Começo, Meio E Fim
75 Capitulo 75
Pov Roberta
– Eu sei Isa – disse a minha bambina italiana.
– Então você aprovou? – ela perguntou, eu estava no meu quarto, sentada sobre a minha cama com o notebook ligado, há algum tempo, estudando os novos cronogramas da Galeria e ao telefone com a Senhorita Coldani, o Rafael para variar estava com o Tomás, ele havia passado aqui mais cedo para levá-lo para um passeio, meu pai havia saído para um almoço de negócios e ainda não havia voltado, isso me fez lembrar que hoje as meninas iriam almoçar com a Lizie.
– Sim – disse tentando despertar-me dessa minha lembrança – são excelentes e as ideias são ótimas, tenho certeza que irei gostar de trabalhar esse tempo por aqui – disse com mais ânimo.
– Tinha a certeza que você iria gostar, bom, bambina agora eu preciso desligar, qualquer coisa é só me ligar, va bene?
– Va bene, não se preocupe bambina.
– Tentarei – a ouvi rir – ah, você verá que deixar o Rafa com o outro avô poderá não ser tão ruim quanto parece – comentou, havia lhe contado sobre isso também.
– Espero que sim – não estava tão segura quanto isso, mas eu desejava que ela estivesse certa.
– Você verá que sim, bambina, não se esqueça de dizer ao Rafa que estou morrendo de saudades e lhe mandei um enorme beijo, ah ao seu pai também – revirei os olhos.
– Va bene bambina, direi aos dois.
– Ótimo, se cuide bambina, beijo.
– Beijo, bambina mia – disse rindo dela antes que a mesma encerrasse a ligação, meu pai entrou no quarto nesse mesmo instante.
– Oi, querida.
– Oi pai – ri lembrando-me da Isa e ele ergueu-me as sobrancelhas – acabei de falar com a Isa e ela lhe mandou um beijo – ele ficou tenso?! Ri da sua expressão.
– Bom – disse sem graça? – tem visita para você – minha vez de ficar com as sobrancelhas erguidas – estarei no meu quarto se precisar de algo, querida.
– Quem está aqui? – perguntei curiosa.
– Vá até a sala e descubra você mesma – disse saindo do quarto antes que eu pudesse dizer algo a mais.
Estava curiosa para saber quem estava a minha espera, então fui até a sala, sem me importar com como estava aparentemente, meus cabelos estavam presos em um coque frouxo, estava usando uma regata e um short jeans velho, nada apresentável. Merda, nada apresentável mesmo, diante de que estava a minha frente naquele momento.
– Oi – ele disse depois de um, bom, tempo que ficamos apenas nos encarando.
– Oi Diego – sorri-lhe fraco, Meu Deus, quando foi que fiquei tão sem jeito na presença dele? – sente-se – convidei e assim ele fez, sentei-me no outro sofá, quanto maior a distância melhor.
– O Rafael ainda está com o Tomás? – assenti – que bom – como?! – o Tomás me disse que eles iriam passear hoje de manhã e só voltariam mais tarde, então resolvi que seria uma oportunidade para que nós conversássemos a sós – explicou-me – é sobre o testamento do seu marido – era tão estranho e desconfortante ouvi-lo dizer essas palavras, seu marido.
– Sim, também acho que quanto antes resolvermos isso será melhor para todos – sorri fraco – você já está à parte de tudo?
– Estou – assentiu – o Jorge me informou, ele é o meu advogado – explicou-me e apenas assenti.
– Então, você irá aceitar ser o tutor do Rafa ou não? – preferi ser direta e ele respirou fundo.
– Se eu não aceitar te deixarei em uma situação pior a que já está não é?
– Não estou interessada no dinheiro – disse firme – Rafael e eu não precisamos dele.
– Segundo o Jorge, uma de suas contas foi bloqueada após o falecimento do seu marido, então você não deve estar em uma situação tão boa assim – merda, onde ele queria chegar com isso?
– Eu me viro – disse um pouco impaciente – mas você não respondeu a minha pergunta.
– Ainda não sei – respondeu incerto – e essa tia que o seu marido – mais uma vez essa palavra, marido – vocês se entendem? – me segurei para não rir.
– Sim, tia Giurgina e eu nos damos muito bem, eu diria – ele sorriu-me fraco – ela é uma senhora encantadora, a única parente do Giuse – ele ficou tenso?! – que ainda vive – completei – ah claro, tem a sua filha, Giuliana, que cuida da mãe com a ajuda do marido, eles vivem em Verona, mas por que a pergunta?
– Você sabe que ela será a tutora do Rafael, caso eu não aceite? – assenti – você preferiria que fosse ela, não?
– Sim, preferiria – confirmei sinceramente – mas todos eles já me disseram que não tem a intenção de serem os tutores, nem mesmo o Antonie, esposo da Giuliana – expliquei-lhe – a menos que eu lhes peça e se for verdadeiramente necessário.
– Eles sabem? – entendi sua pergunta.
– Sim, eles sempre souberam de tudo – acho que ele entendeu o tudo – e sobre o testamento, todos nós soubemos juntos, creio eu – disse incerta.
– Há uma clausula no testamento onde diz que o Rafael não é filho biológico do Montemezzo, mas mesmo assim ele foi declarado como o único herdeiro.
– Sim, eu acredito que o Giuseppe quisesse se cercar de que o Rafael seria o único beneficiado com o testamento, mesmo que ele não venha a ser um herdeiro biológico, mesmo que haja um tutor, os bens só poderão ser movimentos pelo próprio Rafael futuramente, há apenas duas contas que poderão ser movimentadas pelo tutor, uma delas era a nossa conta conjunta e a outra é a conta para onde ia parte do dinheiro do hospital, onde o Giuse trabalhava.
– Entendo – disse pensativo – eu pretendo ajudar vocês – o olhei confusa – financeiramente...
– Não queremos o seu dinheiro! – o interrompi um pouco irritada e ele me olhou impaciente.
– Sei que não, eu não quis dizer isso – bufou – mas mesmo assim eu quero poder ajudar, quero registrá-lo também – já deveria esperar por isso também, mas ouvi-lo dizer me deixou surpresa ou desconfortável, não sei ao certo – quero ser reconhecido como pai dele legalmente.
– Tudo bem – disse meio incerta – não me oponho, mas e quanto ao testamento?
– Aceitarei, na condição de que não farei nenhuma movimentação em qualquer que seja a conta ou imóvel do seu marido – disse firme – a menos que você me peça.
– Não pedirei – garanti-lhe, no exato momento que a porta da sala se abriu, entrando por ela meu filho gargalhando com o padrinho, nos levantamos e ele veio até mim se jogando nos meus braços e dando-me um beijo na bochecha, que lhe foi retribuído.
– Mamma, a senhora não vai acreditar a onde o padrinho me levou? – disse ficando tenso logo em seguida, ao notar quem estava na sala também o olhando atentamente – oi.
– Oi Rafael, tudo bem com você? – Diego perguntou e o menino apenas assentiu, ambos se olhavam tão intensamente sem dizer se quer uma palavra e eu observava-os, era tão incrível...
– Diego, meu filho, o que tá fazendo aqui? – Tomás disse, fazendo com que voltássemos nossa atenção para ele.
– Oi – sorriu para o amigo – vim ver o Rafael – meu filho o olhou confuso, mas não disse nada.
– Ah então, Rafa conta aí para os seus pais como foi o nosso passeio – Tomás o incentivou sentando-se no sofá, nós o acompanhamos, para ouvir o afilhado contar como havia sido o seu dia, seus pais, outra coisa que eu teria que me acostumar a ouvir constantemente a partir de agora. Não tardou muito para Diego e Tomás irem embora, o Rafael não falou muito durante o tempo que estiveram aqui, apenas o que lhe perguntávamos, ele estava visivelmente incomodado com a presença do pai, o que me incomodava também, assim como aparentava incomodar ao Diego.
Continua...
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