Começo, Meio E Fim

52 Capítulo 52


Pov Diego

- Então, partiu mar – perguntei aos garotos que passavam protetor solar e eles assentiram – você sabe nadar, Rafael? – minha pergunta fez Pedro e Tomás rirem, deixando-me confuso.

- Sei – respondeu sorrindo, mas havia algo a mais nisso que eu gostaria de saber, mas antes que eu perguntasse alguma coisa...

- Vamos, Dih – Danilo disse e eu assenti.

Deixamos nossas coisas na areia e fomos em direção à água, o Rafael sempre mais próximo do Tomás, tenho que admitir que isso me incomodou um pouco, ele ainda estava inseguro em relação a minha aproximação, era evidente, tinha que achar uma formar de reverter essa situação, queria saber mais sobre ele, mas não gostaria de bombardeá-lo de perguntas e assustá-lo, afastando-o ainda mais. Para a minha surpresa ele pareceu se soltar dentro d’água, ele sabia nadar, ele nadava muito bem, eu diria, ele não é diferente de vocês, o Rafael é filho de DiRo, as palavras de Carla invadiram minha mente de novo, ela estava certa, ela sabia? Claro que sabia, água e nós, nós e água... Levamos algum tempo até sairmos da água, estávamos nos divertindo, ele estava se divertindo, era o que importava.

- Não sabia que você nadava tão bem, Rafael – comentei, quando estávamos sentados na areia, ele ao lado do Tomás, que o enrolava em uma toalha para aquecê-lo.

- Você não viu nada, Diego – Tomás disse, puxando o afilhado para o seu colo – meu garoto é um golfinho – o menino sorriu para o padrinho, que retribuiu, o que me incomodou de alguma forma, eles eram muito próximos, já disse isso?!

- Você tem que ver, leke, ele nada muito – Pedro disse, bagunçando o cabelo molhado do menino.

- Você não faz idéia de nada – Bruno comentou rindo, mas o ignorei, até meus irmãos sabiam.

- E onde você aprendeu a nadar? – perguntei curioso.

- Em um clube de esportes em Roma – respondeu com um leve sorriso, disso ele gostava de falar – já faz uns dois anos.

- Nossa, tudo isso?! – ele assentiu – você tinha o que, três anos?

- Quase três – respondeu-me – eu tinha alguns problemas respiratórios e o babbo – me coração apertou-se com sua última palavra – convenceu a mamma a me colocar em aulas de natação para desenvolver a minha respiração e aliviar as minhas crises de asma – coisas importantes, a saber, sobre ele – então eu comecei as aulas e depois passei a treinar.

- Treinar? – perguntei surpreso novamente.

- Sim – assentiu – depois de um tempo comecei a competir.

- Ele é um campeão, Diego – Tomás disse orgulhoso e beijou a têmpora do afilhado.

- E você competiu muitas vezes? – perguntei curioso.

- Algumas.

- Ele está sendo modesto, cara – Pedro disse – ele foi campeão regional de Roma, nas duas vezes que ele competiu e ficou em terceiro lugar na competição nacional Italiana, que ele só competiu uma vez.

- Nossa – estava admirado – e quantas competições você já participou?

- Muitas – Tomás respondeu por ele – e em breve ele irá participar pela segunda vez da competição nacional e dessa vez nós iremos levar o título – disse convincente, mas o menino não pareceu acompanhar seu entusiasmo, o que era estranho – o que foi, Rafa?

- Eu acho que não participarei da próxima competição – disse tristonho.

- Por quê? – perguntei intrigado.

- Porque eu não estou na Itália e nem estou treinando mais.

- E quando é a competição?

- Daqui a quatro meses, todos os campeões das competições regionais, participam da nacional – explicou-me.

- Então eu acho que você ainda tem alguns meses de treino pela frente – comentei, ele e os outros me olharam intrigados – eu conheço alguém que poderia te treinar enquanto você estiver no Brasil – acho que o Tomás e o Pedro entenderam o que eu quis dizer.

- Quem? – perguntou incerto, mas no fundo já sabia a resposta.

- Eu – respondi e ele hesitou, merda Diego! Não deveria ter sido tão direto, mas foi irresistível a idéia de poder treiná-lo, ficar perto dele fazendo algo que ambos amávamos, nadar – eu poderia te ajudar se você quisesse – sugeri avaliando sua expressão insegura – durante esse tempo que você ficar no Rio, daí quando você voltar para a Itália – o que eu espero que não aconteça – não estará tão distreinado.

- Eu não sei – hesitou novamente.

- Olha, você não precisa responder se aceita ou não, agora – disse calmamente, sendo observados por seus olhinhos atentos – converse com a sua mãe, se quiser, veja o que ela acha e depois você me diz a sua decisão, pode ser?

- Pode, eu vou pensar – disse depois de avaliar minhas palavras por um tempo, ótimo, tinha certeza que agora estava no caminho certo.

Continua...