Come With Me Now

1 I Was Born Without This Fear


Notas iniciais
Bom, considerando que tudo o que está abaixo é original de minha pequena mente "normal", acho que não há muito a dizer exceto um "Boa leitura!" Considerem também, meus caros, que esta história foi escrita diretamente no site do Nyah, portanto, qualquer erro eu ficaria grata em ser informada.

"She paints her fingers with a close precision
He starts to notice empty bottles of gin
And takes a moment to assess the sins she's paid for"

Acordei. Realmente, era uma das coisas que estava na minha lista de "não fazer". Tive de levantar, com muita dificuldade por ter que desviar dos cigarros e das garrafas da noite passada -havia sido uma noite e tanto-, a noite em que eu havia planejado tudo.
Não, dessa vez não iria falhar, eu não ia desistir.

Tomei um banho rápido, vesti-me e saí para o trabalho e, ao entrar no ônibus, observei todos ao meu redor calmamente enquanto meus fones de ouvido já me traziam os pensamentos que me fariam acabar com tudo e todos.

"People think I'm crazy
'Cause I'm all the time making faces"

Entrei no prédio em que trabalho, sorridente por conta do "pequeno" estrago que ali faria na primeira oportunidade que me surgisse. Ouvi novamente meu chefe falar ao telefone, junto com seus negociantes, sobre a morte que causariam caso invadissem o lugar que haviam planejado. Não só isso, mas ouvi também risos e pequenos comentários como "eu não me importo com esses pobres. Por mim, podem todos morrer!"

"I can kill 'cause in God I trust, yeah (...) I'm a beast, I'm the man"

Realmente, chefe. Por mim, você pode morrer.
De qualquer forma, fui obrigada a seguir meu caminho para dentro de meu escritório, onde meus planos teriam início.
Veja bem, meu caro acompanhante, não estou preparada da cabeça aos pés. Não tenho um uniforme para me esconder e para garantir a segurança de minha identidade. No fim, todos estarão... Bom, posso me assegurar que ninguém irá me ver fugir.

Dei início.
Procurei tudo o que precisava -o que não era muito, já que eu já havia pego todos os preparativos em casa e guardado-os na maleta- e coloquei em ação o meu plano.
Ou ao menos a primeira parte dele.
Eu sabia que o prédio era tão "bem cuidado" que seus extintores já estavam vencidos, seus sprinklers já não funcionavam mais, e suas saídas de incêndio estavam tão enferrujadas quanto um anel falso, exceto por uma -a minha porta de escape.
Paciência era a palavra-chave. Aguardei horas dentro de meu cubículo de papeladas e computadores. Ao tocar o sinal de intervalo, vi todos se retirarem de seus respectivos "favos" e me preparei.
Álcool, papel, fogo, agilidade, tempo. Tudo pronto para dar início ao meu pequeno parque de diversões. Depois de passar cubículo por cubículo acendendo pequenos focos dentro das lixeiras, alimentei o fogo com alguns papéis de arquivos importantes picados -no fim, já não importariam mais.
E assim começou o incêndio no pequeno prédio da "Meu chefe merece coisa pior & CIA".

"So you're mistaken
If you're thinking that I haven't been called 'cold' before"

Primeira parte executada com sucesso.
Agora que a primeira distração já estava a tona, corri para a rua de trás do prédio em chamas e a cerquei usando faixas de "policiais" e usando um megafone.
– Atenção bichas, negros, brancos, pardos... Foda-se! Atenção seus filhos de uma grandessíssima puta, se ousarem tentar sair de dentro dessa área, vocês irão tomar no cu de um jeito não muito amigável, se é que me entendem. Vocês têm o direito de permanecerem calados até o fim do MEU SHOW! Entenderam? Meu! E eu estou pouco me fodendo se vocês não gostarem!
Ao terminar meu pequeno anúncio, coloquei em ação minha "patrulha" para que ninguém saísse. De que forma? Ora, meu querido acompanhante, da forma mais simples: usando armas.

"You know where you are?

You're in the jungle baby

You're gonna die"

"Tenha piedade" eu ouvia, "Meus filhos estão em casa!" ouvia eu.
– Estou cagando em seus filhos, aqueles pequenos porcos gordos e sedentários. Você me ouviu? — agarrei o rosto do homem que havia mencionado os filhos, seus olhos cheios de medo e arrependimento por ter me desafiado — PORCOS GORDOS E SEDENTÁRIOS!
Não me contive, e ali caiu um corpo.
Gritos ecoaram na rua, e eu novamente controlei-os com meu megafone
– Escutem aqui, seus vagabundos porcos nojentos e estúpidos! Se eu ouvir mais um grito, o menor e mais baixo que seja, eu vou explodir esse lugar!
Estava errada em pensar que ninguém ouviria da outra rua. Policiais foram rapidamente acionados e assumiram um a um seus lugares ao redor do meu pequeno playground.

A brincadeira agora se tornaria mais divertida.
Após anos de treinamento, atirei contra um tanque de gasolina de um dos carros dos policiais que, desavisados, voaram nos ares. Não inteiros, mas sim pedacinho por pedacinho.
Uma chuva de órgãos e sangue quente caiu sobre minhas vítimas enquanto, a distância, uma explosão em sequência de carros de polícia acontecia.
Eu sei que iria pro inferno, porém...

"I was born without this fear"

E assim, finalmente dei início ao meu festival de sangue.
Os carros queimavam intensamente, atrapalhando a passagem ou a saída de qualquer um -inclusive da própria polícia.
Cansada da arma de fogo, guardei-a na cintura e procurei por perto algum taco de beisebol ou algo semelhante -meu objetivo era fazer com que, um por um, todos "perdessem a cabeça". Como diz o ditado: "Quem procura, acha", e para o azar dos meus pequenos porquinhos, eu encontrei o taco.
Andei lentamente entre eles, procurando o primeiro que servisse de exemplo para os outros. E novamente: "Quem procura, acha".
– Você, pequeno vagabundo miserável, levante-se.
O garoto não teimou ao me ver, jogou seu vídeo-game portátil para o lado e ergueu-se num pulo, me seguindo.
Novamente com o megafone em mãos, chamei a atenção para meu palco improvisado em cima de um carro. O menino estava de joelhos ao meu lado, suando intensamente.
– Respeitável público, aproximem-se POR ORDEM MINHA e assistam ao novo espetáculo de entretenimento!
Lentamente as pessoas se aproximaram, posicionando-se em lugares com vistas ótimas para meu show.
"Meu bebê! Meu filho! Tenha piedade!" ouvi de uma mulher em meio a minha plateia.
– Olha aqui, minha querida vadia. Esse seu imprestável que você chama de "bebê" terá SIM o fim que eu acho que ele merece. E sinceramente? Você também. Te vejo no inferno, vagabunda filha de uma puta! — Apenas um tiro certeiro na testa serviu para calar seu choro, e derrubar seu puro sangue no asfalto. — Servos, seus vagabundos miseráveis, levem o corpo dela para alimentar o fogo. O show só acaba quando o último corpo queimar no inferno. — Dei um de meus sorrisos frios. Estava guardando-o há tempos.
Não precisei chamar a atenção novamente quando me virei e me preparei para o meu espetáculo. Preparei-me, o taco na posição certa, a força na medida exata, o sorriso de vitória garantido...
Em uma tacada só, a cabeça do garoto ao meu lado se desconectou de seu corpo com uma facilidade que cheguei a estranhar. Seu corpo caiu ao meu lado e jorrou sangue na minha plateia, deixando-os vermelhos e assustados.
Ironicamente, talvez, a cabeça do menino foi parar no colo do cadáver de sua mãe antes do mesmo ser jogado nas chamas -fazendo com que as mesmas ganhassem força.
Corpo após corpo, minha roupa se encharcou de sangue, meus olhos absorveram as chamas, e todos os que antes eu havia vitimizado, agora estavam jogados na minha frente. Negros, jovens, mulheres, homens, brancos, ricos, pobres... Todos tinham o sangue igual. Todos tinham o sangue no qual eu rolei em cima, rindo feliz de meu feitio.
Uma gargalhada feliz como a de uma criança, ou a de um bebê. Uma gargalhada doentia que me possuía dos pés à cabeça, fazendo com que minha adrenalina subisse, meu coração acelerasse, meus olhos chorassem e minha barriga doesse.

Uma gargalhada eterna

No fogo do inferno.

"Crash, crash, burn, let it all burn"

Notas finais
Algumas músicas que quando ouço me trazem tais pensamentos (Retirei trechos das mesmas): Paranoid - Black Sabbath; Welcome to the Jungle - Guns n' Roses; Come with me now - Kongos; The ballad of Mona Lisa - Panic! At the disco; Crying Lightning - Arctic Monkeys; Do the Evolution - Pearl Jam; Hurricane - 30 Seconds to Mars. (não necessariamente nessa ordem) Isso é tudo, pessoal.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!