Come back home
3 Milagres
Notas iniciais
No dia seguinte, a Haruno acordou às quatro da manhã como de costume, dirigiu-se ao banheiro, tomou banho, vestiu uma camisa branca de mangas longas e uma calça preta, ambas, peças confortáveis e sem muitos enfeites, bem como calçou sapatilhas vermelho cereja. Penteou os curtos cabelos róseos, tomou café, escovou os dentes e aplicou um pouco de gloss. nos lábios, não gostava muito de maquiagem. A ultima vez que usara a rosada acabou toda pintada, tinha sido uma experiência de pura diversão que deixara no passado. Ligou o carro e foi para o hospital em que trabalhava.
Como sempre, Sakura cumprimentava os pacientes da recepção, ia para sua sala, vestia o jaleco e começava a rotina de trabalho. Fazia testes em recém-nascidos para observar se estava tudo bem com a saúde daqueles que seriam o futuro de sua adorada nação nipônica. Examinava os ouvidos, coração, e, principalmente os olhos. Ela rezava todos os dias para que aquelas crianças crescessem fortes e sadias. Adorava seu trabalho, pois exercia com todo o carinho de uma mãe que cuidava de um filho.
Após isso, foi para a ala onde se encontravam os idosos. A garota adorava ficar ali, não se limitava apenas a enchê-los de drogas e de uma dúzia de palavras como faziam muitos. Ela os ajudava, conversava abertamente e contava piadas. Era praticamente a família deles. Há algum tempo havia se apegado a uma senhora a qual todos taxavam de louca, pois sempre andava de um lado para o outro, caçoando e fazendo enigmas que praticamente ninguém conseguia resolver, exceto por uma moça de cabelos róseos muito determinada e acostumada a resolver problemas. Sakura nunca saia de perto daquela mulher que tentava inutilmente fazê-la sair de seu caminho.
Certa vez, após muitos dias observando-a, Sakura resolvera ir até seu quarto para conversar. A idosa portava instrumentos muito conhecidos pela moça. Não, não se tratava de agulhas, bisturis, cateteres ou esfigmomanômetros, caro leitor. Eram papéis, canetas, livros, esquadros, um copo plástico de café e muitos, muitos cálculos.
– Sabe, — disse a mulher de cabelos grisalhos acenando para que Sakura entrasse. – Eu era uma engenheira...
Ela queria enchê-la de perguntas sobre sua família, amigos, profissão e sua vida pessoal. Mas nada saia de sua boca.
– Você deve se perguntar como eu cheguei aqui, não? – perguntou a mulher se virando para ela.
Sakura balançou a cabeça em sinal de aprovação enquanto viu que o copo de café pingava.
– Eu fui uma das melhores – começou. – Mas por minha personalidade excêntrica logo me chamaram de louca, daí fiquei com medo e desisti. – disse em tom triste. – Abandonei minha vida, carreira, família e todos aqueles que eu amava.
A rosada ao ouvir isso pegou um curativo espesso e com muito jeito e habilidade consertou o copo que pingava. Intrigada, a idosa olhou para ela e após alguns instantes falou:
– Como você me ajudou – disse ela. – Acho que também devo fazer minha parte. –falou estendendo os dedos fazendo um quatro e perguntou o que Sakura conseguia ver.
Porém, por mais que a jovem olhasse realmente só conseguia enxergar o número quatro.
– Concentre-se, filha – disse a mulher. – Você só precisa ver através dos dedos.
Ela fez o que a paciente disse e, como mágica, a resposta que poucos conseguiam dar apareceu.
– Oito... – disse ela sorrindo sem acreditar.
– Parabéns, criança. – disse a mulher abraçando-a. – Eu sabia que você tinha bons olhos. Agora, olhe para mim, eu também conheço os seus problemas. Mas, se puder ouvir os conselhos de uma mulher vivida, ouça. Não tenha medo como eu tive, entende?
– Medo?- perguntou a jovem querendo chorar. – Você quer dizer... Medo do que os outros pensam?
– Não, menina – disse a mulher olhando calmamente para a médica. – Estou falando daquele medo que te aprisiona, te fecha e vence você, mas apenas se permitir.
– Então, quer dizer que não tenho que ter medo... – disse hesitante. – De mim?
– Exatamente. – disse dando uma de suas famosas gargalhadas.
Desde então se tornaram grandes amigas, quando o médico-chefe Orochimaru chamou a rosada, ela estava conversando com a mesma.
– Chiyo- Baasama...
– Vá, filha. – disse a mulher. – Pode ir,
Ela se virou e acompanhou o homem de longos cabelos negros e aparência peculiar.
– Sakura... – chamou a mulher.
– Sim? – perguntou.
Chiyo limitou-se a movimentar os lábios a fim de passar-lhe uma mensagem que Sakura entendeu perfeitamente.
– Pode deixar. – pensou. – Eu também acredito, Chiyo-baasama.
(...)
Orochimaru informou que se tratava do caso que a rosada acompanhava há um ano e que o paciente apresentava alguma melhora, seus batimentos cardíacos estavam normais, bem como a pressão sanguínea. Mas ainda não havia recobrado a consciência.
– Entendo... – falou tentando disfarçar a tristeza.
– Nós já realizamos os exames por você. – disse Orochimaru afavelmente enquanto entregava a prancheta. – Se você quiser ficar aqui um pouco...
Sakura pensou um pouco, hesitante. Ela era a responsável por aquele paciente, mas não queria que ele soubesse disso quando ele acordasse. Não queria mais problemas em sua vida.
– Entendido. – disse Sakura entrando enquanto Orochimaru a deixou sozinha.
Ela sempre se emocionava ao entrar naquele lugar, era incrivelmente parecido com um local onde já estivera antes. As cortinas eram de um azul escuro, havia prateleiras com alguns livros e uns bonequinhos do Mario e do Luigi perto da cama, nela estava deitado Uchiha Sasuke, seu antigo ex-melhor amigo, e aquele lugar fora especialmente preparado para ele. Porém, a maior surpresa foi ver que bem ali, diante de seus olhos, estava nada mais, nada menos, que o próprio Fugaku Uchiha, pai de Sasuke.
Era a primeira vez o via ali, Mikoto e ele eram separados e homem, pelo que Sasuke falava, sempre fora afastado da família, tinha tempo apenas para o trabalho. Além disso, não tinha sido um pai exemplar. O rapaz crescera apenas com a mãe e o irmão mais velho, Itachi. O que ele estaria fazendo ali? Teria o ocorrido comovido o iceberg que ele tinha no lugar do coração?
– Sakura-san! – disse ele apertando a mão dela. – Obrigado por cuidar de meu filho.
– Não precisa agradecer, senhor. — disse ela friamente. – Sasuke era...
– Sim – cortou ele. – Vocês eram bem próximos, não?- perguntou com um sorriso estranho.
– Bem, — disse ela. – Vamos deixar o passado em seu lugar. Devo cuidar dele porque sinto que ainda devo muito a seu filho, portanto, me responsabilizo por ele.
Ela ainda se sentia culpada pelo que tinha ocorrido.
– ótimo! – disse ele. – Mas, devo dizer que não deve se culpar pelo o que aconteceu.
Ele sabia...
Enquanto pousou a mão no ombro da rosada ele continuou. – Coisas assim acontecem, mesmo se não quisermos, mas eu realmente estou muito feliz por ter alguém tão competente cuidando dele, Tchau, Sakura-san!
Sakura estava paralisada fitando o chão, só ouviu a porta se fechando atrás de si. Deixando-a as sós com o moreno que parecia apenas dormir tranquilamente.
Ela sentou em uma cadeira próxima a cama e começou a olhar para seu rosto, quando percebeu, sua mão já tomava a dele. Antigas memórias percorriam a mente dela.
– Responda garota! – gritou uma ruiva. – O que está fazendo agarrada com meu namorado?
Sakura já ia começar a falar, mas Sasuke se antecipou e estendeu o braço, começando a falar.
– Karin – disse ele. – Acho que devemos esclarecer algumas coisas. Primeiro, eu não sou seu namorado. Segundo, não foi ela que abraçou, fui eu. – o que fez o ódio da garota aumentar ainda mais. – Por fim, não te interessa o que eu faço ou deixo de fazer.
Nessa hora, todos os presentes começaram a vaiar a ruiva que partiu para cima de Sakura, segurando seu braço com força. Sasuke e Naruto já iam separar as duas quando um trio de garotas apareceu atrás de Hinata.
– O que está fazendo, Karin? – perguntou uma morena de coques cerrando os punhos.
– É melhor você deixá-los, monstrenga! – disse uma loira de cabelos longos.
– Vai encarar? – perguntou outra loira que vestia uma blusa com "Eu vou matar o Ryu!" escrito.
Ouvindo isso, a garota bufou e saiu. As outras meninas foram de encontro a Sakura que estava com Hinata.
– Você está bem? – perguntou a loira com a blusa nerd.
– Sim. – disse Sakura. – Por sorte ela não me machucou, obrigada!
– Que isso... – disse a menina de coques. -Mas você vai ter que ter mais cuidado, qual o seu nome? O Naruto e o Sasuke nós já conhecemos.
– Sou Sakura Haruno e essa é Hinata Hyuga – disse mostrando a amiga.
– Hyuga? – perguntou a morena.
– Algum problema? – perguntou Hinata.
– Nenhum. – disse a menina rindo. – Eu sou Tenten, e essas são Ino Yamanaka e Temari.
Aquele foi o inicio daquela amizade duradoura. Logo após, Sakura descobriu que Tenten fazia educação física, Ino, cinema e Temari, Ciências da computação. Como as três moravam longe da universidade, Hinata convidou-as para morar com elas, que aceitaram prontamente.
– Mas a gente não vai ficar de graça, né? – perguntou Temari. – Cada uma faz alguma coisa.
– Claro. – disse Ino. – Só não sei o que a Tenten vai fazer a malandra só sabe comer.
– Eu ensino artes marciais Chinesas para todo mundo! – disse com um sorriso comparável aos de Naruto. –Aí vai ter mais gente pra ajeitar o focinho da Karin.
– Mas, afinal – disse Hinata – Qual é a dessa garota?
– Sei lá... – disse Temari. – Só sei que ela é fã de carteirinha do Sasuke, além de ser prima do Naruto.
– O que? – disse Sakura engasgando com o suco que tomava. – Ela é uma Uzumaki também? Ela nem é loira...
– Ao contrário – disse Ino. – Naruto que é a aberração genética da família, todos eles são ruivos. – disse ela. – Ele que parece mais com o pai e...
– Estão falando de mim? – perguntou Naruto aparecendo do nada com Sasuke do lado. – Sim, eu pareço mais com meu pai, Minato Namikaze.
– Minato Namikaze? – perguntou Hinata. – Das empresas TBR?
– Sim. – disse o loiro sorrindo.
– O que significa TBR? – Perguntou Sakura.
– The Best Rámen. – disse Sasuke.- O cabeça oca aqui é herdeiro das empresas, se brincar, ele toma banho de dinheiro que nem o tio Patinhas.
Sakura se segurava para não chorar no quarto onde estava o Uchiha, mas as lembranças eram como um turbilhão em sua cabeça. De repente, conseguia se ver em dia radiante de primavera junto com todos no parque Ueno para celebrar o festival da cerejeira. Todos tinham dezenove anos, terceiro ano da faculdade. Eles tinham dormido na casa das garotas e no dia seguinte foram para o piquenique embaixo das árvores que nomeavam a rosada.
Nessa época, haviam conhecido os outros amigos de Naruto: Shikamaru Nara, Ciências da computação, mais conhecido como futuro sócio de Bill Gates, Sai, artes plásticas e Neji Hyuga, fisioterapia, primo de Hinata.
Aquele era o dia de trocar presentes e todos estavam animados. Sakura estava ansiosa para saber se o presente que comprara iria agradar a pessoa que tinha tirado. Ficou surpresa ao saber que tinha ganhado um belo colar com um pingente em forma de flor de cerejeira dado por Sasuke e ele, mais ainda por ganhar um colar com o símbolo de sua família.
Desde aquele, dia ela nunca saia de casa sem aquele tão precioso presente no pescoço. Sakura já não agüentava e começou a soluçar e chorar diante do corpo estático do moreno, quando a mão que segurava se contorceu e o cenho do rapaz franziu. Ela não sabia o que fazer, lembrou-se apenas das palavras que Chiyo lhe dissera antes:
“Acredite filha. Milagres acontecem, principalmente para aqueles que amamos."
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