Como Assim Apocalipse Zumbi?
25 Tudo isso por causa de um xixi.
Notas iniciais
Dylan e Meg foram os primeiros a se recuperarem do susto inicial que o nosso encontro repentino causou. A morena ficou de pé ofegante levando o namorado consigo.
— Uma horda está vindo! – ela disse apressada arrastando o namorado pra cima enquanto eu sentia Alex me içar também – A gente tem que ir!
— Uma horda? Do que está falando? – perguntei sem entender.
— Uma hora Liz! – Dylan exclamou. – Então a gente corre agora, e conversa depois!
Alex e eu acabamos rindo e Dylan revirou os olhos, mas assim que ouvimos gravetos se partindo e arvores balançando do lugar de onde Dylan e Meg vieram, resolvemos seguir o conselho do moreno, nos viramos outra vez na direção da auto-estrada e corremos.
Nós desatamos a correr como se nossa vida dependesse disso e bem, dependia mesmo. A única parte boa dessa situação toda era que correndo assim eu não tinha tempo para sentir dor em meu ferimento.
Quando alcançamos à estrada e o jipe, Max continuava no mesmo lugar no banco do motorista, ele abriu a boca pra gritar comigo e Alex, mas parou assim que notou quem estava conosco.
— Dylan, Meg!? Mas como...? — ele perguntou surpreso e nós passamos direto por ele e entramos no jipe, eu achei que fosse morrer de dor quando bati o ombro na lateral de dentro dele, mas eu não tinha tempo pra isso.
— Vai Max! — berrei — Acelera!
— Mas... — ele tentou só que Dylan o interrompeu.
— Vai logo!
O grito do moreno e a horda de zumbis que começava a alcançar a estrada pareceram acordá-lo, Max deu partida e arrancou com tudo cantando pneu.
— Eu realmente odeio vocês — declarei tentando normalizar a respiração depois de uns minutos que Max tinha começado a dirigir. — Eu nem consegui fazer xixi! — reclamei e todos caíram na gargalhada, Meg que estava do meu lado me abraçou pelo pescoço.
— Eu definitivamente estava com saudades de você!
— Eu também! — garanti tentando abraça-la da melhor forma que consegui com um braço só. — Muita mesmo!
— Agora vocês vão me dizer como a Liz entrou no meio do mato para fazer xixi e saiu com a Meg e o Dylan? — Max perguntou do banco do motorista e eu corei, era meio ridículo tudo isso, sobretudo a parte em eu não consegui fazer o que queria.
— Eu não entrei lá por causa do xixi, eu ouvi Meg gritar e fui atrás, foi só isso, e agora vocês poderiam, por favor, parar de falar que eu não consegui fazer o que queria?
Todos riram outra vez e eu revirei os olhos enquanto Alex se inclinava na minha direção do banco do passageiro e me beijava. Nossa, eu realmente estava com saudades disso.
— Será que vocês poderiam parar com isso? — Dylan quis saber e Alex e eu rimos nos separando. — Liz o que foi isso no seu braço?
— Eu levei um tiro — respondi como se não fosse nada e o casal ao meu lado arregalou os olhos.
— Como é? — Meg perguntou surpresa e eu suspirei.
— Um maluco atirou em mim depois de eu ameaçar a filha dele — contei dando de ombros e fazendo uma careta de dor no processo. — É uma longa história.
— Ok, agora eu quero a versão completa — ela pediu. — Como vocês se encontram? Achei que você estivesse com... — ela se interrompeu com os olhos arregalados. — Ai meu Deus! Eu achei que Amy estivesse com você! Cadê ela!?
— Meg se acalme — pedi. — Por favor. A história é longa então respira fundo.
Eu tinha contado essa a mesma história ontem então não estava exatamente feliz em o fazer de novo, mas Meg estava a beira de um ataque, e eu entendia sua preocupação, entendia mesmo. E foi por isso que contei de novo o que aconteceu, e dessa vez não deixei de fora parte alguma, quando cheguei à parte em que encontrei os meninos, Alex narrou rapidamente como ele e Max saíram do bunker e me encontraram, quando finalmente cheguei ao fim eu já estava sem fôlego.
— Obrigada — Meg murmurou me abraçando outra vez. — Obrigada mesmo, Liz, por cuidar da Amy pra mim. E eu sinto muito por tudo o que você passou com aqueles idiotas.
— De nada — respondi sorrindo quando ela me soltou. — Mas pensando agora, eu sou até grata por eles terem me levado.
— Como? — Alex perguntou surpreso e eu sorri.
— Isso mesmo. Por que, pensem comigo, se eles não tivessem me levado eu nunca teria encontrado você e Max — disse olhando para o meu namorado. — E agora, se eu não estivesse aqui, nós nunca teríamos parado para o tal xixi que eu nunca fiz — disse divertida e eu pessoal riu. — E se não tivéssemos parado nunca toparíamos com Meg e Dylan, por que vocês passariam direito pela estrada e quando eles finalmente chegassem lá, não teria mais ninguém, então sim, vendo agora eu sou grata àqueles idiotas. Mesmo que eu saiba que Amy e Ben estão mortos de preocupação, fico feliz de estar aqui. Pelo simples fato de poder dizer a vocês que eles estão bem, que estão nos procurando que... — eu não notei que estava chorando até ver uma lágrima pingando em meu colo, a limpei sorrindo. — Que Amy é ótima com uma faca, que ela parece uma bailarina de filme de terror quando está matando zumbis e sim ela é muito boa nisso, que Ben é, acreditem ou não, um ótimo eletricista, e tem uma mão bem leve também e que parece ter feito de irritar Amy a missão da vida dele, que... Que eu estou morrendo de saudades deles e que aqueles pirralhos não são nem loucos de se machucarem sem eu estar lá para remendá-los e dar uma boa bronca neles! — parei para recuperar o fôlego e vi que todos me encaravam com um sorriso no rosto. — Desculpem, eu viajei.
— Não, não tem problema — Meg garantiu sorrido como se eu tivesse acabado de dizer que tinha achado a cura pra essa bagunça. — Obrigada mesmo!
— Já disse que não fiz nada — respondi revirando os olhos.
— Mas fez, fez muito — ela garantiu sorrindo.
— Por que ninguém te remendou? — Dylan quis saber olhando pra mim com curiosidade depois do momento meio dramático. Eu sorri divertida.
— Por que ainda não fiquei totalmente louca pra deixar Max ou Alex fazer isso e eu não tenho nada remotamente perto de ser equipamentos médicos aqui, na verdade acho que não temos nem água.
— Agora você me ofendeu — Alex colocou a mão sobre o peito de forma teatral. — Vai ver eu sou um médico incrível e você só não sabe disso.
— Duvido muito — comentei e o pessoal riu enquanto ele fazia uma careta.
— Mas falando sério, nós precisamos dar mesmo um jeito nisso – meu namorado comentou olhando o meu ferimento com curiosidade. — Não podemos deixar infeccionar.
— Eu posso te costurar — Meg se ofereceu sorrindo, alguma coisa me dizia que aquilo era só uma vingança pela sua perna daquela vez. — Só precisamos dos materiais.
— A médica nós já temos — Max disse divertido. — É um começo.
Continuamos seguindo para o sul enquanto analisávamos a nossa situação, não tínhamos suprimentos nem balas e o restante da água bebemos logo depois de seguirmos viagem, Meg e Dylan estavam um pouquinho melhor, eles não tinham comida, mas tinham duas garrafas grandes de água e um monte de balas que eles haviam encontrado por acaso dentro de um carro enquanto buscavam comida. Os garotos ficaram eufóricos com elas e eu só consegui me sentir frustrada por não estar com a minha AK.
Observei o pessoal com curiosidade enquanto conversavam entre si, eles eram os mesmos, mas ao mesmo tempo não eram mais. A familiaridade e o jeito como Max e Alex discutiam as nossas possibilidades de percursos era como se já tivesse feito aquilo várias vezes, e eu não duvidava na que fosse isso mesmo. Assim como Meg e Dylan ao meu lado no banco de trás, eu não tinha notado, mas ela estava meio sentada em cima dele e ele a abraçava como se já fosse algo natural, e devia ser mesmo, eles pareciam aqueles casais casados há várias décadas. E antes de nos separamos, lá no bunker, não era assim, sempre parecia que o casal indo rápido de mais éramos eu e Alex, e eu sei que parece ridículo e egoísta a essa altura do campeonato, mas eu estava com um pouco de inveja, Meg e Dylan passaram o último mês perdidos e fugindo sim, mas estavam um com o outro e eu por outro lado, tinha terminado com dois pirralhos irritantes, mas que eu tinha aprendido a amar. Ok, deixa pra lá, pensar no que podia ter sido não vai mudar nada.
— Qual o problema, Liz? — Meg perguntou me tirando dos meus pensamentos.
— Nada, por quê?
— Por que você está ai encarando eu e Dylan de um jeito bem assustador.
Eu acabei rindo, era bem provável que minha expressão não fosse das melhores mesmo.
— Eu juro que não é nada — garanti. — Eu só estava viajando aqui. — falei divertida e me virei para Alex — Alguma novidade?
— Não, continuamos tão certos de pra onde ir quanto meia hora atrás — ele suspirou e eu me senti mal, estava óbvio que essa falta de direção era culpa minha, que não sabia nem a diferença de norte e sul.
— Desculpa — murmurei e ele sorriu e me deu um selinho.
— A culpa não é sua, você está fazendo o que pode.
— Mas isso não impede de eu me sentir culpada por não poder ajudar mais — suspirei e três pares de olhos curiosos me encararam, acho que Max só não se juntou ao resto do pessoal por que estava dirigindo.
— Mais? — Meg perguntou surpresa. — Você já nos deu mais informação do que sonharíamos conseguir, que eles estão vivos e bem, que talvez, se formos para o sul nós os encontramos, até hoje de manhã eu não tinha nem ideia de nada disso. E você ainda diz que não ajudou em nada.
— Colocando assim... — murmurei e Meg riu.
— Pare de se cobrar tanto, você tem que descansar — ela avisou sorrindo. — Ordens médicas!
Eu acabei rindo, e talvez uma soneca não fosse fazer mal. Mas antes de fechar os olhos lembrei de uma coisa importante. Nós tínhamos contado a Meg e Dylan a nossa “aventura”, mas eles ainda não tinham contado a deles, como foi que, assim como nós, eles saíram do bunker e não toparam com ninguém?
— Vocês não chegaram a nos dizer como foi que saíram do bunker — Alex disse ecoando os meus pensamentos. — Onde estiveram esse tempo todo?
O casal se entreolhou sorrindo e Dylan suspirou.
— É uma longa história também — comentou e eu sorri.
— Ao que parece, temos muito tempo — disse apontam para a auto-estrada deserta. — Podem começar.
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