Commedia Dell Arte (nome Temporário)
1 Capítulo 1 - nenhuma certeza - meio capítulo -
O cheiro daquele trailer trazia alegria aos seus moradores,as cortinas velhas exalavam tamanha quantidade de cheiro que eles pareciam ficar intoxicados. Aquele lugar onde moravam era rústico e tão natural quanto a época passada. Via-se mascaras em todo redor e de tantas cores que formavam o branco, e lá fora aqueles que ali moravam exibiam as suas artes.
Com sua forma grosseira, aquele garoto que deveria ter uns 15 anos,de cabelo todo preto,corpo esquálido e olhos pintados chamava a atenção das pessoas, e trazendo o bizarro,gritando e dizendo ser um deus que viera a terra salvar o mundo.
_ podem continuar não acreditando vossas senhorias,lhes darei minha prova em breve.
Uma senhora passou com uma face de nojo. O garoto apenas sorriu e entrou dentro naquele trailer.
Quando ouviu um barulho pensou ser Franchesca que estava lendo e de tanto disso dormiu. E estava certo.
_ que pensa que estava fazendo lá fora marujo?
_ ora,capitã,realmente pergunta o que eu estava fazendo?
A menina ignorou o comentário,mas ele a olhava toda vez que se virava e procurava mantimentos.
Os cabelos ruivos da garota caíam sutilmente sobre seu vestido,que estava sujo de tanto atuar.
E o garoto começou a andar gritando pelos outros moradores ignorando o fato de estarem todos cochilando depois de uma dolorosa noite.
_ levanta te. E começou a gritar.
_ garoto,não é porque hoje iremos a outro lugar é que deves nos acordar cedo esquecendo-se do que faz.
Para que tudo isso?
_ para o que há de haver hoje,jamais esqueça isso.
_ esquece-se de que é amanhã,não hoje, seu tolo. — Uma menininha pequena cheia de brincos disse enfurecida.
E vendo que todos ali estavam,pegou um apito e chamou o garoto que estava atrás da menininha. Que já aparentava ser um adulto,ou pelo menos,o mais velho deles. Mas ele nem precisou fazer isso,aquele foi direto a parte onde dirigia o trailer.
Ali não era mais o ano 1502,mas eles fingiam que eram,e viviam de sua arte,apenas dela.
Já estavam percorrendo a estrada que estava cheia de veículos e todos percorriam seus olhares para aquele trailer.
E uma garota dos cabelos espetados com laços brancos e a roupa como se fosse um véu de estrelas olhava pela janela maravilhada, e rindo de tudo o que via até que o garoto com formas grosseiras apareceu ao seu lado.
_ nunca vi vossa senhoria tão alegre. Devo acreditar que é a minha presença aqui?
_ nós vivemos aqui marujo,vejo você todo dia.
_ sim. Mas de que importa? você está demasiado alegre e eu quero saber o motivo.
- não é nada.
Os sorrisos se fecharam e estreitaram,ambos passaram a encarar fora da janela com extrema curiosidade que chamou atenção de Franchesca.
_ que tanto olham para fora?
Viraram-se bruscamente e coraram e pareciam estar tremendo. As mãos suadas da garota foram se encostando na parede e se esqueceu de onde estava,apenas por um momento,no outro,foi para o quarto.
O garoto olhou pra ela assustado e os olhos esbranquiçados da garota viraram-se ao outro lado.
Todos daquele trailer estavam ansiosos,pela primeira vez em suas vidas iriam se apresentar em um palco improvisado em uma grande cidade.
Franchesca estava sorrindo como nunca antes e olhou para a menininha quase gritando e depois disse em voz alta ao que estava dirigindo.
_ não era uma mentira esquálida sua quando disse que estávamos chegando. Ou era Diego?
_ não era donzela. Estamos aí.
Todos olhavam pela janela do carro,viam o quão movimentado aquilo era. Não conseguiam acreditar. Era ali mesmo onde viveriam agora? E sobreviveriam apenas de seus personagens que estavam cravados em si mesmo? Não sabiam nem por onde começar,mas foram a parte mais isolada da cidade. Não queriam ver aqueles monstros enormes no ar,realmente não queriam.
Assim que o trailer parou,apenas uns dos cinco que ali viviam saíram.
Franchesca carregava no seu colo a menininha e chamava dois outros.
_ Milla,Jukka,venham ver!
O garoto de faces grosseiras e a garota dos olhos esbranquiçados apareceram,mal quando saíram do veículo já tremeram, e sentiram um certo medo.
_ nossa,não acham isso grande demais para vivermos? Só escuto barulho.
_ ora,nós precisamos ao menos sair daquele inferno que era antes e fora que nunca viemos para cá Milla.
_ você considerava inferno o que fazíamos?
Antes de começarem a brigar a menininha segurou-os e separou educadamente.
_ isso não ajuda em nada,garotinha-sem-nome.
E assim se calaram e ficaram apenas sentindo o barulho quando o mais velho deles saiu de onde estava e olhou para fora como se estivesse ficado sem ar.
_ Não creio que até Diego se assustou. Posso realmente pular de uma cachoeira? – Jukka disse divertido com as faces do amigo. Mas o outro nem ouviu.
_ vou procurar minha máscara,temos que começar o que viemos fazer aqui.
Grosseiros olhares vinham a todo lado onde estavam, parecia que achavam eles algo não natural e estúpido, o que não era verdade, aquele trailer continha o mais puro amor e loucura que poderia existir num trailer, e independentemente de tudo, não se imaginavam vivendo em uma cidade, pois passaram anos e anos vivendo no interior e passando o não normal ao mundo. E agora estavam eles ali.
Tamanha alegria estavam que começaram a montar o palco para os espetáculos, Frenchesca teve de colocar um pano esdrúxulo que parecia com coisas não tão naturais, para esconder o sujo e usado palco de madeiro abaixo. Não foi trabalhoso, só Franchesca e Diego que trabalharam praticamente, todos os outros simplesmente dormiram, de um jeito estranho mas dormiram, e não se ouviu nada até o amanhecer.
Logo quando começou a escurecer, da pra ouvir a garotinha-sem-nome chorando, um pouco, e parecia estar com fome, e fez o Jukka correr achar algo para comer, mesmo ele não estando com fome e nem os outros.
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