Começo, Meio E Fim
9 Capítulo 9
Pov Roberta
...
- Você sabe que um dia ele saberá, não sabe bambina mia? – estava parado a minha frente, não havia notado sua entrada na sala de estar, passou-me uma das xícaras que segurava e sentou-se em uma poltrona a minha direita – um dia nosso bambino terá curiosidade em saber sobre ele.
- O Rafael já sabe de tudo o que precisa saber – respondi.
- Talvez você devesse ir atrás dele – fez uma pausa para avaliar minha expressão de descontentamento para com essa nossa conversa – será pior se ele souber por terceiros, ou esperar que se passe anos até que o Rafa o procure...
- Eu não vou – disse com convicção, saboreando o chá quente que continha na xícara – e duvido que um dia o meu filho queira procurá-lo.
- Não acho que seja justo para com ele, não saber, não ter tido a chance...
- A vida muitas vezes não é justa – ele deu um sorriso fraco e eu o acompanhei.
- Frase feita não combina com você, bambina – disse, logo depois bebendo o conteúdo em sua xícara.
- Sempre as odiei – sorri – por que mentes pra mim? – perguntei pegando-o de surpresa.
- Eu não minto – respondeu serio olhando nos meus olhos.
- Mas sei que me escondes algo – afirmei, tinha certeza quanto a isso – confie em mim, por favor, conte-me, é sobre os seus exames...
- Não tem nada haver com a minha saúde, bambina, na hora certa saberás – respirou fundo – você é quem deve confiar em mim...
- Confio! Sempre confiei, confiei acima de tudo quando aceitei me casar com você, confiei que cuidaria de mim e do meu filho – me levantei deixando a xícara em cima da mesinha de centro, indo até ele e me joguei em seus braços, em um abraço apertado, que o deixou sem reação nos primeiros instantes, mas logo depois me acolheu e retribui o carinho – você nunca me decepcionou, obrigada.
- Eu é que tenho a agradecer – sorriu para mim – grazie per avermi permesso di prendermi cura di te* — disse depositando um beijo em minha testa, permanecemos abraçados e em silêncio por alguns minutos. Era raro momentos como esse, mas eu amava quando aconteciam, ele me transmitia uma paz, me sentia segura, pode parecer estranho, mas era a mesma sensação que eu tinha quando pequena sempre que abraçava meus pais. Sim, ridículo pode parecer, afinal ele é o meu marido e nossa diferença de idade é de apenas oito anos, mas o que sempre permaneceu entre nós foi nossa amizade, o companheirismo, apenas isso.
- Acho melhor irmos nos deitar, amanhã você terá uma longa viagem – disse me soltando de seus braços.
- Claro – se levantou sorrindo pra mim – vocês ficarão bem esses próximos dias?
- Sim – sorri – serão apenas cinco dias, logo você estará de volta.
- Buonanotte, bambina.
- Buonanotte – respondi, veio até mim e beijou minha testa, caminhou até as escadas indo em direção ao seu quarto, fui em direção ao meu, no corredor me ocorreu algo – Giuse... – chamei-o quando já estava abrindo a porta de seu quarto, parou e me olhou – prometa-me que não irá procurá-lo, por favor, não irá atrás dele – pedi com um aperto no peito, ele apenas sorriu para mim e entrou no cômodo a sua frente, fechando a porta atrás de si, me deixando sozinha, sem uma resposta...
...
- Pela sua cara, imagino que já soube – meu pai despertou-me das minhas lembranças.
- Já – disse sem animo – como o senhor soube? – perguntei confusa.
- Onde esta o Rafa?
- No quarto com o Pedro e a Alice, mas o senhor não me respondeu, como soube?
- Passei a tarde com o Franco e a Eva, almoçamos juntos – respirou fundo – e para a minha surpresa o Leonardo apareceu por lá exigindo explicações, querendo saber onde você estava – claro, o que eu podia esperar vindo daquele homem.
- E o que vocês disseram? – perguntei um pouco nervosa.
- A Eva contou tudo o que sabia a ele – fez uma pausa – eu dei nosso endereço.
- COMO? – perguntei exasperada.
- Se acalme, Roberta...
- Me acalmar – ri nervosa – Eu Não Quero Aquele Homem Aqui! – respirei fundo – Muito Menos Perto do MEU FILHO!
- Isso era inevitável, uma hora iria acontecer, ele virá à noite – estava incrédula – sugiro que tome um bom banho, tente descansar um pouco, levarei o Rafael para jantar fora, assim quando ele chegar não estaremos aqui e vocês poderão conversar.
- Não tenho nada para conversar com aquele senhor!
- Com ele pode até não ter, mas com o filho dele com certeza você tem – disse firme – se quiser ter o controle dessa situação, sugiro que siga o meu conselho e pense bem como vai agir – revirei os olhos – se não quiser aquele garoto aqui, porque dependendo do que aconteça nessa sua conversa de hoje com aquele senhor, não dou dois dias pra que ele esteja batendo nessa porta exigindo os direitos dele como pai – DROGA! O pior é que o meu pai tinha razão.
- Tudo bem – respondi depois de um tempo.
- Ótimo, vou pro meu quarto – disse se retirando, MAS QUE DROGA! Respirei fundo, me recompondo e indo em direção ao quarto do meu filho.
Continua...
“ *Obrigado por me deixar cuidar de vocês.”
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