Começo, Meio E Fim
130 Capitulo 130
Pov Roberta
Quando entrei na cozinha, para deixar uma jarra de suco que Silvia havia me pedido para guardar, presenciei uma cena que me deixou satisfeita, Diego conversava com o pai, ambos sorriam, pareciam ter se entendido, estava tão entretidos que demoraram a perceber minha presença, não queria atrapalhá-los.
– Oi – disseram em uníssono.
– Oi – disse lhes sorrindo, deixando a jarra sobre a mesa – só vim deixar isso.
– Não se incomode, Roberta, já estou de saída – Leonardo sorriu antes de nos deixar a sós.
– Tá tudo bem?
– Tudo ótimo – aproximou-se de mim, envolvendo minha cintura, me afastei – o que foi?
– Aqui não – repreendi-o – alguém pode nos ver.
– Não tem ninguém aqui, coisa linda – puxou-me novamente, deixei-me levar dessa vez, pousando minhas mãos em seus ombros – eu quero sair daqui, quero ficar com você.
– Nós já ficamos juntos nas ultimas horas – lembrei-o – e eu quero ficar com o Rafael.
– Eu também – beijou a ponta do meu nariz, fazendo-me sorrir – quero ficar com os dois, sair daqui, dar um passeio por aí, apenas nós três, o que me diz?
– Sim, eu adoraria e não tenho duvida de que o Rafael irá amar a ideia também – sorri.
– Ótimo – deu-me um selinho – mas antes de irmos, eu quero uma coisa – sorriu de lado.
– Quer é?! – assentiu, antes de selar nossos lábios suavemente...
Meu sorriso ampliou-se assim que avistei Rafael no jardim, estava sozinho sentado em um banco, próximo a cozinha, onde há alguns minutos estava com Pilar e Larissa, do lado oposto ao outros presentes na casa.
– Filho – chamei-o, assim que meu olhar se cruzou com o dele, senti que havia algo errado.
– Eu quero ir embora! – disse firme.
– Ok – sorri aproximando-me dele, que se levantou dando um passo para trás – tudo bem? – assentiu ainda sério, parecia... Não, ele estava irritado, mas com o quê? Não tive tempo de perguntar, pois...
– Roh, nós já vamos – disse Carla, assenti, Tomás que estava ao seu lado, pegou o afilhado em seu colo, depositando um beijo em sua bochecha.
– Posso ir com o senhor, padrinho? – perguntou meu filho firme, fazendo os padrinhos arquearem as sobrancelhas e olharem para mim.
– Nós também já estamos indo, filho, para casa – disse antes que Tomás respondesse.
– O senhor pode nos deixar em casa, por favor? – perguntou novamente ao meu compadre.
– Claro que posso – sorriu ao menino, que não correspondeu, apenas assentiu – se sua mãe quiser.
– Pensei em irmos com o Diego – disse a ele, que ficou ainda mais carrancudo, céus o que está havendo com ele?
– Eu quero ir com os meus padrinhos! – ok, eu não fui a única a perceber o tom birrento e mal educado com que Rafael se impôs.
– Amiga, a gente vai se despedir das meninas e iremos te esperar se quiser ir...
– Ir aonde? – perguntou Diego, ao ouvir as palavras de Carla.
– A Roberta te explica – disse Tomás antes de deixar-nos, apenas Rafael, Diego e eu...
– Nós já vamos – disse-lhe, sendo observada pelo garoto mal humorado, que eu eduquei...
– Ótimo – o sorriso que Diego deu foi radiante – vou me despedir do pessoal e levo vocês.
– Não precisa, Diego! – merda, o que raios está acontecendo? As palavras de Rafael surpreenderam a mim e visivelmente desconfortou o homem ao meu lado, que se abaixou para encarar o menino.
– O que foi que você disse? – perguntou calmamente.
– Que o senhor não precisa se preocupar, pai, o padrinho irá nos levar – sua voz ainda era cortante e seu olhar frio, acredito que foi então que Diego percebeu, olhou-me confuso – vamos? – voltou sua atenção a mim, assenti.
– Não vai me dar um abraço antes de ir? – levou alguns segundos para que Rafael o abraçasse, em um gesto rápido, sem muita disposição – tchau, filho – Diego beijou o topo da cabeça do menino calado e emburrado.
– A gente se fala mais tarde – tentei de alguma forma tranquilizá-lo.
– Tá, tchau – correspondi seu fraco sorriso...
Cristo... Não via à hora de chegarmos ao meu apartamento, onde sem duvida o Rafael iria me dizer o que estava se passando com ele, o porquê do mau humor, a falta de educação e esse comportamento irritante, que estava me dando nos nervos...
– Onde o senhor pensa que vai? – perguntei quando o vi seguir em direção ao corredor, quando entramos em casa.
– Ao meu quarto, não posso? – respondeu-me presunçoso... Ah Senhor dai-me paciência...
– Não antes de termos uma conversa, sobre esse modo como você tem se portado nas ultimas horas – disse firme – você vai me contar o que está acontecendo?
– Não tenho nada para contar – retrucou – a senhora tem algo para me contar, Roberta? – minha reação a seguir surpreendeu-me muito, nunca havia até então pensado, de longe que fosse, em bater no meu filho, mas segurei-me para não cometer esse ato que considero odioso, não precisava tanto, apenas segurei firme em seus bracinhos, visivelmente assustando-o, fazendo-o arregalar os olhinhos.
– Jamais, está me ouvindo?! Jamais me chame pelo nome – meu tom saiu um tanto quanto ameaçador – para você, independente de qualquer coisa, sempre será mamma, mãe e de preferência mamãe, estamos entendidos? – assentiu – eu exijo que você seja no mínimo educado e gentil quando estiver diante de qualquer pessoa, o que você fez ainda pouco não foi à educação que lhe dei, me deixou envergonhada, principalmente pelo modo com você tratou o Diego, não quero que isso se repita, você entendeu?
– Sim, senhora, mamãe – disse um tanto quanto amedrontado.
– Ótimo – soltei-o – agora você pode ir para o seu quarto e pensar no que você fez – assentiu sem dizer uma palavra, esperei que ele se afastasse para então deixar-me cair sobre o sofá, irritada, frustrada e sem entender ao certo que se passou... Merda!
Quando você pensa que finalmente as coisas estão se acertando, vem algo para estragar tudo, não... Não necessariamente estragar, apenas paralisar ou retroceder um pouco, merda! Os dias que se seguiram não foram os melhores, desde o ultimo sábado, minha relação com o meu filho está “estranha”, para se dizer, ele tem estado distante, não voltou a se comportar “mal”, nem a desrespeitar quem quer que fosse, mas pouco fala comigo, apenas o que lhe pergunto, sempre de forma resumida, nada mais que o necessário, evita ao máximo que pode minhas demonstrações de carinho, voltei novamente a questionar-lhe o que está acontecendo, mas nenhuma resposta foi me dita com sinceridade... Diego vem dizendo que é apenas uma fase, que aconteceu com ele também, claro, como se fosse à mesma coisa, obviamente que não, afinal, eu sou a mãe dele! Essa situação está me deixando angustiada, esse comportamento dele era apenas comigo, já que com o pai, tudo havia voltado às mil maravilhas, exceto pelo fato do Rafael ter dispensado a presença de Diego essa semana, aqui em casa... Sem contar essa sensação estranha, à qual acordei hoje.
– Ok, então você quer que o Rafael frenquente esse psicopedagogo, três vezes por semana? – perguntou-me Diego, sentado ao meu lado no sofá de meu apartamento.
– Quero, acho que será bom pra ele, principalmente agora.
– Bom, isso limita nosso treinos para a competição, durante a semana – revirei os olhos.
– Diego, ele precisa de mais do que treinos, o Rafael precisa voltar a estudar, precisa voltar a fazer coisas que as outras crianças da idade dele fazem, além de brincar e se divertir.
– Eu sei, mas justo agora? – bufei – enquanto todas as crianças saem de férias, você faz com que ele volte a estudar.
– Enquanto todas as crianças estudavam, ele estava de “férias”, sem contar que na Itália, os colégios ainda estão em aula.
– Ele não está na Itália – ótimo, não era a única irritada, ignorei-o – você resolveu isso agora por que, posso saber?
–Já vinha pensando nisso há algum tempo – admiti – mas sábado, na casa do seu pai, eu comentei com a Débora sobre isso e ela me recomendou uma colega.
– Sei e é só isso? – assenti – e não tem nada a ver como o fato de você estar irritada, porque ele te chamou de Roberta?
– Não – talvez, mas não era apenas isso... – eu quero que ele tenha uma educação.
– E eu não quero? – ironizou bufando.
– Você entendeu – péssimo dia, Senhor... – e ele também quer voltar a estudar.
– Ele te disse isso? – assenti.
– Ele me pediu para voltarmos para casa – seu olhar arregalado e furioso me fuzilou – para voltarmos para Roma, o quanto antes, ele não te contou?
– Não – disse irritado – você não está pensando em...
– Não estou pensando em nada – interrompi-o dizendo, fazendo-o suspirar.
– Hey, vem cá, vem – ofereceu-me colo, não hesitei em aceitar, aconcheguei-me em seus braços, minha cabeça na curvatura do seu pescoço – nós vamos dar um jeito, não se preocupe – apertou-me ainda mais forte contra si – você irá buscá-lo amanhã na casa Pilar?
– Não – suspirei, sentindo seu cheiro – ela disse que irá trazê-lo, amanhã à tarde.
– Então eu posso ficar aqui, essa noite? – ri em resposta – eu conheço um jeito de fazer esse seu estresse passar – encarei-o, tentando não rir.
– Conhece é? – passando uma perna de cada lado do seu corpo, sentando-me sob seu colo.
– Aham, vai te deixar um pouco mais cansada, mas será de um modo bem satisfatório – suas mãos desceram da lateral do meu corpo até minha bunda, apertando-a, puxei levemente seu cabelo – você não irá se arrepender.
– Tenho certeza que não – em questão de milésimos de segundos, sua boca já estava reivindicando a minha, que logo deu passagem para que sua língua atrevidamente deliciosa adentrasse, enquanto nossas mãos faziam o mesmo trabalho, livrar-nos cada um de nossas peças de roupas, sem pudor algum...
Continua...
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