Como Assim Apocalipse Zumbi?
31 Um dia normal no fim do mundo.
Notas iniciais
Eu já tinha ido à alguns casamentos, mas nunca tinha participado da organização de nenhum, e mesmo no fim do mundo era um trabalho enorme, as meninas queriam que tivesse tudo o que tinha direito, e foi por isso que fomos “as compras” depois do almoço, nós saímos e nenhum dos meninos estava exatamente animado em ir conosco, então não fizemos questão da companhia de ninguém, nós sabíamos nos defender muito bem se quer saber.
Passamos a tarde fora escolhendo roupas (essa com certeza foi a parte que mais demorou, e nem conseguimos pegar tudo de uma única vez) pra gente e para os meninos, eles iam adorar (só que não) e estávamos tentado pegar o que desse para a decoração, já havíamos decidido que a cerimônia ia ser no jardim, era um risco, claro, mas todos tínhamos concordado que valia a pena, mesmo que talvez contássemos com alguma surpresa indesejada.
Gastamos uma semana pra organizar tudo, Clary e Rose tinham virado verdadeiras maquinas de decoração, transformando tecidos e fitas em lindas cortinas e flores de plástico meio sujas em lindos arranjos, Ben e Amy também pareciam ter declarado trégua e às vezes sumiam em seus quartos aprontando o que eles estavam chamando de “surpresa”, mas o que era, só Deus sabia. Quando o “grande dia” chegou eu estava incrivelmente nervosa, a coisa toda nem era oficial, mas eu tinha me transformado em um pilha de nervos, era como Clary dizia, podia não ser do jeito tradicional, mas ainda era o meu casamento, então era normal eu estar nervosa.
— Precisa realmente disso tudo? – perguntei enquanto Clary arrumava meu cabelo, ela estava linda em seu vestido amarelo e parecia incrivelmente satisfeita, o que não era pra menos, afinal, pelo que eu soube o jardim estava lindo, isso mesmo, eles não me deixaram ir lá atrás ver, a morena que arrumava meu cabelo tinha dito que era uma surpresa, então não tive muito mais o que argumentar.
— Claro que precisa – ela revirou os olhos como se fosse obvio – Se meu cabelo fosse grande o suficiente também o estaria arrumando.
— Quando? – perguntei divertida. – Você não arrumou o da Amy? E antes disso o da Rose?
A morena que insistia em ajeitar o enfeite em meu cabelo riu.
— Minha mãe era cabeleireira, então eu meio que gosto de fazer isso. E olha ai, o seu também está pronto e você ficou linda.
Olhei no espelho e sorri, fazia tempo que eu não me arrumava assim, estava me sentindo incrivelmente linda, o vestido discreto e delicado que eu usava parecia ter sido feito para a ocasião.
— Obrigada Clary, obrigada mesmo.
— Você merece – ela sorriu me abraçando. – Agora pode esperar quietinha bem aqui – ela apontou para cama e foi em direção à porta. — E não ouse destruir minha obra de arte, vou ver a quantas anda a arrumação do pessoal.
— E eu vou ficar aqui?
— Isso mesmo – a morena piscou pra mim e saiu do quarto.
Suspirei e cogitei a ideia de ir atrás dela, mas como era bem provável de eu apanhar se o fizesse resolvi esperar onde estava mesmo, fui até o espelho e me olhei pela milésima vez, não podia mentir eu tinha amado o “dia de noiva”, poder me arrumar como uma adolescente normal outra vez, nem que fosse por um dia, tinha me deixado incrivelmente feliz e eu sabia que toda essa comoção por causa do casamento havia feito bem a todo mundo, estávamos precisando disso, algo banal e familiar com o qual nos preocupar, uma preocupação não para nos deixar apreensivos e com medo, mas uma que nos fizesse rir e nos deixasse na expectativa quanto ao amanhã.
Acabei rindo sozinha enquanto me lembrava da nossa discussão da semana passada, estávamos jantando depois de chegar da loja de departamentos e Clary de repente sorriu de forma sugestiva na nossa direção (minha e de Alex).
— Então – começou ela toda inocente – Quem vão ser os padrinhos de vocês?
— Como? – perguntei sem entender e ela deu de ombros.
— Nós somos muitos, dá pra vocês terem ao menos um casal de padrinhos cada um – a morena sorriu. – Então, quem vai ser?
Eu e Alex nos entreolhamos na mesma hora em que finalmente entendendo o que ela queria dizer, afinal, nós meio que sabíamos quem o outro queria como padrinhos.
— Mas ele é meu melhor amigo – ele argumentou, e sim, nós literalmente tínhamos começado a discussão pela metade.
— E ela a minha – dei de ombros. – Não quero saber, se eu não posso tê-los você também, não!
— Bem, não é como se eles precisassem ficar juntos pra isso – meu noivo sorriu e eu entendi aonde ele queria chegar.
— Pode ser – sorri também – Afinal, tem muitas pessoas incríveis para o “cargo”.
— Do que raios vocês estão falando? – Meg perguntou. – Isso ao menos foi uma conversa?
Eu e Alex rimos e nos viramos para o pessoal.
— Foi sim – ele garantiu e se virou para o melhor amigo – Dylan, você e Clary querem ser os meus padrinhos?
— Como? – o moreno perguntou parecendo surpreso.
— Vocês são meus melhores amigos, então pra mim isso ia ser incrível.
— Claro – Dylan sorriu e eles se abraçaram com direito àquele tapinha nas costas típicos dos garotos.
— Eu aceito, com certeza! – Calry sorriu e abraçou Alex também.
— E eu? – Meg perguntou parecendo meio ofendida assim que os morenos se separaram.
Eu ri.
— Se você me deixasse falar, eu diria que quero você como minha madrinha – disse a ela e seus olhos brilharam. – Então Megan Mazonni, você aceita?
— Se você não ficar por ai me chamando pelo meu nome todo – ela fez uma careta e logo depois sorriu. – É claro que eu aceito! – ela sorriu e nós nos abraçamos também.
— Você quer acompanhá-la, Ben? – perguntei depois de me separar de Meg e o loirinho arregalou os olhos azuis pra mim.
— Eu?
— Claro – sorri. – Não consigo pensar em ninguém melhor.
— Eu quero! – ele disse depois de uns segundos – Eu quero muito!
— Eu também quero! – Amy fez bico e eu ri e fui até ela e a abracei depois de cumprimentar Ben.
— É claro que eu não me esqueci de você – garanti sorrindo. – Afinal, meus pirralhos são dois – disse divertida ela riu. – Você quer ser minha dama de honra, Amy?
— Dama de honra? – perguntou animada e eu beijei a ponta do seu nariz e riu e me abraçou de volta. – Eu quero muito!
— Então está resolvido – Alex sorriu – Tudo resolvido.
— Ainda não – discordei depois de soltar Amy.
— Como assim “ainda não”?
— Bem, já que vamos fazer, vamos fazer direito – disse e me virei para Rose. – Você celebraria a cerimônia pra nós? – perguntei a ela e a morena pareceu surpresa com o convite, o que não é pra menos.
— Você quer que eu celebre a cerimônia?
— Claro – sorri – Alex, o que acha? – perguntei me virando para o meu noivo.
— Acho perfeito, não tem ninguém melhor para isso que você – ele garantiu e eu vi os olhos de Rose marejarem.
— Vai ser uma honra – ela sorriu e nos abraçou – Uma honra.
— E Max – chamei assim que Rose nos soltou e me virei para o moreno – Eu tenho um pedido muito importante para fazer, você me acompanharia até o altar?
Acho que de todas as reações a de Max foi a mais surpresa de todas, o que não era pra menos, nunca fomos os melhores amigos, mas eu tinha certeza do que queria, ele tinha um coração enorme e tudo o que tinha dito e feito até agora foi para proteger a sua família, a nossa família, então eu queria que ele fizesse isso por mim, se Rose era nossa “mãe” então com certeza Max era o “paizão” dessa família incrivelmente incomum.
— Eu? – ele perguntou quando finalmente recuperou a voz.
— Você – garanti sorrindo. – Então, me acompanha?
— Claro – ele sorriu. – Com todo o prazer.
— Acho que agora é tudo – comentei por fim. – E desculpa Jake, mas não sobrou papel nenhum pra você.
— Já imaginava – ele sorriu. – Mas pensem pelo lado positivo, eu pelo menos fui convidado.
— Idiota – disse divertida e atirei uma almofada nele, o pessoal riu.
— Liz? – uma voz me trouxe de volta a realidade. – Você está ai?
— Eu tô aqui, Amy – respondi divertida. – O que foi?
— Me ajuda com o laço do meu vestido? Clary tá lá embaixo arrumando a decoração de novo, Rose tá ajudando os meninos com as gravatas e Meg tá arrumando o cabelo, então só sobrou você.
— Nossa, bom saber que eu sou sua ultima opção – fiz drama. – Pode entrar.
A ruivinha entrou rindo e eu sorri pra ela também, seu vestido verde com detalhes dourados combinava com ela e com seus olhos da mesma cor. Ela veio até mim e parou de costas na minha frente.
— Você não é a ultima opção – Amy comentou enquanto eu ajeitava seu laço – Eu só não queria te atrapalhar.
— Não é como se eu estivesse fazendo alguma coisa – comentei divertida. – Pronto. Está linda.
— Obrigada – ela disse se virando pra me encarar. – Você também está muito linda! A noiva mais bonita que já vi!
— Exagerada – comentei e ela negou com a cabeça.
— Só estou dizendo a verdade.
— Ta bom, mas e esse casamento, sai hoje ou não?
Ela abriu a boca para falar, mas quem respondeu foi uma morena muito bonita em um incrível vestido vermelho.
— Tudo pronto, então sai hoje sim – Meg respondeu divertida entrando no quarto, dizer que ela estava bonita era pouco, Dylan com certeza teria um infarto quando a visse, disso eu tinha certeza. – Vamos?
— Com todo o prazer – disse e nós finalmente seguimos para fora do quarto.
Era estranho seguir pelo corredor e não encontrar ninguém, essa casa não ficava vazia assim desde os tempos em que eram só eu, Amy e Ben. Seguimos pelas escadas até a cozinha, a cerimônia seria no jardim dos fundos, encontramos Max parado lá com um sorriso e o paletó preto e sem a gravata que já tinha causado várias discussões com a esposa, então ou ele ganhou ou Rose desistiu, qualquer que fosse a opção, ele parecia muito satisfeito.
— Você está linda, Liz – ele disse assim que entrei na cozinha.
— Obrigada. E obrigada também por estar fazendo isso por mim – agradeci.
— É um prazer, você merece.
— Eu vou indo então – Meg disse seguindo pela porta. – Quando ouvirem a música podem sair.
— Música? Que música? – perguntei surpresa.
— Você vai ver – ela garantiu e saiu da cozinha antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa.
— Vocês estão sabendo de alguma coisa? – perguntei a Max e Amy e cada um deles olhou em uma direção diferente. – Traidores. Vamos indo?
— Não! Espera! – Amy disse de repente me assustando. – A música ainda não começou e ele está vindo.
— Ele? – perguntei sem entender, de novo. Era impressão minha ou eu não tinha mais ideia do que estava acontecendo?
— Aqui! Cheguei! – Ben exclamou entrando na cozinha como uma bala e parando ofegante na minha frente. – Aqui – ele repetiu – Pra você.
Eu encarei o buquê de flores vermelhas que o loiro tinha na mão sem entender.
— Pra mim?
— É, pra você – Amy garntiu. – É um presente nosso, uma noiva não pode casar sem buquê.
— Vocês quem fizeram? – perguntei emocionada e eles assentiram, isso foi o que bastou para eu os abraçar o mais forte que consegui. – Obrigada, pirralhos, muito obrigada mesmo.
— Agora você está pronta – Ben garantiu – Te vejo no altar – disse e saiu pela porta. Se esse povo continuasse a me surpreender assim eu ia acabar chorando antes da hora (estava ficando muito mole mesmo!).
Esperei pela música, não tinha muita certeza do que esperava ouvir, mas nada me preparou para o que tocou, quando a melodia alcançou meus ouvidos eu sorri, de todas as músicas imagináveis, é claro que escolheriam a que mais combinava com o momento e consequentemente a uma das poucas que eu tinha ouvido recentemente. A música era perfeita.
It's a beautiful night (É uma bela noite)
We're looking for something dumb to do (Estamos à procura de algo bobo para fazer)
Hey, baby (Ei, querida)
I think I wanna marry you (Eu acho que quero me casar com você)
Is it the look in your eyes (É esse seu olhar)
Or is it this dancing juice? (Ou é essa bebida?)
Who cares, baby? (Quem se importa, querida?)
I think I wanna marry you (Eu acho que quero me casar com você)
Quando eu finalmente sai da cozinha com Max ao meu lado e Amy a minha frente, o que me esperava do lado de fora me pegou de surpresa, a decoração estava linda, as meninas de algum jeito tinham até conseguido um arco e o enfeitado com flores e cortinas, haviam duas cadeiras de cada lado e aquilo me fez sorrir, no fim, as únicas pessoas a se sentarem seriam Max, Amy e Jake, o resto ficaria de pé, mas havia também uma cadeira ao lado de Clary, mesmo que a morena insistisse em ficar de pé, Dylan sorriu pra mim ao lado de Meg e eu sorri de volta, mas quando meus olhos encontraram os azuis de Alex o mundo parou por um instante. Ele estava lindo e era meu, todinho meu. A música continuou tocando enquanto eu caminha na direção da melhor e mais normal parte da minha vida.
Well, I know this little chapel (Bom, eu conheço esta capelinha)
On the boulevard (Na avenida)
We can go (Nós podemos ir)
No one will know (Ninguém vai saber)
Oh, come on, girl (Oh, vamos lá, garota)
Who cares if we're trashed? (Quem liga se nós estamos bêbados?)
Got a pocket full of cash (Eu tenho um bolso cheio de grana)
We can blow (Podemos gastar)
Shots of patron (Doses de Patron)
And it's on, girl (E tá valendo, garota)
Don't say no, no, no, no, no (Não diga não, não, não, não, não)
Just say yeah, yeah, yeah, yeah, yeah (Basta dizer sim, sim, sim, sim, sim)
And we'll go, go, go, go, go (E nós iremos, iremos, iremos, iremos, iremos)
If you're ready like I'm ready... (Se você estiver pronta como eu estou pronto...)
Quando eu finalmente alcancei Alex tive a impressão que havia se passado uma eternidade, ele sorriu pra mim assim que nós demos as mãos.
— Você está linda.
— Você também – garanti.
— Essa é a primeira vez que eu faço algo assim – Rose começou sorrindo, ela estava parada de frente pra nós e parecia prestes a chorar, Clary já tinha pulado a parte do “prestes” e estava chorando mesmo. – Não sei bem por onde começar ou o que dizer, mas acho que todos sabemos por que estamos aqui hoje. É para celebrar o amor desse casal lindo e incrível que indo contra toda a nossa realidade resolveu viver cada segundo como sendo o último, ou talvez o primeiro, acho que a forma de encarar isso tem a ver com a forma que você encara a vida, principalmente a nossa, aqui, no mundo em que estamos, temos que viver tudo o que podemos da melhor forma que conseguimos. Celebrando os pequenos momentos, coletando boas memórias e cultivando o amor. Assim sendo, gostaria de perguntar se você, Elizabeth Mary James aceita Alexander Bryan Becker com seu legitimo esposo?
— Aceito – disse com os olhos marejados, a essa altura do campeonato Rose não estava fazendo mais nenhum esforço em não chorar, mas apesar das lágrimas seu sorriso estava lindo.
— E você Alex, aceita a Liz como sua legitima esposa?
— Aceito – o moreno sorriu pra mim. – Aceito com certeza.
— Então, eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva – Rose disse sorrindo e Alex fez exatamente isso enquanto o pessoal batia palmas, se existia felicidade maior que essa eu não conhecia.
O resto da nossa festa foi bem animada, os meninos tinham arrumado um aparelho de som, sabe-se Deus de onde e colocaram os CD’s que tínhamos no carro pra tocar, mesmo que o barulho atraísse as gelatinas verdes, por hoje valia o esforço de tirá-las da cerca mais tarde, tínhamos também sopa, suco e até umas latas de cerveja, cortesia de Jake e Dylan que foram atrás de arame para a cerca e voltaram com uma caixa delas. Nós rimos, dançamos e por uma tarde não estávamos no fim do mundo, estávamos apenas em uma festa nos divertindo, éramos apenas pessoas normais sonhando com um futuro melhor.
Depois disso os dias e meses se passaram num borrão de felicidade e sorrisos misturados com eventos da nossa realidade, como, por exemplo, sairmos para buscar comida, água e armas, tinham até alguns eventos novos como compras para o bebê da Clary, que a cada dia parecia maior e mais impaciente para sair de onde estava. A única parte ruim nisso era que não podíamos pegar nada “rosa de mais” ou “azul de mais” como dizia a futura mamãe, não dava pra saber se era menino ou menina até que nascesse, e isso frustrava um pouco os planos meus, da Rose e da Meg de pegar tudo o que dessa para ele. Precisar o mês de gravidez de Clary era outro problema, ela dizia saber, mas agora que os últimos meses estavam chagando estava cada vez mais difícil ter certeza se ainda faltavam dois meses ou apenas algumas semanas para o bebê nascer.
De qualquer forma, nossa vida normal ou o mais perto do que podia ser considerado normal no fim do mundo, estava a todo vapor.
— Amor, o que exatamente você está fazendo ai, de novo? – Alex perguntou me fazendo desviar os olhos do livro que eu estava lendo e o encarar. – O que exatamente você está fazendo escondida no escritório?
— Não estou escondida – garanti revirando os olhos — Só estou lendo e aconteceu de ser aqui.
— Você devia tentar mentir um pouco melhor – ele sorriu e se baixou para me beijar eu acabei por sorrir também. Ok, talvez fosse verdade que eu estava escondida aqui no escritório lendo. Mas eu tinha um bom motivo, e ele se chamava Clary, na verdade o motivo não era bem ela e sim o parto dela, que alguém, no caso eu, teria que fazer. Nisso que dava ser médica, ou o mais perto disso que existia atualmente. Não ia mentir, eu estava apavorada com a ideia de fazer um parto, Rose até tinha dito que me ajudaria, mas eu sabia que no fim era eu quem tinha que saber. E como ler me acalmava, eu tinha juntado todo tipo de livro sobre anatomia, ciências e saúde que achei e os lia quase obsessivamente na tentativa de entender melhor o que eu tinha que fazer, cadê o Google quando mais se precisa dele? – Liz? – meu marido me chamou me trazendo de volta, acabei rindo sozinha.
— O que?
— Você ainda não me disse o que está fazendo aqui – ele lembrou. – Está se escondendo ou não?
— Não! É claro que não. Bem, mais ou menos. Tudo bem, talvez eu esteja – admiti e ele riu. – Eu estou morrendo de medo de ter que ajudar Clary a ter o bebê.
— Entendo – ele disse serio, mas logo depois um meio sorriso surgiu em seus lábios. – Mas aposto que Clary está mais apavorada que você. Já pensou ter que depender de alguém que nunca fez um parto na vida para te ajudar com seu bebê?
Eu ri e ele me beijou outra vez.
— Aposto que as duas vão saber o que fazer na hora – ele disse e eu desejei muito que isso fosse verdade, por que suturas, curativos e até pequenas cirurgias eu conseguia fazer, mas um parto? Isso não estava em meu dotes medicinais. Estava prestes a levantar outro tópico meio pessimista em nossa conversa quando um grito me interrompeu.
— O que foi isso? – perguntei ficando de pé e Alex me acompanhou.
— Fogo! – Ben gritou da cozinha e eu paralisei, o que ele disse? Por favor, não seja o que eu acho que é, era isso que eu pensava enquanto corria com Alex em direção à cozinha.
Mas era exatamente o que eu achava que estava me esperando lá. Enormes labaredas de fogo engoliam minha porcelana, as cortinas e metade da cozinha. Havia fogo por todo lado.
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