Coming Home

15 Like a prayer.


Notas iniciais
Eu disse que vocês iam querer me matar, né? Acertei! Recorde de comentários no capítulo anterior!

– Tem gente que dorme de madrugada, sabia, Ruby? – Regina estava deitada na mesa do escritório, viu a ligação de Ruby e acordou resmungando.

– Eu sei, Regina, mas eu precisava falar com você. – Ela fez uma pausa, deixando a morena preocupada.

– O que houve? – A prefeita estava ficando irritada.

– Um acidente de carro. – A voz de Ruby ia falhando a cada palavra, algumas lágrimas corriam em seu rosto. – Zelena... Hook... – Mais uma pausa. – E Emma.

Regina não disse nada. Seu celular caiu de sua mão e ela se manteve ali parada por alguns segundos. Seus olhos pairavam pelo ar, perdidos pela primeira vez em muitos anos. Emma vinha a sua cabeça: lembrava da dança na casa da irmã, do modo como a loira a beijou na sauna, do modo como fizeram sexo; a irritação de Emma ao ouvir que eram só ficantes eu não queria isso, eu não te quero só para ficar, Emma, não te quero com outras pessoas, te quero comigo seus pensamentos tentavam conversar com a mais nova, mas, obviamente, era em vão.

Assim que se recuperou, Regina saiu correndo, pegou as chaves do carro e foi para o hospital. No caminho, lágrimas escorriam por sua face, pingando nos braços trêmulos que dirigiam. Ela entrou caminhando rápido no hospital, logo Dr. Whale tentou falar algo, mas a prefeita desviou dele e correu para o corredor onde Ruby estava em pé. A morena olhava para dentro do quarto e Regina fez o mesmo; apoiou suas mãos sobre o vidro, como quem quiser tocar Emma, e chorou baixinho. Emma estava ali dentro, seu rosto estava cortado, respirava mal, com ajuda de alguns aparelhos. Ruby se aproximou de Regina, encostou em seu ombro, fazendo com que a prefeita virasse para ela e, por fim, a abraçou. Regina ficou surpresa, ninguém nunca a abraçava, muito menos a neta de Granny. A mais velha hesitou um pouco, mas depois se deixou levar pelo calor: alguém estava ali para ela nesse momento difícil. Aquilo a comoveu, pois ela se sentiu confortável e segura. Não era o abraço de Ruby especificamente, era o abraço. Era ter alguém para apoiá-la.

– E você tinha alguém, after all. – Ruby sussurrou no ouvido da prefeita, que deixou um sorriso se abrir entre lágrimas.

+++

Algumas horas se passaram e nada de mudanças. Cora e Fiona chegaram ao hospital e a ruiva caiu no choro ao ver sua filha, Zelena, na mesma situação trágica que Emma.

– Por que não me avisaram antes?! – Ela indagou para as duas morenas com um tom furioso.

– Mãe, eu tentei te ligar e você não atendia. – Regina falou baixo.

– Pois deveria ter ido até a minha casa me chamar. Não importa como, deveria ter me avisado. – Ela revidou.

– Eu não vou sair desse hospital de jeito nenhum. – A prefeita adquiriu um tom mais sério.

Henry chegou com Granny, Gold veio sozinho e até Tinker, que estava viajando, estava voltando para apoiar sua amiga. Todos ficavam por ali, com agonia estampada em seus rostos, esperando para que alguma coisa acontecesse.

– Bom, eu vou fumar um cigarro. – Disse Fiona se levantando. – Regina, você se importa de ir comigo? – Ela falou enquanto dava um beijo no rosto de Cora. – Vai ficar tudo bem. – Ela sussurrou para sua amada.

– Não, Fiona, vamos. – A morena se levantou e acompanhou a mais velha até o jardim do hospital.

– Regina, você sabe que sempre foi uma das minhas pessoas preferidas, não é? – Fiona sorriu para ela e deu uma longa tragada.

– E você uma das minhas. – Retribuiu o sorriso, mas não estava alegre.

– Eu sempre vi muito de mim em você... – Ela deu mais uma tragada. – Não que isso seja bom! – Riu depois e fez a morena rir um pouco também. – Eu sei que você tem sentimentos por Emma Swan. – Ela fitou os olhos no rosto de Regina.

– Eu... – A morena tentou falar algo, mas Fiona a interrompeu.

– Eu sei. Eu tive sentimentos por Cora a minha vida inteira e nunca me permiti assumir isso. – Ela tinha um olhar triste. – Há alguns dias, uma pessoa muito próxima a mim faleceu. – Mais uma longa tragada. – Cordelia sempre foi uma amiga diferente das outras. Ela era a única que me enfrentava, que me dizia a coisa certa, não o que eu queria ouvir. Me disse que eu deveria correr atrás de quem eu amo, porque talvez um dia essa pessoa fosse embora. Ela estava certa. Quando Cordelia se foi, não pude deixar de ouvir sua voz ecoar nos meus pensamentos. – Outra tragada. – Agora cá estou eu. Assim como já fizeram comigo, preciso te falar para não lutar contra esses sentimentos. Sua mãe sempre diz que o amor é uma fraqueza, mas veja como ela tem estado esses últimos dias. Ela está radiante. O amor é o que você quer seja, basta acreditar nele. Não deixe de amar por medo. Acredita em mim, como você sempre fez. – Fiona pegou as mãos da mais nova.

– Olha só... – Regina tinha lágrimas escorrendo pelo seu rosto. – A Suprema também tem um coração. – Elas se abraçaram e se compreenderam. Sempre se gostaram muito.

+++

O dia demorou para passar. Quase a noite, Regina tomou coragem e entrou no quarto de Emma. Ela puxou a poltrona para perto da cama da loira e pegou a sua mão.

– Emma, eu sinto tanto... – Seus olhos já estavam cheios de lágrimas. – Você tinha razão, eu não queria só ficar com você, eu quero ter você só para mim. – Ela passou os dedos pelo rosto da mais nova delicadamente.

Emma não acordou, nem se mexeu, nem nada... As duas ficaram ali durante e resto da madrugada toda. Regina não queria sair do lado de sua amada. Dr. Whale entrou na sala e viu a prefeita cochilando ao lado da loira.

– Regina. – Ele a cutucou gentilmente. – Regina. Acorde, já são 10h.

– Emma! – Ela acordou assustada. – Ah, Dr. Whale, eu pensei que ela tinha acordado. – Fez uma expressão triste.

– Infelizmente não, Regina. – Ele suspirou. – Sinto muito.

Ela mantinha o rosto virado para a cama, com as suas mãos segurando as mãos da mais nova.

– Regina, preciso fazer alguns exames nela... Desculpe, mas você precisa sair um pouco. – O médico pediu gentilmente, ele sempre a tratou bem, agora então, tentou ser o mais delicado possível.

– Tudo bem... Só, por favor, me avise caso haja alguma mudança. – Ela respondeu baixinho. Dr. Whale esperava alguma bronca da prefeita, e se surpreendeu a vê-la tão diferente.

Regina saiu da sala em passos agoniados. Quando caminhava pelo corredor, passou pelo quarto de Zelena. Andou um pouco para trás e entrou. Ruby estava do mesmo jeito que ela estivera com Emma: sentada na poltrona, segurando suas mãos.

– Ruby, será que posso ficar um pouco a sós com ela? – Regina falou baixinho, sua voz estava fraca e foi se aproximando.

– Claro, Regina. – Ruby se levantou e fez alguns alongamentos rápidos com a cabeça. – Me chame qualquer coisa, tá?

– Sim, eu chamo. – Regina tomou o lugar da mais nova e olhou para a irmã. – É engraçado, é preciso que algo assim aconteça para a gente perceber o quanto se preocupa com as pessoas. – Ela passou a mão em seu cabelo. – Nós somos duas competidoras, brigamos um monte, mas, quando resolvemos competir juntas, não há quem segure, não é? – Ela riu sozinha. – Lembra quando uma menina da sua sala começou a espalhar mentiras sobre você? Chloe? Era esse o nome dela, não? Nós acabamos com ela naquela tarde... – Ela fazia um monólogo ao lado da irmã. – Ou quando eu fugi de casa? Você ficou me procurando pela cidade toda, quando eu sempre estive no jardim da mamãe, aí dormimos nas cadeiras de piscina... – O rosto de Regina era uma mistura de lágrimas e sorrisos. Era bom lembrar, mas era ruim pensar no quanto tinham se afastado. – Sabe, tem uma coisa que eu nunca lhe contei! Quando Ruby te traiu, eu fui atrás da mulher com quem ela tinha ficado, falei poucas e boas, e ainda lhe dei um tapa no rosto. Nunca te contei, só que eu precisei fazer isso por você. Imagina só a Madame Mayor descendo do salto e brigando. – Ela riu novamente. – Fique bem, Sis. Por mim. – Regina beijou a testa de Zelena e se levantou para ir embora, quando estava quase chegando na porta, escutou uma voz rouca e fraquinha a chamar:

– Eu sabia que você tinha batido nela! – Seguida de uma risada baixinha.

A morena se virou e sua irmã estava acordada.

– Zelena! Zelena! – Ela correu para perto da cama. – Você ouviu tudo o que eu falei?!

– Quase tudo. – A ruiva deu um sorriso para provoca-la e riu. – Eu te amo, Sis.

– Eu também te amo, Zelena. “Sis” foi só na hora do desespero, não irei repetir. – Elas riram.

Regina chamou Ruby, Cora, Fiona e Henry, todos ficaram contentes com a volta de Zelena. A prefeita ficou por ali um pouco e logo retornou a quarto de Emma, com uma pontinha de esperança que ela pudesse ter acordado, mas, para sua tristeza, os olhos da loira ainda estavam fechados.

Notas finais
E aí? Comentem, por favor. Eu AMO ler os comentários de vocês, seus tchucos/as. Ps: alguém sabe porque aparece no meu "gerenciamento" da fic que umas 70 pessoas tão acompanhando e na fic (naquele lugar que tem "quantas pessoas estão acompanhando" e mostra a foto) aparece umas 5?