Começo, Meio E Fim
119 Capitulo 119
Notas iniciais
Pov Rafael
– Então o senhor já sabia sobre esse passeio no sábado? – perguntou-me mamma.
– Sim – respondei a ela, estávamos terminando de juntar meus brinquedos que estavam espalhados pela sala – a Lizie sugeriu domingo passado, mas o papai não gostou, eu acho – mamma me encarou confusa...
– Ah, o Diego não gostou? – assenti – então, eu vou – sorriu, retribuí.
– Ele também vai, pedi ao papai que fosse – contei a ela que riu – vai ser muito legal.
– Espero mesmo que seja – deu de ombros – a Lizie ligou e combinamos de irmos a praia.
– Eu já sabia também – sorri para mamma – será o ultimo final de semana dela, no Brasil.
– Ela comentou algo sobre estar voltando a New York mesmo – assenti – você gosta dela, não gosta meu amor?
– Sim, eu gosto, ela é muito legal.
– É, ela parece mesmo ser bem legal – suspirou – pronto, acabamos, agora deixa a mamma colocar essas coisas no seu quarto, vem... – assim que terminamos de arrumar meu quarto a campainha tocou – quem será?
– Não sei – acompanhei-a até a sala.
– Diego disse se voltaria aqui hoje?
– Não, ele foi ao jogo – disse sem ânimo, mamma não havia me deixado ir com meu pai, meu padrinho e o tio Peu, porque o jogo acabaria tarde, era final de campeonato – papai só vem me buscar amanhã, para o treino – deu de ombros, então abriu a porta, meus olhos arregalaram-se e me emburrei assim que avistei quem estava parado a porta...
– Oi, entrem – mamma sorriu a eles, que retribuíram.
– Oi Roberta – Pilar abraçou a mamma, em seguida Guilherme... Que fechou a cara assim que me viu – oi, lindinho – a mãe do menino que revirava os olhos me abraçou, retribuí.
– Como vai? – perguntei educadamente e ela sorriu.
– Vou bem, obrigada e você, como está?
– Bem, obrigado – sorri – onde está a Lari, ela não veio?
– Não, meu anjo, ela foi visitar a outra avó com pai – assenti.
– Que pena, Pilar, você poderia tê-la trazido – disse mamma a ela, verdade, poderia ter deixado o Guilherme, não a Lari...
– Ela quis ir com o Binho – sorriram uma para a outra – mas o Gui eu arrastei até aqui.
– Rafa, amor, por que você não leva o Gui lá para dentro e lhe mostra seu quarto, hein? – não!
– Não precisa – Guilherme disse as pressas.
– Precisa sim, pode ir querido – por que a mamma tem que ficar sorrindo para ele? – Rafael?!
– Venha – chamei-o a contra gosto e ele pareceu hesitar.
– Vai Guilherme – Pilar disse a ele, que bufou ao me acompanhar...
– Meu quarto – disse quando adentramos a cômodo, sentei-me sobre a cama e Guilherme permaneceu de pé, observando o ambiente – pode se sentar, se quiser.
– Tá – sentou-se na cama, um pouco longe de mim – legal – disse depois de um tempo... – eu não gosto de você... – dissemos em uníssono – por que você não gosta de mim? – perguntamos juntos novamente...
– Você não gosta de mim? – perguntei a ele, que assentiu – por quê?
– Meu tio e minha tia falam muito de você – bufou irritado.
– Meus padrinhos?!
– É, você tem outros padrinhos que sejam meus tios?
– Não que eu saiba – dei de ombros – eles também falam muito de você.
– Falam? – perguntou desconfiado, assenti – ah... – ficamos em silêncio por um tempo – eu tenho vontade bater em você – arregalei os olhos – mas não posso.
– Por quê?
– Minha mãe não gosta que eu arrume brigas e meu pai me proibiu de bater em alguém, principalmente se for menor do eu, o que é o seu caso.
– Mas eu vou crescer!
– Então eu espero.
– Tá, então eu também vou bater em você, quando for maior – ele assentiu – mas o que nós vamos fazer enquanto eu não cresço?
– Podemos brincar juntos se você quiser – sugeriu, assenti incerto – você tem uns brinquedos legais aqui, na minha casa também tem uns bem legais, dá pra gente brincar se for lá.
– Tenho que pedir para a mamma, se ela deixar eu vou...
Sábado finalmente, depois da noite de quarta-feira, quando brinquei com Guilherme, na minha casa, não nos vimos mais, mas combinamos que a mamma me levaria a casa dele, ela havia prometido a nós dois e a Pilar, que insistiu muito, até que no fundo ele nem é tão ruim... Papai me buscou no apartamento da mamma todas as manhãs, para o nosso treino, e no final da tarde me levava de volta, depois que saia do trabalho... Mamma e eu estávamos caminhando no calçadão da praia de Ipanema, havíamos marcado de nos encontramos com meu pai e Lizie aqui, em um quiosque... Soltei da mão da mamma e corri em direção ao papai, assim que o avistei...
– E aí, campeão?! – papai me acolheu em seus braços, beijando o topo da minha cabeça, abracei-o, em seguida dando um beijo na bochecha de Lizie, que retribuiu.
– Oi gatinho – sorriu – oi Roberta – abraçou a mamma, que pareceu ficar tensa antes de retribuir ao abraço de Lizie.
– Oi Lizie – sorriu levemente para ela, encarou papai seriamente, mas não o cumprimentou, assim como fez durante todos esses dias que se passaram, não sei porquê, não estão se falando.
– Bom – disse Lizie fazendo com que papai e mamma quebrassem seu contato visual – acho melhor irmos a areia – sugeriu e assentimos...
Não havia muitas pessoas na praia, pois ainda era cedo, acredito, papai e eu entramos no mar, enquanto mamma e Lizie permaneceram na areia, acho que elas se entenderam, vez ou outra riam juntas e conversavam naturalmente, menos meus pais... Ficamos um bom tempo lá, até que fomos almoçar em um restaurante perto de onde estávamos, depois voltamos para o calçadão, mamma queria ir para casa, mas papai queria continuar comigo na praia, então...
– Nós iremos para casa, já disse – mamma disse firme, estavam quase gritando um com outro.
– E eu já disse que Rafael e eu permaneceremos aqui, vá para sua casa você!
– Não...
– Gatinho, vem comigo, vou te comprar um sorvete – Lizie me chamou, fazendo com que eu a seguisse, sentamos em um quiosque para saborearmos o meu sorvete, enquanto meus pais discutiam, acho que nem perceberam que não estávamos mais lá, Lizie ficou de frente a eles.
– Eles ainda estão brigando? – perguntei a ela, que visivelmente estava de olho nos dois, assentiu – eles não se falaram à semana toda.
– Eu sei – deu-me um sorriso fraco – isso te incomoda, não é? – assenti – não se preocupe, vou dar um jeito nisso, neles.
– Como? – perguntei a ela que não me respondeu, apenas arregalou um pouco os olhos – o que foi? – ia virar o rosto para encarar o que tanto ela olhava, mas a mesma segurou me rosto e sorriu.
– Nada, gatinho, não foi nada – a encarei confuso – apenas termine seu sorvete.
Continua...
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