EU DESCOBRIR QUE PROVAVELMENTE UMA DAS PESSOAS QUE EU ACREDITAVA SER MEU PARENTE DIRETO DE SANGUE ME ENGANOU POR TODOS ESSES ANOS E QUE PROVAVELMENTE SOU UMA MEIO-SANGUE, FILHA DE ALGUM DEUS OU DEUSA DA MITOLOGIA GREGA QUE NÃO DÁ A MÍNIMA PRA MIM E VOCÊ PERGUNTA SE EU ESTOU BEM?!
– Como assim “achava ser ficção”? – Connor perguntou confuso e eu lhe lancei um olhar mortal – OK. Esquece. Vou te levar pro Acampamento antes que o monstro acorde.
– Não posso ir a lugar algum sem avisar a minha mãe, primeiro. – suspirei. Peguei meus óculos de cima da mesa, os pus no rosto, tirei vinte e cinco dólares do bolso e pus na mesa onde Zack e eu havíamos nos sentado. – Não tenho ideia do que dizer a ela.
– Onde ela está? Posso te ajudar a pensar em uma mentira se quiser.
– Ela está na Cafeteria do outro lado da rua. Se me ajudar, te dou uma caixa de cookies de chocolate e um capuccino de graça.
Connor sorriu e começou a andar até a porta.
– Nem adianta tentar abri-la. – eu disse – Zack a trancou.
Connor me lançou um olhar travesso e pousou a mão na maçaneta da porta. Eu ouvi um “clic” e então a porta se abriu.
– Contemple a obra do filho do “Deus dos Ladrões”, mademoiselle. – ele disse, como se a habilidade de abrir trancas fosse algo extraordinário.
– Isso explica como você e seu irmão se tornaram os mestres das pegadinhas. – eu disse indiferente – Só pra constar, isso não foi um elogio.
Connor franziu as sobrancelhas quando falei de seu irmão, mas logo deu de ombros e saiu do restaurante comigo. Juntos, atravessamos a rua, correndo como loucos, pois o trânsito estava caótico e entramos na Cafeteria. Minha mãe estava atendendo um cliente e não havia sinal algum de Joana, o que significava que ela havia saído para almoçar.
– Mãe? – chamei – Mãe! MÃE!
Ela nem olhou para mim, apenas continuou a atender seu cliente tranquilamente. Caminhei até ela e balancei a mão na frente de seu rosto. Ela nem piscou. Olhei para Connor, confusa.
– Névoa. – ele disse – Acho que o monstro pensou na hipótese da sua fuga e estendeu a névoa até aqui. Achei que você era a sabe-tudo.
– Calado Stoll!
Tudo o que eu podia fazer então era ir para casa, arrumar minhas coisas e acompanhar Connor até o Acampamento. Isso é, se Zack não nos pegasse no caminho. Mas antes de fazer isso, eu me debrucei no balcão e peguei a caixinha dourada que Leo havia me deixado.
– O que é isso? – Connor perguntou apontando para a caixa
– Nada que seja da sua conta. – eu respondi – Agora vamos, tenho que ir em casa antes de irmos pro CHB.
O apartamento onde morávamos, eu e minha mãe, era no mesmo quarteirão. Na verdade, era atrás da Cafeteria. Tirei a chave de dentro do tênis (pois bolsa é algo que não existe pra mim) e abri a porta do apartamento. Connor entrou logo atrás de mim e eu mandei que ele ficasse na sala, não me seguisse e não mexesse em nada. Era bem óbvio que ele ia ignorar a última parte, mas... Enfim. Entrei no meu quarto, esvaziei minha mochila (jogando as coisas do colégio na cama) e abri meu armário, procurando o que eu precisava. Joguei na minha mochila: 3 calças jeans, 4 pares de meia, 10 camisas, 2 shorts, 2 bermudas, 2 pares de sapato, um par de chinelos, um maiô, um perfume, 100 dólares, meu estojo da escola, um caderno, três livros de bolso, meu notebook, meu celular devidamente desligado, lingerie, a caixa de flores de lótus, um saco com 20 dracmas, a enciclopédia de monstros, o cartão das caçadoras de Ártemis, a coleção de mitomagia, uma escova de cabelo azul, o álbum de fotos dos campistas do CHB, protetor solar e escova de dentes.
– Susan! – Connor chamou
– Espera um minuto! – gritei jogando meu urso de pelúcia dentro da mochila e correndo para a sala com a mochila nas costas – O que foi? O que aconteceu?
– Acabei de perceber que seu colar é de bronze celestial. – ele disse, com a corrente enrolada em sua mão
Automaticamente levei minha mão ao pescoço e não senti nada. Como ele havia feito aquilo?
– Me devolve isso, seu filho de um ciclope cego! – briguei, tomando o colar de sua mão e o pondo de volta no pescoço – O que mais você roubou?
– Nada. – ele disse com cara de inocente
– Ah é? Então esvazie os bolsos.
Ele tirou dois dracmas, vinte e cinco dólares, um clipe e papéis de bala e os pôs sobre a mesa.
– Agora puxe os fundos dos bolsos para fora. – mandei, de braços cruzados
Ele tirou mais um enfeite de estante em formato de coruja do bolso e um par de cabos USB. Então puxou os fundos dos bolsos.
– Tire os tênis. – eu disse pegando os objetos que ele havia roubado e os pondo no lugar
Ele descalçou seu par de all-stars surrados e eu vi dois objetos brilhando dentro deles. Era a aliança da minha mãe, que ela havia tirado para trabalhar e uma pulseira de ouro que Joana havia esquecido lá em casa.
– Mais alguma coisa? – ele perguntou mal-humorado – Não quer que eu tire a camisa para você ver se não há nada escondido no meu peito também?
– Quieto Connor Stoll! Se roubar mais alguma coisa minha, corto sua mão com uma faquinha de mesa.
Já que eu não podia falar com a minha mãe por causa da névoa, decidi que ia deixar-lhe pelo menos um bilhete. Peguei caneta e papel e escrevi assim:
Mãe,
Sei que nesse momento, a senhora está provavelmente igual a uma maluca a minha procura, mas eu estou bem.
Descobri coisas inacreditáveis no almoço de hoje e saí à procura delas. Levei minha mochila da escola e algumas roupas, caso a senhora ache estranho, e mais 100 dólares das minhas economias. Não se preocupe, volto para casa logo e prometo te ligar quando eu puder. Se meu celular der como desligado, não estranhe, eu preciso mantê-lo assim por enquanto.
Ah, ia me esquecendo. Será que a senhora pode devolver meus livros à biblioteca? O prazo final é até amanhã. Obrigada. :)
P.S.: Mais uma vez, não se preocupe. Estou bem. Tenho quem cuide de mim onde estou e não. Eu não fugi de casa. Não tenho motivos plausíveis para isso.
Quando terminei, chamei Connor e juntos descemos as escadas do meu prédio.
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