Começo, Meio E Fim
32 Capítulo 32
Pov Diego
Saí às presas daquele lugar assim que me dei conta do que havia feito, antes que... Não importa, não voltará a acontecer, não deveria ter acontecido, nós...
Dirigi pelas ruas do Rio de Janeiro sem rumo, minha cabeça estava a mil... Então acabei indo parar, quase que involuntariamente, sem perceber em uma praia um pouco afastada, que meu pai me levava quando pequeno, depois quando adolescente costumava ir quando queria ficar sozinho, pensar na minha vida e aqui estou novamente, tentando entender o que se passou nas últimas horas... Eu tenho um filho, algo que parecia ser uma piada ou uma brincadeira de mau gosto, parece um sonho, ou melhor, um pesadelo, um filho, que ela escondeu de mim, depois de tudo que nós vivemos e passamos juntos ela não podia tê-lo escondido, isso com certeza é algo que jamais irei perdoar... Até mesmo os meus amigos já sabiam... Ainda tem o menino, que visivelmente não gosta de mim...
Fiquei um bom tempo naquele lugar, olhando para o mar, ouvindo apenas o barulho das ondas, a praia estava praticamente vazia, só havia uma família que faziam um piquenique um pouco afastados de onde eu estava, o casal parecia feliz ao brincar com o filho, que aparentava ter uns dois ou três anos, aquilo me incomodou de alguma forma... Quando o sol já estava se pondo, resolvi que era hora de voltar para casa...
Cheguei ao meu apartamento exausto, resolvi tomar um banho, depois pediria algo para comer, pois minha dispensa estava vazia, algo que teria que resolver logo. Quando peguei meu celular para fazer o pedido, percebi que havia inúmeras chamadas não atendidas, ligações do Pedro, do meu pai, da Márcia e da Lizie... Não acredito que me esqueci dela. Pedi uma pizza e decidi retornar as chamadas da minha namorada.
- Nossa pensei que você nunca fosse me ligar – ela disse debochada ao atender o celular – como você está? Fiquei preocupada.
- Oi – disse calmamente – estou bem, é que aconteceram algumas coisas. E você está bem?
- Sim, mas o que houve? – parecia preocupada, mas não gostaria de contar a ela pelo telefone.
- Eu não sei se o que eu tenho para contar seja algo que deva ser dito pelo telefone...
- Dih você está me deixando preocupada, me conte logo, por favor – ela respirou fundo – eu também tenho algo para te contar – hesitou.
- É algo sobre o seu sobrinho?
- Não... – hesitou novamente – ele está bem, está a cada dia mais parecido com o pai – parecido com o pai, suas palavras me fizeram arrepiar – é sobre outra coisa, mas não importa agora, me conte o que houve com você...
- Você está na casa dos seus pais?
- Sim, mas não me enrole, conte-me — insistiu.
- Lizie – respirei fundo tentando achar a melhor forma de contar a ela sobre... – eu a encontrei – senti que sua respiração de alterou do outro lado da linha, mas não disse nada – estive com ela e... – não sabia como dizer – com o filho dela – completei ficando em silêncio, esperando que ela dissesse algo.
- Pensei que a Roberta vivesse em Roma – indagou depois de algum tempo – com o enteado.
- Sim, mas... – fiz mais uma pausa, estava nervoso e ela me pareceu um pouco agitada, talvez – ela está no Rio com o menino... Ele, bom...
- Ele não é o enteado, não é? – perguntou-me, o que pareceu mais uma reflexão das minhas palavras – ele é o filho dela.
- Sim e...
- O filho de vocês – afirmou interrompendo-me – como você soube?
- Meu pai me contou... – disse a ela tudo que havia acontecido desde que cheguei ao Brasil, hesitei por um minuto se deveria ou não contar sobre o beijo, mas optei por contar-lhe... – ...E foi isso – conclui esperando por sua resposta, que levaram alguns segundo para ser dita.
- Que história – disse por fim – imagino que você não esteja nada bem.
- Estou confuso...
- Entendo.
- Lizie – chamei-a quebrando o silêncio que se instalou por um tempo – isso não muda nada, ok?! Nada irá mudar – afirmei.
- Diego eu... – ela respirou fundo – eu preciso desligar, minha mãe está chamando e...
- Lizie me escuta...
- Não dá, preciso mesmo desligar, minha mãe está lhe mandando um beijo...
- Mande outro a ela, mas...
- Já está ficando tarde aqui, amanhã nos falamos, beijo!
- Droga, Lizie – desligou antes mesmo que eu pudesse dizer algo.
Lizie estava em Londres visitando a família que lá vivem, seu primeiro sobrinho, Brian, havia nascido a pouco mais de um mês, filho de George, seu único irmão, ela havia viajado dois dias antes de eu vir para o Brasil, a fim de conhecer oficialmente o menino, sabia que estaria de volta a New York na próxima segunda-feira, por causa do seu trabalho, ela é restauradora de obras de arte, trabalha em uma Companhia de Restauração dirigida pela Galeria em que eu trabalho.
Não queria que nossa conversa tivesse terminado assim, gosto muito da Lizie, a última coisa que eu faria é magoá-la, não intencionalmente, ela sempre foi uma grande amiga, antes mesmo de nos envolvermos, isso não mudaria...
Depois que terminei de me alimentar, resolvi ir me deitar, talvez se dormisse um pouco conseguiria me esquecer do que aconteceu e eu acordaria desse pesadelo... Mas o sono não vinha e os últimos acontecimentos não saiam da minha cabeça, nem o menino nem ela...
O meu relógio já passava das 21 horas quando a campainha tocou, fazendo-me levantar irritado da cama. Quem poderia ser a essa hora? Eu não estava esperando ninguém...
Continua...
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