Come Back To Me.
4 Encontro as escuras.
Notas iniciais
Passaram-se alguns dias desde que eu enviei a resposta da carta de Killian, por incrível que pareça, ele foi o único amigo que tive em toda minha vida. Conversava com outras princesas mas elas não gostavam de falar sobre espadas e guerras, ou qualquer outro assunto importante do reino, apenas de roupas, príncipes e blá-blá-blá. Tanto que a maioria delas nem gostavam de mim.
Os dois dias que a gente se viu, foi o suficiente para saber que ele poderia ser um amigo fiel, por mais que fosse pirata. Killian tinha um coração, um bom coração, mas muitas vezes não fazia questão de usa-la. A sua tripulação o amava, respeitavam-no e se alegravam com sua presença, Killian tinha amigos, Smee, os tripulantes e as vadias que ele levava até o navio.
Ouvi dizer que ele estava começando a causar problemas no reino. Me disseram que ele e sua tripulação estava roubando carruagens e suas joias, ouro, coisas que piratas fazem para serem conhecidos como piratas.
Depois que meus pais descobriram que fiquei bebada, não me deixaram mais sair, apenas para minhas aulas, treinos com cavalos e 'treinar' com os guardas usando a espada. Killian me disse que eles só me ensinavam porque eu era a princesa e porque meu pai queria, por uma parte vi que era verdade, porque a única coisa que eu aprendi foi como segurar uma espada.
— Minha Princesa, uma carta para a senhorita.
Aquela informação me animou, talvez fosse Killian, dizendo que iria me ensinar a lutar com espadas e tudo o que ele prometeu, não tinha mais amigos para me mandar cartas.
"Princesa Emma,
É com muita alegria e aflição que lhe envio esta carta, desde meu coração pedindo que me acompanhe ao baile real que Rei James está preparando. Se não for muito incomodo da parte desse nobre Principe, responda-me com positividade.
Com todo carinho e amor que possa haver em meu coração, Principe Jullius."
Idiota, claro que não iria aceitar, ele sequer olhava na minha cara nos encontros e mal conversava comigo e dizia me amar?!
— Que brincadeira é essa? — perguntei brava jogando a carta na mesa onde estavam meus pai — Isso é o que? Complô para fazer com que eu aceite me casar com esse principezinho chato? Não vou me casar com ele.
— Minha filha, que ótimo, ele está te convidando. — disse sorridente James
— Se vocês não se lembram, eu preciso de um AMOR VERDADEIRO, não um casamento arranjado.
Sai batendo a porta e indo até o Marcos.
— Marcos, preciso de um favor seu! — sussurrei
— Claro Princesa, é por aqui. — sorriu disfarçando
— Eu precisava conversar com o Killian, sabe bem que ele é meu único amigo, sabe que preciso falar com ele sobre muitas coisas e preciso que me ajude.
— Senhorita, a ordem é para não lhe deixar sair. — respondeu desapontado — Mas posso ir eu mesmo falar com ele.
— Isso, vá. — sorri — De pressa!
— Preciso pedir ao Rei James. Só um minuto!
Fomos até a sala de meus pais e pedimos.
— Pai, eu queria muito comer um doce, mas o senhor não me deixa sair para comprar e não tem mais o doce que quero aqui no castelo, o guarda Marcos pode ir comprar?
— Claro, peça que outro fique em seu lugar e vá, mas não se demore.
Acompanhei Marcos até a entrada do castelo.
— Peça que lhe entregue a resposta da minha carta e diga que eu vou dar um jeito de vê-lo novamente.
— Tudo bem! — sorriu Marcos — Ah, Princesa...
— Sim?
— O que está acontecendo entre você e o Capitão do Jolly Roger?
— Ele é o único amigo que tive em anos, precisa me ajudar.
Ele apenas sorriu e foi em direção a vila.
Killian narrando.
Resolvi cuidar da Jolly Roger com Smee esta manha, não sai e os marujos também não, me ajudaram a fazer os reparos necessários no navio.
Vi um guarda do castelo se aproximando e falando com Richard, segundos depois ele vinha a minha direção.
— Capitão, aquele é o guarda Marcos, ele trás uma mensagem de Swan!
Corri até Marcos.
— Capitão Killian Jones?
— Sou eu. — sorri
— A Princesa, pediu que o procurasse. Ela disse que precisava conversar com o Senhor e pediu para que eu levasse a resposta da carta que ela lhe mandou a alguns dias.
— Eu não escrevi, achei que ela não voltaria tão cedo, mas se o senhor puder esperar eu vou agora mesmo escrever ela.
— Sim, mas não se demore.
Levei-o até a cabine e me sentei, escrevi uma respostas as pressas mas mesmo assim, com muita vontade de vê-la.
— O que ela falou exatamente?
— Que o Senhor era o único amigo que ela teve em anos e que não poderia te perder.
— Ótimo que ela pense assim — sorri — Ela vai pedir sua ajuda, não negue, é importante!
— Preciso alerta-lo Senhor, cuidado, você pode perde-la.
— O que? Não vou perder ela, confia em mim!
Entreguei a carta a ele e o mesmo partiu carregando a carta.
Emma narrando.
A demora me deixava aflita, porque uma princesa não podia ter amizades com piratas? Qual o grande problema nisso? Eu sabia que era errado mas os piratas são mais legais que essa gente da realeza.
Aproveitei a saída de meus pais para cavalgar um pouco, quando voltei ao meu quarto havia uma carta em cima do meu travesseiro.
Era de Killian.
"Olá Swan,
queria pedir perdão por não ter enviado a resposta a sua carta antes, eu estava realmente confuso se poderíamos manter contato.
Quando vi Marcos hoje, uma alegria imensa bateu em meu peito e eu senti que sim, poderiamos continuar nossa amizade, secreta, mas poderiamos continuar com ela.
Está noite, me encontre no poço mais afastada do castelo, estarei lá a sua espera, com duas espadas e um pouco de rum. Se aparecer, significará que nossa amizade não vai morrer, mas se não, no próximo mês zarparei com meus marujos e nunca mais voltarei para a Floresta Encantada.
P.S. Peça ajuda de Marcos para chegar até lá.
Espero lhe ver lá, com carinho, seu amigo Killian."
Corri até o Marcos e pedi que me levasse até este tal poço, ele o fez, mas com grande angustia no olhar. Havia algo errado e ambos sabiam o que era.
— Vai contar a ela sobre a maldição? — perguntou aflito
— Não, ele não pode saber. — suspirei — Isso estragaria tudo, nossa amizade é muito importante e eu preciso manter isso em segredo!
— Tudo bem, mas em cinco meses é seu aniversário, chegará a maior idade e sabe bem o que acontecerá. Como irá esconder isso dele?
— Espero que até lá ele já tenha zarpado. — suspirei — Eu vou morrer Marcos, até agora eu não encontrei ninguém. Meus pais não podem me salvar, nem a mim mesma posso salvar. Passei a vida atrás de um amor e ele nunca apareceu, não será agora que ele aparecerá!
— E se ele já apareceu?
— Como assim?
— O Capitão!
— Não seja tolo! Ele é apenas um amigo e não me ama, claro que não. Foram só dois dias que nos vimos e sabe bem que um amor nasce com o tempo, e esse tempo eu não tenho.
— O amor pode vir de formas diferentes! — disse esperançoso
— Não vou colocar Killian em meu problema, esse problema é algo que eu preciso enfrentar sozinha.
As horas foram se passando e logo anoiteceu, fingi dormir quando meus pais apareceram no quarto para se certificar de que estava tudo bem, Marcos seria o guarda que ficaria me vigiando esta noite.
Assim que todos foram dormir, coloquei minha roupa e a capa, levei minha espada e fui ao encontro de Killian.
— Swan. — disse com seu sorriso torto que o deixava sexy e correu a meu encontro — Você sumiu! — exclamou — Realmente achei que não viria.
— Porque achou isso?
— Provavelmente porque sou um pirata e não consigo fazer com que as pessoas confiem em mim!
— Eu confio! — sorri — Obrigada por sua amizade Killian.
Ele apenas sorriu e tirou a capa que eu estava vestida.
— Vamos ver o que consegue fazer! — riu Killian ao ver minha espada
— Muita coisa, ok?
— Vejamos!
Começamos uma 'luta', era claro que ele ria de meus golpes e fazia o melhor que podia para não cair na gargalhada.
— Realmente esses guardas não te ensinaram nada.
Durante um longo período ele me ensinou o modo certo de usar e manusear a espada, me ensinou golpes precisos e rápidos e tudo o que ele sabia.
— Ufa! — bufou ele — Achei que nunca ia conseguir, mas até que você aprende rápido, amor.
— Meu dever é aprender rapido. — sorri
— Então, quer rum?
— Hoje não. — sorri novamente me recordando das poucas lembranças que restou daquela noite
— Deixe eu te fazer uma pergunta, você nunca usa vestidos? — riu
— Não, são muito apertados, eu mal respiro neles! — caimos na gargalhada — Mas eu prefiro mesmo minha botas e calças, aquelas roupas me dão enjoo! — ri
— Você fica bem de vestido. — sorriu — Se aquele vestido de camponesa, todo remendado e feio caiu bem em você, imagina um de 'princesa'?!
— Killian, você também ficaria bem de príncipe. — sorri
— Sou diabolicamente lindo, qualquer coisa cairia bem em mim.
— Devo dizer, você é muito metido. Mas por um lado é verdade! — rimos
— O que você mais gosta em mim?
— Eu acho que... — fiz uma pausa e pensei — Os olhos e o sorriso. Seus olhos com este tom de azul e pigmentos esverdeados, e seu sorriso torto, ele o torna sexy. Quando você combina esses dois, fica irresistível! — o olhei e ele estava fazendo exatamente oque eu acabara de descrever — Exceto para mim. — ri
— Então me acha sexy?
— É, sim eu acho. — abaixei a cabeça, corada — E você, o que mais gosta em mim?
— O modo como você fica corada facilmente e abaixa a cabeça sempre que diz algo constrangedor. — sorriu — E o modo como tenta levar homens para cama quando esta bêbada! — caiu na gargalhada
— Como? — perguntei sentindo meu rosto queimar
— É, eu não ia falar nada mas não resisti. No dia em que nós ficamos bêbados, fomos para praia ver o mar, se lembra?
— Vagamente!
— Eu estava preocupado em como faria para te trazer até o palacio e ai eu perguntei "como vamos fazer para te levar para casa?" e voce falava assim, no meu ouvido "me leve para a sua casa" — sussurrou em meu ouvido dando enfase as duas ultimas palavras — "Me leve para a sua casa" — sussurrou novamente me causando arrepios
— Meu Deus, me perdoe, eu realmente não sabia o que eu tava fazendo.
— A melhor parte foi você subindo no meu colo e dizendo isso. — sorriu com uma certa malicia — Mas claro, eu me controlei e disse para não fazer aqui, eu me conheço não demoraria muito para te levar pra minha casa mesmo, mas o seu estado me deixou com dó e obviamente, somos apenas grandes amigos. — sorriu
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