Coming Home
1 Sob a tempestade...
Notas iniciais
Música: "Coming Home" - Skylar Grey
PS: As partes separadas em itálico são lembranças.
“(...) e a tempestade vem deixando os moradores de Magnólia preocupados.”
“A chuva já causou quatro desabamentos. Três pessoas ficaram feridas.”
“(...) ventos de até cento e cinquenta quilômetros por hora....”
“Não há previsão de sol para os próximos dias.”
“Autoridades aconselham que os moradores permaneçam em suas casas...”
“(...) é decretada situação de emergência em Magnólia.”
ZZIP.
Ela desligou a TV. A casa estava um breu. A chuva do lado de fora caía impiedosamente e a ventania parecia querer arrancar as janelas de suas paredes. Com passos lentos a mulher caminhou até uma delas e afastou um pouco a cortina de um tom rosa pálido, observando como as gotas d’água percorriam toda a extensão do vidro e deixavam-se pousar sobre a madeira úmida.
– Drip, drip, drop. – murmurou.
Então, sua mão alva tocou levemente o colar que trazia no pescoço, o formato assemelhando-se a uma gota. O havia ganhado há cinco anos e desde então, o delicado objeto tinha se tornado seu amuleto.
– P-Para Juvia?! – a menina perguntou surpresa.
– Sim. – o rapaz sorriu aquele sorriso que era tão seu. Pousou sua mão sobre a cabeça dela e bagunçou um pouco sua franja. – Pra quem mais seria? Hoje é seu aniversário, certo?
– Sim, mas... Por que uma gota, Gray-sama? – ela fitou o colar e depois moveu os orbes azuis até ele.
– Bem, primeiro porque nós nos conhecemos enquanto estava chovendo, – ela ruborizou com o comentário, mas Gray pareceu não perceber – segundo porque você adora água e nada mais óbvio do que uma gota para representar isso e... – ele então a fitou, sua feição mudando um pouco e tornando-se mais séria. Tomou-lhe suavemente as mãos e passou a mirá-las, como se não conseguisse encarar a menina nos olhos – terceiro porque... Por causa de todas as lágrimas que você já derramou por mim. – Juvia abaixou um pouco a cabeça e Gray também o fez, alcançando seu olhar e fazendo com que ela sorrisse com o gesto. – Você sabe que não tem como voltar no tempo e eu não posso consertar todos os erros que cometi no passado, mas que essa gota guarde dentro dela todas as lágrimas que você venha a derramar daqui para frente. E que fiquem aprisionadas somente aqui, para sempre.
De repente, um clarão fez Juvia dar um pulo e se afastar da janela.
– Um relâmpago! – rapidamente fechou as cortinas e adentrou mais a casa. Se tinha uma coisa que Juvia morria de medo, era de raios. – Droga... Onde está você, Gray-sama? – ela perguntava a si mesma e para o nada. Fitou o relógio e viu que já marcavam oito horas da noite e a chuva só se intensificava. – Por favor, volte são e salvo...
Sentiu algo em seu ventre. Levou uma das mãos até o local e sentou no sofá, alisando a barriga um pouco volumosa.
– Você também está nervoso, não é? – sorriu brevemente, quase se esquecendo da preocupação de outrora. – Shhhhh... Vai ficar tudo bem. Papai vai chegar logo e tudo vai ficar bem.
TRIIIIIIIIIIIIIM. TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM.
A mulher correu os olhos até a mesa onde se encontrava o telefone. Na pequena tela do objeto, piscava o nome "Lucy". Mas o que a loira poderia querer àquela hora da noite? Bem, Juvia nunca saberia se não atendesse. Moveu a mão direita até o telefone, mas ao tocá-lo, um estrondoso trovão ecoou pela sala e um calafrio percorreu sua espinha. Seguidamente, o clarão do relâmpago fez Juvia correr para o quarto e se enfiar debaixo das cobertas, tremendo.
– Gray-sama... – ela murmurava, tentando se acalmar e acalmar o serzinho que crescia dentro dela.
Tão absorta em seu próprio medo estava, que não escutou quando a porta da frente se abriu, dando passagem a um homem alto, moreno e totalmente encharcado pela chuva.
– Jeez! – ele exclamou, tirando os sapatos molhados e deixando seu guarda-chuva perto da porta, adentrando a casa em seguida. – Tadaima...
Mas não havia sinal de Juvia nem de ninguém, visto que a casa era de uma escuridão total.
– Juvia? – perguntou e se pôs a seguir pelos corredores, até chegar ao quarto do casal e ver um pequeno montinho sob as cobertas. Sorriu.
Ao destampá-la, deparou-se com uma Juvia adormecida, as mãos pousando protetoramente sobre o ventre, como se aquele gesto fosse proteger seu pequenino bebê de todo o mal do universo. Os olhos de um azul muito profundo começaram a se abrir ao sentir a presença de seu marido e um enorme sorriso brotou em sua face.
– Gray-sama! – Juvia pulou em cima dele, o abraçando. Gray, pego de surpresa, riu. – Juvia estava tão preocupada!
– Oi, oi, Juvia. Meu trabalho é a cinco minutos daqui... – ele disse de um jeito brincalhão, mas ela já não se importava com nada mais. Agora tudo o que importava era que seu Gray-sama estava ali.
E naquele momento, Juvia se deu conta de que talvez, mas só talvez, tinha passado a gostar da chuva. Porque, de um jeito ou de outro, a chuva sempre o trazia de volta pra ela.
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Estou voltando para casa
Estou voltando para casa
Diga ao mundo que eu estou voltando para casa
Deixe a chuva lavar toda a dor de ontem
Eu sei que meu reino me espera e eles vão perdoar os meus pecados
Estou voltando para casa
Estou voltando para casa
Diga ao mundo que eu estou voltando...
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FIM
Notas finais
Foi meio complicadinho fazer uma drabble, porque eu não consigo escrever nada com menos de mil palavras, mas eu acho que ficou até legal.
Espero que vocês gostem :3 E ah, deixem reviews, pfvr.
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