Notas iniciais
HA! Não foi de manhã faz foi hj ^^

– Aí, vamos falar com a RED? – sugeri

– RED? Quem?

– Rachel Elizabeth Dare. Apelidei-a assim por causa das iniciais do nome dela... E ela é ruiva e tals...

– Nossa... Nunca tinha pensado nisso... Mas vamos. Ela deve precisar de companhia.

Annabeth me levou até a gruta da Rachel e achei linda a cortina de contas que ela havia colocado na entrada, para substituir aquela de veludo vermelho com bordados de cobra de antes. As tochas também haviam sido retiradas assim como os ossos e as antigas espadas que Richard Riordan havia descrito do ponto de vista de Piper. A aparência anterior lembrava o sótão da Casa Grande onde a velha múmia habitava e que era tão assustador. Annabeth abriu a cortina, pôs a cabeça pra dentro e chamou:

– Rachel? Está aqui?

– Entra Annie! – uma voz respondeu

A voz que havia respondido tinha um leve sotaque que identifiquei como sendo espanhol. Campista, amiga de Rachel que é espanhola? Não me lembro de ninguém assim...

Annabeth foi entrando e eu a segui, ajeitando meus óculos que haviam escorregado para a ponta do meu nariz. Sentada em um poof verde havia uma garota de olhos verdes e cabelos encaracolados cor de mel que iam até um pouco abaixo de seus ombros. Ela usava jeans, uma camisa do Acampamento com um discreto decote em “V” e um par de all-stars surrados. Sua pele branca tinha um tom rosado e ela parecia ser bem mais alta que eu.

– Oi. – eu disse

– Ahn... Oi. – ela franziu o cenho e olhou pra Annabeth – Quem é ela?

– O nome dela é Susanna e ela é nova aqui no Acampamento. – Annabeth respondeu por mim – Susan, essa é Lorena Corelli, filha de Perséfone.

– Filha de... Perséfone? Como assim? Perséfone também tem filhos meios-sangues?

– Você está me vendo, não está? Então eu obviamente existo. – Lorena respondeu mal humorada

– Perdón, chica, pero es raro su madre tener una hija.

– Tu hablas mi idioma?

– Só um pouquinho. Fiz dois anos de espanhol na escola. Você é latino-americana?

– No, yo nací en Barcelona y vivo en EUA desde que tenía 10 años. Llegué al campamento cuando tenía 13 años y ahora tengo 16 años. (Não, eu nasci em Barcelona e vivo nos EUA desde que tinha 10 anos. Vim para o Acampamento quando tinha 13 anos e agora tenho 16).

– Y tu padre?

– Yo no sé.

– No sabes?

– No veo a mi padre desde que llegué aquí. Él desaparece. (Não vejo meu pai desde que cheguei aqui. Ele desapareceu).

– Lo siento. (Sinto muito)

– Será que vocês podem, por favor, falar em inglês? – alguém pediu

Virei na direção do som da voz e me deparei com uma garota ruiva, com olhos verdes, sardas nas bochechas e uma calça jeans manchada de tintas coloridas nos observando, com as mãos na cintura. Seu cabelo parecia tão cheio quanto o da Merida do filme Valente.

– Rachel! Olá! – sorri e acenei

– Olá campista nova cujo nome não sei. – ela franziu o cenho e olhou para Annabeth

– Meu nome é Susanna, mas pode chamar de Susan.

– Ah sim! A menina do Connor!

– Opa! Peraí! Como assim “menina do Connor”?

– Ué, você não é namorada dele? – Lorena levantou uma sobrancelha

– O QUÊ?! DE ONDE VOCÊS TIRARAM ESSA IDEIA?!

– Não grite, por favor... – Rachel pediu, se encolhendo

– Todo mundo no Acampamento está dizendo isso...

Virei-me para encarar Annabeth, acusadoramente.

– Por que você não me contou isso?

– Porque achei que fosse verdade. – ela corou

– Mas não é! Conheci Connor há cinco dias! Como poderíamos ser namorados? Ele é só meu amigo!

– Pode até ser, mas não é o que parece. – Lorena disse, brincando com uma flor de laranjeira que fizera surgir do nada

– Como assim?

– O Acampamento nunca viu Connor tão preocupado com algo ou alguém até você aparecer. Ele virou noites ao lado da sua cama na enfermaria antes que Quíron finalmente o mandasse ir dormir. Aí ele ficou perturbando Butch e Miranda pra que eles dissessem se você estava bem ou não. Até Travis ficou dizendo que achando que algum ET tinha trocado de lugar com seu irmão.

– Pois é. Ele veio me perturbar umas 10 vezes também pra saber se eu conseguia ver seu destino. – Rachel suspirou – Já foi falar com ele?

– Ainda não. Primeiro quero saber de tudo.

– Connor fica dizendo lá no chalé que você é muito valente e inteligente. Diz que você daria uma espadachim tão boa quanto Luke foi um dia. – Lorena continuou, de costas pra mim, ignorando qualquer coisa que eu dizia

– Eu queria saber por que Richard Riordan nunca te citou antes... – pensei alto

– O quê? Quem? – ela franziu o cenho

– Nada.

Um silêncio constrangedor se instalou no recinto e Rachel levantou uma sobrancelha para Annabeth. Como resposta, esta apenas suspirou.

– Bom... Eu vou voltar pro meu chalé e ver se ninguém me roubou nada. – Lorena disse quebrando o gelo – Hasta la vista, baby.

– Perséfone tem chalé? – perguntei

– Ainda não. Estou terminando de projetá-lo. – Annabeth respondeu – Lorena foi reclamada há pouco tempo. Achávamos que ele era filha de Deméter.

– Ah...

– Quem me dera ser filha de Deméter... – ouvi Lorena resmungar já do lado de fora da gruta

– Quem é Richard Riordan? – Rachel perguntou do nada

Novamente tive que contar a mesma história. Rachel me olhou com interesse e quando falei sobre a Batalha de Manhattan, ela corou ligeiramente. Ela sabia que eu sabia que ela tinha beijado Percy.

Quando acabei a história, começamos a conversar sobre coisas bobas e engraçadas como a escova de cabelo azul que Rachel jogara no nariz de Cronos ou quando Annabeth ficou xingando a si mesma por ter se esquecido de arrumar sua cama no dia que ela mesma tinha que fazer a revista dos chalés. Evitei a todo custo que o assunto citasse Percy, pois não queria criar uma situação insuportável ali e consegui com sucesso. Rimos muito de tudo e eu contei a elas também sobre as minhas reações de leitora, o que as fez rir ainda mais.

Estávamos tão felizes rindo, que não percebemos que agora estávamos em 4 e não mais em 3. Até a mão pesar sobre o meu ombro.

Notas finais
Quem tá querendo saber quem é o quarto?