Começo, Meio E Fim
61 Capítulo 61
Pov Diego
...
- Oi – Carla disse ao entrar no apartamento e dar-me um beijo na bochecha, que lhe foi retribuído com um abraço – como ela está?
- Eu não sei – disse incerto – não muito bem, suponho, depois da nossa discussão, mas eu acho que ela irá acordar melhor.
- Ela está dormindo? – assenti, notando a cara de diversão da minha amiga.
- Carla! – a repreendi – não aconteceu nada do que você está pensando – disse sério e ela riu – ela só estava cansada e – por que mesmo eu estava explicando isso a ela?
- Eu não estou pensando nada, você que está ai imaginando coisas que não aconteceram, mas poderia ter acontecido – deixou escapar uma risada – desculpa – disse tentando segurar o riso.
- Acho bom – lembrei-me de algo – você, obviamente, já sabia sobre o testamento do marido da Roberta, não é? – ela paralisou, sua expressão se tornou séria e duvidosa.
- Ela te contou? – perguntou incerta.
- Eu não soube por ela, mas isso não vem ao caso agora, o que importa é que eu já sei o motivo da volta dela e dos termos do testamento – ela estava atenta – por isso nós discutimos.
- Você já pensou no que vai fazer?
- Não pensei direito sobre isso.
- Você não está pensando em tirar o Rafael da Roberta, né? – não respondi, mais cedo eu havia dito que essa era a minha intenção, mas no fundo não estava certo de nada – ela enlouqueceria se perdesse aquele menino, ele é a vida dela – disso eu não tinha dúvida, havia tido a prova do seu amor de mãe há algumas horas, algo tão comovente.
- Eu preciso ir – disse a ela, desviando nossos olhares que estavam fixos um no outro, tenho a certeza que ela conseguiu a resposta que queria neles, pois a mesma sorriu – o Rafael está bem?
- Está sim – sorriu.
- Tenho que ir – lhe sorri de volta – você me promete que não a deixará sozinha quando ela acordar? – ela riu – por favor, mesmo que ela te peça ou insista que você se vá, não a deixe sozinha, promete?
- Não precisa se preocupar, eu passarei a noite com ela, a menos que por precaução, você queira ficar no meu lugar – riu, mas preferi ignorar suas insinuações.
- Confio em você, mas em todo caso me ligue quando ela acordar, quero saber se ela está bem, ok?
- Pode deixa – riu batendo continência, uma boba mesmo, dei-lhe um beijo na bochecha.
- Tchau, comadre – disse ao me afastar dela, indo em direção a porta.
- Tchau, compadre – ela piscou para mim sorrindo e eu ri antes da porta se fechar, só a Carlinha mesmo para me fazer rir depois de tudo que aconteceu no meu dia.
...
- Nossa você demorou – Lizie disse preocupada assim que eu entrei no meu apartamento, estava sentado no sofá vendo algumas catálogos de algumas obras, se levantou e veio até mim, dando-me um selinho – está tudo bem?
- Sim – tentei sorrir, mas eu acho que não deu muito certo – vou tomar um banho, para nós jantarmos, tudo bem? – ela assentiu sorrindo.
Fui para o meu quarto, agora nosso, meu e da Lizie, enfim, estava exausto, necessitava de um banho relaxante, sentia como se um trator tivesse passado por cima de mim. Deixei que a água quente caísse sobre o meu corpo lavando-me por inteiro, gostaria que ela lavasse a minha alma se fosse possível.
Lembranças desses últimos dias invadiram minha mente, estava, verdadeiramente, confuso, sem saber o que fazer, como agir, eu ainda precisava conversar seriamente com a Roberta, sem brigas e acusações... Merda, a Márcia, eu tinha ficado de me encontrar com ela hoje, depois de tudo que aconteceu até me esqueci do nosso encontro.
Saí do banheiro, apenas com uma toalha enrolada na minha cintura, a procura do meu celular, deveria ter deixado junto com as chaves do carro na sala, pois não estava no bolso da calça, fui até a sala atrás dele, Lizie ainda estava lá concentrada no que lia, seu olhar caiu sobre mim, ela estava sorrindo.
- Uau, que delícia – comentou divertida – quer me matar, Maldonado? – ergui as sobrancelhas para ela que riu, só então me toquei, a toalha.
- Ainda não – sorri de lado, tentado parecer sedutor – só mais tarde – pisquei para ela que gargalhou, outra boba na minha vida.
- Vou esperar, hein? – rimos um para o outro.
- Agora eu tenho que achar o meu celular – olhei pela sala, até avistá-lo junto com as chaves.
- Eu telefonei para você hoje algumas vezes, mas só caia na caixa postal – comentou sem olhar para mim, estava novamente atenta nos catálogos.
- É eu o desliguei mais cedo e me esqueci de checar as chamadas quando o liguei novamente – disse olhando a quantidade de chamadas perdidas, algumas dela eram da Márcia, tentei retorná-las, mas agora era o celular dela que estava caindo na caixa de postal, tentaria mais tarde, agora iria procurar algo para comer – você já pediu algo para nós?
- Sim, pedi uma comida japonesa de um restaurante que me indicaram hoje, você se importa?
- De modo algum – sorri para ela que voltou a olhar os catálogos – o que tem aí que você tanto olha, hein Elizabeth?! Que seja mais interessante do que eu? – perguntei fazendo bico e ela riu.
- Nada seu bobo, é apenas o catálogo de umas coleções que eu irei restaurar – explicou rindo – vem ver? – chamou-me e fui até ela sentado-me ao seu lado, olhando as obras que ali continha.
- Nossa, são... – estava sem palavras, eram obras magníficas e caríssimas.
- Eu sei, esplendidas, não são? – assenti admirando as belas esculturas pelas fotografias – pena, que o dono delas seja aquele velho insuportável, você tinha que ver, ele não entende nada de arte, apenas as tem por serem caras – bufou, eu a escutava atendo, minha namorada era uma amante da arte – Graças a Deus, não precisarei mais vê-lo, agora só trarei de negócios com o seu agente, que pelo menos é gentil, enquanto eu restauro essas preciosidades – sorriu – você não vai se vestir, não?
- Algum problema? – perguntei divertido.
- Nenhum, se você quiser andar peladão pelo apartamento o problema é seu e o prazer é meu – sorriu safada e eu ri.
- Vou vestir uma roupa – saí rindo da sala, a fim de me vestir, não demorou muito para que a comida chegasse, depois que já estávamos alimentados, ela me pediu que contasse como havia sido o meu encontro com a Roberta, contei como havia sido, sem entrar muitos nos detalhes.
- Diego, você merece uns bons tapas – disse séria e eu estava confuso – coitada — comentou.
- Coitada? – estava incrédulo – coitado de mim! – ela me olhou brava, que ridículo, ela era a minha namorada, tinha que ficar do meu lado, não do lado da Roberta.
- Olha só, eu não vou discutir com você, já chaga de brigas por hoje – respirou fundo – eu sugiro que você vá dormir, para colocar a sua cabeça no lugar, porque eu ainda tenho muito trabalho a fazer e amanhã eu acordo cedo – levantou da cadeira e veio até mim dando-me um beijo rápido – tenha uma boa noite e ótimos sonhos, com ela – deu-me um selinho antes de se afastar sorrindo, eu estava estático.
- Elizabeth! – disse por fim, mas ela me ignorou e continuou caminhando em direção a sala, merda. Era só o que me faltava!
Continua...
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