Coming Home
50 This is the beginning of the rest of your life FINAL CHAPTER
Notas iniciais
Emma descia as escadas com o mesmo terno que havia usado na primeira festa, onde conheceu Regina. Cora e Fiona estavam ao fundo da sala, acompanhadas por uma juíza, enquanto Zelena, Ruby, Gold, Snow, Henry e todos os outros conhecidos estavam em pé, ao lado do tapete vermelho que guiava os passos de Regina até um pequeno altar colocado no fundo da sala. Emma sorriu para Regina e foi descendo pé ante pé a escada, também com um tapete vermelho derramado sobre ela. Seus olhos sorriam até mais do que seu próprio sorriso.
Regina respirava com dificuldade, não conseguia controlar as batidas que pulsavam enlouquecidamente em seu peito, menos ainda conseguia controlar seu corpo inteiro que tremia. Encarou cada rosto dali e todos, absolutamente todos, sorriam. Ela começou a caminhar, tomando fôlego para ir adiante. Seus passos seguiam os de Emma e, após andar um pouco mais, as duas chegaram juntas ao altar. Regina nada conseguiu dizer ou fazer, permanecia conversando com a alma de Emma Swan através de seu olhar penetrante.
– Regina, acho que você já entendeu o que está acontecendo aqui, querida. – Cora falou baixo e respondeu um aceno positivo com a cabeça de Regina, ainda olhando para a mulher. – Sendo assim, está de acordo para começarmos? – A prefeita nada disse; uma lágrima foi descendo lentamente pelo seu rosto, fazendo Cora sorrir. – Então podemos, juíza Lucy. – Finalizou.
– Emma Swan e Regina Mills. – A juíza começou, dando um passo a frente, encontrando o casal. – Estamos aqui hoje para celebrar um passo importante na vida de cada uma de vocês. Eu, diferente de muitos na minha profissão, faço somente casamentos entre pessoas do mesmo sexo, portanto, não irei fazer o discurso habitual. – As duas sorriam e a olhavam. – O casamento pode não durar para sempre. Isso vai contra toda e qualquer fala que precisa ser proferida em um momento como esse, mas não é a verdade. Casamentos duram ou não, isso é algo que só o destino irá dizer, entretanto, se casar com alguém é ter a certeza que você quer estar com a pessoa comprometida legalmente naquele momento. Acredito que estamos aqui hoje por isso. Emma e Regina, — Fez uma pausa. – hoje vocês querem se ter não somente como amantes, mas também dentro das leis do nosso estado e país. Que assim seja feito. Quero lhes dizer que, esse aqui é só o primeiro passo para o que chamamos de “casamento”. A partir desse momento, vocês terão inúmeras dificuldades, pois a vida gosta de brincar com todos. Terão momento em que pensarão em desistir e não apostar no futuro. Hoje, estou aqui com as duas para dizer-lhes que se casar é tornar cada momento desse mais fácil. Se casar é chegar cansado em casa e sorrir simplesmente por verem uma à outra. É segurar a mão uma da outra e dizer: “você ficará bem, nós ficaremos bem. Juntas.”. Esse é o primeiro passo para o que pode ser o resto de suas vidas cheias de sorrisos. Não preciso conhece-las para saber que querem isso. Basta olhar nos olhos emocionados de cada uma. – Regina e Emma, que tinham o olhar banhado pela emoção, sorriram. – Eu acredito em vocês e quero saber se vocês acreditam. – Dirigiu-se a Emma. – Você acredita, Emma Swan? – A loira tirou um rascunho do bolso.
– Me desculpem, mas nunca fui muito boa com as palavras. – Ela riu docemente. – Eu sempre vive a vida intensamente. – Respirou fundo. – Pelo menos, pensei que vivia intensamente. Viajei a lugares inimagináveis, conheci pessoas e culturas muito diferentes... Entretanto, eu nunca senti que possuía um lar. Sempre tive muito medo de criar raízes, por isso me ocupava com qualquer coisa que não fosse me prender a algo. Eu pensava que ficar preso era ruim. E, de fato, é. Mas, com Regina, — Se virou para a mulher. – Com Regina eu entendi que ficar fixo não é ficar preso. Aprendi que pode se ter uma vida intensa e fica muito melhor quando dividimos com a pessoa que amamos, que amamos de verdade. Aquele amor que preenche todo o nosso coração, nos satisfaz. Aprendi também que não estou presa. Não. Eu posso ir e vir quando quiser! – Fez uma pausa e olhou para Regina que fingia ciúme. – Tá, nem sempre! – Ela riu e todos fizeram o mesmo. – Mas não sou uma prisioneira. Eu estou aqui, hoje, porque quero estar. Quando conheci Regina, senti algo diferente. Senti milhares de borboletas percorrem não só o meu estômago, como o meu corpo inteiro. Pode parecer clichê, mas é a verdade. Essas borboletas me fizeram voar até o seu jardim e ela não me prendeu, ela cuidou do seu jardim para que essas borboletas retornassem... E cá estão elas. E cá estou eu. – Emma chorava um pranto feliz. – Eu acredito no nosso amor. – Segurou a mão de Regina. – Eu acredito, juíza Lucy. Eu acredito e amo, amo com um amor imenso, que me leva a qualquer lugar do mundo, pois é muito maior do que nossas imaginações possam pensar.
A juíza sorriu, acabou não contendo suas emoções e, assim como todos os convidados, derrubou algumas lágrimas. Respirou fundo e direcionou o olhar a Regina.
– E você, Regina? Acredita? – Sorriu.
– Eu não tenho um discurso como de Emma, pois fui pega de surpresa. – Ela riu e limpou com delicadeza as lágrimas que se aglomeravam em seus olhos. – Mas eu também não tinha um amor. Nunca tive. Pensava que aquela coisa de amar e sentir completo era bobagem. Bom, uma parte era mesmo. Eu não me senti completa com Emma, entretanto, eu me compreendi inteiramente e, sem dúvida alguma, passei a ser muito mais feliz com ela sendo somada a mim. Porque Emma é uma soma em minha vida, algo a mais que me faz gostar de estar com ela e sentir-me feliz só por estar com ela. Emma foi a única pessoa que me enxergou muito mais além; esse olhar de esmeralda penetrou em todo o meu ser e em um lugar onde jamais pensei que entrariam: no meu coração. Emma sempre ficou por mim, se entregou para que eu me entregasse, sorriu para que eu sorrisse e me beijou para que eu não chorasse. Emma me mostrou que cada detalhe pode virar o motivo de alegria do meu dia; fez-me perceber que devemos ser leves e cuidar de nossos jardins interiores para que assim as borboletas possam ficar. Como a senhora disse, juíza, talvez o nosso casamento não dure para sempre, mas eu tenho certeza que o amor durará. O amor transmuta entre as pessoas e, caso algum dia não possamos mais desfrutar dele, seja por distanciamento ou simplesmente por termos ficado velhinhas juntas e falecido, eu espero, do fundo do meu coração, que algum casal possa aproveita-lo e senti-lo, porque Emma, — Se dirigiu à loira. – esse amor é o céu. Foi esse amor que fez com que eu me abrisse e me entregasse, permitindo sorrisos e a felicidade. Uma vez que se prova desse amor, não se pode mais viver sem. – Dirigiu dessa vez à juíza. – Eu acredito, juíza Lucy. E eu prometo tentar deixar esse amor tão lindo entre nós duas até o fim de nossas vidas. Esse amor é universal, transcendental, cósmico... Não se pode senti-lo de coração fechado, é preciso abri-lo para que seja completamente tomado. Eu acredito e quero esse amor para sempre ao meu lado.
A juíza suspirou, tentando encontrar palavras.
– Então, eu os declaro mulher e mulher. – Emma tirou do bolso a caixinha vermelha de veludo que Gold havia lhe dado e deu para a juíza, que a abriu. Dentro dela, encontravam-se dois anéis de ouro com um diamante em cima de cada. A juíza colocou nos dedos de cada uma delas, fazendo par com o de ouro do “primeiro casamento”. – Podem beijar a noiva.
Regina se aproximou de Emma, pousou uma de suas mãos sobre os cabelos loiros e fechou os olhos. Emma a segurou pela cintura e seus rostos foram se aproximando lentamente. Abriram as bocas e logo se encontraram. As línguas foram se entrelaçando com carinho, era um beijo cheio de ternura, cumplicidade e muito amor. Regina tinha seus olhos fechados durante o beijo, assim como Emma. Trocaram ali, junto com aquele beijo, seus corações. Se possuíam da forma mais pura e mais bonita que poderia existir. Pararam e abriram os olhos. O olhar de Regina se encontrou com o de Emma, sorriram com os rostos colados e foi ali, naquele momento, se decifraram e, enfim, ambas sentiram como se tivessem voltando para casa.
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Esse não é um fim. É o começo do resto de suas vidas.
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