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13 Capítulo 12 — Insira a Senha


Notas iniciais
Olá sz

O Instituto Westin Hills estava em atrito. Algo como aquilo nunca havia acontecido antes. Três enfermeiros e uma recepcionista estavam no quarto 13, de Enzo Monroe. Eles correram pra lá assim que escutaram um alto estalar, com três repetições. As três vezes que Galeno acertou seu amado mestre com uma bandeja de almoço.

Os enfermeiros estavam fazendo curativos na testa de Enzo, que ainda estava inconsciente. No momento que chegaram ao quarto, eles checaram o pulso do autor e viram que seu coração ainda batia e em algum momento acordaria. Os analgésicos já estavam sendo separados e as suturas quase finalizadas, tudo estava quase sob controle. Quase.

— Alguém entrou aqui. — Uma enfermeira loira, com o crachá nomeado como Andrea, disse enquanto cuidava dos ferimentos de Enzo.

Outro enfermeiro lançou um olhar duvidoso para Andrea.

— Tess estava cuidando da recepção todo o tempo. — Disse ele apontando para a recepcionista no canto da sala. — Não é possível que alguém tenha entrado. É?

Tess negou.

— Hoje não era tarde de visita, ninguém entrou pela porta da frente.

— E pelos fundos? — questionou Meredith, outra enfermeira, que trazia os analgésicos.

Tess negou novamente.

— Impossível. — ela cruzou os braços, caminhando em direção a porta. —Elton estava organizando as caixas de gazes e remédios lá nos fundos. Eu mesmo o pedi para fazer isso. Ele teria visto se alguém tivesse tentado entrar por lá.

Andrea correu os olhos pelo quarto, enquanto colocava um curativo na testa de Enzo, e levantou um olhar duvidoso.

— Onde está Elton? — ela perguntou.

— Ele me avisou que sairia quinze minutos mais cedo. — Tess suspirou, negando devagar. — Sabe como ele é. Essas aulas de teatro que ele faz! Infantilidade para um rapaz de mais de quarenta anos, em minha opinião.

O silêncio tomou conta da sala durante alguns segundos. Abre e fecha da lixeira, barulho dos comprimidos sendo separados, passos rasos, era tudo o que se ouvia, até o único homem da sala se pronunciar.

— Informarei o ocorrido à médica-geral. Acredito que devemos chamar a polícia.

E ele deixou o quarto.

**

Elizabeth tinha dado ordens expressas para não ser incomodada naquele fim de tarde. Ela se encontrava da mesma forma durante semanas: concentrada em diversas folhas e fotos espalhadas em sua mesa, tentando criar ligações entre os casos e re-ouvindo pela vigésima vez o testemunho de todos os casos dos assassinatos em série do Condado de Madrin. E esses testemunhos pareciam quase os mesmos, com as mesmas afirmações: eu não vi uma segunda pessoa, quando cheguei lá, ele – ou ela – estava sem vida numa poça de sangue.

Quando a delegada desviava os olhos de sua mesa, ela via os jornais amassados em sua lixeira, todos com manchetes semelhantes:

ASSASSINATOS – OU SUICÍDIOS – EM SÉRIE NO CONDADO DE MADRIN: ASSASSINO PSICÓTICO A SOLTA OU SURTO GERAL?

CONDADO DE MADRIN VIVE TERROR ADOLESCENTE

ONDE ESTÁ A POLÍCIA DO NORDESTE DOS ESTADOS UNIDOS? CONDADO DE MADRIN VIVE BANHO DE SANGUE

E em todos os jornais a mesma matéria se repetia. Uma história que ligava as vítimas, que morriam em circunstâncias peculiares e sugestivamente semelhantes, sem nenhum registro de uma segunda presença na cena do crime, e ainda mais: o autor da história.

O primeiro pensamento da delegada Marsh era ir atrás do dono da história, até que ela descobriu que ele estava internado da clínica psiquiátrica no centro do condado, quase na divisa dele, semanas antes dos assassinatos terem início. Então, ela ainda estava sem nada concreto.

Marsh não sabia mais o que fazer. Ficou fitando seu relógio cuco na parede, implorando que alguma nova informação caísse dos céus. Então ela ouviu duas batidas suaves em sua porta.

— Entre.

A porta foi aberta revelando a imagem de um homem com barba feita, de cabelos escuros e olhos negros, usando roupas sociais claras. Em seu crachá estava nomeado como “Hunter” e em parênteses estava sua função, “perito criminal federal”.

— Eu descobri uma coisa. — ele disse, entrando na sala e deixando a porta aberta.

A delegada levantou-se deliberadamente de sua cadeira e calmamente ajeitou os botões do seu blazer bege.

— É sobre o caso dos assassinatos em série? — Marsh perguntou.

A polícia ainda tratava o assunto como assassinato, era tristemente mais fácil assim. Elizabeth torcia intimamente para que ele não dissesse que era sobre outra coisa qualquer, mas para o contentamento da delegada, Hunter assentiu devagar. Com a expressão misteriosa, o perito apontou pra fora e saiu, Marsh o seguiu, trancando a porta antes de sair.

Ambos atravessaram a delegacia e entraram um seguido do outro numa sala grande e vazia, parcialmente bagunçada, de paredes brancas e pisos claros. A mesa de metal que lá havia, estava coberta por papéis, canetas e rabiscos, como se Hunter estivesse tentando decifrar algo por horas. No outro lado da sala, havia prateleiras de ferro com pastas nomeadas com os nomes dos antigos casos pelos quais o perito passou, todos foram encerrados com êxito.

Eles estavam na, onde Hunter trabalhava a maior parte do tempo.

— E então? — A delegada perguntou.

Hunter sentou-se à mesa de seu computador e abriu um arquivo. A tela se encheu de números e nomes distintos.

— Eu consegui copiar todos os históricos, spams, emails, downloads, extensões, basicamente tudo o que havia nos notebooks ou computadores daqueles jovens mortos. — disse o perito, enquanto teclava aleatoriamente. — E copiei tudo isso para um pendrive e consegui passar as informações obtidas para o meu computador.

Elizabeth mantinha os olhos cravados na tela.

— E o que descobriu? — ela perguntou.

Hunter pigarreou baixo.

— Além de várias guias abertas em dias aleatórios na página de “Cemitério da Morte”, a história que aparentemente era a única coisa em comum entre os jovens, eu achei outra coisa que os unia. — Hunter deu mais umas tecladas e cliques, abrindo uma aba na internet e revelando uma página incomum. — Isto.

Nem de longe a delegada reconheceu aquela tela, ou o que havia nela. Era um quadrado preto enorme, com um retângulo menor abaixo que parecia um espaço de digitação. A tela parecia travada e no centro dela havia uma mensagem: Insira a senha.

— Senha? Que senha? Que site é esse? — Elizabeth perguntou, apoiando a mão direita na mesa do computador, sem tirar os olhos dele.

— É uma tela de bate-papo. — Hunter respirou fundo, virando-se para a delegada. — Todos os históricos dos computadores, tablets, celulares ou notebooks dos falecidos, tem de 20 a 40 acessos nessa mesma sala de bate-papo. Nomes, datas, históricos de conversas, membros, ou seja lá o que for, eu só descobrirei quando eu tiver a senha.

— Você pode descobrir isso? — Perguntou Elizabeth.

O perito soltou uma risada fraca e debochada.

— Mas é claro. — ele tornou a se virar para o computador. — Agora que cheguei até a raiz da situação, ou seja, a sala de bate-papo, eu só preciso destravá-la.

Elizabeth soltou um suspiro quase de alívio, ela finalmente tinha uma brecha nova para investigar.

— Excelente. — a delegada saboreava o sentimento de conquista. — Eu vou continuar a interrogar as pessoas próximas das vítimas enquanto você faz isso, Hunter. E claro, torcer para que não aja mais nenhuma.

Elizabeth se afastou do computador, mas ainda deu uma última vistoriada na tela do site e percebeu algo no canto da tela.

— O que quer dizer “criador”? É o dono da sala?

— Sim, quem fundou e quem tem o comando da sala. Ou seja, tira, põe, bane as pessoas da sala de bate-papo. — assentiu Hunter.

— Você tem o nome desse criador? — Marsh perguntou, caminhando até a porta de saída. — Pode ser útil.

— Eu até tenho, inclusive foi a única coisa que me apareceu quando tentei desbloquear a sala. — o perito deu os ombros, com irrelevância. — Mas não me parece ser um nome real. Mas enfim, é o dono da sala, de qualquer forma.

— E quem é? — Marsh perguntou, parando na soleira da porta.

Hunter respondeu, com o cenho franzido:

Galeno Withlock.

**

Lydia chegou mais cedo em casa, sozinha. E estava muito mal humorada. Jogou sua mochila no sofá e deixou os seus tênis sujos de lama perto da porta, claro, também tirou suas meias, por que Lydia Woodsen jamais andaria só de meias. Esse era o nível de rebeldia da garota. Sujar o chão de lama e deixar sua mochila largada em qualquer lugar, isso era muito para Lydia. Mas nos últimos dias, ela se sentia esgotada com tudo. Com sua casa, com sua escola, com seus primos. Ela os amava verdadeiramente, e isso vinha lhe surpreendendo mais e mais desde que se deu conta que estava realmente com medo de que algo os acontecesse, algo em relação aos assassinatos.

E isso não parava de passar na TV, e não parava de sair nos jornais, e até no café da manhã da casa dos Ashter isso já tinha sido mencionado, e alguns olhares nervosos foram trocados entre Soul, Alice e Lydia. Mas nem sequer uma palavra dita. Lydia respirou fundo, afagando os próprios cabelos. Ela não agüentava mais pensar nisso então decidiu aproveitar que estava sozinha em casa e subiu até seu quarto pretendo ligar o som alto e tomar um longo banho morno.

Ao adentrar no cômodo, a garota observou as duas camas, sua e de Alice, ambas cobertas e arrumadas. Primeiramente, ela se impressionou por Alice e ela terem finalmente se lembrado arrumar o quarto as camas. Lydia arqueou suas sobrancelhas ao perceber algo em cima de seu travesseiro. Era um bilhete. Ela pegou-o e alisou-o com a ponta de seus dedos, então abriu o selo e tirou de dentro do envelope um bilhete escrito com uma grafia semelhante ao que ela já havia visto no bilhete misterioso de Alice.

“Você está fora da minha lista, ladymoon.”

— Galeno.

Notas finais
Obrigada por ter vindo até aqui ♥