Coming Home To You
4 Gunslinger
Notas iniciais
Eu fiz esse capitulo ouvindo Gunslinger e sério,deu uma vontade de chorar imensa IOSHIOSHSIO'
Espero que gostem e boa leitura.
A capa do cap pra quem quiser ver:
http://weheartit.com/entry/10258090
Acordei ao meio dia com um toque insistente de celular,atendi resmungando e era Synyster:
-E ai cara?Tudo bem?
-Tudo bem? A vá a merda Synyster,nada é bom quando alguém acorda a gente cedo.
-Cedo cara? Já é meio dia! – ele disse rindo e eu soltei alguns palavrões.
-Mas então..To ligando pra avisar que o ensaio vai ser as 5.
-Aaa tudo bem,mas pode ser aqui em casa hoje? – eu disse,estava com preguiça de sair.
-Tudo bem,eu aviso o pessoal. – ele disse
-Okey – eu disse e desliguei após ouvir a linha cair.
Voltei para a cama,mas não conseguia dormir.Algo me atormentava.Ver aquele rosto de Brooke,eu sabia que algo não estava bem.Ela não se sentia feliz,pelo menos não por completo.Eu sabia que uma perda era horrível,mas quando a perda é na sua frente e você não pode fazer nada é pior ainda.Ela tinha um ferida,algo que alguém deveria curar antes que fosse tarde.
Eu realmente tentaria,e se não funcionasse,pelo menos eu tentei.Faria aquilo em memória de Joe.
Hoje eu poderia começar a ensina-la a tocar bateria.Era perceptível que aquele sonho era uma das poucas alegrias que lhe restava e eu me esforçaria demais pra tornar aquilo real.Pode parecer besteira,mas eu sentia que tinha que protege-la.Ela poderia ter todo o treinamento do mundo,mas ainda era frágil,pelo menos por dentro.
Me levantei e fiquei vendo TV e comendo porcarias até as 4:30,depois tomei um banho e coloquei uma roupa decente e esperei até a campainha começar a tocar.
Dessa vez o pessoal veio todo junto e trazia um monte de bebidas.
Eu cumprimentei a todos,mas Brooke,Syn e Chelle demoraram um pouco.
Eles estavam ajudando Brooke a descer do carro,quando ela me viu olhando ela fez uma cara conformada.
-O que aconteceu? – eu disse chegando perto e preocupado – Você ta bem?
-To sim,é só que o ferimento deu uma complicada. – ela disse e Chelle fechou a cara.
-Uma complicada nada Brooke,a ferida do tiro vai infeccionar e você não quer ir ao médico – disse Chelle brava e eu fiquei muito mais preocupado,e ela lançou um olhar feio a Chelle.
-Beem,vamos entrar – disse Syn quebrando o clima.
Ele e Chelle entraram e eu fiquei encarando Brooke,ela me olhou,parecendo ler minha mente.
-Eu estou bem Jimmy,é sério.Não precisa se preocupar. – ela disse e deu um sorriso.
-Tudo bem,mas se isso piorar nós vamos ao médico okey? – eu disse e ela assentiu.
Quando ela foi andar,deu uma vacilada e quase caiu com uma cara de dor.
Eu a segurei e a conduzi até dentro de casa.
Quando ela viu as escadas que desciam para o estúdio murmurou um ‘oh,droga’ e eu ri.
Olhei pra ela pedindo permissão e ela revirou os olhos,então a peguei no colo e desci o lance de escadas a colocando no sofá dentro do estúdio.
Ela e Chelle ficaram vendo o ensaio e conversavam as vezes.Dessa vez tocamos Afterlife,Bat Country,Warmness on The Soul e Natural Born Killer.
Depois do ensaio,os meninos carregaram Brooke para cima e fomos beber um pouco.
-Hey,se você quiser podemos começar as aulas hoje –e disse me sentando ao lado de Brooke.
-Sério? Eu ia amar. – ela disse sorrindo e eu assenti.
-Ai você fica aqui e eu te ensino um pouco hoje e se você quiser as aulas podem ser depois dos ensaios. – eu disse e ela assentiu.
Um tempo depois Synyster veio chama-la:
-Vamos então Boo?
-Aaa,eu vou ficar,vou ter minha primeira aula de bateria – ela disse eufórica e nos fez rir.
-Okey,mas como você vai embora depois?
-Pode deixar que eu levo ela depois- eu disse e ele assentiu.
-Tudo bem então,a gente já vai indo.- disse Syn e todos foram pra porta.Brooke se levantou e caminhou até a porta com dificuldade se despedindo do pessoal.
-Juízo vocês dois viu? – disse Johnny malicioso e Brooke mostrou o dedo do meio pra ele,me fazendo rir.
Quando fechei a porta e me virei,lá estava ela.Com aquele olhar penetrante,aquela pele branca e lábios vermelhos carnudos.
Ela me olhou,sem jeito e eu disse:
-Então,vamos lá? – eu disse indo e descendo as escadas.
Depois me lembrei que ela não conseguiria descer.Olhei para cima e ela estava encostada no primeiro degrau,mordendo o lábio,tentando descer.
-Não. – eu disse subindo e levando ela de volta para a sala. – A gente só vai ter essa primeira aula quando você aceitar ir no hospital. – eu disse e ela me olhou brava.
-Eu não quero ir. – ela disse parecendo uma daquelas crianças resmungando.
-Então,me diz como vai tocar bateria machucada? – eu disse e ela abaixou a cabeça,falando algo como ‘droga’.
-Vamos Boo – eu disse sorrindo e ela levantou a cabeça rindo por eu usar seu apelido.
-Tudo bem,mas é só pela bateria. – ela disse e eu me levantei ajudando ela a ir pro carro. Quando eu abri a porta e fui colocá-la lá dentro ela disse:
-E nem pense em contar a alguém que eu aceitei ir no hospital. –ela disse autoritária e eu ri.
Quando eu coloquei ela no banco,nossos rosto acabaram por ficar perto demais.Eu podia sentir sua respiração com cheiro de menta e me controlei para sair dali e ir para o banco do motorista.
A viagem até o hospital foi tranqüila, acabamos por ligar o rádio e cantar junto com ele,rindo.Eu estacionei no hospital e vi Brooke ficar tensa.
-Tá tudo bem?
-Eu só não gosto muito de hospitais – ela disse.
Desci do carro,ajudando ela e quando chegamos a recepção ela pegou a minha mão,apertando.
Eu olhei para ela e ela me encarava assustada.
Eu a abracei de lado,e dei um beijo na sua testa e disse:
-Vai ficar tudo bem.
Falei com a moça da recepção,ela disse para aguardarmos e minutos depois um médico apareceu.
Ele iria examina-la.E ela não queria me soltar.
Eu peguei seu rosto coma s duas mãos e olhei em seus olhos dizendo:
-Vai ficar tudo bem,okey?Isso é para seu bem. – eu disse e ela assentiu.
Ela se soltou de mim,indo,mas me olhando as vezes meio com medo.
Me sentei em um dos bancos e fiquei esperando,batucando com os pés.
Pouco depois ela voltou.
-E ai? Foi tudo bem? – eu disse preocupado.
Ela parecia aliviada e disse:
-Ele fez uma lavagem que doeu demais,mas agora ta melhor.- ela disse e eu a conduzi para o carro.
-Por que uma lavagem? – eu disse confuso.
-Ainda tinha estilhaços da bala na ferida. – ela disse e eu assenti.
Liguei o carro e fui para a minha casa.
Ela entrou comigo de novo.
Eu me sentei no sofá e peguei algumas partituras.
Me sentei e ensinei os mecanismos da partitura e mais tarde quando ela conseguisse tocar sem dor,eu ensinaria a parte prática.
Ela pegava tudo fácil,era esperta e pelo que ela me falou sabia tocar violão.
Isso ajudava,o contato com a música era sempre bom.
Eu fui buscar mais algumas partituras e deixei ela no sofá da sala,quando voltei ela tinha a cabeça baixa e olhava para as chapas de identificação, triste.
-Tá tudo bem? – eu disse me sentando ao lado dela e ela ergue a cabeça,me olhando.
-Tá sim,é só que.. É difícil sem o seu irmão ao lado,é difícil você ver ele morrer na sua frente e não poder fazer nada para salva-lo. – ela disse e eu a encarei,vendo toda a tristeza que ela guardava dentro de si vindo a tona.
Eu me inclinei e a abracei,dando um beijo em sua testa.
-Ultimamente eu sei que tenho repetido muito isso,mas vai ficar tudo bem,você vai ficar bem.
-Eu não sei Jimmy,tudo aquilo ta muito aqui dentro de mim ainda.Você não tem noção de como as coisas são lá. – ela disse ainda abraçada a mim.
-Eu não sei mesmo,sei que deve ser difícil,mas também sei que não é bom a gente guardar tudo isso sozinho.Eu sou bom em escutar. – eu disse e rimos juntos.
Ela se separou um pouco de mim,mas sua mão ainda segurava a minha e por um momento seus olhos pareceram viajar.
-Um deserto escaldante no Vietnã,não sabíamos o que íamos encontrar,não sabíamos quem era o inimigo.Mesmo com todo aquele treinamento,na prática aquilo era muito duro.Mochilas muito pesadas e o nosso grupo andando,com armas nas mãos.Passamos por áreas onde a vida foi retirada por bombas,só aquela nuvem preta restou.Joe tentava me proteger daquilo,mas ele sabia que não podia.Estávamos sozinhos,Deus não estava com a gente.Passamos por cidades muito pobres,a ponto de crianças virem implorar comida que a gente não tinha também.Eu dividi minha ultima bolsa de água com um menino de 4 anos que não tinha mais esperança de vida.
Algumas áreas que nos mandavam explorar por rádio pareciam assustadoras, pessoas insanas com aquela guerra sem fim.De repente,o mundo começou a cair,bombas em volta e a gente correndo.Eu e Joe conseguimos sair para um lugar mais seguro,mas isso não impediu que o inimigo viesse com armas por terra.Eram 5 homens,todos vestidos com vários panos e um menininho atrás dele.Eu conversava com Joe enquanto ele recarregava a arma e de repente,ele me empurrou e eu só pude ouvir tiros.Quando me dei conta meu irmão estava no chão,baleado e morrendo.Foi imediato,me levantei e descarreguei minha arma naqueles homens,eu não me importei na hora.Isso me assustou muito,eu podia ter destruído famílias e eu não me importei,porque eles mataram Joe.Matei 2 e os outros 3 que estavam com armas mais fracas, eu consegui imobilizar,os prendi num tronco seco que tinha ali e comecei a perguntar.Cada pergunta que eles não respondiam eu atirava em alguma parte do seu corpo.Eles não me contaram pra quem trabalhavam e eu matei os dois,na hora de matar o terceiro,o menino que estava junto com eles e tinha se escondido pulou e implorou que eu não matasse o seu pai,ele falou aquilo em três línguas,desesperado.E tudo que eu pude fazer,foi atirar.Eu matei o pai do menino na frente dele e enquanto ele chorava a morte do pai, eu carreguei o corpo do meu irmão até achar novamente o meu grupo.Eu nunca fui tão fria assim.Eu me tornei um monstro.A verdade,é que eu só queria voltar para a casa com Joe e ficar segura,longe de tudo aquilo. – ela terminou a história e seu rosto agora era banhado por lágrimas.
Eu a abracei mais.A história era realmente horrível,mas eu não a condenaria,eu não conseguiria passar por essa situação.
-Você não é um monstro.E agora eu te prometo,eu vou te deixar segura. – eu disse e a olhei e ela me abraçou bem apertado,chorando mais.
-Obrigado,Jimmy.Eu achei que nunca conseguiria contar isso pra ninguém.Obrigado por me entender.
-Agora você é minha protegida e minha melhor amiga,eu vou estar sempre aqui,essa vai ser minha promessa a Joe. – eu disse mais falando comigo do que com ela.
-Foi uma guerra de muitas perdas – ela disse.
-Como assim? – eu disse não entendendo ,achei que era só o Joe.
-Meu namorado também era do grupo,mas a divisão dele ficou presa num lugar atacado pelas bombas e ele morreu.Brian,era o nome dele,me conheceu no alistamento,me ajudou muito em tudo,ele era do mesmo batalhão,mas ele foi designado para uma outra área quando eu e Joe fugimos do inimigo e eu não tive tempo de me despedir.Já o meu melhor amigo depois de Joe,o capitão Max,morreu por um alemão. – ela disse com seus olhos lacrimejando de novo e eu abracei.
-Eu vou ser seu melhor amigo daqui pra frente,você pode contar comigo,eu não vou te abandonar.
Ela sorriu para mim e ficamos mais um tempo lá,eu ensinava tudo para ela.
Depois quando já estava tarde,vi que ela estava cansada e a levei para o hotel.
Fomos no meu carro e quando chegamos lá,eu a levei até o seu apartamento,por cuidado,pois ela já andava melhor,realmente aquela lavagem fez bem.
Ela me contou que ficaria naquele hotel por pouco tempo,só estava mobiliando sua nova casa e logo se mudaria para lá.
Eu voltei para casa e tomei um banho,indo me deitar.Não sabia o que faria amanhã,mas tinha quase certeza que queria que ela estivesse nos meus planos.Eu passei a vê-la de um modo diferente,antes eu sabia que tinha uma ligação com ela,algo que não era pra se entender,agora eu sabia que tinha que protege-la.Não,eu não a via como uma irmã,eu a via como mulher mesmo,mas isso não impedia o meu sentimento de proteção.
Eu fiquei imaginando o que ela devia ter passado naquela guerra,ela era linda e tinha uma ótima forma física,mas ainda assim era frágil.
Foi em meio a esses pensamentos que eu cai no sono.
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