Começo, Meio E Fim
47 Capítulo 47
Pov Diego
Eu estava sem graça, na presença dela, o que pareceu ser recíproco, o que era ridículo, perguntei sobre o menino, mas antes que ela me respondesse, ouvi uma voz familiar, que vinha detrás de mim, virei-me e me deparei com Alice e ao seu lado estava ele, visivelmente apreensivo, nossos olhares se cruzaram, ele parecia tão pequeno e frágil, que por um momento, quase fui ao seu encontro e o abracei, mas decidi por não fazê-lo, Carla tinha razão, ele estava receoso e aparentemente um pouco amedrontado, ainda haveria momentos mais oportunos para uma aproximação mais afetiva, levaram alguns segundos para que algum se pronunciasse, esse alguém foi Alice.
- Oi, Dih – ela disse meio receosa também, antes de vim até mim, deixando sobre a mesinha de centro o que pareceu ser uma foto, e me abraçou, retribui meio desajeitado, por causa do pequeno volume de sua barriga, ela estava de pouco mais de quatro meses, foi então que me lembrei do que Carla disse, era verdadeiramente difícil não perceber uma grávida nesse período da gestação e me peguei pensando se a Roberta teria estado assim como a Alice – eu estava com saudades de você, na verdade nós duas estávamos – sorri para ela, que retribuiu e acariciei sua barriga.
- Eu também estava – disse a ela, eu também não estava com raiva ou mágoa dela – como vocês duas estão?
- Bem e tenho uma novidade – ela sorriu – já escolhemos o nome da sua afilhada.
- Qual é? – perguntei curioso, a última vez que falei com PeLice, eles ainda estavam na dúvida.
- Sophia – respondeu alegremente, sorri para ela, era um nome bonito – dê os créditos ao Rafa – olhou sorrindo para o menino, que agora estava ao lado da mãe nos observando, que lhe sorriu timidamente – e a Carla – bufou fazendo uma careta engraçada e eu não tive com não sorrir, os outros presentes na sala riram, parecia uma piada interna, que eu não entendi – você está bem?
- Sim – garanti a ela, que pareceu não acreditar muito, na minha meia verdade.
- Bom, eu tenho que ir – disse para nós três – lembrei que tenho que passar na empresa e verificar algumas coisas – não me convenceu.
- Não precisa se incomodar, Alice – disse a ela – por mim, tudo bem se você ficar.
- Fique, Alice, tudo bem – Roberta disse a ela.
- Não dá, tenho mesmo que ir – era uma desculpa para nos deixar sozinhos, claro – mas mais tarde eu te ligo – foi até a amiga e a abraçou – e você também, príncipe – disse beijando a bochecha do menino, que lhe retribuiu – tchau, Dih – me abraçou novamente – nos vemos logo, tudo bem?
- Sim – dei-lhe um meio sorriso.
- Beijos, meus amores – ela disse a nós, mas olhando para o menino, pareceu piscar para ele que sorriu para ela, antes dela deixar-nos a sós, nenhum de nós pareceu querer dizer algo, olhávamos uns para os outros atentos.
- Oi Rafael – eu disse a ele – como você está? – perguntei indeciso, não sabia ao certo como começar uma conversa com ele.
- Vou bem e o senhor? – perguntou-me, sua voz era baixa e deixava claro sua insegurança.
- Bem, obrigado.
- Diego, sente-se – Roberta disse – vem, anjo – sentou-se num canto do sofá com o menino ao lado e eu me sentei na outra ponta, ele estava entre nós, mais perto dela, que segurava em suas mãozinhas pequenas, meu filho e a mulher que eu amo sentados a minha frente.
- Você está gostando do Rio? – disse e me amaldiçoei pela pergunta estúpida, mas não sabia ao certo o que dizer, eles pareciam estar na mesma situação que eu.
- Sim, senhor – respondeu incerto.
- Você não precisa me chamar de senhor, pode me chamar de – fiz uma pausa, claro que eu não esperava que eu me chamasse de pai, não ainda – Diego – concluí, ele apenas assentiu – você já conheceu o meu pai, não é?!
- Sim – disse tranquilamente, era impressão minha ou ele gostava do Senhor Leonardo Maldonado, havia mais emoção em sua afirmação – e também conheci à senhora Silvia, a tia Márcia e o tio Téo, além do Bruno e do Danilo – tia Márcia e tio Téo, por essa eu não esperava, ficou claro que ele gostava da minha família, da família dele.
- E você já brincou com os gêmeos? – perguntei, acho que encontrei a maneira de começar a conversar com ele, que pareceu se soltar mais.
- Algumas vezes, mas faz uns dias que não os vejo, da última vez nós não brincamos, porque... – se interrompeu e eu entendi o porquê, foi porque eu cheguei em casa, foi no dia que nos encontramos pela primeira vez.
- Mas eu tenho certeza de que haverá mais oportunidades de você brincarem – foi aí que achei a brecha, para falar sobre o que eu queria – tive uma ideia, por que não saímos os quatro, hein? – ele me olhou receoso, assim com a Roberta, não deveria ter dito dessa maneira, merda! – se a sua mãe permitir, é claro – ela me olhou incerta – você poderá vir conosco também se quiser – disse a ela, que olhou para o filho.
- Se o Rafael quiser, por mim tudo bem – Roberta disse incerta, eu notei, o menino não disse nada.
- Vai ser legal, se você quiser – ele me olhou confuso – olha, porque não fazemos assim, nós saímos com os garotos e podemos levar o Pedro e o Tomás conosco também – ele pareceu repensar sobre a minha proposta, quando falei no Tomás – para a gente se conhecer – estava em dúvida de quais palavras usar – sei que tudo isso é confuso, se está complicado para mim e eu imagino que esteja ainda mais complicado para você – Roberta nós olhava atenta, encontrei seu olhar por um momento, eles parecia lacrimejados? – eu sei que você não gosta de mim, nós nem nos conhecemos, mas quem sabe se a gente se der essa chance de sabermos mais um do outro, e não o que ouvimos pelos outros a nosso respeito, quem sabe nós não possamos ser amigos, um dia – sugeri incerto – só depende de você, hein, o que você me diz?
- Tudo bem – ele disse depois de alguns agonizantes segundos – se a mamma deixar – mamma? Claro, mãe em italiano, ele olhou para ela.
- Já disse que por mim, não tem problema – ela garantiu mais segura dessa vez, mas não totalmente.
- Então fica combinado assim, vou marcar com os garotos e depois te ligo avisando, pode ser?
- Pode – ele assentiu, me levantei do sofá e os dois fizeram o mesmo.
- Bom, tenho que ir agora – eu lhes disse – mas eu te ligo em breve, tá? – ele apenas assentiu – então, tchau Rafael.
- Tchau, Diego – Diego, nunca o meu nome soou tão estranho, me dirigi até a porta e Roberta me acompanhou abrindo-a para mim.
- Nossa conversa...
- Acontecerá logo, não tenha dúvida – disse firme e ela assentiu – tchau – não esperei que ela respondesse e me dirigi até o elevador, de onde estava saindo um senhor e entrei nele.
Dia cheio, agora teria que convidar meus amigos para o passeio, eu tinha a certeza de que se o Tomás não fosse, o Rafael também não iria.
Continua...
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