Como Assim Apocalipse Zumbi?
12 Calmaria de mais nem sempre é um bom sinal.
Notas iniciais
Um mês tinham se passado desde a nossa (minha e de Meg) chegada conturbada ao bunker, mas agora já era tão normal acordar e dar de cara com o pessoal discutindo por algo bobo, ou mesmo rindo de alguma piada idiota, que eu já não conseguia mais imaginar ficar sozinha, às vezes saiamos para buscar alguma coisa, nada muito importante, e a sensação se segurança era tão boa que às vezes eu quase esquecia como estava o mundo fora da nossa bolha, ou melhor, do nosso bunker.
E é claro que o meu “relacionamento” com o Alex ajudava, quer dizer, era muito bom ter alguém com quem fantasiar um mundo diferente ou mesmo abraçar quando eu tinha pesadelos com a minha mãe se transformando em uma daquelas gelatinas verdes. No fim, só dele estar ali eu já ficava melhor, eu sei que é clichê, mas é a verdade.
Nós ainda não tínhamos feito nada além de nos beijar, e não foi por falta de insistência do Alex e sim por falta de coragem da minha parte, Ok eu sei que posso morrer a qualquer momento, mas isso não muda o fato de que bem, vai ser a minha primeira vez, e sim eu não sai por ai me pegando com todo mundo só por que o mundo estava acabando não.
Meg e Dylan também estavam em um relacionamento, um dia depois de eu e Alex nos beijarmos no corredor, eu vi os dois se beijando — ou se engolindo, eu ainda não sei — perto da cozinha, é eu disse que eles iam acabar se pegando em uma hora ou outra.
Minha vida estava mais normal do que esteve nesses últimos meses, eu amava ler e agora podia estar lendo os livros que tinham aqui no bunker, eu também ajudava Rose com a comida, e não é querendo me gabar não, mas entre eu, Meg e Clary, eu sou a que cozinha melhor. Toda essa tranquilidade ainda me assustava um pouquinho, nos primeiros dias eu sempre achava que algo ia acontecer e toda essa tranquilidade ia acabar, mas no fim era só paranóia da minha cabeça.
— Pensando em que? – Alex perguntou me tirando dos meus devaneios, eu supostamente estava lavando as louças, mas meio que me perdi em pensamentos no meio do caminho.
— Pensando em como a minha vida mudou em um mês – disse sorrindo.
— Isso é bom, certo? – ele perguntou sorrindo.
— Com certeza! A melhor coisa que me aconteceu depois do fim do mundo foi ser atropelada por vocês – disse divertida.
— Nessa eu vou ter que concordar com você estressadinha – ele disse o apelidinho idiota e eu estreitei os olhos, ele riu da minha careta e depois me deu um selinho. – Mais tarde eu e Dylan vamos atrás de comida. – ele proferiu se afastando.
— Como assim mais tarde? – perguntei o encarando e acabando com a atmosfera divertida. – Já está escurecendo. Por que não foram mais cedo?
— Hei! Calma sargento, não vamos longe, no máximo até os carros abandonados mais adiante na auto-estrada. – ele garantiu e eu ergui a sobrancelha exigindo uma resposta para a minha segunda pergunta. – E não fomos mais cedo por que estávamos ajudando Max com as portas dos túneis.
— Portas dos túneis? – perguntei desviando a atenção do problema principal.
— Sim – ele deu de ombros – Aquela porta que nós usamos aquele dia pra sair não é a única, têm outras, mais umas cinco talvez, estávamos tentando deixá-las “utilizáveis” por assim dizer.
— Mas isso ainda não é desculpa, vocês podiam ter ido mais cedo!
— Tudo bem – ele ergueu as mãos em sinal de rendição – Já entendi, e nem sei mesmo se a gente vai hoje.
— Certo – desisti da discussão – Mas se você for mesmo me avisa, Ok?
Ele sorriu e me deu outro selinho.
— Com certeza. – garantiu – Agora vou atrás do Dylan pra ver o que ele decidiu.
Alex saiu e eu finalmente terminei meu serviço, mas a minha paz durou só alguns segundos.
— Então, o que temos para o jantar hoje? – escutei Clary perguntar atrás de mim. Me virei para encará-la e vi que ela estava comendo sucrilhos de uma vasilha como se fosse pipoca, a barrigada dela agora já era bem visível, também já estava de quatro meses.
— Boa pergunta – disse divertida. – Estava esperando a Rose chegar pra gente começar.
— E eu achando que já teria comida – ela reclamou e eu olhei para a vasilha de sucrilhos na sua mão, ela recuou. – Não me julgue Ok? Estou comendo por dois.
Eu ri e fui em direção as caixas em que ficava a comida atrás de algo que pudéssemos servir no jantar.
— Eu vou te ajudar – Clary anunciou – Mas primeiro preciso ir ao banheiro – ela fez uma careta e eu ri – Bexiga de grávida – reclamou e seguiu pelo corredor.
Eu comecei a remexer as latas procurando uma combinação que ficasse boa enquanto Clary não voltava e Rose não aparecia. Estava tão absorta em meu trabalho que os sons dos tiros me assustaram e me fizeram derrubar a lata que eu tinha na mão.
Meu coração começou a bater rápido de mais.
Os sons dos tiros ficaram mais altos e contínuos.
— Corram! Avisem as garotas! – ouvi a voz de Max e me obriguei a me mexer. Alguma coisa estava acontecendo e era uma coisa muito ruim.
Peguei a lata que eu tinha deixado cair no chão, pus no bolso do casaco e corri, só que na direção na direção dos tiros.
Não precisei ir longe, eles estavam na entrada de um dos túneis, ele estava cheio de zumbis, os três estavam tentando impedir que entrassem. Me aproximei, peguei minhas pistolas e comecei a atirar.
— O que está acontecendo? – perguntei acertando um deles bem no meio da testa.
— A porta cedeu – Alex explicou e atirou em mais dois – E eles entraram.
— Isso não está adiantando! – Dylan gritou – Vamos ficar sem balas antes de matar todos eles! E o barulho só vai atrair mais deles.
— A porta ficou aberta!? – perguntei agora em pânico. E Alex só assentiu.
— Vocês três corram! – Max gritou – Avisem as garotas, se escondam ou saiam daqui!
— Mas e você!? – Alex perguntou.
— Eu vou ficar bem! – ele garantiu e nós sabíamos que era mentira, mas não tivemos nem tempo de retrucar, alguém gritou e todos nos viramos um instante pra ver, mas foi o suficiente para tudo desandar.
Os zumbis avançaram, e eu peguei minha faca enterrei na cabeça de um deles, estávamos no meio de uma confusão enorme.
— Liz vai! – Alex me puxou e se colocou na minha frente.
— Mas e você!? – gritei em pânico.
— Nos encontramos na auto-estrada! – ele garantiu – Agora vai e avisa as garotas que é pra sair daqui! Agora!
Lhe dei um ultimo selinho e corri, tive que enfiar o cabo da minha pistola na cabeça de dois deles, mas cheguei perto dos quartos e a coisa não estava melhor, de algum modo eles tinham chegado aqui, Rose, Meg e Clary estavam de costas umas pra outras e Amy estava no meio delas.
— Que merda está acontecendo!? – Clary perguntou assim que me viu.
— A porta de um túnel cedeu e eles entraram. – expliquei enterrando minha faca na cabeça de um deles que tinha chegado perto de mais.
Clary parecia apavorava, mas tinha suas duas facas das tartarugas ninjas nas mãos e um olhar assassino no rosto. Deduzi que estava bem. Já Rose e Meg além surpresas e com sangue de zumbi no rosto (assim como eu provavelmente estava) não pareciam com muito medo. Mas Amy olhava a cena com verdadeiro horror.
— Temos que sair daqui! – gritei empurrando um deles e cravando minha faca no olho de outro.
— Sair? Como assim? – Rose perguntou decapitando um com o que me pareceu um facão.
Agarrei uma gelatina verde que tinha chegado perto de mais da Clary e o empurrei pra longe, mas um deles quase me arranhou no processo, dei uma cotovelada nele e enterrei minha faca de baixo pra cima em seu queixo.
— Só temos que sair – disse sem fôlego. – Agora!
Isso pareceu acordá-las e elas correram e eu fiz o mesmo, Rose, Clary e Amy foram para um lado do corredor buscar suas coisas e eu e Meg fomos para o outro. Entramos no nosso quarto e pegamos nossas mochilas em questão de minutos, juntei todas as minhas coisas e Meg fez o mesmo, Rose e as garotas também não perderam tempo.
Seguimos pelo corredor para nos encontrarmos com os garotos quando Amy parou de repente.
— Eu esqueci! – ela disse.
— Esqueceu o que tampinha? – Meg perguntou – Nós temos que ir!
— A foto! – Amy disse em pânico – A foto das nossas férias!
— Deixa isso nós temos que... – Mas ela não precisou terminar, Amy já tinha corrido de volta para os quartos. – Amy!
Meg fez menção em ir atrás dela, mas eu a parei.
— Você ainda não está em condições de correr – falei olhando para sua perna, Meg já tinha tirado os pontos mais ainda não estava 100%. – Eu vou – garanti a ela – Também tenho que pegar uma coisa – suspirei tocando meu pescoço e não encontrando o que queria – Nos encontramos na auto-estrada. É pra lá que eles estão indo, agora vão!
Corri em direção aos quartos sem esperar uma resposta, Amy precisava de mim e eu tinha que encontrar o colar da minha mãe.
Por algum milagre divino nenhuma gelatina verde pareceu ter encontrado Amy quando a alcancei ela já estava saindo do seu quarto com um pedaço de papel na mão.
— Liz? – ela perguntou surpresa.
— Fique aqui – disse pra ela – Volto em um segundo.
Não precisei mais que isso para encontrar o colar da minha mãe que eu nunca tirava do pescoço, mas que por alguma razão tinha quebrado o fecho essa manhã. O peguei e encontrei Amy do lado de fora do corredor que pra minha surpresa estava calmo, e calmo de mais.
— Liz? – Amy me chamou em pânico – Temos um problema.
— O que? – perguntei, mas não precisava, a horda de zumbis que vinha na nossa direção pelo caminho que devíamos seguir respondia a pergunta.
Por alguns segundo não soube o que fazer, só fiquei parada vendo os zumbis vindo na minha direção, mas para a minha sorte a parte do meu cérebro que ainda estava funcionando fez com que eu me mexesse.
— Vamos! – gritei agarrando o braça do Amy e começando a correr para o outro lado do corredor.
— Mas nós temos que ir pra lá! – ela gritou tentando se soltar.
— Não podemos! – gritei de volta apertando mais a minha mão em seu pulso.
— Mas a Meg, a Rose... – ela disse prestes a chorar – Nós não podemos...
— Amy – chamei assim que paramos por alguns minutos, ela me encarou com seus incríveis olhos verdes marejados. – Nós não podemos ir por lá, Ok? O pessoal vai fica bem, e nós também precisamos ficar bem para encontrá-los, certo?
— Sim, mas...
— Vamos encontrá-los na auto-estrada, Ok? – perguntei a interrompendo – Nós definitivamente vamos encontrá-los!
— Certo! – ela disse sorrindo e limpando as lagrimas.
Eu sorri também e nós voltamos a correr.
Mas nossa sorte só durou uns 30 segundos, por que depois disso, a coisa desandou mais (se é que era possível), e eu e Amy estávamos cercadas, uma horda de gelatinas verdes vinha atrás de nós e a outra apareceu do nada na nossa frente. Eu já estava com as minhas duas pistolas nas mãos, mas sabia que não tinha nem de longe munição suficiente para acabar com todos eles.
— O que nós vamos fazer agora? – Amy perguntou em pânico encolhendo do meu lado. Ela não tinha uma arma e isso era um problema.
— Eu não sei – murmurei prestes a deixar o pânico se apoderar de mim. O que podíamos fazer?
— Ali! – Amy exclamou de repente e eu estourei a cabeça de um zumbi que tinha se aproximado de mais.
— O que? – perguntei empurrando um deles com o braço.
— A porta – ela apontou para a parede que estava praticamente tomada e eu mal pude ver o contorno da porta – É uma saída, eu já vi Max e Dylan saindo por ali.
— Então é por lá mesmo – concordei lhe entregando a minha adaga – Enfie em qualquer parte de um zumbi que se aproximar de mais e não saia de perto de mim – disse e ela assentiu. Estávamos prontas.
Passar pelo mar de zumbis para chegar à porta nem foi a pior parte, eu estourei a cabeça de todos que consegui com as minhas pistolas e quando as balas acabaram eu peguei minha faca e continuei o furar a cabeça deles, e Amy se provou mais ágil do que eu imaginava, ela desviava deles com a agilidade e graciosidade de uma bailarina e isso me impressionou, e também ela os distraia o suficiente para que eu pudesse apunhalá-los sem que nem ao menos me notassem. O problema mesmo foi a porta que e emperrou assim que passamos e nos viramos para fechá-la.
— Não quer fechar! – Amy gemeu me ajudando.
— Só empurra! – disse enquanto empurrava a porta com uma mão e apunhalava um zumbi que tentava passar com a outra.
Em um momento o peso foi tanto que a porta realmente quase abriu, mas depois de uns 15 min. e muito problema nós finalmente conseguimos fechá-la e de brinde ainda decapitamos um zumbi, a cabeça dele rolou pelo corredor escuro e nós desabamos sentadas no chão.
— O que fazemos agora? – Amy perguntou ofegante.
— Primeiro recuperamos o fôlego – disse e ficamos em silencio por uns minutos, isso se não contar os gemidos estranhos da cabeça decapitada do zumbi a alguns centímetros de nós – Vamos? – perguntei depois de um tempo ficando de pé e pisando na cabeça do zumbi que mesmo sem um corpo ainda tentava nos alcançar.
— Vamos – Amy respondeu ficando de pé também e me estendendo a minha adaga de volta.
— Fique com ela por enquanto – disse e ela a prendeu em seu cinto. Olhei para o corredor escuro, liguei minha lanterna e suspirei, essa vai ser uma longa caminhada.
Amy e eu caminhamos pelo que me pareceu horas, nenhuma de nós sabia nada sobre os túneis e com certeza estávamos perdidas, mas nem mesmo cogitamos a ideia de voltar, tínhamos que sair do túnel e achar o pessoal.
Não abaixamos a guarda um minuto se quer, mas para nossa sorte as gelatinas verdes não tinham entrado em todos os túneis por que não vimos nenhuma. Quando chegamos ao que me pareceu outro beco sem saída algo me chamou a atenção, era um daqueles controles manuais que lembravam lemes de navios, preso ao que muito provavelmente era uma porta, mas só com a luz fraca da minha lanterna era difícil dizer.
— Me ajude – pedi a Amy indo em direção a porta e segurando a lanterna com a boca, Amy e eu fizemos força, mas ele nem se mexeu, só que eu não ia desistir assim, joguei todo o meu peso no controle e ele girou, forçamos mais um pouquinho e conseguimos abrir a porta, e assim que o fizemos a luz do sol quase me segou.
Estávamos livres e vivas, mas agora vinha a parte difícil, achar o pessoal, por que, assim que saímos eu olhei em volta e cheguei a conclusão de que não tinha nem ideia de onde estávamos.
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