Come Closer.
2 Parte 2
VIII
“Se achava que passaria a entender o amor com o tempo, não poderia estar mais enganado.”
– Natsu, se você comer novamente meu pedaço de pizza, garanto que não comerá mais nada por umas duas semanas, se é que me entende. – Lucy ameaçara com um brilho feroz nos olhos ao puxar o namorado para perto pelo colarinho. A noite dos amigos começara há pouco tempo, mas as pizzas encomendadas já haviam se acabado, em grande parte devoradas por Natsu e Gajeel.
– Uh, essa é uma ameaça bem perigosa. – Gray limitou-se a rir com a boca cheia de pizza enquanto Juvia escondia o rosto corado nas mãos. Gajeel percebera naqueles meses em que conhecia a namorada de Natsu que Lucy era muito mais expansiva que Juvia, e com um grau muito menor de pudor.
– Você não ousaria. – Natsu lhe estreitou os olhos, mas Gajeel via ali uma sombra de dúvida. Relanceou um olhar para Levy a fim de verificar se o assunto não a incomodava, mas ela sorria como sempre.
– Oh, isso é uma aposta? – Lucy estendeu uma mão para ser apertada por Natsu e ostentava um olhar tão desafiador que Gajeel já sabia quem perderia se aquela aposta se consumasse.
– Com certeza! – Natsu confirmou apertando a mão de sua namorada e lhe roubando um beijo, ao que ela riu-se e empurrou-o. Gajeel percebeu que Lucy sabia tão bem quanto ele quão quente era o sangue de Natsu e o quanto ele odiava ser desafiado. Ela ainda tiraria muito proveito daquilo, especialmente quando vencesse aquela aposta.
Largados sobre o tapete felpudo da sala do apartamento que Gajeel e Levy dividiam, Natsu, Lucy, Gray, Juvia e o casal que ali morava reuniram-se para tornar aquela noite de sábado algo feito unicamente de pizza, mas regado à muita cerveja.
– Agora, com isto, a pizza se acaba. – Levy suspirou, encarando seu prato vazio. – E eu só tive tempo de comer um pedaço. – seus olhos ergueram-se de viés para Gajeel, os lábios crispados. – Por que você e Natsu não têm limites? Que merda foi aquela? Uma competição para ver quem conseguia comer mais fatias de pizza empilhadas?
– Meu querido Gray também não fica muito atrás. – Juvia lamentou-se encarando as próprias mãos. – Eu comi só metade do meu pedaço, e quando ele percebeu que Natsu e Gajeel haviam dado cabo de tudo, roubou-me.
– Vocês não têm nenhum bom senso enquanto namorados. – Lucy decretou e cruzou os braços. Bastou um olhar de relance às expressões faciais das outras duas garotas para Gajeel compreender que aquela noite ia bem mal.
– Okay, não precisam se preocupar. Os caras e eu vamos buscar mais pizza. E, dessa vez, nós pagamos. – Gajeel decretou, já levantando-se e Natsu e Gray lhe lançaram olhares incrédulos. – Vamos demorar bem menos se formos buscar pessoalmente ao invés de pedirmos pelo telefone enquanto ficamos aqui esperando pelo entregador.
– Mas nem a pau! – Natsu balançou a cabeça, muito determinado. Ao menos, até olhar para Lucy.
– Nem a pau são suas bolas na minha bebida, enfeitando-a. E, se ainda quiser continuar com elas, é melhor ir. – Lucy jogou-se sobre o tapete, a expressão apenas uma máscara causadora de terror.
Resmungando e muito à contragosto, Natsu levantou-se e os três rapazes saíram para a fria noite de inverno e para as ruas cobertas por uma fina camada de neve que caía lentamente.
Por vários minutos, tudo sobre o que Natsu sabia falar era como Lucy ficava assustadora quando estava de TPM, enquanto Gray objetava que ao menos ela não era Juvia, que era assustadora o tempo todo e Gajeel limitava-se a rir.
– E você, Gajeel? O que tem a dizer sobre a sua baixinha? – Gray perguntou enquanto Natsu ainda resmungava.
Àquela altura, todos já sabiam sobre o relacionamento estável de Gajeel e Levy, mas ninguém tocava muito no assunto, visto que não sabiam como se comportar diante do fato de que agora Gajeel realmente pertencia a alguém. Ele não se sentia em posição para recriminá-los, já que ele mesmo não sabia muito bem como lidar com aquela situação.
Amava Levy. Amava-a mais do que qualquer coisa. E amava-a de uma maneira completamente diferente daquela que amava seu pai e chegar a essa conclusão apenas dera nós em seus pensamentos. Se achava que passaria a entender o amor com o tempo, não poderia estar mais enganado.
Apesar de amá-la, falar sobre esse amor ainda era impossível. As palavras simplesmente não saíam de sua boca e não conseguia obrigar-se a dizê-las. O resultado de sua impossibilidade era que continuava a tentar demonstrar seus sentimentos através de ações, mas as palavras ainda eram algo que gostaria de proferir e observar a reação daqueles olhos castanhos dos quais tanto gostava, mesmo que sequer pensar nisto lhe arrepiasse os pelos da nuca e fizesse esvoaçar borboletas em seu estômago.
– Se alimentam qualquer esperança de que ela seja uma mulher normal, esqueçam isso. Nenhuma mulher é normal, aliás. – Gajeel finalmente respondeu com um meio sorriso. Pensar na baixinha lhe fazia sorrir feito bobo. – Ela surta quando eu deixo a tampa do vaso levantada ou quando limpo minhas melecas na toalha de rosto. E precisam ver quando me esqueço de limpar a caixinha de areia do Lily! Ela desembesta a falar e não para mais quando se empolga com a própria crítica a algum livro ou quando quer concluir um raciocínio complexo. Além disso, ela ama tudo cheiroso e organizado; se piso no chão que ela acabou de passar o pano molhado, a coisa fica bem feia.
Os rapazes lhe acompanharam nas gargalhadas e Natsu foi quem disse as palavras que as fizeram morrer:
– Quem diria... Você está mesmo amando essa garota.
Gray lançou um olhar ameaçador para o punk de cabelos rosados e lhe socou o braço com força:
– Você só não é mais burro por que não é dois, Natsu! Vai lá, abre a sua boca e fala de amor pra um cara que nunca se comprometeu na vida! Certinho você!
Quando Natsu estava a ponto de revidar o soco, Gajeel se interpôs entre eles e empurrou cada um para um lado, sem nunca parar de caminhar:
– Parem com isso. As coisas não são tão feias assim ao ponto de terem que brigar. – parou um momento para pensar e concluiu, com um sorriso. – Apesar de que as coisas nunca são feias o bastante para que vocês briguem, mas o fazem mesmo assim.
– Como se você pudesse ficar falando muito. – Natsu retrucou com um resmungo. – Você é quase tão briguento quanto eu.
– Como assim quase? Fique sabendo que sou muito mais briguento que você! – Gajeel retrucou, o olhar recaindo sobre Natsu e fazendo-o rir.
– Viu? É disso que estou falando. – Natsu riu-se, balançando a cabeça e Gajeel limitou-se a resmungar que era sim mais briguento que o amigo.
– Pode ser disso que você está falando Natsu, mas não é disso que eu quero falar. – Gray revirou os olhos e voltou-se para Gajeel. – O que quer dizer com “as coisas não são tão feias assim”? Até pouco tempo atrás, você era todo pegador e cada noite rolava nos lençóis de uma mulher diferente.
Gray levantara um tópico sobre o qual Gajeel definitivamente não queria falar, mas tanto este quanto Natsu eram seus amigos e sempre compartilhavam coisas pessoais com o moreno. Então, pensava que não seria justo omitir-se agora que era ele quem deveria estar contando coisas.
– Cara, eu ‘to tão surpreso quanto vocês com isso. – Gajeel suspirou e passou uma mão enluvada por seus cabelos. – Vocês acham que eu quis me jogar de cabeça nessa? Claro que não! Se ela fosse só linda e gostosa estaria aí coisas com as quais eu poderia lidar. Mas não, ela tinha que ser... Bem... Ela! Acham que me conformo com isso? Ninguém gosta de ser roubado, velho. E eu ainda ‘to bem puto por ela ter feito isso com meu coração. – parou de andar ao perceber que seus dois companheiros não mais o acompanhavam. Estavam parados passos atrás, bestificados em uma troca de olhares confusa. – Que é?
– Você... – Natsu apontou para ele bobamente.
– Dizendo que Levy roubou seu coração? – Gray coçava o queixo pensativo, os olhos mirando Gajeel com desconfiança.
– Ah, vão se foder vocês dois, seus travecos de avenida! – Gajeel bufou e retomou sua caminhada. Nunca aquela pizzaria lhe parecera tão distante. – Nunca mais conto nada para vocês, seus fodidos! Vão fazer troça das suas mães, aquelas putas alargadas pelo uso!
– Quanta falta de amor nesse seu coração, Gajeel! – Natsu postou-se ao seu lado, rindo-se.
– Ora essa, Natsu, como ele pode saber quanto amor há no próprio coração quando Levy o roubou? – Gray corria à frente dos dois, compartilhando as gargalhadas de Natsu e tomando-o pela mão, fazendo-o rodopiar. – Ah, Levy, sua linda, venha cá que eu quero que me roube beijos também! – Gray ria-se ao imitar Gajeel bem porcamente, mas Natsu empurrou-lhe, apesar de também estar rindo.
– Qual é, por que eu tenho que ser a Levy? – Natsu limitou-se a perguntar entre os risos e Gajeel estava tão enraivecido que poderia bem ter esmagados seus crânios.
– Foi mal, cara. – Gray passou um braço por seus ombros, enxugando as lágrimas do riso ao ver que a expressão de Gajeel obscurecia-se a cada segundo. Pelos vistos, gostava da brincadeira, mas não gostava tanto assim da possibilidade de ficar sem os dentes. – É só que... Sei lá, velho... Você falando de corações roubados é o mesmo que eu falando sobre trocar a Juvia por uma namorada normal: é estranho.
– O pior é que nem posso te culpar. – Gajeel limitou-se a suspirar e deixar que seus ombros se encurvassem. Falar sobre aquilo fazia-o sentir como se toda a troça já feita no mundo pesasse sobre suas costas. – Eu sei que isso soa bem ridículo.
– Não, não é ridículo nada. – Natsu corrigiu-o caminhando a passos firmes ao seu lado. Estava, estranhamente, sério. – É só inesperado. Quero dizer... Nós nunca esperamos nada semelhante de você, cara. Apaixonar-se, começar a amar, namorar...
– Pois é. E pensar que fui eu quem permitiu que ela morasse comigo. – Gajeel era todo suspiros pesarosos.
– Está arrependido por isso? – Gray perguntou retirando seu braço dos ombros de Gajeel.
– Gostaria de estar, cara. Bem gostaria de estar. Mas não estou e é isso o que me deixa com raiva. Parece que eu não passo de um peixe enredado e ela, uma pescadora muito habilidosa. – Gajeel lamentou-se. Sentia-se lamentoso. Era ridículo, pois jamais permitira-se lamentar, mas era assim que sentia-se. Não pelo amor, que o tornava radiante, mas por não entendê-lo.
– Credo, suas figuras de linguagem me dão bastante medo. – Natsu empertigou-se, fingindo um arrepio e arrancando risos até mesmo de Gajeel. – Sinceramente? Nós sempre torcemos para que você se amarrasse a alguém. Era difícil ver que você tinha muitas companhias, mas nenhuma companheira. Isto não pode fazer bem a ninguém, cara. E agora que finalmente encontrou alguém capaz de mudar suas concepções e de te conquistar, você é todo lamentos. Eu não consigo entender.
– Natsu, não que eu espere que seu cérebro derretido possa compreender o que vou dizer, mas direi mesmo assim. Não lamento pelo que sinto nem por ter Levy em minha vida. São coisas pelas quais agradeço. Não sei a quem, mas agradeço. O que me faz lamentar é justamente essa mudança. – Gajeel foi sincero ao dar de ombros.
– Mudar nem sempre é fácil, mas nem sempre é ruim também. – Gray aconselhou. – Eu não esperava que fosse me apegar à Juvia. Não mesmo. Quero dizer... Ela é bem linda e tudo, mas ao primeiro olhar, ela parece bem psicótica. No entanto, o tempo passou e eu percebi suas qualidades. Este mesmo tempo me fez perceber quão inteligente, talentosa e devota Juvia pode ser. E foi graças ao tempo que trouxe o lindo sorriso dela para minha vida que eu pude me apaixonar. Eu relutei e lutei contra, mas quando é amor de verdade... Cara, só aproveita. Isso é coisa rara na vida.
– Sim, Gray está certo. – Natsu concordou e caretas de descrença de Gajeel e Gray voltaram-se para ele. – O que? Eu não posso dizer isso, mesmo que as palavras pareçam um punhal me rasgando a garganta? Enfim, o que quero dizer é que estou indo para sete anos de namoro com a Lucy. A intimidade e a liberdade de dizer, fazer e pensar o que se quiser sobre o outro que o tempo traz é uma velha encarquilhada e nada sexy, mas têm seus benefícios também, sabem? Ela me conquistou quando eu mal pensava em beijar na boca ainda e aqui estamos nós, planejando nosso casamento para depois da formatura dela. Isso ainda leva uns anos, mas casamento deixou de ser uma perspectiva assustadora desde que eu decidi chama-la para dividir apartamento comigo aqui. O que importa nisso tudo e o que quero dizer é que o que realmente vale na vida é amar e ser amado. Há quem diga que eu não curti a vida o suficiente, mas eu discordo, por que nenhuma curtição supera o que eu senti, e ainda sinto, e sempre sentirei todas as vezes em olhar para Lucy.
– A noite está mesmo muito estranha. – Gajeel fez uma careta. – Nós nunca falamos sobre essas coisas antes.
– Eu e Gray sempre tiramos um tempo pra isso quando as coisas ficam feias para um dos lados. – Natsu explicou e Gray concordou com acenos de cabeça. – Ele conheceu Lucy na mesma época que eu e eles sempre foram amigos, então eu meio que tenho que pedir socorro de vez em quando.
– Sim, e Juvia procurou Natsu quando soube que somos amigos há tanto tempo e ele se uniu a ela para me emboscar, então ela é próxima o bastante dele. – Gray continuou a linha de raciocínio e relanceou um olhar rancoroso a Natsu. – E, sabe como é: o cérebro deles funciona de forma bem parecida, então fica mais fácil de entende-la se o Natsu me explicar.
– Nós nunca conversamos sobre nada assim contigo por que... Bem... Até agora você não tinha um relacionamento. – Natsu, enquanto falava com Gajeel, chutou neve nas pernas de Gray como troco pelo olhar e o moreno limitou-se a fuzilá-lo com os olhos, ao que Natsu chutou novamente e Gray deu-lhe o dedo médio em riste. – Que conselhos você poderia pedir ou dar nesse aspecto?
– Sim, está certo. – Gajeel sentiu-se obrigado a concordar, mas uma pontazinha de ciúmes lhe cutucava ao pensar que seus amigos mais próximos tinham um assunto que não era partilhado com ele. – Valeu por tudo isso, caras, mas as coisas continuam complicadas para mim.
– Quando elas se descomplicarem, me avise. – Gray riu-se, dando de ombros.
– Sim, e a mim também. Quero saber o passo-a-passo para também fazer. – Natsu acompanhou o riso de Gray. – Cara, lamento te informar, mas relacionamentos são uma complicação que a gente leva pela vida toda. E quem vai dizer que na morte também não? Sei lá.
– Você não amou ninguém dessa forma por toda sua vida e nós sabemos disso, Gajeel. Mas agora é diferente e você deveria estar feliz por isso. – Gray foi sucinto.
– E estou! – Gajeel esforçava-se para fazê-los compreender, mas como colocar em palavras? – Mas e se eu vacilar com ela? E se a fizer infeliz? E se não conseguir ser fiel? E se me cansar dela? E, ainda pior, se ela se cansar de mim? E se ficar vazio com o passar do tempo?
– Ninguém vive de possibilidade e há um bom motivo para tanto. – Natsu se pronunciou. – Possibilidades não vencem guerras, não colocam comida na mesa nem gravam os conteúdos das provas na mente de ninguém. Ações, mesmo que feitas de incerteza, são capazes de um completo oposto. Então pare de pensar nas possibilidade e aja!
– Nossa, Natsu... Desde quando você é capaz de formular coisas assim? – Gray perguntou tão espantado quanto Gajeel.
– E quem disse que sou? Esse é só um conselho que a Lucy me deu uma vez. – Natsu deu de ombros e Gray e Gajeel trocaram um olhar de compreensão e alívio. Quando Natsu se tornasse tão inteligente àquele ponto, coisas muito ruins começariam a acontecer, pois o Universo estaria muito próximo de tornar-se puro caos.
– Entendi. – Gajeel respondeu com um sorriso. O peso desaparecera de seus ombros e entendera o motivo de Gray e Natsu sempre trocarem conhecimentos sobre relacionamento entre eles. Loucura compartilhada era, afinal, loucura compreendida. – Vocês estão certos.
– De nada adianta ficar se torturando à toa. – Natsu ainda acrescentou.
– Sim, mas não pense que as preocupações vão desaparecer. Daqui algum tempo elas voltam. Elas sempre voltam. – Gray alertou, mas tratou de tranquilizar o olhar assustado que Gajeel lhe lançou. – Mas isso é apenas um sinal de que tudo ainda está bem. Quando você ainda se preocupa, significa que ainda importa.
– Relacionamentos são coisas complicadas. – Gajeel coçou sua cabeça com uma careta de quem estava encarando uma equação matemática extremamente complexa e se achava inapto a resolvê-la, mas Natsu e Gray limitaram-se apenas a concordar.
– E o pior são as TPMs. Sempre elas. Em um ciclo, ela quer fazer sexo o dia todo, todos os dias. No próximo, ela te espanca se você tenta tocá-la. – Natsu suspirou, pesaroso. – Infelizmente, parece que dessa vez Lucy está na segunda opção.
– Nem me fale. E os dias da menstruação que se seguem a isso são quase tão terríveis quanto. Nunca vou me esquecer da primeira vez em que aconteceu no meio da noite e quando a Juvia levantou, tinha sangue nos lençóis. Me senti um idiota correndo até o banheiro e esmurrando a porta, gritando para saber se ela estava machucada. – Gray escondeu o rosto em uma das mãos, sentindo a vergonha retornar com a lembrança. – Ridículo.
– Mas a menstruação é sempre um alívio, cara. – Natsu contrapôs. – Pelo menos é um bom sinal de que ela não tá grávida.
– É a única coisa boa. – Gray concordou parcialmente enquanto Gajeel sentia-se absolutamente perdido caminhando entre os dois. – Comprar chocolate, remédios para cólica e fazer bolsas de água quente são coisas que faço sem reclamar por que dá dó só de pensar na dor, mas assusta, cara.
– Uhum, mas os dias bons são uma maravilha. Sexo é uma maravilha. Eu amo fazer sexo com a Lucy, benza Deus. – Natsu suspirou, pensando em dias bons que ele provavelmente não teria por algumas semanas.
– Quando a Juvia fica louquinha... Ah. – Gray suspirou com expressão sonhadora.
– Parem com isso e acordem pra cuspir, seus bostas! – Gajeel empurrou ambos, fazendo-os tropeçarem em seus próprios pés. – Não é nada legal fazer inveja a um amigo assim. A coisa tá bem feia pra mim, se não se importam, então mantenham suas satisfações sexuais longe dos meus ouvidos.
– Gajeel... Você e Levy ainda não...? – Natsu começou, mas Gajeel o atalhou.
– Não, ainda não e este é um assunto sobre o qual eu não quero falar. – Gajeel foi sucinto e retomou sua carranca de mau humor.
– E por que? – Gray questionou, curioso.
– Não é da sua conta. – Gajeel respondeu com um olhar penetrante.
– Isso é jeito de falar com um amigo que acabou de te ajudar a resolver um problema? – Gray perguntou com sua famosa chantagem emocional.
– Olha, a Levy teve uns problemas no passado e eu não quero passar dos limites. Então, vou esperar. – Gajeel respondeu a contragosto. – Satisfeito?
– Tanto quanto você. – Gray respondeu dando de ombros. – Eu entendo bem você respeitar os limites dela e acho isso muito bacana vindo de um cara que mal se aguentava dois dias sem trepar. Só espero que isso não signifique que você anda pulando a cerca.
– Claro que não, seu imbecil! – Gajeel lhe socou o ombro com força. – E nem que eu quisesse, também. Da última vez em que saí com uma das garotas foi há quase meio ano, mas eu só tinha cabeça pra Levy e este foi o principal motivo que me levou a ligar pra mulher e sair com ela. Eu só queria esquecer o que sentia, o que pensava, o que desejava. Mas nunca fiz nada que fosse tão inútil, por que quando nós estávamos na casa dela, num amasso que eu estava me perguntando se costumara sempre ser ruim daquele jeito, eu disse o nome da Levy. Saí de lá com uma marca na cara e uma frustração a mais por sequer poder foder outras mulheres em paz sem que ela me aparecesse na mente.
– Normal, é assim mesmo que deveria ser. – Gray tentou lhe acalmar. – Lembro que antes de começar a namorar com a Juvia, as coisas estavam bem ruins pra mim também. Tudo em que eu conseguia pensar era nela e, quando eu tentava esquecer, alguma merda acontecia.
– Mas, Gajeel... – Natsu chamou, o cenho franzido indicando que estava tentando processar qualquer coisa difícil em seu cérebro lento. – Vocês estão juntos há vários meses. É legal que você esteja respeitando os limites da Levy assim, mas... Talvez seja ela quem esteja no limite da espera, e não você.
– Mas de que merda você está falando, Natsu? – Gajeel perguntou, mas Gray parecia já saber sobre o que Natsu falava, visto que apenas concordou com acenos de cabeça.
– É só que comigo foi mais ou menos por aí. – Natsu começou a explicar. – Em relação a mim, Lucy é mais nova, e eu mesmo era só um adolescente quando começamos a namorar, então conosco as coisas foram bem lentas. Muito lentas. E não fui eu quem reclamou, por mais incrível que pareça. Por que tudo o que eu queria era permitir que a Lucy sentisse que estava pronta e dar tempo a ela, mas um dia ela explodiu em gritos e lágrimas que eu não a amava por que não queria fazer sexo com ela. As coisas são assim com as mulheres: elas esperam que você saiba dos pensamentos delas sem que precisem dizer. E, às vezes, você tem que ser bom interpretador.
Finalmente haviam chegado à pizzaria e Gray e Natsu adiantaram-se para fazer o pedido, mas Gajeel sentia-se imerso nos pensamentos que Natsu havia depositado em sua mente.
IX
“Aproxime-se.”
– Oi. – Gajeel cumprimentou à porta do quarto de Levy, um sorriso vacilante nos lábios. A porta estava entreaberta, mas as luzes estavam apagadas, à exceção do abajur aceso ao lado da cabeceira da cama.
– Saia. – Levy foi sucinta e fria na resposta, mas Gajeel abriu a porta assim mesmo, os olhos finalmente encontrando aqueles castanhos brilhantes à meia-luz, a garota deitada na cama com um livro aberto sobre o peito.
– Levy... Vamos conversar. – Gajeel praticamente sussurrou, sabendo que ela o ouvia mesmo quando voltara os olhos para o livro que lia. Ou fingia ler.
– Tudo o que eu tinha para dizer, já disse. – Levy limitou-se a dizer. – E espero que você também já o tenha feito, por que já não aguento mais ouvir sua voz.
Gajeel engoliu em seco e mordeu o lábio inferior. Nunca fora tratado com tamanha frieza por Levy. Fazia quase um ano que moravam juntos e brigas eram sempre abundantes, nos mais variados graus de gravidade, mas nada nunca sequer chegara a aproximar-se daquela que protagonizavam nas últimas horas.
Sabia que nunca conseguia ficar muito tempo sem falar com Levy e, quando brigavam e cada um amuava-se em seu canto, Gajeel sentia a cabeça prestes a explodir. Havia uma inquietude em sua alma que não era capaz de conter todas as vezes em que pensava que magoara Levy.
Tudo começara exatamente como Natsu dissera, e Gajeel nunca imaginou que se arrependeria por não ouvir um aviso vindo do idiota.
Naqueles cinco meses de namoro com Levy, Gajeel permitiu-se avançar um passo de cada vez, nunca mais do que isso e apenas quando achava que seria seguro.
A princípio, os beijos eram apenas castos e doces e o foram por um longo período de tempo. Permitira que Levy ditasse o ritmo e acostumara-se a controlar-se sempre que algo que ela fazia o excitava; e isto acontecia com muita frequência.
Apesar do beijos serem quase inocentes, Gajeel não ficava insatisfeito, afinal estava com a mulher que realmente desejava, a única a despertar sentimentos em si, os quais Gajeel sequer conheceria se não fosse por ela.
Mas o tempo dos beijos nada mais do que apenas mornos acabara rápido. Gajeel ainda se lembrava da primeira vez em que Levy o beijara de verdade: de um momento para outro, sem aviso prévio, atirara-se sobre ele, agarra seu colarinho e lhe beijara com voracidade, permitindo ao moreno sentir a umidade quente de seus lábios e, logo depois, sua língua macia, molhada e morna, atrevida, que pedia passagem por entre seus lábios e logo estava brincando com a sua, apenas para depois retirar-se da brincadeira e permitir que os dentes lhe capturassem o lábio inferior, mordiscando-o e provocando. Lembrava-se de como o beijo prolongara-se e durara longos e deliciosos minutos e aquela ainda era uma de suas melhores lembranças.
E então, vieram as carícias. Gajeel mantinha suas mãos sempre na cintura, nas costas, nas laterais do rosto ou na nuca de Levy e ela não reclamava, até começar a guiar suas mãos para lugares inusitados sob suas roupas, como suas coxas macias, suas costelas bem delineadas ou a curva sinuosa de sua coluna. Quando ela lhe concedia liberdades assim, Gajeel sentia medo de acabar por ultrapassar os limites, então aproveitava com cautela.
Em seguida, os beijos que antes eram direcionados apenas à região do rosto, eram guiados a outras partes. Levy tomara a iniciativa com as mãos deslizando sobre a barriga musculosa de Gajeel e, quanto mais subia as mãos em toques quentes, lentos e suaves, mais carregava o tecido da camisa junto e, antes que o moreno sequer pudesse perceber, a camisa já estava jogada sobre o sofá ao seu lado e Levy já sentava-se em seu colo, as pernas ladeando seu corpo. Gajeel não sentia-se em pleno domínio de suas faculdades mentais, então apenas apreciou quando tocou as coxas da garota – que era sua garota – e apertou-as na ansiedade por causar e sentir ao receber o primeiro beijo molhado de Levy em seu pescoço, pouco abaixo da orelha, e àquele seguiram-se outros acompanhados de mordidas e chupadas que trilhavam lentamente corpo abaixo. Naquela noite, pouco foram além disso.
Entretanto, a inocência é um tesouro que não pode ser guardado por muito tempo.
Mais cedo naquele dia que estava sendo o pior dos últimos anos da vida de Gajeel, pouco depois do cair da noite e imediatamente após o banho da baixinha, Levy usava um vestido leve que farfalhava suavemente a cada movimento de seus quadris de curvas muito mais do que sutis quando retornou à companhia de Gajeel na sala; o decote era generoso o bastante para ser mais do que apenas tentador, mostrando boa parte do colo e as atraentes curvas dos seios medianos; um laço dado às costas marcava perfeitamente a linha de sua cintura muito fina e Gajeel mirara Levy com um sorriso abobalhado.
À sua aproximação, Gajeel levantou-se e Levy sorriu timidamente, as maçãs do rosto com aquela adorável coloração avermelhada que adquiriam quando ela percebia os olhares carregados de paixão que Gajeel lhe lançava. O moreno segurou uma das pequenas mãos em uma das suas e girou-a à sua frente, o vestido erguendo-se ligeiramente e permitindo-o vislumbrar um pouco acima das coxas. Tentador, ele admitia, mas não o bastante para fazê-lo ceder.
Pegando a outra mão de Levy, Gajeel juntou-a àquela que mantinha diante de seus olhos e beijou-as, seguindo em castos beijos braço esquerdo acima e libertando a mão direita da sua, aproximando-se enquanto os beijos subiam e passando às costas quando chegou ao ombro. Postou-se atrás da pequena e lhe envolveu a cintura nos braços fortes, abaixando-se para alcançar-lhe a nuca por entre as curtas madeixas onduladas. Ela cheirava sempre deliciosamente e Gajeel sabia que pouco tinha a ver com os perfumes que usava. O cheiro de Levy era pura e simplesmente o cheiro de Levy e sempre seria delicioso, não importando o que ela fizesse ou quais fragrâncias usasse, pois o cheiro natural de sua pele e de seus cabelos era único. Então Gajeel aspirou aquele odor que lhe acalmava e atiçava simultaneamente e deliciou-se ao ver a pele de Levy arrepiar-se enquanto ela pousava suas suaves mãos sobre seus braços.
Gajeel sorriu e beijou-lhe a nuca, descendo para seu pescoço com leves mordidas e ouvindo-a suspirar por entre deliciosos lábios entreabertos, aos quais tomou em um beijo nada decoroso, apaixonado e faminto, ansioso e repleto de deleite. As mãos deslizaram pela cintura e apertaram-na, arrancando um breve gemido de Levy, abafado pelos lábios unidos.
– Está linda. Cada dia mais. – Gajeel sussurrou aos seus ouvidos e Levy encolheu os ombros e retorceu-se com um risinho.
– Faz cócegas. – a menina-mulher confessou com aquele tom de voz doce que Gajeel aprendera a identificar quando ela ficava manhosa para ganhar algo, fosse um beijo, fosse um livro.
– Eu posso fazer muito mais do que cócegas. – Gajeel sorriu ao ver o rubor tingir a pele clara e dedicou-se ao pescoço exposto, marcando-o com mordidas mais fortes que fizeram Levy contorcer-se em suas mãos que desciam para aqueles quadris insinuantes. Senti-la esfregando-se à ele daquela forma era muito sensual, mesmo que talvez não fosse essa a intenção de Levy. Ou talvez fosse.
Gajeel subiu suas mãos para as finas alças do vestido e baixou-as, desnudando completamente os ombros de Levy e beijando-os lentamente. As mãos de Levy subiram para os cabelos negros de Gajeel e agarraram-se a eles, e o moreno observou satisfeito que Levy mantinha os olhos fechados em deleite, a respiração tornando-se rasa.
Pousou as mãos nos cotovelos de Levy e dedilhou-os em uma carícia lenta, descendo e passando os dedos apenas ligeiramente sobre os seios da garota, ainda ocultos pelo tecido do vestido, mas com mamilos intumescidos que se insinuavam, pedindo para serem tocados. E Gajeel cedeu à muda petição, tocando-os com os indicadores e desenhando círculos em volta. Levy gemeu languidamente e esfregou-se contra ele, suas nádegas arredondadas e firmes pressionando contra suas pernas, mas parecendo ansiar por pressionar contra algo mais acima.
Àquela altura, Gajeel já sentia sua virilha pulsando como sempre acontecia quando ele e Levy emaranhavam-se em beijos e carícias, então estava bastante difícil controlar seus desejos e não estava em condições de obrigar seu cérebro a fazer seu membro ceder agora que já estava desperto. Apertou os mamilos entre o polegar e o indicador com pouca dose de força e engoliu um gemido ao ouvir Levy arfar.
Quando a conhecera, Gajeel lembrava-se de ter pensado que ela era uma criança, mas ali, quando tudo o que o moreno mais queria era despi-la e concretizar todos os desejos com quais vinha sonhando há tanto tempo, podia apenas pensar que Levy era sensual demais, mulher demais, gostosa demais.
Gajeel segurou os seios em suas mãos, satisfeitos por eles preencherem todo o espaço de sua pegada e Levy gemeu com a voz mais aguda que o normal, os olhos abrindo-se e encontrando-se com os de Gajeel. Naquele momento, os olhos castanhos pareciam chocolate derretido, brilhantes e úmidos, os lábios cheios avermelhados e o rosto corado tornando-a tão sensual que Gajeel rosnou e beijou-a com volúpia, as mãos apertando os seios e os lábios unidos abafando os gemidos de Levy.
Então, para a surpresa do moreno, Levy segurara suas mãos e empurrara-as para baixo, cravando as unhas às costas das mãos de Gajeel ao pousarem-nas em seus quadris para que captasse a ideia. E Gajeel não precisou de tempo para entender o que aquilo significava.
Gajeel conduziu suas mãos para as coxas de Levy e acariciou-as, subindo e levando o tecido do vestido consigo, enchendo suas mãos com as nádegas volumosas, deliciando-se com a textura macia e com o calor da pele de Levy, que parecia quase febril. Então encontrou as laterais da peça íntima da garota e empurrou-as para baixo tanto quanto podia, até que fugiram do alcance de suas mãos e ele subiu-as, a esquerda segurando uma das nádegas de Levy com força e a outra indo ao encontro da intimidade que tanto ansiara por tocar e fazer tantas outras coisas durante tanto tempo.
Assim que seu indicador encontrou a umidade entre as coxas de Levy, ela gemeu e suas pernas ameaçaram ceder, mas Gajeel segurou-a com um de seus braços envolvendo a fina cintura.
Gajeel sentia a ausência de pelos, a pele lisa e macia que seus dedos tocavam indicando que Levy andara planejando que as coisas tomassem aquele rumo. E, se ela queria, ele jamais diria não.
Os gemidos de Levy já não paravam mais quando Gajeel começou a lhe dedilhar a intimidade molhada que umedecia suas coxas e os pensamentos do moreno vagavam para tantas coisas... Que aparência teria? Que gosto? Que textura em sua língua? Que cheiro? Já vira muitas, tocara-as, chupara-as e deleitara-se com elas, então sabia que uma era sempre diferente da outra. Então, como seria a de Levy, a mulher mais sensual, linda, atraente e gostosa que já tivera o prazer imensurável de conhecer?
Em seu indicador, sentiu que o clitóris de Levy estava inchado e pulsante, tal qual seu membro que apertava-se dolorosamente dentro de suas roupas, então colocou-o entre o indicador e o médio e esfregou-o lentamente em movimentos ousados e deliciou-se com toda a sinfonia de gemidos que Levy lhe cantava.
– Por favor, Gajeel, por favor... – Levy gemeu languidamente entre seus gemidos agudos e palavras desconexas. Gajeel estava a ponto de parar, quando as próximas palavras o obrigaram a desistir da ideia a qual não se sentia muito tentado em seguir. – Me faça gozar.
Com um sorriso de satisfação, passado o momento de surpresa, Gajeel colou sua boca à uma das orelhas de Levy, a voz rouca de desejo:
– Ah, você quer gozar, é? Então goza gostoso pra mim.
Gajeel achava que sabia tudo sobre como masturbar uma mulher, mas naquele momento percebeu que fazia coisas que jamais fizera: alguns movimentos de seus dedos e os beijos e mordidas que espalhava pelos ombros e nuca de Levy, a forma como aumentava a velocidade lentamente, mal permitindo que Levy percebesse que o fazia... A mulher que tinha em mãos o estava apresentando a um mundo tão novo quanto aquele ao qual ele lhe apresentava.
Os gemidos de Levy vinham em diferentes formas, mas cada vez mais agudos, os olhos fechados com força, as unhas cravadas no braço de Gajeel que lhe mantinha de pé, e aquilo apenas excitava cada vez mais o moreno.
Percebeu que estava fazendo tudo muito certo quanto a garota jogou a cabeça para trás e soltou um longo gemido enquanto o corpo se contorcia e Gajeel sentia os espasmos percorrerem o pequeno corpo, os olhos muito abertos e a boca exalando uma respiração arfante quando a voz pareceu extinguir-se.
Gajeel estava a ponto de gozar apenas com aquela visão da mulher que amava largada em seus braços após um orgasmo, mas ainda não queria parar, então apenas continuou a lhe esfregar o clitóris e os lábios de sua intimidade, que agora estava ainda mais quente e molhada.
E continuou, deleitando-se com os gemidos e orgasmos que arrancava de Levy, com suas deliciosas expressões faciais e com os beijos que partilharam ocasionalmente.
A sala do apartamento que Levy insistia em manter sempre com as fragrâncias de lavanda ou pinho cheirava completamente diferente naqueles momentos: o odor feminino de Levy espalhava-se e impregnava o nariz de Gajeel, excitando-o além do que ele achava ser possível.
Levy não o estava concedendo nada, nenhuma carícia em seu membro carente de atenção, nenhuma mordida pelo corpo nem nada excitante assim, mas Gajeel percebeu que nada disso seria necessário entre eles para mantê-lo excitado: bastava que ela gozasse e lhe permitisse observar. Assim, poderia até mesmo chegar ao próprio ápice apenas com isso, quem sabe.
Então, com lágrimas nos olhos depois de orgasmos que Gajeel até mesmo perdera as contas, com expressão fatigada e respiração arfante, Levy resmungara para que ele parasse e imediatamente parou, levando-a para o sofá e colocando-a sentada em seu colo, o rosto corado aninhando-se em seu peito.
– Eu fiz alguma coisa errada? – Gajeel perguntou, temeroso quanto à resposta. Estava tão extasiado que esquecera-se de seguir os limites que impunha a si mesmo.
– Se quase me matar de tanto gozar for errado, quero que você erre mais vezes. – Levy riu-se fracamente, mas apesar disso suas pupilas estava dilatadas e Gajeel sorriu, os dedos que há pouco usara para masturba-la sendo levados à sua boca, onde chupou-os e apreciou o gosto de Levy com uma expressão facial. Ela era ainda mais deliciosa do que ele jamais imaginara. – Gajeel! – Levy ralhou, o rosto ainda mais corado, quase escarlate.
– O que? É gostoso! – Gajeel justificou-se com uma gargalhada.
– Então me deixe provar o seu também. – Levy moveu seus quadris em círculos sobre o membro de Gajeel e arrancou-lhe um gemido que não esperava que escapasse de seus lábios. A menina-mulher saiu de seu colo e segurou-lhe a braguilha da bermuda, começando a desabotoá-la, e mesmo que não houvesse coisa que Gajeel mais desejasse no mundo, segurou as mãos de Levy nas suas.
– Levy... Não precisa, sério. – Gajeel disse olhando nos olhos castanhos, mas as lágrimas que viu surgirem quase imediatamente lhe surpreenderam. Levou uma mão para enxuga-las, mas Levy afastou-o bruscamente com um tapa ardido. – Hey, baixinha, o que foi?
– Se não quer fazer sexo comigo, é melhor a brincadeira acabar aqui, então! – Levy ralhou com a voz estalando feito um chicote e Gajeel ficou aturdido por um momento. De que diabos ela estava falando?
– Quem está brincando aqui, Levy? De que merda você tá falando? – Gajeel perguntou tentando trazê-la para perto, mas Levy repudiou-o.
– Para você sempre foi fácil comer suas putas, você nunca me escondeu isso quando éramos só amigos. Mas agora... Você fica sempre se limitando comigo! Se eu não te incitar a fazer algo, você simplesmente não faz! – a voz de Levy subia uma oitava a cada vez que parava para respirar e agora as lágrimas rolavam em profusão por seu rosto.
– É por que você não é uma daquelas putas! Tá louca? – Gajeel ralhou, aturdido com tantas coisas que era difícil saber o que mais o confundia, se as lágrimas, se as palavras. Já o haviam acusado de muitas coisas na vida, mas nunca de frígido. – Eu me limito com você por que, apesar de te desejar loucamente, de uma forma que eu nem sabia ser possível, eu te respeito! – ao ver Levy menear a cabeça negativamente e abrir a boca para contradizê-lo, Gajeel atalhou-a. – Sim, isso é respeito, Levy! Eu nunca respeitei ninguém e você nunca foi respeitada por ninguém, então é estranho para ambos, mas se me limito a te tocar apenas das formas que você permite é para que você só faça coisas que se sinta confortável em fazer. Será que é tão difícil assim enxergar isso?
– É! – Levy bradou, levantando-se. – É difícil enxergar quando eu penso em todas as mulheres que você já comeu com dez minutos de conversa idiota e comigo fica meses enrolando! Você acha que uma mulher pode se sentir desejada assim? Estamos juntos há mais de cinco meses, Gajeel, e eu estou cansada de esperar você tomar uma atitude!
– O que? – Gajeel levantou-se, o maxilar travado, a respiração difícil em seu peito que sentia repentinamente pesado. Sua mente girava buscando encontrar quando errara com Levy, mas pelo que ela lhe dizia, ele sempre fizera tudo errado. – Eu te respeito mesmo que isto me custe estar subindo pelas paredes pela primeira vez em minha vida e isto é tudo o que você tem a me dizer?
– Não, Gajeel, não é! Eu tenho muito a lhe dizer e muitos palavrões para jogar na sua cara, mas eu... Eu ‘tô cansada demais! Cansada demais de você nunca querer, de você sempre me parar! – Levy alojou seus rosto em suas mãos e passou a soluçar entre suas lágrimas. – É cruel demais!
– Cruel é você ser estuprada, sua peste burra! – Gajeel agarrou-a pelos ombros e sacudiu-a, obrigando-a a lhe olhar nos olhos. Como ela poderia estar tão cega? – Você é a pessoa mais inteligente que já conheci, mas está sendo tão estúpida agora que... Argh! Como você pode dizer que não te quero quando... Quando você me deixa assim tão duro?
– Um pau duro que não come não é diferente de um pau mole que não quer comer! – Levy bradou, livrando-se de suas mãos e lhe socando o peito. – Se não quer, se eu sou só um brinquedo pra passar o tempo, pode deixar que logo você vai ter que ocupar seu precioso tempo com outra coisa qualquer!
– Para com isso, Levy! Para com isso, por favor! – Gajeel implorou, o coração apertando-se em seu peito. – Você... Você não é meu brinquedo. Você é minha mulher.
– Sua mulher? Sou, é? E por que não faz sexo comigo então? – Levy questionou, os braços cruzando-se abaixo do busto. O rosto da garota estava avermelhado e ligeiramente inchado por conta do choro, lavado pelas lágrimas. E aquilo cortava lenta e dolorosamente o coração de Gajeel.
– Por que eu te respeito, sua cega! – Gajeel tentou aproximar-se novamente, mas Levy afastou-se e aquilo doeu mais do que qualquer surra que ela pudesse lhe ter dado. – Por que eu te amo. – finalmente as palavras que nunca havia conseguido dizer saltaram de seus lábios, os olhos marejados por lágrimas de dor. Gajeel não podia entender como algo tão doce quanto o amor poderia machucar tanto.
– Vai ter que arrumar uma mentira melhor que essa se quiser convencer a próxima. – Levy girou nos calcanhares e caminhou duramente para seu quarto.
Gajeel chutou o sofá e gritou de raiva, mal sentindo a dor nos dedos de seu pé e largou-se ali mesmo no tapete da sala, sentado com as pernas encolhidas contra o peito e a cabeça entre os joelhos.
Ficara ali durante muito tempo, sozinho com suas lágrimas e seu coração partido. Jamais deveria ter se apaixonado... Jamais deveria ter-se permitido amar Levy. Por que ela não poderia ver que tudo o que dizia era a verdade? O que a tornara tão cega?
Sentiu algo quente e felpudo esfregando-se contra seu pé que ainda latejava e voltou seus olhos para Lily que lhe encarava com grandes olhos sábios que pareciam, por vezes, conter todas as verdades universais.
– E aí, cara? – Gajeel cumprimentou com um sussurro e o gato miou um quase murmúrio. – Pois é, você viu. Parece que eu estraguei tudo e nem sei como.
Olhando para o gato ali ao seu lado, Gajeel lembrou-se da primeira vez em que Levy vira-o e gritara de excitação, pegando um Lily carinhoso em seus braços, mas repentinamente muito rebelde para com Gajeel. Levy conquistara o gato muito antes de conquistar o coração do moreno, e ele perguntava-se se Lily sentiria falta dela quando a garota se fosse. Por que sabia que ela iria embora, apesar de recusar-se a pensar nisso. Há menos de um ano, recusava-se a ter uma mulher sob o mesmo teto que ele, e naquele momento rezava a um Deus no qual nem ao menos acreditava para que ela não o deixasse. Era uma piada cósmica.
Gajeel sentia-se feito de tolo. Em um momento, tudo ia bem. No outro, tudo estava errado.
“Se está errado, refaça, conserte! Acha o que? Que erros vão se arrumar sozinhos?”. A lembrança ecoou em sua mente com a voz de Metalicana e algo que lhe dissera quando tentara compor uma música e falhara miseravelmente. Sorriu com o pensamento, mas seu sorriso morreu em seus lábios e as lágrimas retornaram aos olhos. Não chorara desde que Metalicana morrera e ali estava ele, chorando por algo que jurara que sua vida jamais teria: amor.
“Eu o amo. E, assim como eu, você encontrará o amor, pois ele se apresenta em diferentes formas para cada pessoa. Meu amor foi trazido por uma mulher de olhos negros como a noite. Por quais olhos será trazido o seu? Espero que tenha belos seios.”, Gajeel lembrava-se de Metalicana lhe dizendo isso em seu leito moribundo e ele estava certo. O amor chegara para ele na doce forma de olhos castanho-escuros que o impeliam a querer se aproximar. E, sim, ela tinha belos seios.
E então começou a pensar nos conselhos de Natsu e Gray. Quando voltavam para a casa carregando as pizzas quentes em seus braços, dentre muitas outras coisas, os rapazes lhe haviam alertado sobre a primeira real dificuldade que ainda estava por vir e que era sempre a mais difícil de ser superada. De acordo com eles, se Gajeel e Levy não passassem por aquilo juntos, não passariam por mais nada; então, desistir naquele ponto era desistir de qualquer outro. E estavam certos, percebeu Gajeel, não poderia desistir sem tentar novamente e quantas vezes fossem necessárias.
Levantou-se lentamente e caminhou para o quarto de Levy. Encontrou a porta entreaberta, mas sabia que aquele não era um sinal de que seria bem-vindo, e, de fato, não o fora.
– Eu só quero conversar, Levy. Eu só quero tentar consertar tudo. – Gajeel ainda tentou prosseguir a conversa e sentiu que as lágrimas estavam prestes a voltar aos seus olhos, mas rejeitou-as. Não se permitiria fraquejar.
– Consertar como, Gajeel? – Levy sentou-se na cama e suspirou. – Acenda essa luz e sente-se. – pediu, e Gajeel obedeceu e sentou-se aos pés de sua cama, mantendo a distância que Levy gostaria. Ela havia trocado de roupas e agora vestia seu pijama de flanela, aquele do qual Gajeel lembrava-se bem por ter sido o primeiro que vira. – Consertar o que?
– Consertar meus erros. Me explicar para a mulher inteligente que me ouvirá, não para a menina que chorava na sala. – Gajeel explicou encarando Levy nos olhos e percebendo que estes ainda o impeliam a se aproximar, e talvez o fizesse por toda a sua vida.
– Gajeel... Está tudo bem. Eu... Eu me iludi e foi tudo. Como eu poderia esperar que você fosse querer alguém como eu? Não há quem queira algo tão sujo assim. – Levy experimentou um sorriso, mas era trêmulo e mais parecia um esgar amargo.
– Pare. Pare com isso. – Gajeel sentia a raiva pela auto depreciação de Levy borbulhando dentro de si, mas conteve sua voz. Será que ela não sabia que qualquer homem lhe daria a própria pele apenas para tê-la? – Você não se vê com os olhos que eu te vejo e não sente por você o que eu sinto, então não coloque palavras não ditas em minha boca.
– Mesmo que você não tenha dito as palavras, eu as entendi muito bem, Gajeel. Não precisa se preocupar. – Levy deu de ombros e, desta vez, sua boca trejeitava um verdadeiro esgar de amargura. – Se você não quer, não são gritos e lágrimas que farão com que você queira.
– Não! – Gajeel esbravejou socando o colchão macio, os olhos cintilando. – Não! Está errada! Por que não enxerga de uma vez que eu te quero, que eu te desejo... Que eu te amo? Tudo o que fiz foi mais difícil para mim do que para você, não duvide. Acha que eu quis me manter longe? Acha que foi fácil me controlar para não fazer com você tudo o que eu sempre desejei, tudo o que sempre sonhei? Levy... Você é a primeira mulher com quem me importo em toda minha vida. A primeira mulher que amo. Por isso te respeito. Quero querer o que você quer e fazer o que você disser. Quero ser todo seu. Quero que você seja toda minha, mas jamais te forçaria a sê-lo e era isso que eu queria que entendesse. Eu quero que me ame e me deseje, mas que isto seja uma decisão sua, e apenas sua. Nunca mais quero que passe por aquele sentimento de impotência, de que não tem controle sobre seu próprio corpo. Quero que você me queira tanto quanto eu te quero, mas estou disposto a esperar por isso o tempo que for necessário. Foi só isso o que eu quis dizer com meus atos. Nada mais.
Gajeel estava arfante quando parou de falar e as lágrimas de Levy estavam novamente correndo de seus olhos para as maçãs de seu rosto e o moreno sentiu-se impotente. Será que nada do que dissesse seria capaz de chegar ao coração de Levy?
– Eu... Eu não sei, Gajeel. – a voz de Levy estava trêmula e baixa, mas Gajeel, por mais que quisesse aproximar-se a abraça-la, enxugar suas lágrimas e dizer-lhe que tudo ficaria bem, não o fez; daria a ela o espaço que ela precisasse. – Eu não me entendo mais.
“Há um ano, tudo o que eu mais queria era que ninguém jamais me tocasse novamente e agora... Olhe para mim, implorando para ser tocada. Mas é só por você, sabia? Só por você. É só você que faz sentir como se eu caminhasse em corda bamba o tempo todo, esperando, esperando, esperando e sempre com medo de cair.
“Eu não quero perder você por que eu quero você. Eu quero! Você não precisa esperar que eu queira, por que já quero! Eu queria te dizer tantas coisas durante todo esse tempo, mas eu queria que você quisesse tanto quanto você esperava o meu querer.
As lágrimas já não mais pareciam de tristeza naquele rosto bonito e corado que novamente sorria e iluminava o coração de Gajeel, fazendo com que o sorriso que Levy ostentava se refletisse em seus próprios lábios.
– Eu estava tão assustada, Gajeel. – Levy prosseguiu. – Tão assustada e com tanta raiva. Tantos pensamentos andaram me passando pela cabeça. Eu cultivava o sentimento de que um homem que eu jamais quis que se aproximasse de mim havia feito coisas horríveis comigo e que, agora que eu finalmente queria alguém... Esse alguém não me queria. E isto me revoltou tanto, tanto!
“Mas eu estava errada. Graças a Deus eu estava errada! Oh, eu não sei o que faria, o que seria de mim se tudo o que eu andei pensando fosse verdade.
“Eu sempre quis te dizer isso, mas sempre tive tanto medo... Mas agora eu quero mesmo dizer. Quero mesmo dizer que você me tirou do mundo de dor e amargura no qual eu estava imersa e me apresentou uma vida nova. Mesmo que você pareça burro e assustador e eu tenha sentido medo quando te vi pela primeira vez, apesar de não demonstrar, com o tempo que passei ao seu lado, você me deu esperanças. Quero mesmo que você saiba que... Eu amo você.
Gajeel realmente sorriu e as lágrimas que não se importava em deixar correr livres por seu rosto eram de felicidade. Finalmente tudo estava dando certo. Finalmente Levy lhe estendia uma mão.
– Aproxime-se. – Levy lhe chamou com um aceno, a mão ainda estendida, as lágrimas ainda nos olhos. – Aproxime-se mais, por favor, que eu já não aguento mais ficar longe de você!
Gajeel finalmente recebera o convite e estava mais do que feliz em saltar sobre Levy, quase esmagando-a sob seu peso e seus braços que a enlaçavam e apertavam com força, mas ela parecia não importar-se, visto que apenas agarrava-se a Gajeel com mãos firmes.
– Sua idiota. Idiota. Idiota. Idiota. Idiota. Mil vezes idiota! – Gajeel ralhou sem larga-la, a voz abafada pelo rosto que tinha aninhado contra a curva do pescoço de Levy, onde aspirara seu perfume por longos minutos em silêncio antes de começar a falar. Sentira tanto medo de jamais poder sentir aquele cheio novamente que não atrevia-se sequer a pensar naquela possibilidade agora que tudo estava rumando para os eixos. – Como pode esconder esses pensamentos idiotas de mim?
– Você também escondeu os seus de mim. – Levy respondeu na defensiva, mas logo seu tom de voz se alterou e lá estava ela atacando, como sempre, fazendo Gajeel sorrir por tê-la de volta. – Como diabos eu poderia saber que uma cadela no cio como você poderia estar recusando sexo por qualquer outro motivo além de não querer?
– Hey! – Gajeel afastou-se apenas ligeiramente do abraço, o rosto a milímetros do de Levy, que sorria brincalhona, como se toda a dor já estivesse esquecida. – Que história é essa de cadela no cio? Você me respeite, viu?
– E se eu não respeitar? O que vai fazer? – Levy arqueou uma sobrancelha, desafiando-o. Um sorriso desenhou-se nos lábios de Gajeel enquanto pensava que realmente amava aquela pequena praga.
– O que eu vou fazer? Eu vou te encher de beijos! – Gajeel respondeu e não deu oportunidade para que Levy lhe respondesse, antes mantendo suas bocas ocupadas uma com a outra em demasia para sequer preocuparem-se em falar.
E assim como uma brasa que é soprada, o fogo espalhou-se. As línguas se enroscavam ansiosas e as mordidas eram fortes, desmedidas; os gemidos eram uma constante, o total oposto das mãos, que não paravam em lugar algum, rumando para explorar novos lugares ou retornando para antigos conhecidos.
Gajeel mal percebeu quando Levy arrancou-lhe a camisa, mas arrepiou-se quando os dedos quentes e macios lhe tocaram o tórax e as costas com avidez enquanto ele mesmo arrancava-lhe a regata que usava, parando para admirar os seios claros pouco escondidos por um sutiã de renda preta, os fios entrelaçados pouco esforçando-se para esconder a pele que deveriam ocultar.
Gajeel tocou-lhe na barriga, abaixo do umbigo, com dedos que eram leves e gentis e apreciou o contato com a pele macia de Levy, subindo lentamente, apreciando-a. Ela era tão linda, e, aqueles seios, tão provocantes! Queria tocá-los, afundar seu rosto neles e chupá-los, mas ousaria?
– Gajeel? – Levy chamou baixinho e atraiu os orbes do moreno para os seus. Ali, naquele momento, Gajeel apenas foi capaz de encontrar a ânsia que ela sentia pelas mesmas coisas que ele. – Pare de se conter, por favor. Não vai me machucar. Eu sei que não vai. Por que eu confio em você.
Aquela foi a deixa.
Gajeel segurou-a pelas mãos e colocou-a de joelhos na cama, as mãos hábeis descendo os shorts do pijama da garota e sentindo que a pele quente arrepiava-se sob seu toque. A boca encontrou-se com a de Levy e beijaram-se enquanto as mãos de Gajeel estavam ocupadas com seus shorts, mas quando deu fim àquela ocupação, subiram pelas coxas de Levy, apertando-as na mesmas medida em que as acarinhava.
A boca encontrou-se com a pele do pescoço de Levy e ali demorou-se, beijando-a, mordendo-a, sugando-a, marcando-a. E então descobriu que deveria fazer uma trilha de beijos até chegar entre os seios de Levy, onde contornou o mamilo esquerdo com o nariz lentamente, o qual já estava intumescido mesmo sem o toque. Os seios dela cheiravam maravilhosamente bem.
As mãos estavam subindo, ousadas, para as nádegas, apertando-as, aproveitando-as. Os gemidos de Levy eram murmúrios monossilábicos e lânguidos, em diferentes entonações de voz. A cabeça estava jogada para trás, os olhos fechados, os lábios entreabertos.
Por um motivo que não era bem capaz de compreender, aquele sutiã de renda de Levy o estava enlouquecendo mais do que tudo o que fazia e até mesmo mais do que as pequenas mãos que se seguravam aos cabelos de sua nuca. Talvez fosse o descaramento do tecido de recusar-se a ocultar algo que deveria esconder, ou talvez fosse o simples fato de que jamais vira seios tão tentadores.
Mordiscou um mamilo e sentiu Levy estremecendo. Seu membro pulsava, mas naquele momento queria aproveitar aquilo que fazia. Daria uma primeira vez inesquecível para Levy.
As mãos que Gajeel pensava serem tão hábeis subiram pelas costas de Levy, sempre tocando-a até encontrar o fecho do sutiã, ao qual desatou com dificuldades. Era mestre em abrir fechos de sutiãs pois o fizera por quase toda sua vida, mas naquele momento, suas mãos tremiam. Não era a primeira vez para nenhum dos dois, mas de certa forma, o era, e Gajeel surpreendeu-se com esse pensamento romântico.
Deslizou as alças pelos ombros de Levy e ela soltou seus cabelos para que a peça pudesse ser esquecida. As pequenas mãos encontraram os ombros fortes de Gajeel e ali permaneceram. E, finalmente, aqueles seios que faziam Gajeel salivar desde que os vislumbrara pela primeira vez estavam completamente desnudos bem em frente ao seu rosto; clamavam para serem chupados e Gajeel chupou-os desmedidamente.
Para seu contentamento, sua língua continuava tão hábil quanto se lembrava, já que Levy passara a gemer mais alto, sua pele arrepiava-se e seus músculos espasmavam apenas levemente.
Percorreu o vale entre os seios em beijos e lambidas muito molhadas, mordiscou um mamilo e tomou-o na boca, a língua contornando-o, provocando-o, a boca sugando-o, incitando-o. O outro seio não ficara esquecido, antes Gajeel tomara-o com uma de suas mãos livres e alisara-o, beliscando o mamilo.
Ali demorara-se e não preocupara-se com isso. Aproveitara bem e, principalmente, fizera com que Levy aproveitasse.
E então os beijos estavam descendo lentamente e também as mãos. Gajeel andara sonhando em tirar a calcinha de Levy havia muito tempo e agora que novamente descia a peça pelas pernas da mulher mal podia acreditar que o faria duas vezes no mesmo dia.
Passou um braço por trás de seus joelhos e outro em suas costas, tomando-a no braços e colocando-a deitada, os braços passando por fora das coxas e as mãos segurando a parte interna enquanto o rosto ficava entre as pernas. Sequer ousou encarar a intimidade de Levy, antes pousou seu queixo logo acima e observou-a toda com olhos famintos.
A barriga era lisa e suave; as coxas que segurava eram firmes, mas macias; os seios eram cheirosos e a parte mais macia do corpo de Levy que aproveitara até então, com pequenos mamilos rosados que pareciam pedir pelo toque; a cintura era fina e delicada; o pescoço era esguio e atraente; as mãos eram pequenas e suaves quando tocavam carinhosamente, como agora o faziam com o rosto de Gajeel; a boca era pequena e sempre sorridente, mas os lábios eram cheios e rosados; o nariz era pequeno e afilado; o rosto tinha um adorável formato de coração e as maçãs deste encontravam-se adoravelmente coradas; os cabelos eram, naquele momento, uma desordem sensual de mechas azuis onduladas; e ali estavam os olhos que continuavam gritando com Gajeel, impelindo-o a aproximar-se mais. Mais. Sempre mais.
– O que está esperando? Um pedido formal? – Levy perguntou, os polegares contornando as maçãs do rosto de Gajeel. – Me chupa logo!
Não foi necessário que Levy o incentivasse uma segunda vez. Gajeel separou um pouco mais as pernas que segurava e observou-a apenas por um momento, admirando-a. Estava muito molhada e umedecera as coxas quando estas estavam unidas. O cheiro era todo Levy. Os lábios eram rosados e Gajeel tocou-os apenas com a ponta da língua, sentindo a maciez e o gosto do líquido quente e ligeiramente espesso, apreciando-os.
– Você é muito linda, Levy. Em todos os lugares. – Gajeel sussurrou, certo de que ela o ouvia. E ainda acrescentou. – E muito saborosa também.
Antes que Levy pudesse lhe responder, Gajeel tomou o clitóris que pulsava em sua boca e chupou-o lentamente, a língua brincando e deslizando ali em um beijo muito molhado, os gemidos e arfadas de Levy satisfazendo seus ouvidos.
Ali permaneceu por muito tempo, apresentando a Levy toda uma gama de sensações partidas de toques diferentes em regiões distintas do mesmo lugar. Mordiscara ligeiramente os grandes lábios e chupara e lambera o pequenos. Penetrou-a com sua língua e depois retornou ao clitóris, muito determinado a fazê-la atingir o mesmo êxtase alcançado horas mais cedo.
Mas surpreendeu-se. Quando Levy agarrou-lhe os cabelos com força e empurrou seu rosto contra sua intimidade enquanto esfregava-a em sua boca, seu orgasmo viera ainda mais intenso, tornando o gosto do líquido que a umedecia ligeiramente mais forte. Mais delicioso, diria Gajeel, se não estivesse com a boca tão ocupada.
E, de repente, nada mais estava como era. Antes mesmo que percebesse, Levy o empurrara, colocando-o deitado e sentara-se sobre seu tórax, as pernas ladeando seu corpo e um beijo ansioso tomando os lábios de Gajeel com voracidade. Ele podia sentir o líquido quente de Levy umedecendo a região de sua barriga que a intimidade molhada tocava e aquilo aumentou sua ansiedade por concretizar seus mais profundos desejos.
E ela desceu, colocando-se entre as pernas de Gajeel e mirando-o com olhos que eram um mar de sentimentos, sensações, perguntas e respostas. Desabotoara sua bermuda e a retirara com a ajuda do moreno. Ali restava apenas a cueca boxer preta, que escondia seu membro dos olhos de Levy, mas não o volume que fazia.
Levy mordeu o lábio inferior e disse nervosamente:
– Eu... Eu não sei bem o que fazer.
– Levy... Você sabe que não precisa, se não quiser. – Gajeel sussurrou, compreensivo.
– Mas eu quero! – Levy ralhou em tom manhoso e Gajeel sorriu.
– Então faça o que quiser. Não precisa ter medo. – o moreno explicou pacientemente ao se apoiar em seu cotovelos para erguer-se apenas ligeiramente, o suficiente para encarar Levy de uma boa altura. – Apenas não morda. Não coloque na boca, se não quiser, mas, se colocar, tome cuidado com os dentes.
Levy engoliu em seco e puxou a cueca de Gajeel pelo elástico lentamente, a ereção do moreno erguendo-se diante de seus olhos muito abertos e de seu rosto muito corado enquanto terminava de retirar a peça pelos pés de Gajeel.
Hesitante, segurou-o com uma de suas mãos pequenas e o rapaz notou quão temerosa ela estava, mas não saberia dizer exatamente o motivo. E sua mente embranqueceu quando ela movimentou aquela mão tão suave para baixo e para cima em seu membro, e de novo, e novamente, e continuamente.
Era a vez de Gajeel gemer e o fez sem pudor quando Levy tomou o membro grande e pulsante em sua boca e seu mundo se desfez na sensação da boca molhada e quente que o envolvia timidamente e descia e subia. Quando a língua macia contornou sua glande, Gajeel exalou todo o ar de seus pulmões em uma arfada.
Para uma garota inexperiente, Levy estava fazendo um trabalho maravilhoso e Gajeel demonstrava o quanto o apreciava através de seus gemidos e das mãos que seguravam os cabelos azuis, mas sequer fizera qualquer gesto com estas que indicasse que queria ditar o ritmo, pois o de Levy estava extasiante.
Ela continuou por pouco tempo a sentir o gosto apenas ligeiramente salgado do líquido que umedecera a glande do membro de Gajeel, pois ele puxou-a com força ao sentir que estava sendo levado a estocar até a garganta e o fora vezes seguidas, gemendo e arfando antes de recuperar as forças de seus músculos para puxar Levy.
– Não estava bom? – Levy perguntou e Gajeel sentiu que seu membro pulsava diante da visão de Levy com a boca tão úmida e avermelhada, um fino filete de saliva escorrendo sensualmente de seus lábios para o queixo.
– Bom demais. Demais. – Gajeel enfatizou, limpando seu queixo com o polegar e sorrindo. – Mas, se continuasse... Eu gozaria.
– Oh. – Levy compreendeu com o rosto ainda mais ruborizado. Gajeel estava imaginando que era por conta do que acabara de fazer, mas quando ela falou, percebeu que era pelo que ainda estava por dizer. – Então vamos até o fim. – engatinhou sobre o corpo de Gajeel, os corpos nus roçando-se tentadoramente, e estendeu a mão para o criado-mudo ao lado da cama, abrindo a primeira gaveta e retirando um preservativo. – Eu não tenho certeza se sei fazer isso.
– Tudo bem, eu faço. – Gajeel prontificou-se, ocupando-se em abrir a embalagem e colocar o preservativo em seu membro. Mal conseguia acreditar que Levy realmente queria aquilo. – Tem certeza?
– Mais do que já tive de qualquer coisa na minha vida. – Levy sorriu timidamente e Gajeel temeu perder o controle por um momento. — É você. Tem que ser você, eu sei disso. É só você e sempre será.
Gajeel segurou ambas as pequenas mãos nas suas e beijou-as. Em seguida, beijou os lábios de Levy carinhosamente:
– Então vamos fazer de um jeito que seja você quem tem o comando. Quero ter certeza de que está gostando.
E o moreno guiou uma tímida Levy por sobre si, as pernas claras ladeando seu corpo e ele lhe segurou os quadris enquanto ela posicionava seu membro à entrada muito molhada e descia sobre este lentamente, os gemidos retornando, saindo dos lábios de ambos e cruzando em pleno ar, unindo-se em uma canção de prazer.
Lenta e cuidadosamente, Levy subiu e desceu sobre o membro de Gajeel e continuou a fazê-lo incessantemente, sentindo-o estocar fundo e pulsar dentro de si enquanto o moreno sentia-a contraindo-se e relaxando, massageando-o.
As mãos pequenas apoiavam-se nos ombros de Gajeel, mas assim que a velocidade dos movimentos aumentou, as unhas cravaram-se na pele desnuda, marcando-a enquanto os quadris de Levy subiam e desciam rapidamente, com maestria, movendo-se em círculos fechados seguindo a melodia que os gemidos entoavam.
Extasiado, Gajeel observou seu membro entrando e quase saindo de Levy para enterrar-se todo novamente, o líquido quente que escorria da intimidade apertada ensopando sua virilha. Os seios moviam-se hipnoticamente em frente aos seus olhos, subindo e descendo de acordo com os movimentos de Levy.
Ela estava quase gozando, Gajeel bem sabia, pois movia-se alucinada, alheia e pompoava loucamente. Quando as unhas desceram de seus ombros para seu tórax, deixando marcas de arranhões no caminho e Levy jogou a cabeça para trás, Gajeel mais sentiu do que soube que ela gozava, a boca aberta sem que nenhum som de lá saísse, o orgasmo lhe roubando a voz enquanto o corpo estremecia e a intimidade de Levy apertava-se fortemente em torno de seu membro, todos os seus movimentos cessando.
Um rosnado rouco saiu por entre os dentes de Gajeel quando agarrou-se aos quadris de Levy e ergueu-os, trazendo-os contra si novamente quando arremetia e seguiu com aqueles movimentos, sentindo seu próprio orgasmo muito próximo a cada repetição, os gemidos de Levy preenchendo seus ouvidos novamente enquanto ela ainda estremecia e agarrava-se a ele com força.
E então, em uma explosão de energia que lhe drenou as forças, Gajeel atingira seu ápice do prazer, arfante e trêmulo. Levy exigira dele mais do que pensara que ela poderia.
A jovem largou-se sobre seu tórax e abraçou-o, a respiração tão difícil quanto a sua e Gajeel abraçou-a com força, sem retirar-se de dentro dela.
Estavam tão próximos quanto poderiam estar, tão unidos quanto as Leis da Física permitiam, com corações tão sincronizados como nunca antes. Naquele momento de silêncio em que as vozes lhes tinham sido roubadas, um sentimento pairava, quase palpável.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!E foi ali, com os braços de Levy a lhe segurar com força trêmula, que Gajeel entendera que, a partir daquele dia em diante, jamais permitiria que Levy se afastasse de si.
Queria-a sempre próxima e em todas as vezes que percebesse que ela se afastava, chamá-la-ia para perto sem medo de dizer as palavras mágicas que ela havia lhe ensinado: “Aproxime-se.”.
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