Começo, Meio E Fim

41 Capítulo 41


Pov Diego

- Eu posso entrar? – perguntou-me, estávamos nos encarando já fazia alguns segundos, quando ela quebrou o silêncio entre nós, apenas dei passagem para que entrasse, não estava entendendo o que ela fazia aqui – imagino que ainda não tenham esclarecido muito bem tudo que aconteceu a você, não é? – eu permaneci calado, acha que sem expressão – bom, se você não se importar, eu gostaria que conversássemos sobre tudo isso – ela fez uma pausa – sei que não deveria estar aqui, mas eu sinto que também te devo uma explicação.

- A Roberta te mandou aqui? – perguntei a Carla, que estava aparentemente um pouco nervosa.

- Não, ela nem mesmo sabe que eu estou aqui – hesitou por um instante – ela jamais permitiria que eu viesse e te contasse o que irei contar.

- Fique a vontade – disse a ela depois de um tempo, convidando-a a se sentar, assim ela o fez e me sentei no outro sofá, ficando de frente a ela – você quer beber alguma coisa? – ela negou – então quando quiser, pode começar.

- Eu não sei ao certo tudo que aconteceu – ela começou, depois de alguns segundo em silêncio – algumas coisas não fazem muito sentido, mas mesmo assim – respirou fundo – bom, logo depois que você foi para Nova York, a Roberta se mudou para Itália – até ai nenhuma novidade – mas ela voltou ao Brasil duas semanas depois, foi justamente nessa semana que eu estava partindo para a França, para fazer umas campanhas por lá, nós chegamos a nos ver na noite que ela voltou – fez-se uma pausa – no dia seguinte eu teria que embarcar logo pela manhã, naquela noite ela me contou que havia voltado por vocês – por mim, duvido – disse que não podia dizer muita coisa, apenas que teria que se encontrar com você, perguntou-me se eu havia tido noticias suas, pois você não havia retornado os e-mails, nem mesmo as ligações dela – e-mails? Ligações? O quê? Carla percebeu minha expressão confusa – isso não faz sentido, não é? – perguntou, mas não me deixou responder – eu apenas disse o que a Márcia havia me dito, que você estava bem e se adaptando – me adaptando? Que ridículo – mas que também não falava com você desde da sua partida – respirou fundo – bom, depois disso não nos falamos mais, ninguém tinha noticias dela, ela mal falava com a Eva, quanto mais com a Alice ou comigo – ela me olhava atenta – pouco mais de dois meses depois, eu fui para a Itália a trabalho, o Tomás havia ido comigo – fez-se mais uma pausa – nós estávamos em Laurenzana, uma cidadezinha no sul da Itália, localizada na província de Potenza, a cidade é linda, com belas paisagens e poucos habitantes – respirou fundo novamente – depois de uma sessão de fotos, Tomás e eu saímos para conhecer a cidade, ele odiou – ela riu – disse que a cidade, apesar dos belos campos e construções, não havia nada além de devotos de um santo nativo fazendo orações – ela sorriu – enfim, durante nosso passeio nós acabamos esbarrando em uma moça, saindo de uma loja de artigos para bebês, pois é, era ela, a Roberta – me encarou fixamente por um tempo antes de continuar, seus olhos estavam lacrimejados – ela estava de quatro meses, na época, estava ficando difícil esconder o volume da barriga, sabe? – limpou o canto dos olhos – nós percebemos, ela até que tentou ir embora, mas nós a impedimos, então ela nos contou, disse que havia ido atrás de você, mas – hesitou – ela não te achou, então optou por ter o bebê longe de todos, nós fomos contra, a princípio, mas a Roberta parecia tão frágil e sozinha, que acabamos concordando em não contar nada a ninguém – uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas ela o limpou, eu estava atento e um pouco atordoado – nós também não tínhamos noticias suas, bom, o resto você já deve imaginar, passamos sempre que podíamos com ela, nossas idas a Itália se tornaram mais frequentes – ela me olhou profundamente, agora não fazia mais questão de tentar segurar as lágrimas que caiam, merda, eu tive vontade de abraçá-la e dizer que estava tudo bem e que ela não precisava dizer mais nada, mas eu precisava saber o restante, me calei e ela continuou com a voz um pouco falha – eu estava lá quando ele nasceu – mais lágrimas caiam pelo seu rosto – o Rafael nasceu de quase oito meses, a Roberta vinha passando muito mau nas últimas semanas, foi um parto difícil – ela limpou o rosto com a costa das mãos – eu cheguei a pensar que eles morreriam, ver aquilo tudo me deixou desesperada, vê-la perder os sentidos na minha frente, enquanto os médicos retiravam de dentro dela um bebê quase sem... – vida, completei mentalmente o que os soluços a impediram de pronunciar, já era o suficiente, por enquanto, fui até ela e a abracei.

- Tudo bem – disse afagando seus cabelos – já chega, não precisa continuar – tentei confortá-la de alguma forma, aquela história também havia mexido comigo.

- Não – ela disse depois de algum tempo, se recompondo e segurou nas minhas mãos – eu preciso continuar – assenti e ela respirou fundo – a Roberta ficou quase quatro dias inconsciente, foram os piores dias da minha vida, o Rafael estava muito fraco, o Giuse disse que o estado dele era delicado...

- Giuse? – perguntei incerto.

- Sim – assentiu – Doutor Giuseppe Montemezzo, o pediatra que cuidou do Rafael, desde o nascimento até...

- O marido da Roberta? – perguntei interrompendo-a.

- Ele mesmo – ela analisou minha expressão – ele estava lá, na hora do parto também, ele me disse que se eu tivesse fé deveria rezar e pedir pela vida dos dois, principalmente a do menino, ele estava na UTI Neonatal, respirando com a ajuda de aparelhos – limpou o canto dos olhos com uma mão e a outra apertou a minha levemente – Tomás chegou para ficar comigo, dois dias após o nascimento do Rafa, o Leonel já estava lá também, ele foi assim que soube que a Roberta tinha entrado em trabalho de parto, nós não sabíamos o que dizer a ela, quando ela acordasse – respirou fundo – bom, depois que ela acordou... Ela só vivia naquele hospital, não saía de lá para nada, as primeiras semanas foram difíceis, quase não houve melhoras do estado dele, mas Graças a Deus, o Rafael saiu da UTI depois de pouco mais de um mês e ainda levou alguns dias para ele finalmente ir para casa – ela apertou novamente a minha mão – boa, o resto da história você já sabe, o tempo se passou, a Roberta e o Rafa estavam bem, ela se casou com o Giuseppe e – hesitou – e agora eles estão aqui.

- Por que agora? – perguntei a ela, depois de alguns minutos em silêncio, tentando processar tudo que ela havia me dito – por que somente agora a Roberta resolveu me procurar?

Continua...

Notas finais
Amores, não deixem de comentar, por favor... Amanhã tem mais :D